Vila Rica de Ouro Preto

Por Maria Fernanda Romero

Ao chegar na primeira capital de Minas Gerais, Vila Rica de Ouro Preto, logo me deparei com ruelas estreitas, casarões enormes, ruas de paralelepípedos e imensas  ladeiras. Foi amor à primeira vista. Tudo era lindo, mas ao mesmo tempo denso. Era como estar em um filme de época, mas com as pessoas da atualidade.

HISTÓRIA DE OURO PRETO

Ouro Preto surgiu quando aventureiros e bandeirantes descobriram que era possível extrair ouro na região. A história da cidade é marcada por guerras pelo ouro que dali brotava. É uma história pesada. Além das guerras pelo território e da escravidão, foi lá que ocorreu a Inconfidência Mineira em 1789, uma revolta similar à Revolução Francesa que ocorre no mesmo ano. Por ter traído a Coroa portuguesa, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes ), líder do movimento, é decapitado na praça pública que hoje é conhecida como Praça Tiradentes. 

igreja na praça central de ouro preto, em minas gerais
Ouro Preto

Mesmo com o declínio da mineração, a capital de Minas Gerais continuou sendo Vila Rica até 1897, quando é transferida para Belo Horizonte. Essa transferência de capital freou o desenvolvimento industrial da cidade, porém isso a tornou especial.  Em 1980 Ouro Preto é tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

Igreja colorida na praça em Ouro Preto
Ouro Preto

O que fazer em Ouro Preto:

O centro histórico de Ouro Preto é incrível. Casas e igrejas em estilo barroco, construídas com muito ouro, muitas delas por Aleijadinho, podem ser visitadas em toda a região. Nos arredores da Praça Tiradentes também estão os museus que contam todas as histórias da cidade: O Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o Museu do Aleijadinho são alguns deles.

A Escola de Minas de Ouro Preto incrível inaugurada em 1839 foi a primeira Escola de Farmácia da América Latina. Desde a década de 1960, integra a Universidade Federal de Ouro Preto e também funciona como museu. Lá estão expostas as mais diversas pedras e minérios do mundo e também explicações sobre o funcionamento da mineração e extração de minérios.

praça tiradentes. casas coloridas, ceu azul, pessoas caminhando por ouro preto
Praça Tiradentes, Ouro Preto

Na Rua dos Bancos, também no centro, é possível visitar a Casa de Tiradentes e ainda comer muito bem no restaurante O Sótão. A comida mineira é maravilhosa. Qualquer restaurante é incrível, mas o Acaso 85, no Largo Rosário, além de oferecer comida boa é um ponto turístico especial, pois as ruas estreitas, as igrejas, e a arquitetura se assemelham as cidades portuguesas. 

Não foi só a aparência da cidade que me transportou para outros séculos. Ouro Preto não tem cinemas grandes em que passam os filmes hollywoodianos. O Cine Vila Rica é alternativo e, por uma ironia quase metafórica, assisti Cinema Paradiso (1988), quando estive lá.

casaroes, restaurantes e bandeira do Brasil em Ouro Preto
Rua dos Bancos, Ouro Preto

As festas típicas e o Carnaval também são atrações de Ouro Preto. Outra possibilidade para sair à noite são as festas nas Repúblicas: os casarões, onde os universitários moram e também servem como palco para diversas festas.

Natureza em Ouro Preto

Para equilibrar o clima denso de uma cidade marcada com tanto sangue, o Parque Itacolomi e a Cachoeira das Andorinhas são lugares de fácil acesso com uma vista incrível. Se estiver de carro, é possível desbravar os distritos de Chapada de Ouro Preto e Novas Larvas.

cachoeira de agua clara na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto
cachoeira de água azul na Chapada de Ouro Preto
Cachoeira do Castelinho- Chapada de Ouro Preto

Minas:

 Há inúmeras minas desativadas em Ouro Preto. É possível visitar algumas delas, como a Mina Du Veloso e a Mina do Chico Rei, e entender um pouco do que elas significaram para o Brasil. Estive na Mina Du Veloso. Lá embaixo é frio. Frio e sombrio. Não porque faltam luzes, mas sim porque lembra a dor.

As Minas foram pensadas por escravos que já tinham experiência em extrair ouro. É muito triste saber que o homem usou o conhecimentos e a força de outros homens para enriquecer. Ao mesmo tempo, é muito interessante observar a tecnologia que esses escravos desenvolveram, como tubos de ventilação, reservatórios de água e mesmo as minas em si, que estão até hoje intactas: Tudo foi muito bem estruturado. Porém é um absurdo saber que o lucro esteve, e ainda está acima da vida.

Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
Mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto
pedaço de minerio dentro de mina desativada em Ouro Preto
Mina Du Veloso, Ouro Preto

Ainda há atividade mineradora em Minas Gerais. Empresas como a Samarco e a Vale exploram as regiões sem respeito com o meio ambiente ou com a vida. Em um passado não tão distante, duas barragens da Samarco romperam em Mariana. A mineradora não foi penalizada como deveria e está prestes a voltar à atividade.

É impossível estar em Ouro Preto e não se atentar a essas e tantas outras questões do Brasil. Entender o passado também é entender o presente e essa cidade é assim: passado, presente, injustiças, beleza, luta, natureza. Ouro Preto é um destino indispensável a todos que passam por Minas Gerais.

 

Aiuruoca, a casa do papagaio

O QUE FAZER EM AIUROUCA

Seguindo pela Estrada Real no Estado de Minas Gerais, após o município de Baependi, está localizada a Serra do Papagaio, onde fica Aiuruoca, que em tupi significa casa do papagaio.

