Munique: A cinza e viva capital da Baviera

Por Maria Fernanda Romero

ALEMANHA: PRIMEIROS CONTATOS

Estudei a vida toda em um colégio alemão e no colegial fiz um intercâmbio para Alemanha. As lembranças que vêm à minha cabeça quando penso no país são muitas primeiras vezes. Primeira vez na Europa, primeiro intercâmbio, primeira tatuagem, primeira cerveja (Schöfferhofer de laranja) e também o primeiro e o único país em que fui furtada na Europa. Tudo foi incrível. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha um receio de voltar. Não é o país que mais me emociona e faz meu coração vibrar quando me lembro. Mas é o país estrangeiro onde mais aprendi coisas. Bati muito a cabeça para entender que os alemães eram diferentes e eu que tinha que me adaptar às regras deles.

Aberta a reconhecer a Alemanha, chego em Munique (também conhecida como Munich pelos falantes do inglês ou como München pelos alemães) encantada com a vista dos alpes cobertos de neve que tenho do avião. O piloto diz que faz 1º C e neva. Eu estava muito ansiosa para ver a neve, mas assim que o S-Bahn saiu da estação do aeroporto ela já tinha sumido. O frio não.

“S-Bahn” porque os alemães são high-techs e têm vários tipos de transporte público. O S-Bahn seria um trem de menor circulação, mas é diferente do “Zug”, que é o trem de fato. O “U-Bahn” é o metrô e o “Tram” é um trenzinho ao ar livre, que poderia corresponder ao bonde. Claro que também tem o busão! Esse é fácil: “Bus”.

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Vista panorâmica de Munique

A Munique que morava na minha memória era um pouco assustadora. Muitos punks, bêbados, pessoas estranhas que te abordam na rua com um alemão, que nem  na época que eu estudava alemão, muito menos agora (e acho que nem se eu tivesse estudado por 30 anos) eu entenderia. Ela também era cinza, nebulosa e um pouco triste. Com certeza essa lembrança dela ser triste tem a ver com o fato de que, na época em que eu fui para lá pela primeira vez, eu conheci o Campo de Concentração de Dachau, que fica lá perto, e não tem como ver beleza e alegria depois de pensar em tantas mortes.

O QUE FAZER EM MUNIQUE

O passeio em Munique começa pelo centro histórico. Lá tem duas praças importantes. A Karlsplatz, onde podemos entrar pela Karlstor, uma das entradas da cidade quando ela era cercada por uma muralha medieval, e a Marienplatz, onde fica Igreja de St. Peter e as Altes Rathaus e Neues Rathaus, velha e nova prefeitura em português. O relógio da nova prefeitura possui um carrilhão de bonecos e todos os dias, em alguns horários, eles saem para uma apresentação animada.

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Entre as duas praças fica a rua mais comercial da cidade que chama Kaufingerstrasse. Ainda no centro histórico fica a Frauenkirche, a maior Igreja da Baviera. Assim como a Igreja de St. Peter, merece ser conhecidas. As torres verdes da Frauenkirche podem ser vistas de toda a cidade, nenhuma construção atrapalha a sua vista. Ainda no centro, está localizado o Viktualienmarkt, um antigo mercado público da cidade,  onde podemos encontrar pães, queijos, frutas típicas alemãs e todo tipo de alimento de qualidade.

Do centro é possível caminhar até a Hofbräuhaus, uma das mais antigas cervejarias alemãs, fundada em 1589. Na época, fabricava a cerveja do Duque da Bavária, somente 300 anos depois foi aberta ao público. Além da cerveja e dos pratos mais típicos e deliciosos da Alemanha, também há um show com as tradicionais bandinhas históricas.

uma das mais antigas cervejarias alemãs, fundada em 1589. No início ela fabricava a cerveja do Duque da Baviera e somente 300 anos depois foi aberta ao público. Além da cerveja e dos pratos mais típicos e deliciosos da Alemanha, lá também há um show com as tradicionais bandinhas tipícas.

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Hofgarten

Se for verão e o dia for longo é possível fazer muito mais coisas em Munique, mas no inverno os dias acabam cedo na Europa, então talvez a continuação do passeio deva ser feita no dia seguinte.

Partindo da cervejaria dá para ir até a Odeonsplatz, o lugar onde Hitler discursava e também onde foi preso. Lá também fica o Residenz, o palácio que foi residência oficial dos duques e reis da Baviera e a Ópera de Munique. Seguindo em frente, pela Leopoldstrasse, uma avenida com muitos bares e restaurantes você encontra o Siegestor, grande arco que separa as avenidas Leopoldstrasse e Ludwigstrasse. Ele também é comparado ao Arco do Triunfo, de Paris.

Virando à direita na Odeonsplatz, encontra-se o lindo jardim Hofgarten. Atravessando esse jardim, chega-se no Englischer Garten, um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele também pode ser considerado a praia de Munique e, no verão, é muito comum encontrar gente tomando sol pelada por lá. Além disso, durante o ano todo, há surfistas no parque, já que é possível surfar nas ondas formadas pelo rio Eisbach.

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Englischer Garten

O parque tem 6 biergartens, que são como jardins para tomar cerveja, comer e conversar. O maior do parque, e também de toda cidade é a Chinesischer Turm, ou Torre Chinesa. O biergarten tem capacidade para 7 mil pessoas sentadas. Além de cerveja, é possível encontrar o glühwein por toda a cidade, um vinho quente com especiarias, que pode ser comparado ao nosso quentão.

