Meu vício é a liberdade

Por Maria Fernanda Romero

Agradeço pela minha liberdade, ao mesmo tempo que percebo que hoje ela é o que me prende. Talvez a liberdade seja a prisão mais perigosa da vida. Porque ela se disfarça. Ela é o convite para um leque de caminhos. Mas ela não oferece bússola. 

Ela é o leme do barco. Sem prever as tempestades. 
Ela é o salto, sem nem olhar o tamanho da queda.
Liberdade é a genuína essência do homem. É direito.
Mas é também escolha.

praia que o mar se mistura com o rio. azul do ceu, com areia e o rio cortando.
Pontal do Maracaípe- Pernambuco

A mais difícil das escolhas, porque não oferece opções ao mesmo tempo que engloba todas as opções.

Ser livre é tão subjetivo! 

A minha liberdade é saber reinventar em todas as situações, sem me prender em conceitos e definições.  Minha liberdade transmuta o medo e permite o fluxo.  Ela é movimento, constante ou inconstante. Ela questiona.

Ela se tornou um vício discreto e silencioso. Há quem diga que o silêncio é como o vazio. A ausência de significado e de sentido.
Enxergo o silêncio, o nada e o vazio como oposições que trazem sentido, mas nenhum significado pode ser fixo.
Assim como a liberdade.

barco navegando no rio em praias com coqueiros verdes e ceu azul de fundo
Pontal do Maracaípe- Pernambuco

Não ter amarras é ser livre, e ao mesmo tempo estar preso na condição de não aceitar nada imutável, estável, permanente.

Por que eu ainda viajo?

Por Maria Fernanda Romero

Desde comecei essa página mudei muito minha forma de viajar, me expressar, criar conteúdo- até abandonei um pouco o site, postando mais no instagram, mas nunca deixei de viajar, ao contrário, hoje não tenho endereço fixo, não pago conta de luz, nem aluguel, não tenho conforto e nem sempre uma cama macia- e às vezes tenho dor nas costas, mas continuo viajando e nem penso em abandonar esse estilo de vida !

Viajar não é uma fuga da vida. E sim viver a vida da forma mais intensa, real e presente dela. Viajar é não ter certezas e se reencontrar no desconhecido. Eu comecei a viajar por uma mistura de curiosidade sobre o mundo e suas diferentes formas, decepção sobre a minha rotina e ansiedade de viver logo tudo que eu poderia viver. Mas, rapidamente, toda viagem mudou.

meninas em primeiro plano, em uma estrada de terra, montanhas no fundo
Tankwa Karoo National Park, África do Sul

Eu comecei uma viagem de perdas: de certezas, de verdades, de medos, de rótulos. Uma viagem de compreensão: pelas diferenças, pelos sentimentos. De encontros: com pessoas especiais que me mostraram que vale a pena acreditar na humanidade. Às vezes me falam que tenho que tomar cuidado, que nem todas as pessoas são boas e eu posso ir lá e me hospedar na casa delas, sem nem a conhecerem. Ou pegar uma carona. Mas viajando conheci pessoas, que me fizeram sentir que eu poderia confiar e acreditar.

Minha fé no próximo e na bondade só cresceu durante a viagem. E agora, viajo com mais calma, me surpreendo com a rotina. Mas a viagem mais importante que comecei dentro de tantas viagens, foi a viagem para dentro de mim. Todas as minhas camadas de ser, de luz e de sombra. Viajando lido com a minha escuridão o todo tempo, percebo o quão importante é saber reconhecer e enxergar onde ela está e ainda sim continuar positiva e confiante. E afinal, quando deixo a sombra de lado, priorizo os encontros fantásticos, que parecem ser feitos de sonhos.

victoria falls, cataratas na zambia, arco-iris e menina
Victoria Falls, Zâmbia

Mar, meu lar

Por Maria Fernanda Romero

O mar sempre foi a minha fonte de energia,
Nos dias de paz observo as ondas e permaneço tranquila,
Nos dias difíceis olho a imensidão do horizonte e me lembro que o mundo é bem maior,
Nos dias felizes entro correndo e pulando as ondas,
Nos dias tristes misturo minhas lágrimas com água salgada,

Outros dias eu só quero sentar sozinha na beira do mar.
Uns dias eu o olho e grito: um brinde a vida!
Em outros eu quero que ele me leve à outra vida,
Respiro fundo e continuo a navegar

Ainda bem que achei no mar, um lar.

barco no meio do oceano indico, representa o lar e o conforto do mar
Zanzibar, Tanzania

O que você faria com todo tempo do mundo?

Por Maria Fernanda Romero

Se você tivesse todo o tempo do mundo, com o que gastaria seu tempo? Se todas as suas necessidades já estivessem satisfeitas, que necessidades você teria? Se o dinheiro não fosse necessário e a vida fosse a base de trocas  o que você trocaria? 

A verdadeira utopia é preencher o dia somente com as coisas que te fazem feliz? Esse é o caminho para descobrir o sentido da nossa missão?  Se nada fosse uma obrigação, financeira ou estatal, passaríamos os dias desenvolvendo nossas habilidades, se alimentando bem, cuidando do corpo e da alma? Ou apenas morreríamos de tédio? O que é essencial para você? O que te faz ser você? Até que ponto você vive a vida que você quer e não a vida que você precisa?

