Lisboa: a certeza, que Portugal tem muito do Brasil e vice-versa

Por Maria Fernanda Romero

O QUE FAZER EM LISBOA

Lisboa, desorganizada e perfeitinha. Bairros estreitos, beira-mar e beira-rio, má sinalização, transporte público confuso e funcionários públicos que não estão dispostos a ajudar. Já estive algumas vezes em Lisboa e quanto mais a amo, mais a comparo com o Brasil, principalmente com o Rio de Janeiro. E não é que ela tem até uma versão do Cristo?

Lisboa precisa de uns 3 dias para ser conhecida e seus arredores, Sintra e Cascais, também merecem alguns dias para uma visita. O primeiro dia em Lisboa pode ser dedicado ao centro histórico, começando na Praça do Comércio que fica na beira do Rio Tejo e tem uma vista linda para a ponte 25 de Abril.

Barco em primeiro plano no rio tejo e ponte 25 de abril no fundo, na capital portuguesa, Lisboa
Lisboa

Depois do arco da Rua Augusta fica a Baixa Lisboa com lojas e restaurantes bem turísticos. Ali perto também fica o Elevador de Santa Justa, que é bonito, mas, apesar de ser um dos símbolos da cidade, não tem nada demais. Vale a pena passar por ele, porém não é imperdível. Continuando a caminhada pela a Baixa Augusta chegamos ao Rossio.

O lugar, que mais gostei do Rossio foi a Casa do Alentejo. Antigamente cada região de Portugal tinha uma casa que funcionava como uma espécie de embaixada dessa região. Atualmente, as atividades na Casa do Alentejo incluem apresentações de livros, filmes, fotografias, saraus, expressões de arte em geral que representam e preservam a cultura alentejana, além da sua gastronomia, já que dentro da Casa tem um restaurante.

O bairro Mouraria é um bairro típico português. Lá é possível assistir o fado, ver e beber em tabernas a ginjinha, típica cachaça portuguesa feita com uma variação da nossa cereja. É possível também comer comida típica e barata. Fui ao restaurante “O Triguerinho” e achei o custo benefício excelente, além da porção ser bem servida.

Ao lado da Mouraria fica um dos bairros mais antigos de Lisboa, o Alfama. Ruas estreitas, portas pequenas, bonde e a Catedral da Sé caracterizam esse bairro. Assim como grande parte de Lisboa, colorida. As casas e os bondes amarelos em contraste com o azul do mar e do rio.

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A Catedral da Sé de Lisboa é a igreja mais antiga e importante da cidade. Sua construção data do século XII e seu estilo predominante é o românico. Seu nome completo é Santa Maria Maior. É possível visitar o claustro e tesouro da catedral, ambos por 2,50 euros. A catedral fecha às 17h no inverno e às 18h no verão.

Catedral da Sé, Augusta, cachaça. As semelhanças com o Brasil estão por toda parte, mas isso não é nem o começo! A cidade tem mais de 20 miradouros com vistas incríveis. Um deles fica no bairro de Alfama, o Miradouro das Portas do Sol e é o lugar ideal para ver o pôr do sol, apreciar a vista e curtir um pouco a cidade.

Subindo ainda mais por Alfama fica o Castelo de São Jorge que foi restaurado após o terremoto que destruiu praticamente toda a cidade em 1755. O castelo fica aberto das 9h às 18h, no inverno e até às 21h no verão. A entrada custa 8,50 euros.  Estudantes, crianças e idosos têm desconto.

casas coloridas e o oceano de Lisboa ao fundo

No segundo dia eu recomendo começar o passeio no Cais do Sodré, outro lugar ótimo para curtir a cidade, descansar da caminhada e apreciar a vista. Ao lado do cais fica o Mercado da Ribeira, ou Time Out Market. Lá tem comidas maravilhosas e, como todo mercadão, frutas típicas da região. Entretanto, o preço não é tão baixo, o mercado está bastante gourmetizado.

Subindo as vielas em direção aos bairros Chiado e Alto fica outro miradouro famoso, o miradouro de Santa Catarina. O Chiado é um bairro com cafés e comércios, principalmente na Rua Garrett. É um bairro muito presente na literatura e assim como seu vizinho, o bairro Alto, é boêmio e tem uma vida noturna ativa e cerveja barata.