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Chinesischer Turm

Para outro dia em Munique, O Nymphenburg Schloss, ou Palácio de Nymphenburg, é um bom plano. Ele foi construído como residência de verão para os duques da Baviera e é uma importante construção nos estilos barroco e rococó. Os jardins do palácio são enormes e tem até um jardim botânico.

O Olympiapark também é uma ótima opção. Construído para os Jogos Olímpicos de 1972, é uma área verde com um lago e uma vegetação muito bem cuidada. Os Jogos Olímpicos de 1972, infelizmente , são lembrados pelo atentado no qual oito terroristas palestinos invadiram o alojamento de Israel e mataram dois atletas. Por esse motivo, há uma homenagem às vítimas no Parque, que também serve de convite à reflexão, em um país que foi palco de tantas guerras e mortes.

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Nymphenburg Schloss

Entretanto, o espaço público também é usado para prática de esportes e diversos eventos culturais. No Olympiapark também é possível subir na Fernsehturm, a maior torre de televisão da cidade com 291 metros. Perto do parque fica o museu da BMW e um pouco afastado da cidade fica o estádio do grande Bayern München, o Allianz Arena. Para quem gosta de futebol, vale muito a pena visitar.

Para engenheiros, amantes de pesquisas sobre energia, curiosos sobre o futuro e até para crianças, recomendo o Deutsches Museum, um museu de ciência e tecnologia, com itens históricos sobre navegação, aviação e outras formas de transporte e, ao mesmo tempo, um incrível acervo sobre a questão do uso de energia consciente e impactos ambientais. O museu abre todos os dias das 9h às 17h e em 2017 a entrada custava 11€.

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Olympiapark

BATE-VOLTA DE MUNIQUE

Há 3h de Munique, na cidade de Füssen, divisa com a Áustria, fica o Schloss Neuschwanstein (em português Castelo Novo Cisne de Pedra). O castelo do século XIX é a inspiração para o Castelo da Cinderela, símbolo da Disney. A natureza de Füssen também me encantou muito. Lagos lindos cobertos de neve. O melhor jeito de chegar na cidade é com Bayern ticket. Ele custa 20 euros para uma pessoa, porém até 5 pessoas podem usar por mais 5 euros cada uma. Ele tem algumas restrições de horário, mas pode ser usado por 1 dia em todo estado da Baviera até Salzburg, na Áustria.

A Munique de hoje não correspondia com a das minhas lembranças. Apesar de continuar cinza, fria e chuvosa, quando o sol aparecia ele era incrível. A natureza da cidade é única e rara. Muita cerveja boa, festas e comida típica alemã. Recomendo comer as batatas de qualquer tipo e para quem come carne, os pratos com Schnitzel.

Munique tem bastante idosos nas ruas,entretanto tem também muitas festas. Além da famosa Oktoberfest, a festa da cerveja em outubro, há várias festas em locais fechados, principalmente na rua Friedenstrasse, em uma praça atrás do número 10. Lá há vários clubes e festas com todos os estilos de música e que vão até o dia seguinte.

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Füssen

Apesar de não ver mais loucos nas madrugadas alemãs, ainda vi muitas pessoas gritando palavras aleatórias, que já nem me esforço para entender. Eles são sempre sérios e corretos. Isso me incomodava. Agora não mais. O trânsito é ótimo e tudo funciona. As pessoas realmente esperam, em todos os horários, o farol fechar para atravessar. As ciclovias me confundem. Elas são cinzas, da mesma cor da calçada e do asfalto e até do céu… Às vezes andava na ciclovia e me assustava com alguma buzina de bicicleta furiosa.

Os prédios também seguem um padrão de cor-de-burro-quando-foge e de arquitetura em geral. Até as construções modernas e de grandes empresas, como MC Donald´s e Starbucks precisam imitar um estilo barroco alemão.

Apesar de curtir a minha experiência em Munique e principalmente as paisagens exóticas, fui novamente furtada na Alemanha. Na primeira vez tinha sido em Berlim, dessa vez foi em Munique. Mas diferente da outra vez, a polícia alemã rígida e competente, até me deu uma passagem de trem.

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Schloss Neuschwanstein

Saí da Alemanha e concluí que visitar um lugar novamente é como reler um livro. Você nota mudanças no lugar e no contexto, mas principalmente nota mudanças em si mesmo. Munique talvez não tenha mudado tanto, mas todas as experiências que temos tem um pouco a ver com o que somos e o que estamos sentindo naquele momento. Aquela Alemanha brava e assustadora, cinza e triste da qual me lembrava agora é uma Alemanha correta e organizada, no limite, beira ao caos. Cinza, mas também viva.

Qual é o impacto do nosso turismo?

Por Maria Fernanda Romero

O jogo da especulação imobiliária, todos conhecemos. Desapropriação de espaços para construção de prédios, empresas ou outros comércios mais lucrativos é comum em todas as grandes cidades. E cada vez mais o turismo está envolvido com este tipo de negócio.

Observo muito, em Barcelona, faixas que dizem “Barcelona não está à venda” e “Salve Barcelona” (ou Drassanes, ou Para-lel, ou Sants), mas, no início, não entendia o que isso tinha a ver com o turismo ou com a especulação imobiliária.

