Zanzibar: Ilha paradisíaca no leste africano

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Imagine uma ilha paradisíaca na costa da Tanzânia, na África Oriental. O que vem à sua cabeça? Pense em um mar claro, vegetação verde viva, frutas doces, especiarias várias… cúrcuma, cravo, canela… e o cheiro delas mesclado com a maresia.

Pense em uma população bem humorada, em canções em swahili, em flores cor-de-rosa. Tudo isso poderia definir Zanzibar, mas ainda seria muito pouco considerando tudo que essa ilha pode oferecer.

coqueiro em praia paradisiaca na ilha de Zanzibar na tanzania
Kizimkazi


Como chegar em Zanzibar?


O aeroporto da ilha é super pequeno. Mesmo assim, lá chegam vôos de diversos lugares do mundo. Outra opção para acessar a ilha, é pegar a balsa em Dar Es Salaam, a ex-capital da Tanzânia. A travessia custa 35 usd.

Para entrar na Tanzânia é necessário um visto no valor de 50 usd e um comprovante de vacina de febre amarela. O visto é obtido na entrada do país, tanto no aeroporto de Zanzibar, quanto no aeroporto de Dar Es Salaam, e também nas fronteiras terrestres.

O que fazer em Zanzibar?


Todas as praias da ilha são excelentes e todas têm sua particularidade. No sul, a tábua da maré varia tanto que às vezes parece uma praia deserta, sem mar, e, horas depois, o mar sobe até as casas construídas na frente da praia.

Kizimkazi é o extremo sul da ilha e é muito tranquilo. Não há muito turismo, como em outras partes de Zanzibar e a vila local é habitada por pescadores. Ali se observa uma forma de viver bem simples e tranquila. Vale muito a pena.

mar azul, areia e conchas em praia da ilha paradisiaca de Zanzibar
Jambiani


De Kizimkazi saem passeios para ver e até nadar com golfinhos:

MAS ATENÇÃO

descobri um pouco tarde demais que o barulho dos barcos (e saem muitos barcos) atrapalha a ecolocalização dos golfinhos, isto é, a capacidade deles de se localizar através do som. Isso é extremamente estressante e prejudicial para eles, por isso, recomendo buscar um barco a vela para ir visitá-los. Além disso, o melhor é fazer esse passeio o mais cedo possível, porque barcos e turistas saem de todas as partes da ilha em busca dos golfinhos.

Em Kizimkazi também fica a Promised Land, um lodge e restaurante super aconchegante, com uma vibe de paz de espírito e um reggae tocando ao fundo. Um ótimo lugar para descansar, tomar uma cerveja e ver o maravilhoso pôr-do-sol.



Também vale a pena subir a ilha e visitar as praias de Jambiani e Paje. Lá o mar tem o mesmo tom azul-esverdeado das praias ao sul, porém há muito mais vento, o que torna Paje um dos principais points de Kitesurf de toda ilha. Jambiani também é especial pela presença dos “red monkeys”, uma espécie de macacos ameaçada de extinção. Um dos únicos lugares em que eles ainda podem ser vistos, é Zanzibar. Outro lugar da ilha em que os red monkeys, assim com outras espécies de macacos estão presentes é o parque nacional Jozani Chwaka Bay. A entrada custa 8 usd.

A Chwaka Bay, ao norte de Paje e ao centro da ilha, é onde fica o famoso restaurante The Rock. Sinceramente, foi a minha única decepção em Zanzibar. O restaurante fica no meio do mar e para acessá-lo é necessário pegar um barco ou esperar a maré baixar. Além disso o restaurante é absurdamente caro e as porções são minúsculas. Um passeio extremamente caro, turístico e pouco relevante para a experiência como um todo.

Um destaque da costa leste são as praias Kiwengwa e Matemwe. Já o norte da ilha é muito mais famoso e turístico que o sul e existe uma razão para isso: a água do mar ao norte, tem um tom de azul turquesa que eu nunca tinha visto antes na vida.

pôr-do-sol maravilhoso na praia de Kizimkazi, ilha paradisiaca de Zanzibar
Kizimkazi

Areia fina, água turquesa, uma maré que não varia tanto… Não é surpresa que a praia de Nungwi, no extremo norte da ilha, se tornou a mais famosa! E por isso, o que não falta por lá são restaurantes, hotéis e festas. Gostei muito dos restaurantes Coco Cabana, Mama Mia e Coccobello. Também gostei da festa da lua cheia em Kendwa Rocks.

