Boom Festival: Geometría Sagrada

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

UM DOS MAIORES FESTIVAIS DE CULTURAS ALTERNATIVAS DO MUNDO

O Boom é um Festival de Culturas Alternativas que acontece uma vez a cada dois anos em Idanha-a-Nova, Portugal. Neste ano aconteceu entre 22 e 29 de julho.

O tema do Boom Festival de 2018 foi Geometria Sagrada: a ciência que estuda os padrões, os códigos, as proporções e os sistemas de todas as coisas. As nossas células, as folhas, a natureza, tudo segue o mesmo padrão geométrico. Tais figuras, formas e proporções são consideradas sagradas por serem encontradas em toda a Criação.

LAGO DO FESTIVAL DE CULTURAS ALTERNATIVAS BOOM COM MUITAS PESSOAS NADANDO

O Boom Festival é diferente de outros festivais de música e cultura, pois ele se aprofunda no tema escolhido de forma que não é apenas a decoração que é voltada a ele: ele é também abordado em debates e palestras durante o festival, ao lado de outros assuntos alinhados à Espiritualidade, à Redução de Danos, à consciência ecológica, a novos sistemas econômicos e, pela primeira vez este ano, à igualdade de gêneros.

mulheres discutindo sobre igualdade de generos em festa
Discussão sobre igualdade de gêneros em festas

A Boomland, espaço onde ocorre o festival, é totalmente sustentável. Há um lago que rodeia grande parte da festa e deixa o calor mais suportável. As estruturas e os espaços são construídos pensando na bioconstrução. Até os talheres distribuídos na praça de alimentação são biodegradáveis. Eles são feitos de amido de batata. Os banheiros são de compostagem, ou seja, são banheiros secos e por isso não desperdiçam água. Não é permitido o uso de nenhum produto químico, o que gera um bom adubo para o solo do espaço.

filtro de sonho de bamboo no boom festival

MÚSICA

Ao todo são 7 palcos no Festival. Os principais são o Dance Temple e o Alchemy Circle. No Dance Temple os principais nomes do trance se apresentam. De Ace Ventura e Astrix a Confo e Farebi Jalebi. Na noite do eclipse lunar (27.07), o grupo de trance orgânico Highlight Tribe fez uma apresentação emocionante.

O Alchemy Circle é mais alternativo. O line-up conta com grandes nomes da gravadora Zenon Records. O som nem sempre tem altos bpm, mas é sempre muito psicodélico.

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Dance Temple

A arte está presente em todos os cantos do festival. Cada jardim e cada esquina tem alguma coisa especial, seja uma decoração mágica ou uma reflexão. A arte é tão presente no Boom que tem até um Museu no Festival: o Museu de Arte Visionária que nesta edição incluía obras das artistas Amanda Sage e Martina Hoffmann.

O Being Fields é o espaço de cura, onde acontecem as práticas de yoga, meditação, terapias aquáticas, rituais xamânicos e qualquer outra reconexão do homem com a natureza. Hoje o espaço é uma das áreas mais importantes da festa e abre alternativas para quem busca algo além da música.

ESCULTURA DE MADEIRA EM BOOM FESTIVAL

No palo Sacred Fire também acontecem rituais xamânicos, e, como o nome indica, fogueiras. É no Sacred Fire, que acontecem os workshops. Um espaço inspirador de troca de conhecimento e experiências.

A Redução de Danos no Boom Festival também é uma das melhores do mundo. A Lei de Drogas de Portugal é pautada dentro das políticas de Redução de Danos e descriminaliza o porte de todas as substâncias. O país também reconhece a importância do trabalho informativo, inclusive a respeito do conteúdo das substâncias, como ferramenta preventiva para diminuir os riscos e o uso abusivo.

