Como foi subir o maior vulcão ativo da Europa de madrugada

Por Maria Fernanda Romero

O maior vulcão ativo da Europa, o Teide, fica em Tenerife, parte das Ilhas Canárias, o arquipelago Espanhol localizado mais próximo da costa africana do que da Europa. Tenerife é uma das ilhas mais bonitas e exóticas do oceano atlântico, além disso é um ótimo destino para fugir do frio na Europa. Vou contar um pouquinho como foi minha experiência nas trilhas e percursos de Tenerife e como subir o Teide sem pagar nada.

tres planos, vulcão no fundo, rochas na frente e areia e predras em primeiro plano revelando um ambiente árido
El Teide, o maior vulcão ativo da Europa

Parque Nacional do Teide

O Parque Nacional do Teide têm várias opções de trilhas e para quem gosta de fazer longas caminhadas é um ótimo lugar para explorar por mais de um dia. E sei que parece irresistível acampar nessas paisagens cinematográfica, mas não é permitido acampar no parque sem autorização prévia.

Para chegar no Parque Nacional do Teide de transporte público é preciso pegar o ônibus 348 na cidade Puerto de la Cruz que saí todos os dias às 9h15 da estação da cidade e volta às 16h do vulcão. Outra opção é pegar a linha 342, que saí da Costa Adeje, na Praia das Américas e volta às 15h40. Outra opção mais cômoda é alugar um carro em mais amigos. Nas Canárias a diária dos carros é a partir de 15€.

A opção mais barata é totalmente de graça é pegar carona. As estradas são tão lindas que vai valer a pena esperar um pouquinho por um carro. 

Rochas avermelhadas e negras em contraste com areia e o azul do céu
Rochas de diferente coloração completam a paisagem

Subindo o Teide

Subir o Teide é a principal atividade turística de Tenerife e pensando na preservação do vulcão é limitado o número de pessoas que podem entrar no parque a 200 por dia. Então é necessário reserva uma permissão no website do Parque Nacional. Entretanto, essa permissão só é válida das 9h às 17h, então se você quer saber como ver o sol se pondo ou nascendo lá de cima, fique atento no próximo item.

Para subir o Teide é possível pegar um teleférico pagando a partir de 30€, dependendo da data, então para subir de graça é preciso caminhar ! A trilha tem um total de 18 km, mas o pico tem 3.717,98 m de altitude! é bem alto. O pico mais alto da Espanha e o maior vulcão ativo da Europa. Isso exige um certo esforço físico. 

A trilha começa na Montanha Branca, na estrada TF-21, km 40,7. Para começar a trilha deve seguir o “Sendero número 7” . Depois de algumas horas de caminhada chegará ao “Refúgio de Altavista”, desse ponto até o teleférico passa pelo “sendero número 11”. A terceira etapa, do teleférico até o pico é o “sendero número 10” também chamado de “Telesforo Bravo”.

Trecho da trilha na Montanha Branca

Subir o Teide de Madrugada

Uma opção muito escolhida por mochileiros que querem subir de graça e fazer a trilha para ver o pôr-do-sol e principalmente o nascer do sol, como eu fiz, é subir o Teide de Madrugada. Eu cheguei na base da Montanha Branca às 2h e após quase 5 horas de caminhada estava no topo do vulcão. Cansada, mas muito realizada, vi o sol nascer no ponto mais alto da Espanha.

montanhas avermelhadas e a casinha de madeira do teleferico na motanha
Paisagens inospita do Vulcão

Como é preciso passar o ponto do teleférico antes das 9h, horário de abertura do parque e que o controle de pessoas começa ser válido, é bom começar a descida a partir das 8h. Outra opção é começar a subida às 16h e ver o pôr-do-sol lá de cima e voltar durante a noite. Lembrando que o pôr-do-sol na Europa é bem mais tarde no verão, é bom levar isso em consideração no planejamento da sua viagem. 