No norte da ilha também tem muitas opções de mergulho e snorkeling. A ilha de Tumbatu é deslumbrante, com uma vida marinha exuberante, muitos corais coloridos, peixes e estrelas do mar.

Na costa oeste, tem as “Spices Farms”, as fazendas com plantações dos temperos mágicos da ilha. Um tour por ali vale muito a pena, principalmente para quem gosta de cozinhar. Os valores dos passeios variam muito, porque encontrar quem te leve nessas fazendas é algo que se faz através do boca a boca e de contatos. Meu tour custou 5 usd.

Lua cheia no ceu azul no norte da ilha de Zanzibar
Lua cheia



O centro antigo da ilha, conhecido como Stone Town, é uma atração além das praias. Foi ali que Freddie Mercury, astro principal da banda Queen morou com sua família. Hoje a casa dele é um hotel e só pode ser visitada por fora.

Zanzibar teve muita influência árabe. E isso se manifesta na cultura, língua e arquitetura da ilha. As vielas e arcos de Stone Town são um retrato disso. Considerado patrimônio da Unesco, o centro de Zanzibar tem muitas construções e prédios importantes e cheios de história. Alguns deles são o museu “Beit el-Ajaib”, o antigo forte e a catedral anglicana, construída no local do maior mercado de escravos, fazendo-nos lembrar e refletir sobre a tristeza e as injustiças da escravatura.


De Stone Town também saem barcos para Prison Island, onde tem tartarugas gigantes de até 100 anos de idade. Também é possível ir para Nakupenda beach. Essas viagens custam cerca de 15usd

Para se locomover de norte a sul na ilha é um pouco complicado, pois as estradas são péssimas e o táxi é caríssimo. O transporte local é o dala dala, e andar nele é uma aventura à parte, mas que faz parte da experiência, além de ajudar muito na economia da ilha. De qualquer forma, recomendo organizar muito bem os passeios, e até dividir as hospedagens para não perder tempo e energia com os deslocamentos.

transporte local da Tanzânia, o dala dala
Dala dala


O que comer em Zanzibar?

Frutas. Muitas frutas. A ilha tropical é rica em todas as frutas imagináveis, como o nosso país, Brasil. Só que lá eles as usam muito na preparação das refeições todas. Há muitos pratos com banana e muitos com coco, que é utilizado até no feijão. Água de coco também é abundante, além, claro, de pratos com as especiarias da ilha, que são muitas.

Em Zanzibar ficam algumas das praias mais incríveis que eu já vi na vida. Lá tem muita dança, alegria, cultura, diversidade e tantas outras coisas que não são possíveis descrever. Isso é Zanzibar.

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Nairóbi, uma capital de contrastes

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nairóbi não era nada mais do que um grande pântano até o fim do século XIX. Antes, a capital do Quênia era Mombasa. Isso até os ingleses construírem a linha de trem que liga Mombasa à Uganda, que é, até hoje, um dos trechos mais importantes para o comércio na região. Como Nairobi está localizada entre Mombasa e Kampala, a capital da Uganda, acabou sendo o local que os trabalhadores escolheram para se instalar.  A partir de então, foi crescendo até se tornar a metrópole que é hoje. A atual capital do Quênia é a sexta cidade mais rica da África e a maior entre Cairo e Johannesburgo.

Por causa das chuvas constantes e da temperatura que varia de muito calor de dia a um frio quase agradável de noite, Nairóbi é muito rica em natureza e em vegetação: uma capital muito verde ao redor dos carros e prédios.


menina alimentando Girafa em Nairóbi, capital do Quênia
Giraffe Centes

É também uma cidade de contrastes: um lado da cidade é muito rico, com hotéis, escritórios, prédios gigantes, cinemas, shoppings e muitas lojas de marca. Já no outro lado a miséria é escancarada. Kibera, a maior favela da África, está localizada ali.

O centro da cidade chega a me lembrar São Paulo. A River Road, avenida principal e também terminal dos matatus (o transporte local), pode ser comparada à 25 de Março. Lá é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, e principalmente “barraquinhas” e comércios de rua. Tudo por um preço bem acessível. É confuso e bagunçado, mas é onde tudo acontece.


silhueta de homem, fumaça, restos de lixo e arvores
Queimando o lixo em Nairóbi

O que fazer em Nairóbi

Museu Nacional

O Museu Nacional de Nairóbi merece uma tarde inteira reservada só para ele. Ali é possível conhecer a história das mais de 40 tribos que formam a identidade queniana, assim como a história do Quênia desde sua colonização até a recente independência, em 1963.