Um pouco afastado do centro e de todos os outros pontos turísticos fica o bairro de Belém. As caravelas do descobrimento conduzidas Pedro Álvares Cabral, assim como as de Vasco da Gama saíram de Belém. Por isso, lá fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento em forma de caravela. No chão tem um mapa-múndi destacando todos os lugares que foram colônias portuguesas. Lá está destacada, por exemplo, a cidade Cananeia como primeira cidade do Brasil.

bonde subindo a ladeira em Lisboa

Ao lado, a Torre de Belém, que na verdade era um forte.  Ela é hoje um patrimônio Cultural da Unesco. A torre também serviu para coroa portuguesa guardar suas riquezas. A visita custa 10 euros, mas é possível comprar um ingresso que dá direito a uma visita a ela ao Mosteiro do Jerônimos e ao Museu de Arqueologia por 21 euros.

Dentro do Mosteiro dos Jerônimos, uma construção que demorou quase um século para ficar pronta, fica a Igreja de Santa Maria de Belém, uma das mais bonitas que eu já vi na Europa. Ela é muito ampla e seus vitrais coloridos iluminam a Igreja deixando-a mais clara que o tradicional.

torre de belem no oceano em Lisboa  e o sol se pondo no fundo
Torre de Belém

Lá dentro do mosteiro estão também os túmulos de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, um dos maiores, quiçá o maior poeta português. Ler sua poesia é uma forma de entender e sentir o que foi Lisboa no passado.

No bairro de Belém também estão os museus dos Coches, de Arqueologia e de Marinha, entre outros. Mas vale a pena ressaltar que praticamente nenhum museu da cidade abre às segundas. Tem mais essa semelhança com o Brasil: segunda-feira é um dia morto em todo Portugal.

arco mostrando o mosteiro dos jerônimos
Mosteiro dos Jerônimos

É de Belém também que vêm os famosos pastéis de Belém. Precisamente, foi na Antiga Confeitaria de Belém que foi inventada a receita secreta das freiras, mas as outras confeitarias de Belém também oferecem o pastel por um preço mais em conta. Em Belém também é possível comer um arroz com bacalhau bem gostoso. O segredo é pedir dicas de restaurantes para os moradores e para os donos de comércio, por exemplo.

A locomoção em Lisboa é um pouco complicada. Lá tem os trens (comboio), metrô, ônibus e bonde. Para entender melhor os horários sugiro consultar o aplicativo da Via Verde ou o site da CP (Comboios de Portugal).

Se esse post sobre Lisboa não te fez lembrar do Brasil, você precisa arrumar as malas agora mesmo e ir visitar a capital de Portugal.

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O universo imenso que é Roma

Sempre escutei, até dos próprios italianos, que a Itália era uma zona de Roma para o sul. Bom, eu sou brasileira e não tenho medo de bagunça. Mas, de fato a percebi, quando desci no Aeroporto Fiumicino em Roma, fui comprar o bilhete do trem e a máquina não estava funcionando. Primeiro achei que o problema era eu. Perdida e sem saber o que perguntar, nem para quem, resolvi observar as pessoas.

Um italiano, do jeito que eu imaginava que eles eram, chegou para comprar o bilhete. Se revoltou com a máquina. Bateu nela e começou a falar muitos palavrões. Eu não consegui segurar o riso, era isso mesmo: Eu estava na Itália. Segui o italiano irritado e perguntei o que tinha acontecido. Ele respondeu: “Nada em Roma funciona!!!!”. Então indaguei como eu podia chegar ao centro. Ele respondeu que tinha um ônibus. Parece então, que ainda tem coisa que funciona.

praça venezza em Roma. Monumento de fundo e pessoas passando.
Piazza Venezia

O QUE FAZER EM ROMA

Peguei o ônibus até a estação central Termini. De lá é possível pegar trem, metrô e ônibus para qualquer lugar da cidade e também para outras cidades da Itália. Roma me encantou e me envolveu de uma forma diferente. Tudo o que dizem é verdade: A cidade é um museu a céu aberto. Construções clássicas, renascentistas e modernas. Muito mármore e janelas simétricas por todos os lados.