Outra opção é passar a noite no Refúgio de Altavista, localizado a 3260m de altitude é uma ótima opção para dormir e dividir a trilha em dois dias. Ainda de ser mais fácil para conseguir ver o amanhecer ou entardecer das alturas. O alojamento fica aberto para entrada das 17h às 22h e fecha às 7h30. É permitido ficar apenas uma noite no alojamento.

Cuidados Especiais

É uma trilha longa e levar água é essencial! Um lanche para a caminhada, como bananas e barras de ceral também vai ser uma boa quando você chegar lá em cima com fome. Outro item muito importante é a escolha de uma roupa calçado adequados. Leve um casaco! As temperaturas na montanha são extremas e de madrugada faz muito frio.

sol bem alaranjada, pois tinha acabado de nascer, em destaque da neblina cinza
Nascer do sol no topo do Teide
Por último, contemple a montanha! É uma emoção indescritível.

Vila Rica de Ouro Preto

Por Maria Fernanda Romero

Ao chegar na primeira capital de Minas Gerais, Vila Rica de Ouro Preto, logo me deparei com ruelas estreitas, casarões enormes, ruas de paralelepípedos e imensas  ladeiras. Foi amor à primeira vista. Tudo era lindo, mas ao mesmo tempo denso. Era como estar em um filme de época, mas com as pessoas da atualidade.

HISTÓRIA DE OURO PRETO

Ouro Preto surgiu quando aventureiros e bandeirantes descobriram que era possível extrair ouro na região. A história da cidade é marcada por guerras pelo ouro que dali brotava. É uma história pesada. Além das guerras pelo território e da escravidão, foi lá que ocorreu a Inconfidência Mineira em 1789, uma revolta similar à Revolução Francesa que ocorre no mesmo ano. Por ter traído a Coroa portuguesa, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes ), líder do movimento, é decapitado na praça pública que hoje é conhecida como Praça Tiradentes. 

igreja na praça central de ouro preto, em minas gerais
Ouro Preto

Mesmo com o declínio da mineração, a capital de Minas Gerais continuou sendo Vila Rica até 1897, quando é transferida para Belo Horizonte. Essa transferência de capital freou o desenvolvimento industrial da cidade, porém isso a tornou especial.  Em 1980 Ouro Preto é tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

Igreja colorida na praça em Ouro Preto
Ouro Preto

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

A Escola de Minas de Ouro Preto incrível inaugurada em 1839 foi a primeira Escola de Farmácia da América Latina. Desde a década de 1960, integra a Universidade Federal de Ouro Preto e também funciona como museu. Lá estão expostas as mais diversas pedras e minérios do mundo e também explicações sobre o funcionamento da mineração e extração de minérios.

praça tiradentes. casas coloridas, ceu azul, pessoas caminhando por ouro preto
Praça Tiradentes, Ouro Preto

Na Rua dos Bancos, também no centro, é possível visitar a Casa de Tiradentes e ainda comer muito bem no restaurante O Sótão. A comida mineira é maravilhosa. Qualquer restaurante é incrível, mas o Acaso 85, no Largo Rosário, além de oferecer comida boa é um ponto turístico especial, pois as ruas estreitas, as igrejas, e a arquitetura se assemelham as cidades portuguesas. 

Não foi só a aparência da cidade que me transportou para outros séculos. Ouro Preto não tem cinemas grandes em que passam os filmes hollywoodianos. O Cine Vila Rica é alternativo e, por uma ironia quase metafórica, assisti Cinema Paradiso (1988), quando estive lá.

casaroes, restaurantes e bandeira do Brasil em Ouro Preto
Rua dos Bancos, Ouro Preto

As festas típicas e o Carnaval também são atrações de Ouro Preto. Outra possibilidade para sair à noite são as festas nas Repúblicas: os casarões, onde os universitários moram e também servem como palco para diversas festas.