O museu também conta com exposições de arte rupestre, fósseis de origem humana, exposições sobre mamíferos, vida aquática e também sobre a vida das aves. Além de tudo isso, há um parque de cobras na frente do museu. A entrada para o museu custa KES 1.800 incluindo o parque das cobras. A visita ao museu sem passar pelo parque custa KES 1.200.

KES é o código para a moeda do Quênia, o shilling queniano. Cem shillings quenianos valem um dólar, ou 27 shillings valem um real

foto em preto em branco, fotos antigas no contorno de uma escada no Museu Nacional de Nairóbi
Museu Nacional

Giraffe Center e Giraffe Manor

O Centro de Girafas de Nairóbi é um santuário de girafas. Quatro das nove espécies de girafas que existem no mundo estão no Quênia, dentre as quais a Rothschild, que está ameaçada de extinção. É por esse motivo que o santuário existe. Lá as girafas são cuidadas enquanto bebês e aos 3 anos de idade, já adultas, são reinseridas em parques nacionais da região oeste do país e da Uganda.

No centro é possível observar as girafas Rothschild, alimentá-las e também aprender muito sobre a vida delas. Ali há também um centro de educação ambiental que tem como principal objetivo conscientizar os visitantes sobre a importância da preservação ambiental.

Ao lado do centro de girafas está o Giraffe Manor, um hotel cinco estrelas, onde é possível se hospedar e interagir com as Rothschild. A entrada para centro custa KES 1.000,00.

Kenyatta International Conference Center

O Kenyatta International Conference Center é maior prédio público da cidade e o terceiro maior do Quênia. Tem 28 andares e uma vista panorâmica para toda a cidade. Um moderno centro comercial, com bancos, escritórios e também conferências. O rooftop é aberto ao público e custa KES 500.

Parque Nacional de Nairóbi

O único parque nacional dentro de um perímetro urbano do mundo, o Parque Nacional de Nairóbi oferece aos visitantes a possibilidade de vivenciar a natureza plena e harmônica. Algumas das espécies que podem ser vistas ali são: hipopótamos, gazelas, leões, zebras, girafas, búfalos, guepardos e leopardos, além de centenas de espécies de aves.

A entrada do parque para turistas é de 60 dólares e é necessário ter um carro para visitar. Pacotes a partir de 100 dólares ao dia são oferecidos por diferentes agências de turismo.


Zebra comendo no Kenya
Zebra comendo

O que comer em Nairóbi

A comida tradicional do Quênia lembra um pouco a comida brasileira. Ugali é uma massa de milho que lembra o arroz, mas com uma consistência diferente. O feijão também é muito comum, principalmente acompanhado de couve. Ghiteri é outro prato típico com feijão, batata e milho. O Chapati, um tipo de pão, também é muito comum por aqui.

Como toda grande metrópole, Nairóbi oferece comida de todos os tipos. De comida japonesa a culinária etíope. A área de Westlands oferece muitas opções de bares e restaurantes. Os mais famosos da cidades são: o Mediterraneo, que serve comida italiana; o Hashmi, uma churrascaria indiana; o Sarabi, que é um bar e restaurante dentro de um hotel; e o Talisman, que é um restaurante de comida variada, mas principalmente do Oriente Médio.

Para a vida noturna, Nairóbi também tem opções de bares e baladas. Conheci algumas como a Black Diamond, Alchemist, Brew Bistro, K1 Klub House e o Kengeles Bar.


pulseiras, missangas e outros artesanatos no tradicional Masai Market em Nairóbi, capital do Kenya
Masai Market

Em Nairóbi vale a pena também checar o Masai Market.Como já citado anteriormente, o Quênia é formado por mais de 40 tribos. A mais populosa delas é a Kikuyo, mas a mais famosa é a Maasai. Uma das características da cultura Masai é a cor vermelha, mas as vestimentas vão muito além disso. O mercado acontece todos os dias em um ponto diferente da cidade. Lá é possível encontrar diferentes tipos de artesanato, roupas e peças da cultura masai e aprender um pouco sobre ela.

Nairóbi é uma metrópole multicultural com muitos contrastes e opções de entretenimento e história. Muito indicado pra quem quer conhecer mais sobre o Quênia e entender um pouco sobre a África.



Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

 

Música, luz e cores de Palermo

Por: Maria Fernanda Romero
Revisão: Clara Porta Guimarães

Palermo, a capital da Sicília, é uma cidade bem intensa e cheia de contrastes. Me senti fora da Europa, na capital da Argentina ou em uma grande metrópole do Brasil.

