O que viajar me ensinou sobre planos

Por Maria Fernanda Romero

Planejar é bom, mas seguir os planos é impossível. Isso porque quando planejamos não levamos em conta um fator crucial, a realidade do momento presente. O momento presente é imprevisível, porém é a única realidade que existe. O agora é a única coisa que importa, que temos controle. Ou que deveríamos ter. 

Na vida real a gente quebra o pé no dia que queria sair para dançar. Pega trânsito quando tinha marcado um encontro. Conhece alguém especial na hora de ir embora.

praia deserta, de um lado a vegetação, no fundo as montanhas de pedra, no meio o encontro do rio com o mar
Aljezur, Portugal

Já pensei que os imprevistos pudessem ser como um anti-destino, ao mesmo tempo são eles que te obrigam improvisar. E é nessa hora que começamos a viver. Então, se é verdade que tudo acontece por algum motivo os imprevistos fazem parte do destino. 

E se nessa hora não sabemos improvisar, perdemos um pouco da vida. Seria o improviso um antídoto contra a morte? Diante aos fatos, me permito sentir tudo que tem dentro de mim. Nos dias de sol e também nos dias de tempestades inesperadas…

areia em primeiro plano, montanha do lado esquerdo e no fundo sob a neblina da manha, casas brancas de pescadores sobem a segunda montanha
Aljezur, Portugal

…E quando me permito sentir também dores, sei que estou vivendo a realidade, e não apenas um exílio da vida.

Lake Nakuru: Desbravando um safári no Quênia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Guimarães

OS SAFÁRIS MAIS FAMOSOS DO MUNDO

No Quênia fica um dos safáris mais conhecidos do mundo: O Masai Mara Safari. Os pacotes para visita são caros: custam a partir de $300. Por isso, quando me decidi por fazer um safári, acabei escolhendo outro, que também não deixou nem um pouco a desejar.

Nakuru fica na região do Rift Valley, uma fenda causada pelo movimento de placas tectônicas e que vai desde o mar morto, na Líbia, até Moçambique. São mais de 6 mil quilômetros de fenda. Por ali, encontram-se vulcões inativos como o Mount Kenya, o Mount Longonot e o Mount Kulal, e diversos lagos, dentre os quais o Lake Nakuru, onde fiz o meu safári.

céu azul e nuvens no rift valley no Kenya. Montanhas verdes no horizonte, e natureza  em destaque, na fenda africana.
Rift Valley

O SAFÁRIA NO LAGO NAKURU

O Parque Nacional Lake Nakuru abriga centenas de espécies animais, como zebras, girafas, gazelas, javalis, rinocerontes, búfalos e inúmeras espécies de aves, inclusive os flamingos rosas, que colorem o lago de forma espetacular. A entrada do parque custa 80 dólares, mas como é preciso entrar com carro e guia, o preço acaba aumentando. No total, paguei $180.

Para ir ao safári, me levantei antes do sol nascer. Saí de Nairóbi, capital do Quênia, um pouco antes das 6h da manhã e às 10h já estava na entrada do Parque Nacional Lake Nakuru. Os primeiros animais que eu vi foram as zebras. Que vontade de fazer carinho! Elas pareciam tão alegres e tranquilas. Um pouco mais a frente estavam os búfalos. Eles já tem uma expressão mais séria. São grandes e robustos. O que me surpreendeu muito foi que, junto a eles estavam as garças, estas tão frágeis! Eles conviviam em plena harmonia. Na verdade, mais que harmonia, a relação ecológica desses animais é o mutualismo: uma relação da qual duas espécies se beneficiam sem serem necessariamente dependentes uma da outra.


bufáfos, flamicos, garças e outras aves no Lake Nakuru, Kenya
Lake Nakuru

As girafas também estavam lá. Comiam tranquilas, sem se preocupar com mais nada. Descobri que, pela sua cor, é possível saber seu sexo: os tons de laranja mais escuro são os machos, enquanto as mais claras são fêmeas. Outra curiosidade interessante sobre essas simpáticas pescoçudas é que elas quase não dormem e o cochilo é de pé. O nosso guia também reforçou o quanto a memória delas é boa.