POR DO SOL NO BOOM

Por isso, o Coletivo Kosmicare organiza um stand informativo e também de teste de drogas, utilizando uma técnica chamada TLC. Além disso há um espaço de Psycare, onde pessoas que estejam tendo uma experiência difícil com o uso de substâncias psicoativas ou, pessoas que apenas queiram conversar,  podem falar abertamente com os redutores de danos.

O Boom prega a liberdade e o amor. Busca ensinar às pessoas um pouco mais sobre consciência ecológica, redução de lixo, do consumo e principalmente respeito às diferenças.  É um espaço mágico e acolhedor. Uma experiência inesquecível e imprescindível à todos que acreditam em uma forma mais leve de viver.

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Lisboa: a certeza, que Portugal tem muito do Brasil e vice-versa

Por Maria Fernanda Romero

O QUE FAZER EM LISBOA

Lisboa, desorganizada e perfeitinha. Bairros estreitos, beira-mar e beira-rio, má sinalização, transporte público confuso e funcionários públicos que não estão dispostos a ajudar. Já estive algumas vezes em Lisboa e quanto mais a amo, mais a comparo com o Brasil, principalmente com o Rio de Janeiro. E não é que ela tem até uma versão do Cristo?

Lisboa precisa de uns 3 dias para ser conhecida e seus arredores, Sintra e Cascais, também merecem alguns dias para uma visita. O primeiro dia em Lisboa pode ser dedicado ao centro histórico, começando na Praça do Comércio que fica na beira do Rio Tejo e tem uma vista linda para a ponte 25 de Abril.

Barco em primeiro plano no rio tejo e ponte 25 de abril no fundo, na capital portuguesa, Lisboa
Lisboa

Depois do arco da Rua Augusta fica a Baixa Lisboa com lojas e restaurantes bem turísticos. Ali perto também fica o Elevador de Santa Justa, que é bonito, mas, apesar de ser um dos símbolos da cidade, não tem nada demais. Vale a pena passar por ele, porém não é imperdível. Continuando a caminhada pela a Baixa Augusta chegamos ao Rossio.

O lugar, que mais gostei do Rossio foi a Casa do Alentejo. Antigamente cada região de Portugal tinha uma casa que funcionava como uma espécie de embaixada dessa região. Atualmente, as atividades na Casa do Alentejo incluem apresentações de livros, filmes, fotografias, saraus, expressões de arte em geral que representam e preservam a cultura alentejana, além da sua gastronomia, já que dentro da Casa tem um restaurante.

O bairro Mouraria é um bairro típico português. Lá é possível assistir o fado, ver e beber em tabernas a ginjinha, típica cachaça portuguesa feita com uma variação da nossa cereja. É possível também comer comida típica e barata. Fui ao restaurante “O Triguerinho” e achei o custo benefício excelente, além da porção ser bem servida.

Ao lado da Mouraria fica um dos bairros mais antigos de Lisboa, o Alfama. Ruas estreitas, portas pequenas, bonde e a Catedral da Sé caracterizam esse bairro. Assim como grande parte de Lisboa, colorida. As casas e os bondes amarelos em contraste com o azul do mar e do rio.

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A Catedral da Sé de Lisboa é a igreja mais antiga e importante da cidade. Sua construção data do século XII e seu estilo predominante é o românico. Seu nome completo é Santa Maria Maior. É possível visitar o claustro e tesouro da catedral, ambos por 2,50 euros. A catedral fecha às 17h no inverno e às 18h no verão.

Catedral da Sé, Augusta, cachaça. As semelhanças com o Brasil estão por toda parte, mas isso não é nem o começo! A cidade tem mais de 20 miradouros com vistas incríveis. Um deles fica no bairro de Alfama, o Miradouro das Portas do Sol e é o lugar ideal para ver o pôr do sol, apreciar a vista e curtir um pouco a cidade.