As cidades da Sicília são conhecidas pela desorganização e pelo caos, mas Palermo tem uma desordem ainda mais evidente nas ruas de Kalsa, o bairro árabe, ou nas vielas do Quattro Canti, que começa no cruzamento entre a Via Maqueda e a Corso Vittorio Emanuele.

FESTIVAL DE ARTE DE RUA

Foi lá que aconteceu o festival de arte de rua “Ballarò Buskers” nos dias 19, 20 e 21 de outubro.  A região também é conhecida pelos mercados, que lembram as feiras brasileiras. O Mercato Ballarò é o mais conhecido. Frutas frescas, peixes e artesanatos se misturam e colorem Palermo.

praca com muito verde na capital da sicilia
Palermo

Durante o Buskers Festival tudo isso se misturou com circo, teatro, dança e música. A abertura do Festival foi na Piazza Mediterraneo com Marco Masetti e Alessia Spatoliatore: uma combinação de circo de rua com teatro. Leve e divertido, agradou público de todas as idades.

mulher danca na rua em festival de arte em palermo

Sábado e domingo, durante a tarde, as crianças tomaram conta das ruas. As praças Mediterraneo, Brunaccini e Casa Professa, foram palco de laboratórios de circo e artesanato. Os pequenos se divertiram e coloriram o bairro ainda mais.

Durante a noite muita música acompanhou as apresentações de teatro e circo. A praça Ballaró e a Santa Chiara foram as mais animadas, com shows que se estenderam até o início da madrugada.

pessoas caminham na rua  e saxofonista e seu filho se apresentam em Palermo

MAIS EM PALERMO

Motoqueiros sem capacetes, carroças, gritaria e arte estão por toda a parte na capital cultural da ilha. Os contrastes de Palermo são notados principalmente pelas ruas velhas e muitas vezes sujas, nas casas mal-cuidadas contra a arquitetura deslumbrante. O renascimento italiano impera nas construções, principalmente nas Igrejas indescritivelmente bonitas, imponentes e com muito mármore. As mais conhecidas do Centro Histórico, além da Catedral de Palermo são a Chiesa di San Giovanni degli Eremiti e a Chiesa di Santa Maria dell’Ammiraglio ou Chiesa della Martorana.

ESCOLA DE SAMBA EM PALERMO

Outros pontos turísticos da região são o Palazzo dei Normanni e a Piazza Bellini, onde está a Fontana Pretoria. Alguns edifícios da Piazza Bellini estão conservados desde 1400. É impressionante e maravilhoso. Além disso, no Borgo Vecchio fica o Teatro Massimo, uma das casas de ópera mais famosas do mundo e a maior da Itália. É uma das locações de “O Poderoso Chefão”.

CATEDRAL DE PALERMO
Catedral de Palermo

Quem desembarcar em Palermo viverá uma experiência intensa e encontrará muita história, cultura e diversão.

Catalunya é muito mais que Barcelona

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Barcelona é a maior cidade da comunidade autônoma da Catalunya. É famosa por sua arquitetura exuberante e intrigante, e pelos seus museus, parques, praias e festas. É uma cidade que nunca para e que, às vezes, até satura um pouco por estar sempre cheia.

A cidade é tão rica em cultura e opções de entretenimento, que muitos turistas passam uma semana ou mais na cidade sem se cansar. Entretanto, para quem tem tempo e quer conhecer mais a fundo a região, tem muitas outras coisas incríveis pela Catalunya.

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Sagrada Família

Saindo de Barcelona, sentido norte, ou no sentido da França, há um leque de possibilidades turísticas: De cidades interioranas, medievais e praias incríveis até montanhas onde, dependendo da época do ano, é possível esquiar. O único defeito é o preço do pedágio. Uma viagem de carro pela Costa Brava pode custar até 50 euros em pedágio, mas explorar cada cantinho dessa região compensa muito pela sua beleza natural e arquitetônica.

GIRONA

A 100 km de Barcelona, Girona é a segunda província mais visitada da Catalunya. A cidade medieval conserva construções do período e também trechos da muralha que envolvia a cidade durante a Idade Média.

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Girona

A Catedral de Girona, construída no século XI, é uma construção gótica maravilhosa. Segundo uma lenda da cidade, as moscas de Girona protegeram toda a riqueza da cidade que estava guardada na Catedral durante a invasão das tropas francesas. A verdade é que quando a cidade foi invadida, a peste estava começando, por isso tantas moscas. Todos os soldados franceses morreram em Girona, não conseguindo roubar nada e deixando a Catedral intacta. Também foi em Girona que a 6ª temporada da série Game Of Thrones foi gravada.