COLISEU

Uma das sete maravilhas do mundo, o Coliseu, é um bom ponto de partida para começar a conhecer a cidade. Símbolo do Império romano, é o maior anfiteatro do mundo. Um modelo absoluto de arquitetura, construído por ordem do imperador Flávio Vespasiano e concluído durante o governo de seu filho Tito.

coliseu, monumento romano, com a lua cheia no ceu
Coliseu

O anfiteatro demorou 8 anos para ser concluído. O material usado na obra foi: tijolos, blocos de tufa (uma espécie de pedra vulcânica), concreto e principalmente mármore travertino. Com capacidade para 50 mil pessoas, os assentos eram distribuídos conforme as classes sociais. O pódio, a parte mais perto da arena, para as classes mais altas, a maeniana era destinada para classe média e o portici para a plebe e para as mulheres.

A função do anfiteatro era entreter o povo, que ia à loucura com sangrentas mortes de animais, prisioneiros de guerra e combates entre gladiadores. Mais de 10 mil gladiadores morreram lá em três séculos de combates, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes.

coliseu por dentro em um por do sol que deixou o ceu rosa
Coliseu

Hoje, o Coliseu nos mostra toda grandiosidade do que foi o Império Romano, mas também traz à tona a reflexão: por que a morte era um espetáculo? Será que ela deixou de ser? Como o ser humano pode ainda ser tão sádico e ver entretenimento no sofrimento do outro?

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano
Fóruns Palatino e Romano

O mesmo ingresso do Coliseu, dá direito à visita ao Fórum Romano e ao Palatino. Roma é formada por sete colinas e foi no Monte Palatino, que a cidade começou. Ali /imperadores construíram suas casas e formaram os fóruns. Durante séculos, foi nos fóruns de Roma que toda a vida pública do Império aconteceu: eleições, julgamentos e outros assuntos comerciais eram discutidos ali. Hoje, as ruínas de construções importantes como o Arco de Tito, Basílica Giulia e Templo de Saturno contam um pouco dessa história. Há poucos metros do Fórum fica a Piazza Venezia. Uma das praças mais famosas da cidade, onde está o Vittoriano, um monumento dedicado ao rei Vittorio Emanuele II.

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano e a vista da cidade em segundo plano
Fórum Palatino e Romano

Roma tem muitas outras praças incríveis. A Piazza Navona é uma delas e fica na mesma região de outro monumento imperdível, o Pantheon. Construído durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C) e dedicado a todos os deuses romanos, é, ainda hoje, a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo.

A Piazza di Spagna é onde fica a Fontana della Barcaccia, escultura barroca de Pietro Bernini e seu filho, Gian Lorenzo Bernini. Ao lado direito, uma escadaria que leva à antiga casa do poeta inglês John Keats. Subindo a escadaria temos uma vista linda da cidade. Próxima a Piazza di Spagna fica a Fontana di Trevi. Uma outra praça mais vazia e com uma incrível vista e pôr-do-sol é a Piazza del Popolo, ao lado da Galleria Borghese, onde há obras de Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Raffaello, Caravaggio, entre outros.

pantheon de roma
Pantheon

Para conhecer a cidade do Vaticano, é necessário um dia inteiro. As filas para visitas são enormes, o melhor é se organizar e já reservar ingressos pela internet. A Basílica de São Pedro, na Praça São Pedro, tem entrada gratuita, mas são vendidas entradas sem filas e também visitas guiadas. É lá que fica a Pietà, de Michelangelo. Também é possível subir na cúpula da Basílica por 6 euros de escada ou por 8 euros de elevador.

por do sol laranja da praça do povo em roma
Piazza del Popolo

A visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina custa 16 euros, mas são vendidos pacotes de até 50 euros com guia e sem fila. É tudo muito lotado e grande, então a visita requer tempo, mas vale muito a pena, uma vez que importantes coleções para história da humanidade estão ali. Raffaello Sanzio pintou algumas salas internas do Vaticano, enquanto Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina.