Subindo ainda mais por Alfama fica o Castelo de São Jorge que foi restaurado após o terremoto que destruiu praticamente toda a cidade em 1755. O castelo fica aberto das 9h às 18h, no inverno e até às 21h no verão. A entrada custa 8,50 euros.  Estudantes, crianças e idosos têm desconto.

casas coloridas e o oceano de Lisboa ao fundo

No segundo dia eu recomendo começar o passeio no Cais do Sodré, outro lugar ótimo para curtir a cidade, descansar da caminhada e apreciar a vista. Ao lado do cais fica o Mercado da Ribeira, ou Time Out Market. Lá tem comidas maravilhosas e, como todo mercadão, frutas típicas da região. Entretanto, o preço não é tão baixo, o mercado está bastante gourmetizado.

Subindo as vielas em direção aos bairros Chiado e Alto fica outro miradouro famoso, o miradouro de Santa Catarina. O Chiado é um bairro com cafés e comércios, principalmente na Rua Garrett. É um bairro muito presente na literatura e assim como seu vizinho, o bairro Alto, é boêmio e tem uma vida noturna ativa e cerveja barata.

Um pouco afastado do centro e de todos os outros pontos turísticos fica o bairro de Belém. As caravelas do descobrimento conduzidas Pedro Álvares Cabral, assim como as de Vasco da Gama saíram de Belém. Por isso, lá fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento em forma de caravela. No chão tem um mapa-múndi destacando todos os lugares que foram colônias portuguesas. Lá está destacada, por exemplo, a cidade Cananeia como primeira cidade do Brasil.

bonde subindo a ladeira em Lisboa

Ao lado, a Torre de Belém, que na verdade era um forte.  Ela é hoje um patrimônio Cultural da Unesco. A torre também serviu para coroa portuguesa guardar suas riquezas. A visita custa 10 euros, mas é possível comprar um ingresso que dá direito a uma visita a ela ao Mosteiro do Jerônimos e ao Museu de Arqueologia por 21 euros.

Dentro do Mosteiro dos Jerônimos, uma construção que demorou quase um século para ficar pronta, fica a Igreja de Santa Maria de Belém, uma das mais bonitas que eu já vi na Europa. Ela é muito ampla e seus vitrais coloridos iluminam a Igreja deixando-a mais clara que o tradicional.

torre de belem no oceano em Lisboa  e o sol se pondo no fundo
Torre de Belém

Lá dentro do mosteiro estão também os túmulos de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, um dos maiores, quiçá o maior poeta português. Ler sua poesia é uma forma de entender e sentir o que foi Lisboa no passado.

No bairro de Belém também estão os museus dos Coches, de Arqueologia e de Marinha, entre outros. Mas vale a pena ressaltar que praticamente nenhum museu da cidade abre às segundas. Tem mais essa semelhança com o Brasil: segunda-feira é um dia morto em todo Portugal.

arco mostrando o mosteiro dos jerônimos
Mosteiro dos Jerônimos

É de Belém também que vêm os famosos pastéis de Belém. Precisamente, foi na Antiga Confeitaria de Belém que foi inventada a receita secreta das freiras, mas as outras confeitarias de Belém também oferecem o pastel por um preço mais em conta. Em Belém também é possível comer um arroz com bacalhau bem gostoso. O segredo é pedir dicas de restaurantes para os moradores e para os donos de comércio, por exemplo.

A locomoção em Lisboa é um pouco complicada. Lá tem os trens (comboio), metrô, ônibus e bonde. Para entender melhor os horários sugiro consultar o aplicativo da Via Verde ou o site da CP (Comboios de Portugal).

Se esse post sobre Lisboa não te fez lembrar do Brasil, você precisa arrumar as malas agora mesmo e ir visitar a capital de Portugal.

Porto, vinho na beira Douro

Por Maria Fernanda Romero

Minha viagem para Porto começou com um pequeno empecilho, mas isso faz parte. O bom é que, com o passar do tempo, a gente aprende e quanto mais aprendemos, menos perrengues passamos. O que aconteceu foi:

Comprei um voo low cost da companhia Ryanair. Para quem não sabe, algumas companhias na Europa fazem trechos por um preço muito baixo. Tem voos de 5 até 40!!! A desvantagem é que você pode viajar somente com a bagagem de mão, de até 10 kg, e o check-in tem que ser feito antecipadamente pela internet.