A cidade é pequena e é possível ir a todos os pontos turísticos a pé. Em Girona, assim como em outras províncias catalãs que não Barcelona, se nota muito mais a cultura e a língua local.

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Girona

FIGUERES

Figueres é a cidade onde Salvador Dalí nasceu. Fica no noroeste da Catalunya, quase na fronteira com a França. Além de ser a cidade natal de Dalí, é uma cidade muito charmosa que fica quase nas montanhas.

Em Figueres é possível visitar o Museu e Teatro do Salvador Dalí e a casa do artista.

BESALÚ

O pequeno vilarejo medieval fica a 40 km de Girona. Por ser muito bem preservado, visitá-lo é, de fato, como voltar no tempo. Em Besalú é possível observar a muralha que envolvia a cidade na Idade Média que está intacta, assim como o castelo da cidade.

Outros pontos turísticos de Besalú que encantam são a sua ponte medieval e ruínas de uma antiga sinagoga. Assim como Girona e Figueres, Besalú pode ser conhecida em um dia e o passeio vale muito a pena.

OLOT

Olot é um destino ótimo para quem gosta de natureza: Cachoeira, fontes termais e até crateras de vulcões extintos. As crateras de Montsacopa, Santa Margarita e Croscat são as mais famosos.

Na cidade tem alguns museus e construções importantes, mas o Parque Natural de la Garrotxa, que é formado por onze municípios, foi o que mais me impressionou.

Em Olot e em Vic, o povoado vizinho, também é possível fazer passeios de balão em algumas datas.

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Figueres

COSTA BRAVA

A Costa Brava cobre todo o litoral do mediterrâneo do norte de Barcelona até a França. Há muitas praias lindas e o que eles chamam de ‘Calas’, que são pequenas entradas para o mar com uma pequena faixa de areia e pedras na costa.

Toda Costa Brava é muito linda. Eu destaco Lloret del Mar, Tossa del Mar e o Parque natural de Caps de Creu.

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Cap de Creus

LLORET DEL MAR

Uma das praias mais famosas da Costa Brava, Lloret del Mar, é repleta de Calas paradisíacas onde é possível fazer mergulho. Também tem ruínas medievais, além de outros pontos turísticos interessantes como a Capilla del Santisimo e os Jardines de Santa Clotilde.

TOSSA DEL MAR

É um povoado medieval à beira mar. Tem um castelo incrível conservado, casas medievais e uma vista para o mar mediterrâneo de tirar o fôlego.

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Paisagens pela estrada

CAPS DE CREU

O Parque Natural de Caps de Creu é uma península quase na França. Dentro dele há muitos povoados. Os mais famosos são os Roses e os Cadaqués. Por ser uma península, permite uma visão panorâmica do mar de qualquer lugar.

O artista Salvador Dalí também tinha uma casa ali e algumas de suas obras foram inspiradas no local.

Eu, que sou apaixonada por natureza, fiquei arrepiada de ver a lua cheia aparecer em uma noite estrelada no lugar.

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Cadaqués- Cap de Creus

De praias a montanhas, a Catalunya compõe-se por todos os tipos de paisagem. As montanhas Vall del Núria, La Molina e La Masella são algumas estações de esqui do estado, que se localizam a apenas 3 horas de Andorra. E o melhor: Dá para chegar de transporte público em todas elas!

A Catalunya é conhecida por Barcelona, mas na verdade é muito mais do que a capital. Realmente é uma região que deve ser explorada.  E pra quem busca mais opções e roteiros do que fazer na Espanha recomendo o dar uma olha no mochileiros.

Psicóloga viajante e amiga criam instagram para unir mulheres canábicas

Escrito por Maria Fernanda Romero
Fotos Alice Reis

GIRLS IN GREEN

Psicóloga e redutora de danos, Alice Reis (24), é uma daquelas pessoa que gosto de evocar quando me dizem que não é possível viajar, trabalhar e viver do que se ama. A brasileira está há um ano viajando e trabalhando em projetos de Redução de Danos e estudando sobre cannabis nos países em que a erva é legalizada.

bandeira dos estados unidos em parque nacional
foto Alice Reis

Desde o início da sua graduação em psicologia, Alice se interessou pelo tema das drogas e buscou o que poderia fazer relacionado a ele dentro da área. Foi assim que encontrou a Redução de Danos, uma política pautada em tratar a questão das drogas como um problema de saúde pública, além de enxergar o usuário como um indivíduo autônomo de direitos.