Esses dias, fui a um bate-papo com o fotógrafo Rafa Badia e uma editora de um site de reflexão sobre imagem e fotografia. O tema era fotografia de viagens, porém a conversa foi muito além. Rafa contou de suas viagens à Paris nos dias atuais e nos anos anteriores: “Antigamente você ia à Paris para comer o queijo, hoje em dia lá tem pizza, pasta e kebab no mesmo restaurante, ao lado Mc Donald’s.”. Ele mostrou fotos de viagens em diferentes datas e as diferenças são gigantes – quer dizer, são cada vez menores. “A fotografia é o símbolo do tempo. Cada vez as cidades parecem ser mais iguais e as pessoas se vestem mais iguais”, observou o fotógrafo.

homem turista, vendo sua camera, enquanto outra turista atrás também tira fotos
Turista em Cesky Krumlov

Nas cidades pelas quais passei sempre busquei me aproximar o máximo possível dos moradores para entender o cotidiano do lugar e ter uma vivência mais verdadeira da cidade. Em Lisboa eu tinha a vantagem de falar e entender perfeitamente o idioma.

Em uma dessas tardes em Lisboa estava com a minha amiga na Igreja da Sé e não paravam de nos oferecer passeios no bairro de Alfama por preços absurdos. Ignoramos todos e fomos a pé. Paramos para pedir informação nas Portas do Sol para uma portuguesa de aproximadamente 35 anos. Conversamos muito com ela e ela nos disse que Alfama não era Portugal de verdade e perguntou se a gente não aceitava um passeio típico no bairro Mouradia. Óbvio que aceitamos!

homem turista tira foto de lagos com Cisneis
Turista na Alemanha

Conhecemos as tabernas, me lembrei dos livros, que havia lido na época da escola, bebemos a Ginjinha, típica cachaça portuguesa feita de uma espécie de cereja. Ela nos contou histórias e lendas do bairro, inclusive a de Maria Severa, a primeira mulher a cantar o Fado em Lisboa. Também conhecemos uma amiga dela, que é fadista. Tivemos o melhor dia possível em Lisboa. Eu me apaixonei pela cidade de uma maneira inexplicável.

Fomos com ela até o Rossio, porque ela também queria nos levar na Casa do Alentejo. Na transição de bairros é impossível não notar a diferença: Muitas construções, inúmeros restaurantes na calçada… Foi então que ela se emocionou ao dizer: “Aqui também era como a Mouradia. Agora as tabernas e os lugares em que os portugueses se reúnem para conversar e tomar a ginja estão sendo trocados por Hostels e Subways.”

turistas observam um mapa em Portugal

De volta a Barcelona encontrei uma amiga daqui e ela perguntou sobre a viagem. Eu disse que foi boa, mas que estava feliz de estar de volta, porque não há um lugar que se compare a Barcelona para se morar. Ela torceu a cara. “É, todos acham isso. Nada contra… mas parece que a cidade está sendo moldada para o turista e não para quem é daqui”. Ela tem razão. Mas não é só Barcelona. A minha estadia em Barcelona, uma cidade mega turística, me fez perceber o turismo, até o que eu mesma fazia, de uma forma mais crítica.

O turismo está crescendo e ele tem um impacto grande. Viajar é bom e temos que viajar cada vez mais, mas com responsabilidade. Hoje sabemos mais da importância da sustentabilidade e que ela é um pilar entre o econômico, o social e o ambiental. Muitas coisas são responsabilidade das grandes corporações, hotéis e agências de turismo, porém muita coisa é responsabilidade do viajante: É super importante se hospedar em estabelecimentos regulamentados e que não foram construídos em Áreas de Preservação, valorizar a gastronomia e os produtos locais e artesanais, preferir o transporte público, respeitar sempre o meio ambiente, reciclando e não jogando lixo no chão e na natureza (até uma bituca de cigarro pode fazer muito mal para o meio ambiente)… Temos que lembrar que nós somos parte do mundo, que queremos construir.

Lisboa: a certeza, que Portugal tem muito do Brasil e vice-versa

Por Maria Fernanda Romero

O QUE FAZER EM LISBOA

Lisboa, desorganizada e perfeitinha. Bairros estreitos, beira-mar e beira-rio, má sinalização, transporte público confuso e funcionários públicos que não estão dispostos a ajudar. Já estive algumas vezes em Lisboa e quanto mais a amo, mais a comparo com o Brasil, principalmente com o Rio de Janeiro. E não é que ela tem até uma versão do Cristo?

Lisboa precisa de uns 3 dias para ser conhecida e seus arredores, Sintra e Cascais, também merecem alguns dias para uma visita. O primeiro dia em Lisboa pode ser dedicado ao centro histórico, começando na Praça do Comércio que fica na beira do Rio Tejo e tem uma vista linda para a ponte 25 de Abril.

Barco em primeiro plano no rio tejo e ponte 25 de abril no fundo, na capital portuguesa, Lisboa
Lisboa

Depois do arco da Rua Augusta fica a Baixa Lisboa com lojas e restaurantes bem turísticos. Ali perto também fica o Elevador de Santa Justa, que é bonito, mas, apesar de ser um dos símbolos da cidade, não tem nada demais. Vale a pena passar por ele, porém não é imperdível. Continuando a caminhada pela a Baixa Augusta chegamos ao Rossio.