No reino dos impalas não existe monogamia. Um macho pode ter até 40 fêmeas e elas o seguem por toda parte. Quando um macho quer o rebanho de outro, eles se enfrentam e o que matar o concorrente fica com todas as fêmeas.


girafa no lake nakuru, safãri do Kenya
Girafa
Búfalo e garças em Safari no lago Nakuru no Kenya
Búfalo

Na beira do lago, os flamingos fazem o maior espetáculo. O seu rosa se destaca no azul do lago, formando um cenário de filme da disney. Ali também há pelicanos, mas são as aves coloridas e elegantes e delicadas que roubam a cena. Outra “estrela” de Nakuru é o rinoceronte, um dos “big-five” (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte.) Atualmente ameaçados de extinção, eles ficam protegidos dentro do parque.

ALIMENTAÇÃO DURANTE O SAFÁRIA


As refeições estão inclusas nos pacotes de safári. A nossa foi excelente: uma salada e uma sopa de verduras de entrada, uma massa como prato principal e uma sobremesa maravilhosa – uma espécie de bolo mousse de chocolate com laranja. Não passei a noite no parque, mas diferentes tipos de hospedagem são oferecidas e, mesmos as mais simples, chamadas de “tendas”, são bem equipadas e completas.


zebra no lake nakuru, safãria no Kenya
Zebra
tres flamicos rosas no lago Nakuru, no Kenya
Lago Nakuru

A experiência de fazer um safári, só me fez ainda mais amante da natureza. Observar os animais em total harmonia e equilíbrio me trouxe uma paz inexplicável. Realmente, a natureza é perfeita.

Nairóbi, uma capital de contrastes

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nairóbi não era nada mais do que um grande pântano até o fim do século XIX. Antes, a capital do Quênia era Mombasa. Isso até os ingleses construírem a linha de trem que liga Mombasa à Uganda, que é, até hoje, um dos trechos mais importantes para o comércio na região. Como Nairobi está localizada entre Mombasa e Kampala, a capital da Uganda, acabou sendo o local que os trabalhadores escolheram para se instalar.  A partir de então, foi crescendo até se tornar a metrópole que é hoje. A atual capital do Quênia é a sexta cidade mais rica da África e a maior entre Cairo e Johannesburgo.

Por causa das chuvas constantes e da temperatura que varia de muito calor de dia a um frio quase agradável de noite, Nairóbi é muito rica em natureza e em vegetação: uma capital muito verde ao redor dos carros e prédios.


menina alimentando Girafa em Nairóbi, capital do Quênia
Giraffe Centes

É também uma cidade de contrastes: um lado da cidade é muito rico, com hotéis, escritórios, prédios gigantes, cinemas, shoppings e muitas lojas de marca. Já no outro lado a miséria é escancarada. Kibera, a maior favela da África, está localizada ali.

O centro da cidade chega a me lembrar São Paulo. A River Road, avenida principal e também terminal dos matatus (o transporte local), pode ser comparada à 25 de Março. Lá é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, e principalmente “barraquinhas” e comércios de rua. Tudo por um preço bem acessível. É confuso e bagunçado, mas é onde tudo acontece.


silhueta de homem, fumaça, restos de lixo e arvores
Queimando o lixo em Nairóbi

O que fazer em Nairóbi

Museu Nacional

O Museu Nacional de Nairóbi merece uma tarde inteira reservada só para ele. Ali é possível conhecer a história das mais de 40 tribos que formam a identidade queniana, assim como a história do Quênia desde sua colonização até a recente independência, em 1963.

O museu também conta com exposições de arte rupestre, fósseis de origem humana, exposições sobre mamíferos, vida aquática e também sobre a vida das aves. Além de tudo isso, há um parque de cobras na frente do museu. A entrada para o museu custa KES 1.800 incluindo o parque das cobras. A visita ao museu sem passar pelo parque custa KES 1.200.