Há quase 5 anos ela trabalha em contextos de festas com o coletivo ResPire em São Paulo. Também estagiou no CAPS-AD São Paulo com usuários de drogas em situação vulnerável. Alice sempre se interessou pela perspectiva política das drogas e buscou entender como ela funciona no Brasil e no mundo.

ALICE Reis em acao de reducao de danos
Foto de @lipstriphotos- www.triphotos.net

“Eu sempre fui apaixonada por viajar e estar em contato com a natureza”, diz a psicóloga. “Eu queria conciliar isso com o meu interesse profissional, que é a Redução de Danos”. Depois da faculdade Alice pesquisou países em que isso seria possível e encontrou algumas opções: “Eu queria muito conhecer e vivenciar a política de drogas em cada país. Trabalhei em Portugal com o coletivo Kosmicare, no festival Being Gathering e na Holanda e com o coletivo Psy Care, no festival Psy-Fi“.

Portugal, Espanha, Marrocos, Holanda e Estados Unidos são alguns dos países nos quais Alice passou e trabalhou no último ano, voluntariando ou mesmo participando de congressos sobre Redução de Danos e perspectivas mundiais sobre as políticas de drogas.

parque nacional nos estados unidos
Foto Alice Reis

“Eu vi na prática como funciona o cuidado com o cidadão e o trabalho com os usuários de drogas, tanto no contexto de festas, como no contexto de saúde pública. O que mais me chocou foi como, em alguns países e diferentemente do Brasil, eles reconhecem o usuário como um ser humano de direitos. O usuário recebe atenção e cuidados com a sua saúde”, explica. A psicóloga conta que até observou uma abordagem policial em Barcelona a um usuário em um contexto de rua e mesmo nessa situação o policial o tratou com respeito e se preocupou em verificar se ele tomava precauções durante o uso.

“Fiquei perplexa ao ver como a própria sociedade tem uma visão diferente dos usuários, que não são tão estigmatizados, criminalizados e marginalizados”, completa.

MULHERES CANNÁBICAS

“Eu vou ser bem sincera com você. Cada um tem uma substância preferida. Eu gosto muito de fumar cannabis. Então, comecei a me interessar pelo contexto da maconha e me aprofundar mais nele”, conta Alice

cigarro de maconha no por do sol
Foto Alice Reis

No Brasil os crimes relacionados às drogas é o motivo de 64% das prisões de mulheres, além de um terço dos presos em geral respondem por tráfico. Entretanto, muitos desses presos são apenas usuários, pois a lei do Brasil não delimita uma quantidade no porte da droga que permita distingui-los dos traficantes. Além disso, a maconha no Brasil é de uma qualidade muito ruim e  nunca poderia ser usada para propósitos medicinais. Sua proibição no país acaba sendo, assim, uma ferramenta para controlar uma população estigmatizada e marginalizada.

“Eu sempre quis fazer uma militância com relação à política cannábica e, por eu gostar de fumar e ter visto como é diferente nos países em que eu estive, criei o Girls in Green com outra amiga, Maria Eugênia, que tem os mesmos ideais que eu”. Explica Alice.

O Girls in Green é uma plataforma no instagram que surgiu como um meio de representatividade para mulheres dentro do mundo canábico. O objetivo era de criar, mais do que uma plataforma, um espaço seguro feito por mulheres para mulheres, onde elas pudessem dividir seus conhecimentos, além de ser também um espaço de debate e de troca.

plantacao de maconha no Marrocos
Alice no Marrocos

“Recebemos muitas histórias, perguntas e relatos de mulheres e ficamos muito felizes em conversar com elas e realmente trocar nossas experiências. Claro que temos muitos seguidores homens e isso é legal, mas o objetivo é representar as mulheres dentro do contexto canábico”, diz Alice. No contexto de drogas existe uma segregação de gênero muito grande. A maioria dos usuários são homens e o conhecimento sobre as drogas também está concentrado em um mundo mais masculino.