O lugar, que mais gostei do Rossio foi a Casa do Alentejo. Antigamente cada região de Portugal tinha uma casa que funcionava como uma espécie de embaixada dessa região. Atualmente, as atividades na Casa do Alentejo incluem apresentações de livros, filmes, fotografias, saraus, expressões de arte em geral que representam e preservam a cultura alentejana, além da sua gastronomia, já que dentro da Casa tem um restaurante.

O bairro Mouraria é um bairro típico português. Lá é possível assistir o fado, ver e beber em tabernas a ginjinha, típica cachaça portuguesa feita com uma variação da nossa cereja. É possível também comer comida típica e barata. Fui ao restaurante “O Triguerinho” e achei o custo benefício excelente, além da porção ser bem servida.

Ao lado da Mouraria fica um dos bairros mais antigos de Lisboa, o Alfama. Ruas estreitas, portas pequenas, bonde e a Catedral da Sé caracterizam esse bairro. Assim como grande parte de Lisboa, colorida. As casas e os bondes amarelos em contraste com o azul do mar e do rio.

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A Catedral da Sé de Lisboa é a igreja mais antiga e importante da cidade. Sua construção data do século XII e seu estilo predominante é o românico. Seu nome completo é Santa Maria Maior. É possível visitar o claustro e tesouro da catedral, ambos por 2,50 euros. A catedral fecha às 17h no inverno e às 18h no verão.

Catedral da Sé, Augusta, cachaça. As semelhanças com o Brasil estão por toda parte, mas isso não é nem o começo! A cidade tem mais de 20 miradouros com vistas incríveis. Um deles fica no bairro de Alfama, o Miradouro das Portas do Sol e é o lugar ideal para ver o pôr do sol, apreciar a vista e curtir um pouco a cidade.

Subindo ainda mais por Alfama fica o Castelo de São Jorge que foi restaurado após o terremoto que destruiu praticamente toda a cidade em 1755. O castelo fica aberto das 9h às 18h, no inverno e até às 21h no verão. A entrada custa 8,50 euros.  Estudantes, crianças e idosos têm desconto.

casas coloridas e o oceano de Lisboa ao fundo

No segundo dia eu recomendo começar o passeio no Cais do Sodré, outro lugar ótimo para curtir a cidade, descansar da caminhada e apreciar a vista. Ao lado do cais fica o Mercado da Ribeira, ou Time Out Market. Lá tem comidas maravilhosas e, como todo mercadão, frutas típicas da região. Entretanto, o preço não é tão baixo, o mercado está bastante gourmetizado.

Subindo as vielas em direção aos bairros Chiado e Alto fica outro miradouro famoso, o miradouro de Santa Catarina. O Chiado é um bairro com cafés e comércios, principalmente na Rua Garrett. É um bairro muito presente na literatura e assim como seu vizinho, o bairro Alto, é boêmio e tem uma vida noturna ativa e cerveja barata.

Um pouco afastado do centro e de todos os outros pontos turísticos fica o bairro de Belém. As caravelas do descobrimento conduzidas Pedro Álvares Cabral, assim como as de Vasco da Gama saíram de Belém. Por isso, lá fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento em forma de caravela. No chão tem um mapa-múndi destacando todos os lugares que foram colônias portuguesas. Lá está destacada, por exemplo, a cidade Cananeia como primeira cidade do Brasil.

bonde subindo a ladeira em Lisboa

Ao lado, a Torre de Belém, que na verdade era um forte.  Ela é hoje um patrimônio Cultural da Unesco. A torre também serviu para coroa portuguesa guardar suas riquezas. A visita custa 10 euros, mas é possível comprar um ingresso que dá direito a uma visita a ela ao Mosteiro do Jerônimos e ao Museu de Arqueologia por 21 euros.

Dentro do Mosteiro dos Jerônimos, uma construção que demorou quase um século para ficar pronta, fica a Igreja de Santa Maria de Belém, uma das mais bonitas que eu já vi na Europa. Ela é muito ampla e seus vitrais coloridos iluminam a Igreja deixando-a mais clara que o tradicional.

torre de belem no oceano em Lisboa  e o sol se pondo no fundo
Torre de Belém

Lá dentro do mosteiro estão também os túmulos de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, um dos maiores, quiçá o maior poeta português. Ler sua poesia é uma forma de entender e sentir o que foi Lisboa no passado.

No bairro de Belém também estão os museus dos Coches, de Arqueologia e de Marinha, entre outros. Mas vale a pena ressaltar que praticamente nenhum museu da cidade abre às segundas. Tem mais essa semelhança com o Brasil: segunda-feira é um dia morto em todo Portugal.

arco mostrando o mosteiro dos jerônimos
Mosteiro dos Jerônimos

É de Belém também que vêm os famosos pastéis de Belém. Precisamente, foi na Antiga Confeitaria de Belém que foi inventada a receita secreta das freiras, mas as outras confeitarias de Belém também oferecem o pastel por um preço mais em conta. Em Belém também é possível comer um arroz com bacalhau bem gostoso. O segredo é pedir dicas de restaurantes para os moradores e para os donos de comércio, por exemplo.