As estradas de terra do Parque Estadual da Serra do Papagaio nos reservam um visual deslumbrante, de montanhas infinitas. O clima é de paz e sinal de celular é algo raro. Em um entardecer de outono resolvi seguir as montanhas até o fim, encontrei um pedaço  do paraíso.

cachoeira, verde de fundo e uma queda grande
Cachoeira dos Garcias-Aiuruoca

Poucas vozes, o maior barulho era da Cachoeira dos Garcias. O vento gélido das montanhas da Serra da Mantiqueira me faziam implorar por uma lareira. O Casal Garcia foi o lugar, que escolhi para me abrigar. Por lá permaneci durante quatro dias.

Além da Cachoeira dos Garcias, o Parque Estadual da Serra do Papagaio, abriga o Pico do Papagaio. Chegar lá não é fácil. Uma caminhada de quase quatro horas para chegar a 2.105 metros de altitude. Além disso, a trilha não é sinalizada, ou seja, é muito fácil se perder, o recomendado é ir acompanhado de um guia.O poço Joaquim Bernardo também fica no Parque. Seu acesso é mais fácil, que os pontos anteriores.

cachoeira de queda grande e refrescante

Seguindo pela estrada, a pequena cidade de Aiuruoca é habitada por 6.257 pessoas. A cidade também faz parte das Sete Cidades Sagradas de Minas. Pouso Alto, Itanhandú, Carmo de Minas, Maria da Fé, São Tomé das Letras, Conceição do Rio Verde e Aiuruoca formam são tais cidades sagradas, elas formam a Constelação de Órion.

No centro da cidade, outra estrada de terra leva ao vale do Matutu, cabeças sagradas em tupi. O vale do Matutu é uma comunidade, que visa a preservação do meio ambiente. No caminho para Matutu fica a Cachoeira Deus-Me-Livre. Já em Matutu, Um casarão de 1904, patrimônio histórico de Aiuruoca. Lá se pode conhecer mais sobre a história da cidade e sobre a Associação dos Moradores e Amigos do Matutu (AMA).

sensacional queda dágua no sul de minas gerais

VALE DO MATUTU

No vale do Matutu mais cachoeiras maravilhosas. As cachoeiras das Fadas e dos Macacos são as mais famosas. No povoado também há muita comida boa. Produção de cerveja, cachaça, queijo e geleia artesanal. Comer bem, estar em paz e em contato com a natureza e belas paisagens, essa é a Casa do Papagaio.

pôr-do-sol na serra da mantiqueira. Montanhas, ceu laranja e muito verde
pôr-do-sol na serra da mantiqueira

Viva! A terra

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QUESTIONANDO A FORMA DO CAPITAL

Vivemos em um mundo, onde viver para produzir na cidade, e para o capital é hipervalorizado, muitas vezes é mostrada como a única coisa opção de vida. Questionando sobre uma forma de mostrar que felicidade não se alcança somente trabalhando de segunda a sexta 8h por dia. Alias, o que é felicidade?

O mundo é muito mais do que somos doutrinados a achar que é. Viva! A terra nasceu com o objetivo de mostrar como é a vida das pessoas e famílias que acham seu sustento na natureza e vivem em harmonia com a mesma.

Outro ponto importante é recordar que viemos da terra, e devemos respeitá-la em primeiro lugar. Infelizmente o homem têm mudado o ecossistema e as consequências na natureza serão cada vez mais catastróficas. Nos resta criar uma consciência e lutar para preservar lugares tão belos que ainda existem.

Bela e essencial para a microeconomia de muitos lugares, procuro retratar a natureza como ela é. O primeiro episódio de Viva! A terra foi gravado em Ubatuba- SP, Brasil, e conta a história da família Oliveira.

Pedra da Gávea é sobre como superar a si mesmo

Por Maria Fernanda Romero

COMO CHEGAR NA PEDRA DA GÁVEA

A Pedra da Gávea, localizada no Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, foi assim batizada pelo capitão português Gaspar de Lemos, por causa da sua semelhança com o cesto da gávea, o mirante colocado no lugar mais alto da caravela. Com 842m de altitude é o maior bloco de pedra a beira mar do planeta.
O acesso para a pedra é no final da Estrada do Sorimã. A trilha é muito difícil e tem várias etapas e pontos turísticos. Logo no começo tem uma cachoeira, depois o caminho fica cada vez mais íngreme. É preciso escalar um trecho de pedras e também escalar a carrasqueira, de aproximadamente 30m. Essa parte é extremamente perigosa e existem até caso de mortes.
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As quase 3h de trilhas são cansativas e é muito intenso. O coração acelera, a respiração complica, é um momento de contato consigo e com a sua própria força. É preciso concentração e calma. Subir a carrasqueira é o maior desafio. É a hora que você está no limite da vida e percebe como esta pode ser frágil. É a hora de refletir sobre quem você é e do que você é capaz.

O MAIOR DESAFIO

Durante a subida da carrasqueira, olhar para cima é desestimulante, pois parece que você sobe, sobe, sobe e ainda falta muito, olhar para baixo é magnifico. A vista do Rio de Janeiro, e de toda imensidão do oceano. Ao mesmo tempo pode dar medo.
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Depois de superar seus próprio limites, chegar ao cume é a sensação mais gratificante que existe. Para o corpo e para a alma. No horizonte o mar se mistura com o céu e você vira um grão de areia. Compreender que a vida é frágil e que é necessário força e vontade para realizar os sonhos foi o meu maior aprendizado.
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