Alice relembra sua viagem com mais outras duas amigas ao Marrocos, um lugar onde a visão da mulher é totalmente pejorativa: “Foi uma experiência complexa. O tempo todo estávamos atentas, não sabíamos em quem confiar, tínhamos que tomar cuidado com o que vestíamos, o corpo tinha que estar sempre coberto… O corpo vira um limite muito complexo lá. Não foi uma viagem tão simples de se fazer em um grupo só de mulheres, mas deu tudo certo”.

alice em cima de uma camelo no Marrocos
Alice no Marrocos

Nos países ocidentais a brasileira sente menos esse choque por ser mulher e por estar no mundo das drogas, entretanto a vulnerabilidade da mulher é sempre maior e é comum vermos mulheres que têm seus corpos hipersexualizados. Esse estigma está também associado às drogas e bons exemplos disso são as propagandas de cerveja, ou mesmo mulheres que, em situações de maior vulnerabilidade, percebem que podem usar o seu corpo como moeda de troca, para conseguir essas drogas.

“É mais desafiador para uma mulher conseguir conquistar qualquer tipo de espaço. Os homens não tiveram que conquistar, eles já estavam alí. Para as mulheres, é um desafio a mais, uma barreira a mais, uma batalha a mais  que elas precisam vencer. Por isso que eu acho interessante que exista um espaço de representatividade para as mulheres. O Girls in Green tem o objetivo de uni-las. Também quero que esse espaço as inspire a produzir conhecimento, a se juntarem, a se reconhecerem como usuárias e a discutirem o tema”, explica a psicóloga.

Alice acredita muito no poder da informação. pois se as pessoas sabem como se cuidar e o que estão consumindo, os riscos dos usos de drogas são bem menores. Além disso a psicóloga quer que seu trabalho e estilo de vida inspire os outros, pois é uma semente plantada rumo a mudanças positivas.

estrada com neve
foto Alice Reis

Praga: o anti-clichê Europeu

Por: Maria Fernanda Romero

Antes de entrar no trem para a República Tcheca anotei na minha agenda palavras e frases básicas da língua tcheca e também os endereços dos lugares em que ia ficar. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz e o único conselho que eu dou àqueles que vão para países em que não entendem absolutamente nada da língua. Anote! Porque, na pior situação, sempre tem a mímica e isso não tem erro.

Além disso, uma coisa que aconteceu muito comigo foi a pessoa estar na maior boa vontade, lascando as informações em tcheco e eu sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. “Nerozumím”: Eu não tô entendendo. Pelo menos foi isso que eu anotei… nem sempre eles paravam de falar ou trocavam o idioma, mas muitas vezes se esforçaram mais e é aí que entra a mímica. “Ahoj” é a saudação e também a despedida. “Prosím”, por favor, “Děkuji”, obrigado. Com essas palavras sobrevivi bem na República Tcheca.

O QUE FAZER EM PRAGA

Praga é um clichê europeu. Um rio que cruza a cidade (o Vltava), a ponte medieval, a parte velha, a parte “nova”, a arquitetura, o castelo – ou o conjunto de castelos, no caso de Praga. A cidade é linda e colorida. Tem um ar meio rebelde e leis mais brandas, porém ao mesmo tempo contraditórias. Por exemplo, não se pode comprar cigarros depois das 22h, mas é possível comprar tabaco. E também souvenirs de maconha com até 0,2% de THC.** (A maconha é descriminalizada no país, mas a venda de qualquer quantia de maconha ainda é um ato criminal e pode render até um ano na cadeia. O porte da droga não é considerado crime e o seu cultivo também é liberado, desde que não ultrapasse o valor máximo de posse, que é de 5 plantas. O uso médico de maconha com receita é permitìdo e também a venda de souvenirs com até 2% de THC).

Rio que divide a cidade de Praga, um barco passando por debaixo da ponte,  e o Castelo de fundo

Em Praga é possível ir para praticamente qualquer lugar a pé. Em Staré Město (Cidade Velha em português), fica – ou ficava -, desde 1410, um dos relógios mais importantes do mundo. O Relógio Astronômico Orloj. Tive sorte, porque alguns dias depois da minha visita, ele foi recolhido para manutenção. Espero que volte logo. Ele é tão especial, que, segundo a lenda, os vereadores de Praga cegaram o relojoeiro que o fabricou para que ele não pudesse fabricar outro igual. Lendas à parte, o relógio simboliza muitas coisas: As estátuas simbolizam a morte, o medo das invasões na cidade, o medo da fome e da pobreza e a vaidade. A bola de ouro representa o sol e a sua posição diz em qual parte do dia estamos. Ela indica também em que signo o sol está, já o ponteiro da lua indica em que signo e em que fase ela está.