Natureza em Ouro Preto

Para equilibrar o clima denso de uma cidade marcada com tanto sangue, o Parque Itacolomi e a Cachoeira das Andorinhas são lugares de fácil acesso com uma vista incrível. Se estiver de carro, é possível desbravar os distritos de Chapada de Ouro Preto e Novas Larvas.

cachoeira de agua clara na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto
cachoeira de água azul na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto

Minas:

 Há inúmeras minas desativadas em Ouro Preto. É possível visitar algumas delas, como a Mina Du Veloso e a Mina do Chico Rei, e entender um pouco do que elas significaram para o Brasil. Estive na Mina Du Veloso. Lá embaixo é frio. Frio e sombrio. Não porque faltam luzes, mas sim porque lembra a dor.

As Minas foram pensadas por escravos que já tinham experiência em extrair ouro. É muito triste saber que o homem usou o conhecimentos e a força de outros homens para enriquecer. Ao mesmo tempo, é muito interessante observar a tecnologia que esses escravos desenvolveram, como tubos de ventilação, reservatórios de água e mesmo as minas em si, que estão até hoje intactas: Tudo foi muito bem estruturado. Porém é um absurdo saber que o lucro esteve, e ainda está acima da vida.

Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
pedaço de minerio dentro de mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto

Ainda há atividade mineradora em Minas Gerais. Empresas como a Samarco e a Vale exploram as regiões sem respeito com o meio ambiente ou com a vida. Em um passado não tão distante, duas barragens da Samarco romperam em Mariana. A mineradora não foi penalizada como deveria e está prestes a voltar à atividade.

É impossível estar em Ouro Preto e não se atentar a essas e tantas outras questões do Brasil. Entender o passado também é entender o presente e essa cidade é assim: passado, presente, injustiças, beleza, luta, natureza. Ouro Preto é um destino indispensável a todos que passam por Minas Gerais.

 

Tudo que você precisa saber para chegar na Lagoinha do Leste

Por Maria Fernanda Romero

A melhor trilha de Florianópolis

Escrevi em outra postagem sobre algumas das INÚMERAS trilhas que existem em Florianópolis e prometi falar sobre a Lagoinha do Leste. Já tinha ouvido falar algumas vezes, que era o melhor lugar da Ilha. É difícil classificar o que é melhor em um lugar que me surpreende todos os dias. Mar, cachoeira, esporte, cultura, parques… são tantas coisas, que não é possível escolher só uma, mas com certeza, a Lagoinha do Leste é um dos melhores lugares.

COMO CHEGAR NA LAGOINHA DO LESTE

LAGOINHA DO LESTE ME FLORIANOPOLIS
Lagoinha do Leste

A praia é a mais isolada e conservada da ilha e não possuí construções, com exceção das ruínas da casa do seu Tibúrcio. A lenda diz que o casebre é feito de argila amarela retirada das margens da Lagoinha e garrafas que ele recolheu na região.

Para chegar lá existe uma trilha que saí da praia do Pântano do Sul e outra do Matadeiro. Ambas são difíceis e possuem subidas complicadas, mas a primeira opção é a mais curta. A ida é mais fácil, dura cerca de 50 minutos.

Acordamos às 5h para conseguirmos fazer a trilha com o nascer do sol. A paisagem é maravilhosa e outra vantagem do horário é não pegar o sol tão forte. A praia é imensa, o mar azul e a vegetação praticamente intocada.

Na costa esquerda da praia tem o Morro da Corroa, onde é possível fazer outra trilha e ter uma bela vista da praia e da lagoa. O local ganha esse nome, pois suas pedras lembram a uma corroa. A fauna também é extremamente preservada, e animais exóticos como lagartos são encontrados.

sol nascendo no morro das pedras em florianopolis
Amanhecer no Morro das Pedras
trilha em florianopolis a Lagoinha do Leste.
Lagoinha do Leste

Andando para a direita a lagoinha. A água doce que desce dos morros, deságuam em uma pequena enseada, onde se misturam com a água do mar, formando a lagoinha de água salobra, que dá o nome à praia.

Trilha, lagoa e mar, uma vista maravilhosa….além de muita magia!