Eu amo voos low cost, mas é muito importante tomar cuidado com as regras de cada companhia (Ryanair, Vueling, easyJet, Iberia,…) que podem variar. A primeira vez que fiz uma viagem low cost, por exemplo, tive que pagar uma taxa por não ter feito o check-in online. Dessa vez o problema foi o tamanho da minha mala. Ela estava estufada e passava das medidas permitidas pela companhia, apesar de não passar do peso. Então eu teria que pagar 50€ para despachá-la. Como 50 se a passagem tinha sido 10? Não podia ser verdade. Pedi por favor, implorei, mas não adiantava. Então uma funcionária do aeroporto, que assistia o show me disse: “vista todas as roupas”.

grafite de mao em muro de Porto em Portugal

Uma ótima ideia para quem já estava pensando em abandoná-las. Fui para Porto com todas as minhas roupas no corpo, mas não paguei nenhuma taxa. Que bom, porque o dinheiro estava contado.

O QUE FAZER EM PORTO

Porto é uma cidade pequena, mas que tem muita coisa para fazer. Eu comecei o passeio no centro histórico, na praça dos Leões. Diferente dos centros das grandes cidades, o de Porto é silencioso e tranquilo. Portugal, em geral, é um país bem tranquilo, com muito mar azul e barulho de pássaros.

igreja de azulejos em Porto
Igrejas coladas

Uma coisa que eu acho super charmosa em Portugal são os bondes e ver o bode passar da praça dos Leões é como viajar no tempo. Além disso, lá ficam as igrejas coladas, a Igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Na teoria era proibido construir igrejas geminadas, então há uma pequena casa, quase invisível, dividindo as duas. Entretanto, apesar de serem coladas, essas duas igrejas são muito diferentes entre si: A Igreja dos Carmelitas Descalços, construída entre 1619 e 1628, tem características do barroco e do rococó. Já a Nossa Senhora do Monte do Carmo foi erguida entre 1756 e 1768 e tem um estilo arquitetônico dividido entre o barroco e o neoclássico.

Descendo pela praça, vemos um dos símbolos da cidade do Porto: a Torres dos Clérigos. Projetada pelo italiano Nicolau Nasoni, a torre, que segue o estilo barroco, foi construída entre 1754 e 1763 e tem 75m de altura. É uma subida de mais de 200 degraus e a recompensa é uma vista exuberante da cidade de Porto. O valor da subida é de 3€.

Do lado oposto da Torre dos Clérigos fica a livraria Lello e Irmão. Essa é a livraria onde J.K.Rowling começou a escrever Harry Potter. A autora, que morou um tempo em Porto, se inspirou muito na cidade para escrever o livro: As vestes pretas e as capas que os bruxos de Hogwarts usam foram inspiradas, por exemplo, nas vestes usadas pelos alunos da Universidade do Porto. A escadaria da livraria Lello também está retratada no livro. Em várias entrevistas a autoria diz que sua estadia em Porto foi um momento muito difícil da sua vida, principalmente em questões amorosas. A entrada para a livraria custa 4€, mas o valor é descontado no caso da compra de um livro.

