Aljezur: Uma vila azul em Portugal

Por Maria Fernanda Romero

Chegando em Porutgal

Eu já perdi a conta de quantas vezes andei de avião. Mais de trinta, com certeza. Porém, ainda tenho medo de voar. Sempre fico inquieta, monitorando a rota do avião pela função “mapa”. Deve ter vários malucos assim, não é à toa que essa função esteja disponível no dispositivo de entretenimento de viagens.

Pelo mapa soube que estava perto de Lisboa, meu destino final, mas, pela janela do avião, eu via um vasto litoral. Amplo. Era o Oceano Atlântico marcado pelas falésias que determinam o começo de Portugal.

praia em aljezur, casa de surf, bandeira de Portugal
Praia de Monte Clérigo

Desci no aeroporto de Lisboa com meu mochilão de 50 litros pesando 15kg, uma mala de rodinha com mais 15kg e minha prancha. 10kg deveria ser o suficiente para todos os pertences dessa vida, mas ainda não cheguei nesse patamar de desapego. A questão é que não foi fácil andar até o metrô.

Fui até a estação Jardim Zoológico – onde pegaria o ônibus para Aljezur, no Algarve – arrastando a prancha e sendo ajudada por muitas boas almas. A Rede Expresso é a linha de ônibus que faz o trajeto. Saem 4 autocarros por dia e o bilhete custa 18 euros, mas jovens de até 25 anos têm desconto.

barco em Lisboa, ponte 25 de abril, oceano atlântico
Lisboa

Aljezur

Aljezur fica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), no Algarve. Fica perto da capital, Faro – onde também há um aeroporto internacional – e das cidade Albufeira e Lagos.

Minha história com essa cidade começou quando buscava algum lugar para ficar em Portugal durante o mês de agosto. Achei, pelo site worldpackers, uma oportunidade de trabalho em troca de acomodação e comida. Esse site assim como outros de trabalho voluntário (como workaway e helpix) é uma ótima opção para quem busca viajar gastando pouco dinheiro e experienciar realmente a vida local. Procure sempre escolher lugares bem avaliados, eu não tive tanta sorte no local que fiquei, mas o fato de a cidade ser maravilhosa compensou.

mar e oceano em portugal
Aljezur
mar e montanas em Portugal
Aljezur

Trabalhando em Aljezur e morando em Monte Clérigo, vivi dias incríveis do verão português. De dia, muito calor: uma média de 30ºC. Já, ao anoitecer, muito frio: A temperatura pode cair pela metade na madrugada, chegando aos 15ºC.

As praias são maravilhosas. A água gelada lembra o mar do sul do Brasil. O oceano aberto, as falésias e as grutas naturais te mostram, que você está no Algarve, um dos lugares mais lindos do mundo. É também um ótimo destino para quem surfa: Ondas perfeitas praticamente todos os dias. Além disso existem várias escolas e surfcamps na região.

praia, mar e montanhas em Portugal
Aljezur
praia, mar e montanhas no sul de Portugal
Aljezur

A locomoção sem carro é um pouco complicada, já que as praias são um pouco distantes umas das outras, entretanto é possível pedir carona – ou boleia como se diz em português de Portugal. Pegar boleia é seguro e fácil. Eu fiquei o mês todo dependendo desse método de locomoção, o que também fez com que eu conhecesse várias pessoas legais do mundo inteiro.

O que comer em Aljezur

Por ser uma cidade litorânea, encontra-se muito peixe na gastronomia local: Camarões, lula e bacalhau são pratos comuns, mas também é possível achar de tudo: pizza, hambúrguer e até comida latino-americana.

Praia e falésias em Arrifana
Arrifana
Escada no meio das motanhas que leva até um rio na praia em Aljezur
Aljezur

Conheci muitas pessoas, principalmente jovens que, como eu, buscam viajar, conhecer pessoas e lugares e, acima de tudo, se encontrar antes de ir atrás de uma carreira. Me arrisco a dizer que o jovem brasileiro quer se encontrar profissionalmente antes de se encontrar pessoalmente. Nosso método educacional, cada vez pior e mais restrito, nos obriga escolher e nos dedicar muito cedo a opções de carreiras que não aprofundam realmente as nossas habilidades. Já, na Europa, a maior parte das faculdades é multidisciplinar. Ao longo do curso você vai restringindo seu campo de estudo. Assim como existem diferentes tipos de Ensino Médio, para diferentes tipos de pessoas. Também é muito comum o programa de intercâmbio “Erasmus” durante a graduação.