A locomoção em Lisboa é um pouco complicada. Lá tem os trens (comboio), metrô, ônibus e bonde. Para entender melhor os horários sugiro consultar o aplicativo da Via Verde ou o site da CP (Comboios de Portugal).

Se esse post sobre Lisboa não te fez lembrar do Brasil, você precisa arrumar as malas agora mesmo e ir visitar a capital de Portugal.

Porto, vinho na beira Douro

Por Maria Fernanda Romero

Minha viagem para Porto começou com um pequeno empecilho, mas isso faz parte. O bom é que, com o passar do tempo, a gente aprende e quanto mais aprendemos, menos perrengues passamos. O que aconteceu foi:

Comprei um voo low cost da companhia Ryanair. Para quem não sabe, algumas companhias na Europa fazem trechos por um preço muito baixo. Tem voos de 5 até 40!!! A desvantagem é que você pode viajar somente com a bagagem de mão, de até 10 kg, e o check-in tem que ser feito antecipadamente pela internet.

Eu amo voos low cost, mas é muito importante tomar cuidado com as regras de cada companhia (Ryanair, Vueling, easyJet, Iberia,…) que podem variar. A primeira vez que fiz uma viagem low cost, por exemplo, tive que pagar uma taxa por não ter feito o check-in online. Dessa vez o problema foi o tamanho da minha mala. Ela estava estufada e passava das medidas permitidas pela companhia, apesar de não passar do peso. Então eu teria que pagar 50€ para despachá-la. Como 50 se a passagem tinha sido 10? Não podia ser verdade. Pedi por favor, implorei, mas não adiantava. Então uma funcionária do aeroporto, que assistia o show me disse: “vista todas as roupas”.

grafite de mao em muro de Porto em Portugal

Uma ótima ideia para quem já estava pensando em abandoná-las. Fui para Porto com todas as minhas roupas no corpo, mas não paguei nenhuma taxa. Que bom, porque o dinheiro estava contado.

O QUE FAZER EM PORTO

Porto é uma cidade pequena, mas que tem muita coisa para fazer. Eu comecei o passeio no centro histórico, na praça dos Leões. Diferente dos centros das grandes cidades, o de Porto é silencioso e tranquilo. Portugal, em geral, é um país bem tranquilo, com muito mar azul e barulho de pássaros.

igreja de azulejos em Porto
Igrejas coladas

Uma coisa que eu acho super charmosa em Portugal são os bondes e ver o bode passar da praça dos Leões é como viajar no tempo. Além disso, lá ficam as igrejas coladas, a Igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Na teoria era proibido construir igrejas geminadas, então há uma pequena casa, quase invisível, dividindo as duas. Entretanto, apesar de serem coladas, essas duas igrejas são muito diferentes entre si: A Igreja dos Carmelitas Descalços, construída entre 1619 e 1628, tem características do barroco e do rococó. Já a Nossa Senhora do Monte do Carmo foi erguida entre 1756 e 1768 e tem um estilo arquitetônico dividido entre o barroco e o neoclássico.

Descendo pela praça, vemos um dos símbolos da cidade do Porto: a Torres dos Clérigos. Projetada pelo italiano Nicolau Nasoni, a torre, que segue o estilo barroco, foi construída entre 1754 e 1763 e tem 75m de altura. É uma subida de mais de 200 degraus e a recompensa é uma vista exuberante da cidade de Porto. O valor da subida é de 3€.

Do lado oposto da Torre dos Clérigos fica a livraria Lello e Irmão. Essa é a livraria onde J.K.Rowling começou a escrever Harry Potter. A autora, que morou um tempo em Porto, se inspirou muito na cidade para escrever o livro: As vestes pretas e as capas que os bruxos de Hogwarts usam foram inspiradas, por exemplo, nas vestes usadas pelos alunos da Universidade do Porto. A escadaria da livraria Lello também está retratada no livro. Em várias entrevistas a autoria diz que sua estadia em Porto foi um momento muito difícil da sua vida, principalmente em questões amorosas. A entrada para a livraria custa 4€, mas o valor é descontado no caso da compra de um livro.

A cidade é cheia de vielas, subidas e descidas e é uma delícia se perder por elas. Na maioria das ruas altas há um mirante com uma vista impressionante de Porto: O rio no horizonte, o mar, o colorido dos prédios…

Em uma das subida que parece não chegar a lugar nenhum, fica a famosa Catedral da Sé de Porto. Como ela sofreu muitas reconstruções, possui mais de um estilo: Romântico, gótico, mas na maior parte barroco. No interior da catedral o visitante também tem acesso ao Claustro, onde fica exposta uma coleção de objetos valiosos da igreja. A visita ao Claustro custa 3€.

vista para o rio douro em Porto

Em direção contrária à Sé, descendo toda a cidade, às margens do Rio Douro, fica a Ribeira, a parte mais charmosa da cidade com as  pontes, que levam à Vila Nova de Gaia, o rio, que por si só já é exuberante e diversos restaurantes e barzinhos. Lá também é possível fazer passeios de barco. Atravessando para o lado de Gaia, é possível contemplar um pôr-do-sol incrível. Tudo isso ao som de músicos que fazem show nas ruas ou em bares. Tudo muito alegre e muito alto astral.