A cidade é cheia de vielas, subidas e descidas e é uma delícia se perder por elas. Na maioria das ruas altas há um mirante com uma vista impressionante de Porto: O rio no horizonte, o mar, o colorido dos prédios…

Em uma das subida que parece não chegar a lugar nenhum, fica a famosa Catedral da Sé de Porto. Como ela sofreu muitas reconstruções, possui mais de um estilo: Romântico, gótico, mas na maior parte barroco. No interior da catedral o visitante também tem acesso ao Claustro, onde fica exposta uma coleção de objetos valiosos da igreja. A visita ao Claustro custa 3€.

vista para o rio douro em Porto

Em direção contrária à Sé, descendo toda a cidade, às margens do Rio Douro, fica a Ribeira, a parte mais charmosa da cidade com as  pontes, que levam à Vila Nova de Gaia, o rio, que por si só já é exuberante e diversos restaurantes e barzinhos. Lá também é possível fazer passeios de barco. Atravessando para o lado de Gaia, é possível contemplar um pôr-do-sol incrível. Tudo isso ao som de músicos que fazem show nas ruas ou em bares. Tudo muito alegre e muito alto astral.

Os famosos vinhos do Porto também são originários do lado de lá do rio Douro, em Gaia. Entretanto a produção é bastante rigorosa e só pode ser feita na região do Alto Douro Vinhateiro. Em Gaia é possível visitar as cavas. O vinho do Porto tem um gosto diferente, adocicado e um teor alcoólico mais elevado que o normal (até 22%). Uma visita a uma cava pode custar de 20 a 100 euros.

ponte e lua cheia

Outro passeio que eu gostei muito em Porto foi o que fiz aos Jardins do Palácio de Cristal. O parque também fica no alto de Porto, ou seja, tem uma vista extraordinária e até romântica. A natureza do parque é linda e tem até pavões passeando por lá.

COMER EM PORTO

Portugal é um dos países mais baratos da Europa. Lá a entrada da maioria dos pontos turísticos é gratuita e a comida também é muito barata. Em Porto não é diferente. Lá, com 5 euros, já se come muito bem. O prato típico de Porto é a francesinha: Um sanduíche de linguiça, salsicha, presunto (em Portugal se diz fiambre) e carne de vaca coberto com queijo derretido, ao molho à base de tomate, cerveja e outros temperos.

Também vale a pena ir ao Mercado do Bolhão, o principal da cidade, que existe desde 1914. Lá é possível encontrar queijos, bacalhau e tudo de mais típico de Portugal, em um ambiente também conservado.

E pra quem gosta de sair, Porto pode ser uma cidade pequena, mas ainda assim tem uma vida noturna agitada! A rua que concentra o maior número de bares é a rua da Conceição, perto do centro histórico.

Porto é uma cidade tranquila e muito bonita que te oferece de tudo, sempre no ritmo tranquilo de Portugal.

Rio Douro e barcos
Rio Douro

Aljezur: Um pedacinho azul em Portugal

Por Maria Fernanda Romero

Chegando em Porutgal

Eu já perdi a conta de quantas vezes andei de avião. Mais de trinta, com certeza. Porém, ainda tenho medo de voar. Sempre fico inquieta, monitorando a rota do avião pela função “mapa”. Deve ter vários malucos assim, não é à toa que essa função esteja disponível no dispositivo de entretenimento de viagens.

Pelo mapa soube que estava perto de Lisboa, meu destino final, mas, pela janela do avião, eu via um vasto litoral. Amplo. Era o Oceano Atlântico marcado pelas falésias que determinam o começo de Portugal.

praia em aljezur, casa de surf, bandeira de Portugal
Praia de Monte Clérigo

Desci no aeroporto de Lisboa com meu mochilão de 50 litros pesando 15kg, uma mala de rodinha com mais 15kg e minha prancha. 10kg deveria ser o suficiente para todos os pertences dessa vida, mas ainda não cheguei nesse patamar de desapego. A questão é que não foi fácil andar até o metrô.

Fui até a estação Jardim Zoológico – onde pegaria o ônibus para Aljezur, no Algarve – arrastando a prancha e sendo ajudada por muitas boas almas. A Rede Expresso é a linha de ônibus que faz o trajeto. Saem 4 autocarros por dia e o bilhete custa 18 euros, mas jovens de até 25 anos têm desconto.

barco em Lisboa, ponte 25 de abril, oceano atlântico
Lisboa

Aljezur

Aljezur fica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), no Algarve. Fica perto da capital, Faro – onde também há um aeroporto internacional – e das cidade Albufeira e Lagos.