A Praça Old Town também é onde está localizada a igreja gótica de Nossa Senhora de Týn, com torres desiguais que a fazem parecer um castelo. No centro da cidade velha, entretanto, tudo é muito caro. Os preços dos restaurantes, dos bares e das casas de câmbio (lá a moeda é a coroa tcheca) não são muito bons.

Por outro lado, tem outras igrejas belíssimas, tanto católicas, como protestantes e a fundação do Clementinum, um conjunto arquitetônico que abriga a Biblioteca Nacional. Outras construções que se encontram no centro são a Universidade Charles, diversos museus como o Mucha e o Rudolfinum, que abriga uma sala de concertos, uma pinacoteca e um museu e que também já foi sede da Assembléia Nacional.

telhados vermelhos e verdes e montanhas no horizonte de Praga

Praga fica bem no meio da região da Boêmia, no centro da Europa e não é coincidência que o nome dessa região tenha dado origem à palavra “boêmio”. Os tchecos criaram as melhores cervejas do mundo, como a Pilsner Urquell, e são até hoje os maiores consumidores de cerveja do mundo. Mel e leite também são produtos locais muito importantes para o país.

cervejas de Praga

Assim como em muitas outras cidades da Europa, muitas empresas oferecem um Free Walking Tour em Praga. Eu fiz com a empresa Sandermans e gostei muito. Aprendi muitas curiosidades sobre a região, além de ir conhecendo os principais pontos turísticos da cidade. Uma das histórias que o guia nos contou foi que o atual presidente do país, Milos Zeman, odeia vegetarianos e jornalistas. Não sei se é verdade, mas espero que não.

Atravessando o rio Vltava pela ponte Charles chega-se ao Malá Strana, onde fica o castelo. Há outras pontes que ligam a parte velha de Praga à parte mais nova, porém a ponte Charles é a mais especial. Ela foi construída por ordem do rei Charles e sua sua construção durou 45 anos, até 1402. No solstício de verão, quem está abaixo da Torre da ponte vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito, a catedral do castelo, mas não há registros de que isso seja proposital.

castelo de Praga
Castelo de Praga

O conjunto de castelos de Praga é o maior do mundo. Lá ficam o Antigo Palácio Real, a Galeria Nacional de Praga, algumas prisões medievais e a Catedral de São Vito, que demorou 600 para ser construída e que é um dos símbolos da cidade.

O nosso guia do Free Walking Tour nos contou que Mick Jagger e os Rolling Stones colaboraram com a manutenção do conjunto: Após a queda do comunismo, a banda foi convidada para tocar em Praga e teria patrocinado uma reforma para melhorar a iluminação do castelo. O cantor, que gostava muito da cidade, teria ficado comovido com as dificuldades do país pós-comunismo e esse foi o modo que ele encontrou de ajudar. Provavelmente é uma lenda, mas poderia ser verdade.

Outra estrela que deixou marcas na cidade foi John Lennon. Ainda no bairro de Malá Strana fica um muro em homenagem ao artista. Hoje em dia é mais uma parede com grafite como tantas outras, porém, na década de 80, ele representava a indignação política da população e foi usada como protesto a favor da liberdade de expressão.

horizonte de Praga com telhados vermelhos e azúis

O bairro judeu também é um símbolo de resistência da cidade. Os judeus começaram a ocupar as áreas do subúrbio de Praga ainda na Idade Média. Eles sempre sofreram muita opressão e nem podiam frequentar o centro da cidade. Na Segunda Guerra Mundial, infelizmente, muitos judeus dessa região foram mortos, mas o bairro ainda está preservado para contar essa história.

A sinagoga Pinkas, construída em 1535, é um dos lugares onde mais se pode aprender sobre a cultura judaica na cidade, assim como a sinagoga Staranová, que é a Sinagoga mais antiga da Europa, sobrevivente de vários ataques, incêndios e guerras. No bairro, muitas pessoas também visitam o cemitério antigo, que foi, por mais de 300 anos, o único lugar onde os judeus podiam enterrar seus mortos.

COMER EM PRAGA

Como já disse, a cerveja em todo o país é muito boa, então o que não falta na cidade são bares e pubs com  bons preços e boas bebidas. Além disso, a comida é muito boa. Depois do Trdelnik, um doce que é uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberto com açúcar, canela, chocolate, doce de leite ou geléias, meu prato preferido foi o Smažený sýr: um queijo empanado frito maravilhoso.

Apesar de ter saído de lá um pouco confusa com tantas ironias e coincidências, enxerguei Praga como uma cidade charmosa, receptiva e bastante intensa.