Os famosos vinhos do Porto também são originários do lado de lá do rio Douro, em Gaia. Entretanto a produção é bastante rigorosa e só pode ser feita na região do Alto Douro Vinhateiro. Em Gaia é possível visitar as cavas. O vinho do Porto tem um gosto diferente, adocicado e um teor alcoólico mais elevado que o normal (até 22%). Uma visita a uma cava pode custar de 20 a 100 euros.

ponte e lua cheia

Outro passeio que eu gostei muito em Porto foi o que fiz aos Jardins do Palácio de Cristal. O parque também fica no alto de Porto, ou seja, tem uma vista extraordinária e até romântica. A natureza do parque é linda e tem até pavões passeando por lá.

COMER EM PORTO

Portugal é um dos países mais baratos da Europa. Lá a entrada da maioria dos pontos turísticos é gratuita e a comida também é muito barata. Em Porto não é diferente. Lá, com 5 euros, já se come muito bem. O prato típico de Porto é a francesinha: Um sanduíche de linguiça, salsicha, presunto (em Portugal se diz fiambre) e carne de vaca coberto com queijo derretido, ao molho à base de tomate, cerveja e outros temperos.

Também vale a pena ir ao Mercado do Bolhão, o principal da cidade, que existe desde 1914. Lá é possível encontrar queijos, bacalhau e tudo de mais típico de Portugal, em um ambiente também conservado.

E pra quem gosta de sair, Porto pode ser uma cidade pequena, mas ainda assim tem uma vida noturna agitada! A rua que concentra o maior número de bares é a rua da Conceição, perto do centro histórico.

Porto é uma cidade tranquila e muito bonita que te oferece de tudo, sempre no ritmo tranquilo de Portugal.

Rio Douro e barcos
Rio Douro

A efervescência da capital espanhola

O QUE FAZER EM MADRID

À primeira vista, Madrid se parecia com qualquer capital do mundo, inclusive com a que eu nasci. Carros, prédios, barulho e trânsito. Entrei em Madrid pela aveni da América. Estava de carona com um blablacar. O aplicativo é muito útil e econômico. Fui de carro até o centro observando a cidade pela janela e sentindo também seu ar seco e quente. Quase não chove ao longo do ano na capital espanhola. O clima segue extremos: muito quente ou muito frio.

Madrid em dia ensolarado. Predios com bandeiras da Esapanha e muito verde
Madrid

Comecei a conhecer a cidade pela Gran Vía, uma das principais avenidas da capital. Bancos, teatros, bares e a charmosa arquitetura do século XX acompanham o passeio. Também vale a pena caminhar pelo centro histórico da cidade, onde ficam situadas a Plaza Mayor, o Mercado de San Miguel, a Catedral de la Almudena , dentre outros pontos turísticos importantes para história espanhola.

Durante a dinastia dos Áustrias, a Plaza Mayor era palco de festas populares, corridas de touros e também manifestações religiosas. O coração da cidade velha ainda mantém traços da história espanhola. Também é um ótimo lugar para comer. Ali perto fica um dos restaurantes mais velhos do mundo, Sobrino de Botín, fundado por Jean Botin em 1725. O restaurante ainda funciona na Calle Cuchilleros e mantém os mesmos pratos principais desde da sua inauguração: Sopa de alho com ovo, porco e cordeiro assados no forno à lenha estão entre as especialidades do restaurante.

Madrid em um dia ensolarado. A famosa Puerta de Alcalá
Puerta de Alcalá

O Palacio Real, ainda no centro histórico, fica aberto para visitação todos os dias, de abril a setembro das 10h às 20h e de outubro à março das 10h às 18h. O valor do ingresso é 11 euros. De segunda à quinta, depois das 16h é possível visitar o palácio gratuitamente.

Também no centro de Madrid está a Puerta del Sol. Na praça fica, desde 1950, o marco zero de todas as estradas espanholas. Ali era literalmente uma porta de entrada para Madrid no século XV, quando a cidade era rodeada por uma muralha. A porta recebe os primeiros raios de sol do dia e, por isso, também leva o nome Sol. Na praça também está a famosa escultura “Oso y el Madroño”: O urso que apoia suas garras num arbusto de madronho foi esculpido em 1967 por Antônio Navarro Santafé.

O simbolo da capital da Espanha Madrid e ao fundo um ceu azul
Puerta del Sol

Outro lugar lindo em Madrid é a Plaza de Cibeles. Na bifurcação entre o Passeo de Recoletos e da calle de Alcalá (onde fica a Puerta de Alcalá) fica a Fuente de Cibeles. O contorno da praça é inundado pela arquitetura neoclássica,  em destaque  o Palacio de Cibeles ou Palacio de Comunicaciones, atual prefeitura de Madrid. A fonte, que representa a deusa romana Cibele, símbolo da terra, agricultura e fertilidade, também marca o início do Passeo del Arte.

ARTE EM MADRID

O Passeo del Arte é o nome que foi dado à região entre os trechos do Passeo del Prado e Passeo de Recoletos onde encontram-se diversos museus. Os mais famosos são o Museo del Prado, o Museo Nacional de Centro de Arte Reina Sofía e o Museo Thyssen-Bernemisza, mas além deles, existem outros diversos museus na região, como a Casa de América, o CaixaForum Madrid e o Real Observatorio.