Basilica São Pedro em Roma
Basílica de São Pedro

Experiência gastronômica: Além de todos os passeios incríveis, da paisagem linda e de toda história aprendida e vivenciada, Roma me proporcionou as melhores refeições da minha vida.

O QUE COMER EM ROMA

As pizzas e a massa fazem jus à fama que têm. Os italianos costumam comer uma entrada, a massa como primeiro prato, depois um segundo prato de carne ou peixe e por último, claro, a sobremesa. Eu ficava satisfeita só com a massa. Tanto faz o molho – pesto, carbonara ou quatro queijos -, tudo é muito grande e saboroso. Outro prato que me conquistou foi a berinjela a parmegiana. As sobremesas que mais gostei foram Panna cotta, um tipo de pudim, Amarene, uma fruta cítrica e o Tiramisù, doce com o amargo do café. Para quem quer experimentar a tal culinária italiana, recomendo os restaurantes Giglio, Matriciana e Trattoria.

Roma supera toda e qualquer expectativa. Um lugar para quem ama arte, história, comida e aprecia o jeito enérgico dos italianos.

Budapeste

Por Maria Fernanda Romero

CONHECENDO BUDAPESTE

Budapeste, capital da Hungria, é uma cidade muito especial. A cidade traz em sua essência a resistência de um povo que tem tantas guerras em sua história, mas hoje é alegre e agrega tão bem diferentes povos.

 A Bácia dos Cárpatos foi construída pelo Império Avaro e dominada pelo Império Romano. Em 896 o príncipe Árpád conquistou a região e deu início a monarquia Húngara. A cultura húngaro sofre influência tanto do leste europeu quanto do ocidente. O idioma, que é muito diferente da língua dos países vizinhos, tem parentesco com o finlandês. A arquitetura gótica predomina nas construções e até hoje as ruas de Budapeste te levam à um passeio na Idade Média.

Durante as guerras medievais, o Estado húngaro sofreu diversos ataques que quase destruíram totalmente o país, entretanto o maior inimigo da nação surgiu no século XV, o Império Turco Otomano.

Por muito tempo foi possível combater o inimigo, entretanto em 1526 os turcos venceram os húngaros e em 1541 o país foi dividido e controlado pela família Habsburgo, tradicional família austríaca, e pelo  Império Turco Otomano.  Uma terceira parte permaneceu no reino da Hungria. Durante quase dois séculos a capital Húngara, Buda, permaneceu sob o controle Turco.

Depois de um período de calmaria e reunificação do reino, em 15 de março de 1848 Lajos Kossuth liderou uma revolução que buscava a independência total do Império Austríaco, mas uma vez que os rusos estavam do lado Habsburgo, A Hungria foi derrotada mais uma vez.Ferenc Deák foi o líder hungaro responsável pelo acordo de 1867, que marcou o surgimento do Império Austro-Húngaro.

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foto: blogmundohistoria.blogspot.com

Durante a Primeira Guerra Mundial o Império,derrotado,  perdeu território. Em 1919 líderes comunistas impuseram um regime, que não permaneceu por muito tempo. Na Segunda Guerra Mundial, liderada por um governo de direita, a Hungria se aliou a Alemanha.Mais uma vez derrotada, o país no centro-europeu, permaneceu sob o comando da URSS até a o fim do comunismo no leste europeu.

O QUE FAZER EM BUDAPESTE

A redondeza do Parque da Cidade é tranquila e arborizada. Perto do parque está situada a Praça dos Heróis, onde tem estátuas de figuras marcantes para a história da Hungria.

Praça em Budapeste, um ponto turistico em viagem pela europa
Praça dos heróis

a Avenida Andrássy, uma longa avenida movimentada com comércios e onde está situada a Casa do Terror e a Ópera Nacional, liga a Praça dos Heróis ao centro de Peste. A Casa do Terror relembra as mortes causadas tanto pelos nazistas, quanto pelos comunistas.

ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Vista Budapeste

ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Rio Danúbio

ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Ponte Budapeste

Em cada escada de ferro, em casa parede desbotada, uma parte dessa história é contada. Budapeste é aquele lugar que você sente uma energia inexplicável, é a cidade que até fala com você.