Minha história com essa cidade começou quando buscava algum lugar para ficar em Portugal durante o mês de agosto. Achei, pelo site worldpackers, uma oportunidade de trabalho em troca de acomodação e comida. Esse site assim como outros de trabalho voluntário (como workaway e helpix) é uma ótima opção para quem busca viajar gastando pouco dinheiro e experienciar realmente a vida local. Procure sempre escolher lugares bem avaliados, eu não tive tanta sorte no local que fiquei, mas o fato de a cidade ser maravilhosa compensou.

mar e oceano em portugal
Aljezur
mar e montanas em Portugal
Aljezur

Trabalhando em Aljezur e morando em Monte Clérigo, vivi dias incríveis do verão português. De dia, muito calor: uma média de 30ºC. Já, ao anoitecer, muito frio: A temperatura pode cair pela metade na madrugada, chegando aos 15ºC.

As praias são maravilhosas. A água gelada lembra o mar do sul do Brasil. O oceano aberto, as falésias e as grutas naturais te mostram, que você está no Algarve, um dos lugares mais lindos do mundo. É também um ótimo destino para quem surfa: Ondas perfeitas praticamente todos os dias. Além disso existem várias escolas e surfcamps na região.

praia, mar e montanhas em Portugal
Aljezur
praia, mar e montanhas no sul de Portugal
Aljezur

A locomoção sem carro é um pouco complicada, já que as praias são um pouco distantes umas das outras, entretanto é possível pedir carona – ou boleia como se diz em português de Portugal. Pegar boleia é seguro e fácil. Eu fiquei o mês todo dependendo desse método de locomoção, o que também fez com que eu conhecesse várias pessoas legais do mundo inteiro.

O que comer em Aljezur

Por ser uma cidade litorânea, encontra-se muito peixe na gastronomia local: Camarões, lula e bacalhau são pratos comuns, mas também é possível achar de tudo: pizza, hambúrguer e até comida latino-americana.

Praia e falésias em Arrifana
Arrifana
Escada no meio das motanhas que leva até um rio na praia em Aljezur
Aljezur

Conheci muitas pessoas, principalmente jovens que, como eu, buscam viajar, conhecer pessoas e lugares e, acima de tudo, se encontrar antes de ir atrás de uma carreira. Me arrisco a dizer que o jovem brasileiro quer se encontrar profissionalmente antes de se encontrar pessoalmente. Nosso método educacional, cada vez pior e mais restrito, nos obriga escolher e nos dedicar muito cedo a opções de carreiras que não aprofundam realmente as nossas habilidades. Já, na Europa, a maior parte das faculdades é multidisciplinar. Ao longo do curso você vai restringindo seu campo de estudo. Assim como existem diferentes tipos de Ensino Médio, para diferentes tipos de pessoas. Também é muito comum o programa de intercâmbio “Erasmus” durante a graduação.

Estrada e no fundo montanhas e ceu
Aljezur

Viver fora da sua cultura pode ser um choque a cada dia, mas é também um constante aprendizado. Eu tive muita sorte: Aljezur é maravilhosa, as praias são tranquilas e a brisa do vento é constante. É um lugar que deve ser visitado por todos que gostam da tranquilidade e do mar.

Brasileira cria conceito de moda na cena trance européia

Por Maria Fernanda Romero

WORKSHOPS NA CENA TRANCE

Jornalista e estilista, Ana Carolina Lahr (30), descobriu um mundo de oportunidades e viagens explorando seu talento. A história da brasileira é uma inspiração para qualquer pessoa não deixar de acreditar em seus sonhos.

Como estudante de jornalismo sua trajetória foi cheia de obstáculos, pensou em desistir da faculdade no segundo ano, porém como fazia uma faculdade pública (UNESP/BAURU) ficou com medo de perder a vaga e não encontrar nada melhor, então sem abandonar a faculdade, Ana fez um curso livre de moda e estilo no SENAC/BAURU.