No Museo del Prado encontram-se obras de Caravaggio, Lorenzo Lotto, Maella, Diego Velázquez e Goya. O Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, tem três itinerários com reflexões muito interessantes: “A erupção do século XX: utopias e conflito (1900-1945)”, “A guerra terminou? Arte para um mundo dividido (1945-1958)” e “Da revolta para a pós modernidade (1962-1982)”. Na primeira parte está o quadro mais famoso do museu, “Guernica”, de Picasso. Já o Museo Thyssen-Bornemisza expõe tanto obras clássicas italianas do século XV de artistas como Ghirlandaio e Caravaggio, como obras dos vanguardistas, Monet, Van Gogh, Picasso e Dalí.

FAMOSO PARQUE EM MADRID, ARVORES VERDES E ALGUMAS FICANDO LARANJA.
Parque del Retiro

Seguindo pelo Passeo del Arte até o Jardim Botânico está uma das entradas do Parque del Retiro, um dos maiores parques de Madrid que é encantador. É um passeio super madrileño, com muito verde (mais de 15 mil árvores), um lindo lago e o Palácio de Cristal.  No parque também tem o monumento “O Ángel Caído” (ou “O Anjo Caído”) , esculpido em 1877 por Ricardo Bellver. Dizem que Madrid é a única cidade do mundo com um monumento ao Diabo.

PALACIO DE CRISTAL EM MADRID AO FUNDO DE UM DIA LINDO DE SOL
Palacio del Cristal

O pôr-do-sol mais incrível que vi em Madrid foi no gramado do Templo de Debod. O monumento foi doado pelo Egito, em agradecimento à ajuda espanhola para resgatar o complexo de Abu Simbel, em 1968. Outros parques da cidade, que agradam madrileños e turistas, são o Madrid Río e o Casa de Campo. É interessante lembrar que, como na Europa as estações do ano são realmente marcadas, o horário do pôr-do-sol varia. No verão o dia pode chegar a durar até às 21h30, enquanto que no inverno escurece no máximo às 18h

O que comer em Madrid

A comida de Madrid é muito caseira. O prato mais famoso é o cocido madrileño, que é feito com sopa, grão de bico e carne. Nos bares são mais comum as “tapas”: petiscos, como batatas bravas e nachos. O jámon, presunto espanhol, também conquista muitos turistas.

sol alaranjado em Madrid , com fonte em primeiro plano
Templo de Debod

Outros bairros incríveis, menos turísticos e com uma vida noturna muito ativa são La Malasaña, La Laitna e o Lavapiés. Sendo La Masaña mais boêmio e elitizado. Os outros dois são bem alternativos, com bastante contracultura e imigrantes de todo o mundo.

Madrid é uma capital muito rica e cheia de vida. Os madrileños lembram muito os latinos na forma de se relacionar uns com os outros. Uma cidade menos turísticas que outras regiões da Espanha, como Barcelona, porém onde você vive intensamente a cultura local espanhola.

templo de Debod erm Madrid em primeiro plano, com reflexo na agua e no fundo por do sol
Templo de Debod

Vila Rica de Ouro Preto

Por Maria Fernanda Romero

Ao chegar na primeira capital de Minas Gerais, Vila Rica de Ouro Preto, logo me deparei com ruelas estreitas, casarões enormes, ruas de paralelepípedos e imensas  ladeiras. Foi amor à primeira vista. Tudo era lindo, mas ao mesmo tempo denso. Era como estar em um filme de época, mas com as pessoas da atualidade.

HISTÓRIA DE OURO PRETO

Ouro Preto surgiu quando aventureiros e bandeirantes descobriram que era possível extrair ouro na região. A história da cidade é marcada por guerras pelo ouro que dali brotava. É uma história pesada. Além das guerras pelo território e da escravidão, foi lá que ocorreu a Inconfidência Mineira em 1789, uma revolta similar à Revolução Francesa que ocorre no mesmo ano. Por ter traído a Coroa portuguesa, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes ), líder do movimento, é decapitado na praça pública que hoje é conhecida como Praça Tiradentes. 

igreja na praça central de ouro preto, em minas gerais
Ouro Preto

Mesmo com o declínio da mineração, a capital de Minas Gerais continuou sendo Vila Rica até 1897, quando é transferida para Belo Horizonte. Essa transferência de capital freou o desenvolvimento industrial da cidade, porém isso a tornou especial.  Em 1980 Ouro Preto é tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

Igreja colorida na praça em Ouro Preto
Ouro Preto

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

A Escola de Minas de Ouro Preto incrível inaugurada em 1839 foi a primeira Escola de Farmácia da América Latina. Desde a década de 1960, integra a Universidade Federal de Ouro Preto e também funciona como museu. Lá estão expostas as mais diversas pedras e minérios do mundo e também explicações sobre o funcionamento da mineração e extração de minérios.

praça tiradentes. casas coloridas, ceu azul, pessoas caminhando por ouro preto
Praça Tiradentes, Ouro Preto

Na Rua dos Bancos, também no centro, é possível visitar a Casa de Tiradentes e ainda comer muito bem no restaurante O Sótão. A comida mineira é maravilhosa. Qualquer restaurante é incrível, mas o Acaso 85, no Largo Rosário, além de oferecer comida boa é um ponto turístico especial, pois as ruas estreitas, as igrejas, e a arquitetura se assemelham as cidades portuguesas. 