Qual a forma mágica para conciliar os dois mundos? E porque não tornar nossos desejos as nossas necessidades?  Não tenho nenhuma resposta, mas quando tenho todo o tempo do mundo, percebo que não preciso de mais nada. A partir do momento que o pensamento se tornou “como eu posso ser a minha melhor versão, para mim e para o mundo?” nada mais se é uma obrigação dolorosa, e sim etapas para uma evolução maior.  

yosemite national park, montanhas maravilhosas nevadas em tom de azul refletindo a agua e verdes
Yosemite National Park, Califórnia

Caminho para casa

Por Maria Fernanda Romero

Os sentimentos,
tão profundo,
turbinados,
pelo calor do seu abraço,
ofegante,
caminho de volta para casa,

navego nesses sentimentos,
escorrego nas dunas,
que não são como no deserto,
mas a areia arranha,
as estranhas,
entranhas,
do meu coração,

porque essas almas vazias,
não saciam a minha fome,
de viver

folhas secas em primeiro plano, lago em segundo e montanha desértica no fundo
Poesia em Portugal

Astro rei

Por Maria Fernanda Romero

As nuvens deixaram de cobrir as estrelas.

A lua se escondeu atrás das colinas

junto com ela foram todos meus devaneios.

Todos os sonhos não-realizados

todas as promessas em vão 

e também a solidão.

Fácil seria se pudéssemos apagar e voltar a brilhar todos os dias. 

Bem que eu também poderia ser mais forte do que todas as nuvens 

do que a escuridão.

Assim, como o maior astro de todos.

Se eu fosse como o maior astro de todos 

nada iria me abalar.

Acima do abismo iria poder voar, enxergar a imensidão

esquecer da multidão.

Mas o frio ainda me corrói.

É como um tapa que me traz de volta à realidade. 

Ah, se eu fosse como o maior astro de todos…

surfista solitário descendo onda durante um pôr-do-sol bem amarelo e poético
surf e pôr-do-sol

Astro Rei, uma poesia sobre a natureza

A natureza é um tema recorrente nas minhas poesias, pois é onde eu ganho força e inspiração. Escrever sob o sol, com a brisa do vento ou em conexão com o mar é uma das minhas paixões.

Leia outras poesias sobre natureza, viagem e trasnformação

Mar, Meu lar

Como o outono cheira?

Hoje me Despeço

Poesias que se tornaram um livro

A natureza, a viagem, a solidão e questões da vida inspiraram a criação do Navegando em Poesia. Um livro que te faz pensar, te mostra outras verdades e e perguntas.

O livro contêm histórias e aventuras que envolvem amor, liberdade, autoconhecimento e muitas viagens.

Como o outono cheira?

Por Maria Fernanda Romero
O perfume exalando no ar,
Ou é a cândida que limpa o chão?
Talvez aquele shampoo, ou uma colônia pós-banho….
Pode ser uma rosa no jardim,
Mas as rosas estão caindo….
Pode ser a chuva, ou meu cachorro molhado
Não quero fechar a porta,
Deixarei lágrimas,
Meu consolo é saber que o cheiro familiar estará sempre lá….
Sempre lá me esperando,
Para me reconfortar,
E mesmo que eu demore para voltar,
O cheiro do outono lembra meu verdadeiro lar
estrada umida com arvores vermelhas mostrando as cores do outono e luz
Cores do outono

Transformação e autoconhecimento

Mudanças são dolorosas, mas o poder da transformação é inquestionável. o autoconhecimento é um processo que exige se desfazer e refazer o todo tempo.
“Como o outono cheira?” é uma das minhas primeiras poesias. É sobre o sentimento de partir: de casa, do conhecido da zona de conforto.

Outros posts sobre autoconhecimento:

Minas pela Estrada: Sete meses viajando o Brasil de Bicicleta

Pedra da Gávea: Superar a si mesmo

Medo de viajar sozinha?

Viagem e Poesia:

Viajar é uma das ferramentas que uso para alcançar o autoconhecimento. Transformo tudo que vivo em histórias e poesias e foi assim que surgiu o meu primeiro livro, Navegando em Poesia.

Poesia e viagem: sufocada

Por Maria Fernanda Romero

Estou sufocada.
Meu oxigênio contaminado,
minhas células morrem lenta(mente),

Neste quadrado cercado,
muitas caras, cheias de cores e pudores,

choro… choro e, tento recuperar o fôlego,

No meio do cinza,

concreto,
carros e caminhões,

Posso morrer asfixiada,

E eles não vão entender nada

praça vazia no sul da Espanha. Poesia visual
Praça Espanha em Sevilha

POESIA E VIAGEM

Buscando encontrar respostas, sai para conhecer o mundo. A viagem trouxe uma realidade diferente de tudo que eu imaginava e muitas outras questões mais complexas. Não encontrei respostas, mas entendi que o mais importante é refletir, não se acomodar, estar aberto para novas realidades.

Transformo aventuras, pensamentos e reflexões e poesias e histórias que compartilho aqui ou no instagram para todos que querem sair um pouquinho da sua zona conforto, seja física ou mental.

Leia outras poesias

“Sufocada” é uma poesia sobre um momento de amargura e prisão é sobre a vontade de partir e buscar uma outra vida. Outras poesias do site relatam momentos diferentes da vida de uma mulher plural.

HOJE ME DESPEÇO

MAR, MEU LAR

TRAÇOS DO SER

NAVEGANDO EM POESIA

Depois de viagem ao redor do mundo, nasceu o livro “Navegando em Poesia”. Um livro sensível e curioso, escrito para quem estiver disposto a pensar, aprender e conhecer outros verdades e formas de viver.