KES é o código para a moeda do Quênia, o shilling queniano. Cem shillings quenianos valem um dólar, ou 27 shillings valem um real

foto em preto em branco, fotos antigas no contorno de uma escada no Museu Nacional de Nairóbi
Museu Nacional

Giraffe Center e Giraffe Manor

O Centro de Girafas de Nairóbi é um santuário de girafas. Quatro das nove espécies de girafas que existem no mundo estão no Quênia, dentre as quais a Rothschild, que está ameaçada de extinção. É por esse motivo que o santuário existe. Lá as girafas são cuidadas enquanto bebês e aos 3 anos de idade, já adultas, são reinseridas em parques nacionais da região oeste do país e da Uganda.

No centro é possível observar as girafas Rothschild, alimentá-las e também aprender muito sobre a vida delas. Ali há também um centro de educação ambiental que tem como principal objetivo conscientizar os visitantes sobre a importância da preservação ambiental.

Ao lado do centro de girafas está o Giraffe Manor, um hotel cinco estrelas, onde é possível se hospedar e interagir com as Rothschild. A entrada para centro custa KES 1.000,00.

Kenyatta International Conference Center

O Kenyatta International Conference Center é maior prédio público da cidade e o terceiro maior do Quênia. Tem 28 andares e uma vista panorâmica para toda a cidade. Um moderno centro comercial, com bancos, escritórios e também conferências. O rooftop é aberto ao público e custa KES 500.

Parque Nacional de Nairóbi

O único parque nacional dentro de um perímetro urbano do mundo, o Parque Nacional de Nairóbi oferece aos visitantes a possibilidade de vivenciar a natureza plena e harmônica. Algumas das espécies que podem ser vistas ali são: hipopótamos, gazelas, leões, zebras, girafas, búfalos, guepardos e leopardos, além de centenas de espécies de aves.

A entrada do parque para turistas é de 60 dólares e é necessário ter um carro para visitar. Pacotes a partir de 100 dólares ao dia são oferecidos por diferentes agências de turismo.


Zebra comendo no Kenya
Zebra comendo

O que comer em Nairóbi

A comida tradicional do Quênia lembra um pouco a comida brasileira. Ugali é uma massa de milho que lembra o arroz, mas com uma consistência diferente. O feijão também é muito comum, principalmente acompanhado de couve. Ghiteri é outro prato típico com feijão, batata e milho. O Chapati, um tipo de pão, também é muito comum por aqui.

Como toda grande metrópole, Nairóbi oferece comida de todos os tipos. De comida japonesa a culinária etíope. A área de Westlands oferece muitas opções de bares e restaurantes. Os mais famosos da cidades são: o Mediterraneo, que serve comida italiana; o Hashmi, uma churrascaria indiana; o Sarabi, que é um bar e restaurante dentro de um hotel; e o Talisman, que é um restaurante de comida variada, mas principalmente do Oriente Médio.

Para a vida noturna, Nairóbi também tem opções de bares e baladas. Conheci algumas como a Black Diamond, Alchemist, Brew Bistro, K1 Klub House e o Kengeles Bar.


pulseiras, missangas e outros artesanatos no tradicional Masai Market em Nairóbi, capital do Kenya
Masai Market

Em Nairóbi vale a pena também checar o Masai Market.Como já citado anteriormente, o Quênia é formado por mais de 40 tribos. A mais populosa delas é a Kikuyo, mas a mais famosa é a Maasai. Uma das características da cultura Masai é a cor vermelha, mas as vestimentas vão muito além disso. O mercado acontece todos os dias em um ponto diferente da cidade. Lá é possível encontrar diferentes tipos de artesanato, roupas e peças da cultura masai e aprender um pouco sobre ela.

Nairóbi é uma metrópole multicultural com muitos contrastes e opções de entretenimento e história. Muito indicado pra quem quer conhecer mais sobre o Quênia e entender um pouco sobre a África.