Não foi só a aparência da cidade que me transportou para outros séculos. Ouro Preto não tem cinemas grandes em que passam os filmes hollywoodianos. O Cine Vila Rica é alternativo e, por uma ironia quase metafórica, assisti Cinema Paradiso (1988), quando estive lá.

casaroes, restaurantes e bandeira do Brasil em Ouro Preto
Rua dos Bancos, Ouro Preto

 

As festas típicas e o Carnaval também são atrações de Ouro Preto. Outra possibilidade para sair à noite são as festas nas Repúblicas: os casarões, onde os universitários moram e também servem como palco para diversas festas.

Natureza em Ouro Preto

Para equilibrar o clima denso de uma cidade marcada com tanto sangue, o Parque Itacolomi e a Cachoeira das Andorinhas são lugares de fácil acesso com uma vista incrível. Se estiver de carro, é possível desbravar os distritos de Chapada de Ouro Preto e Novas Larvas.

cachoeira de agua clara na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto
cachoeira de água azul na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto

Minas:

 Há inúmeras minas desativadas em Ouro Preto. É possível visitar algumas delas, como a Mina Du Veloso e a Mina do Chico Rei, e entender um pouco do que elas significaram para o Brasil. Estive na Mina Du Veloso. Lá embaixo é frio. Frio e sombrio. Não porque faltam luzes, mas sim porque lembra a dor.

As Minas foram pensadas por escravos que já tinham experiência em extrair ouro. É muito triste saber que o homem usou o conhecimentos e a força de outros homens para enriquecer. Ao mesmo tempo, é muito interessante observar a tecnologia que esses escravos desenvolveram, como tubos de ventilação, reservatórios de água e mesmo as minas em si, que estão até hoje intactas: Tudo foi muito bem estruturado. Porém é um absurdo saber que o lucro esteve, e ainda está acima da vida.

Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
pedaço de minerio dentro de mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto

Ainda há atividade mineradora em Minas Gerais. Empresas como a Samarco e a Vale exploram as regiões sem respeito com o meio ambiente ou com a vida. Em um passado não tão distante, duas barragens da Samarco romperam em Mariana. A mineradora não foi penalizada como deveria e está prestes a voltar à atividade.

É impossível estar em Ouro Preto e não se atentar a essas e tantas outras questões do Brasil. Entender o passado também é entender o presente e essa cidade é assim: passado, presente, injustiças, beleza, luta, natureza. Ouro Preto é um destino indispensável a todos que passam por Minas Gerais.

 

O refúgio dos leões marinhos

Cabo Polônio: um paraíso Uruguaio

Cabo Polônio é um pedaço de terra no meio de um mar bravo, que se quebra em grandes rochas. Sua geografia, perigosa para os navegantes do século XVIII, causou muitos acidentes aos aventureiros que ousaram tentar chegar à região. O mais famoso e que batizou o balneário é o náufrago do capitão espanhol Joseph Pollonio.

dois caminhoes que fazem a travessia para Cabo polonio
Cabo Polônio

O povoado uruguaio está no Departamento de Rocha a 260 km de Montevídeo e sua área é protegida e declarada Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO. Esse fator faz com que seja proibido o ingresso de carros particulares no balneário. Há 7 km do centrinho há uma portaria e de lá saem caminhões 4×4 que te levam a Cabo Polônio de fato.

Os caminhões saem algumas vezes por dia, porém sempre bom verificar no site das Rutas del Sol, o valor em março de 2017 estava 500 pesos ida e volta. Os 7 km de trajeto são em dunas desérticas e uma paisagem totalmente virgem. Outra forma (muito) mais difícil de chegar em Cabo Polônio é caminhando pelas Dunas da cidade vizinha, Valizas.

caminhoes que fazem a travessia de cabo polonio no uruguay
Cabo Polônio

A península de Cabo Polônio

A península é muito especial por diversos motivos. Existem duas praias que a cercam, a playa Sur e a playa de la Caravela a primeira é totalmente deserta com apenas algumas casinhas, do melhor estilo uruguaio, simples, planas, com grandes janelas e cores claras.

pedras, mar, casas lindas em uma das melhores praias uruguaias
Cabo Polônio

A playa de la Caravela tem o Farol de Cabo Polônio, para subir no farol o valor é 25 pesos. A subida de 750m não é muito difícil e o visual vale muito a pena. Na base do farol uma incrível costeira, onde leões e lobos marinhos passam os verões curtindo. No inverno os animais migram para uma pequena ilha que fica em frente ao farol. Em outubro também é comum a presença de algumas especíe de baleias no local, assim como golfinhos.

farol de cabo polonio
Farol

espaco de leoes marinhos em cabo polonio
Loberia

A população fixa do vilarejo é  pequena e composta principalmente por artesões, e pescadores. Cabo Polonio não tem rede elétrica e nem asfalto. Algumas casas usam energia solar para esquentar a água, geradores também são comum, principalmente nas noites de verão, quando os barzinhos locais viram pequenos clubes de dança.

Todos esses motivos tornam o refúgio dos animais marinhos tão especial, mas o principal motivo é a plenitude que o lugar traz. Não há uma pessoa que não sinta uma estranha sensação de estar vivendo em outro tempo durante a estadia em Cabo Polonio. Só vivendo para entender.