Jornalista que compartilha sua arte em festivais, Ana Carolina Lahr. Sorri enquanto ensina sobre moda sustentavel
Ana Carolina Lahr

SOBRE A VIDA DE ANA CAROLINA

A paulista conseguiu terminar a faculdade e começou um curso de especialização em “Criação de imagem, stilling e moda” em São Paulo. De manhã trabalhava em um jornal de Indaiatuba e a noite, duas vezes por semana, ia para a capital Paulista.

No curso, Ana aprendeu a representar uma marca, o conceito de moda e marketing, mas também se afastou do mundo da moda, pois percebeu que passarela não era seu estilo. Então, seu único contato com a moda passou a ser a editoria do tema no jornal onde trabalhava.

Jornalista que compartilha sua arte em festivais, Ana Carolina Lahr. é entrevistada durante o festival
Entrevista realizada durante o Boom festival

Depois de três anos a jornalista largou o jornal, cuja rotina não a fazia feliz. Ana Carolina foi com o marido para a Irlanda estudar inglês. “O meu objetivo era encontrar um romo para minha vida, tanto profissional, quanto espiritual.”

Na Europa, Ana Carolina, trabalhou em tudo que pôde, até de faxineira, e também viajou muito, mas perdeu seu foco principal que era se descobrir. Seu marido conseguiu uma forma de trabalhar e permanecer na Irlanda, enquanto seu visto de estudante já havia vencido e ela precisava achar outra forma de ganhar dinheiro.

MODA SUSTENTÁVEL

Foi quando surgiu a ideia de criar roupas. “Eu queria dar mais valor para a roupa, não queria começar algo se não fosse para ser exclusivo. Eu queria criar algo novo, então comecei a pesquisar e aprendi a trançar roupas.”  Ana Carolina criou a Magic Tale e com o apoio do marido e da família começou a vender suas criações. “Minha mãe que é a pessoa mais pé no chão que e conheço acreditou em mim e eu não era muito confiante, quando minha mãe me deu apoio, eu fui em frente.”

Workshop de moda sustentavel
Workshop Boom Festival

A estilista não só criou um novo estilo como um novo conceito de moda. “Moda é sobre você expressar sua essência, e na minha marca eu estimulo a criatividade, eu desconstruo um conceito para criar um novo e mostro que o erro não é um erro, é apenas uma nova forma de enxergar a realidade”

A primeira vez que a Magic Tale abriu foi em um festival na Irlanda, de música Folk. Lá Ana não vendeu nenhuma peça, mas ela não desistiu. Já com o visto regularizado foi passar as férias no Brasil e lá tentou vender a sua marca.

Workshop de moda sustentavel durante Boom Festival
Workshop durante Boom Festival

“Eu não conhecia o trance, mas pesquisando os festivais achei o Shivaneris.” No Shivaneris a aceitação foi muito boa, superou as expectativas da estilista, e desde então a marca só cresce. Esse ano, Ana Carolina foi convidada para dar um workshop sobre confecção de roupas com materiais reutilizados nos dois maiores festivais do mundo: Ozora e Boom. “Para mim , fazer roupa é um processo pessoal, um terapia. Meu maior desafio desde que a Magic Tale existe é balancear a questão comercial com a minha essência.”

workshop de moda sustentável no Boom Festival
Workshop Boom Festival

Em um mundo que só  visa o consumismo e a produção do novo, Ana se destaca por compartilhar sua experiência com leveza e ajuda as outras pessoas a se descobrirem também. “Ensinar meu talento foi um desafio, uma desconstrução difícil, mas dar a oportunidade das pessoas se descobrirem também, me trouxe uma recompensa espiritual muito grande.”

workshop de moda sustentável no Boom Festival
Workshop Boom Festival

Workshop Boom Festival