Estrada e no fundo montanhas e ceu
Aljezur

Viver fora da sua cultura pode ser um choque a cada dia, mas é também um constante aprendizado. Eu tive muita sorte: Aljezur é maravilhosa, as praias são tranquilas e a brisa do vento é constante. É um lugar que deve ser visitado por todos que gostam da tranquilidade e do mar.

Brasileira cria conceito de moda na cena trance européia

Por Maria Fernanda Romero

WORKSHOPS NA CENA TRANCE

Jornalista e estilista, Ana Carolina Lahr (30), descobriu um mundo de oportunidades e viagens explorando seu talento. A história da brasileira é uma inspiração para qualquer pessoa não deixar de acreditar em seus sonhos.

Como estudante de jornalismo sua trajetória foi cheia de obstáculos, pensou em desistir da faculdade no segundo ano, porém como fazia uma faculdade pública (UNESP/BAURU) ficou com medo de perder a vaga e não encontrar nada melhor, então sem abandonar a faculdade, Ana fez um curso livre de moda e estilo no SENAC/BAURU.

Jornalista que compartilha sua arte em festivais, Ana Carolina Lahr. Sorri enquanto ensina sobre moda sustentavel
Ana Carolina Lahr

SOBRE A VIDA DE ANA CAROLINA

A paulista conseguiu terminar a faculdade e começou um curso de especialização em “Criação de imagem, stilling e moda” em São Paulo. De manhã trabalhava em um jornal de Indaiatuba e a noite, duas vezes por semana, ia para a capital Paulista.

No curso, Ana aprendeu a representar uma marca, o conceito de moda e marketing, mas também se afastou do mundo da moda, pois percebeu que passarela não era seu estilo. Então, seu único contato com a moda passou a ser a editoria do tema no jornal onde trabalhava.

Jornalista que compartilha sua arte em festivais, Ana Carolina Lahr. é entrevistada durante o festival
Entrevista realizada durante o Boom festival

Depois de três anos a jornalista largou o jornal, cuja rotina não a fazia feliz. Ana Carolina foi com o marido para a Irlanda estudar inglês. “O meu objetivo era encontrar um romo para minha vida, tanto profissional, quanto espiritual.”

Na Europa, Ana Carolina, trabalhou em tudo que pôde, até de faxineira, e também viajou muito, mas perdeu seu foco principal que era se descobrir. Seu marido conseguiu uma forma de trabalhar e permanecer na Irlanda, enquanto seu visto de estudante já havia vencido e ela precisava achar outra forma de ganhar dinheiro.

MODA SUSTENTÁVEL

Foi quando surgiu a ideia de criar roupas. “Eu queria dar mais valor para a roupa, não queria começar algo se não fosse para ser exclusivo. Eu queria criar algo novo, então comecei a pesquisar e aprendi a trançar roupas.”  Ana Carolina criou a Magic Tale e com o apoio do marido e da família começou a vender suas criações. “Minha mãe que é a pessoa mais pé no chão que e conheço acreditou em mim e eu não era muito confiante, quando minha mãe me deu apoio, eu fui em frente.”

Workshop de moda sustentavel
Workshop Boom Festival

A estilista não só criou um novo estilo como um novo conceito de moda. “Moda é sobre você expressar sua essência, e na minha marca eu estimulo a criatividade, eu desconstruo um conceito para criar um novo e mostro que o erro não é um erro, é apenas uma nova forma de enxergar a realidade”

A primeira vez que a Magic Tale abriu foi em um festival na Irlanda, de música Folk. Lá Ana não vendeu nenhuma peça, mas ela não desistiu. Já com o visto regularizado foi passar as férias no Brasil e lá tentou vender a sua marca.

Workshop de moda sustentavel durante Boom Festival
Workshop durante Boom Festival

“Eu não conhecia o trance, mas pesquisando os festivais achei o Shivaneris.” No Shivaneris a aceitação foi muito boa, superou as expectativas da estilista, e desde então a marca só cresce. Esse ano, Ana Carolina foi convidada para dar um workshop sobre confecção de roupas com materiais reutilizados nos dois maiores festivais do mundo: Ozora e Boom. “Para mim , fazer roupa é um processo pessoal, um terapia. Meu maior desafio desde que a Magic Tale existe é balancear a questão comercial com a minha essência.”

workshop de moda sustentável no Boom Festival
Workshop Boom Festival

Em um mundo que só  visa o consumismo e a produção do novo, Ana se destaca por compartilhar sua experiência com leveza e ajuda as outras pessoas a se descobrirem também. “Ensinar meu talento foi um desafio, uma desconstrução difícil, mas dar a oportunidade das pessoas se descobrirem também, me trouxe uma recompensa espiritual muito grande.”

workshop de moda sustentável no Boom Festival
Workshop Boom Festival

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