Aportando no Quênia pelo paraíso em Mombasa

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

A cidade litorânea mais importante do Quênia pode servir de ponto de partida para quem quer viajar pela costa do país africano. O porto de Mombasa é o mais importante da África Oriental. O centro histórico da cidade pode ser um pouco confuso, mas é uma aventura desbravar suas ruas e mercados. É um passeio muito válido para quem tem disposição e vontade de conhecer algo diferente.

O QUE FAZER EM MOMBASA

A visita ao centro histórico pode começar pela escultura Mombasa Tuks. Passando por ela, há diversos mercados de artesanato, frutas, especiarias e o tradicional Fish Market. O mercado mais famoso da cidade é o Marikiti.


tuk tuk amarelo em Mombasa
Tuk tuk em Mombasa

No século XI, Mombasa foi descrita pelas Crônicas Árabes como a residência do rei dos africanos negros. Posteriormente se converteu em um importante assentamento de árabes. Pela posição privilegiada, era um ponto crucial na rota do comércio entre a África e a Índia.

Os portugueses foram os primeiro europeus que chegaram em Mombasa, no século XVI. Numa tentativa de acabar com o monopólio árabe, atacaram a cidade e a deixaram destruída. Houve diversos conflitos na região e, em 1593, os portugueses construíram o Forte Jesus, que hoje está aberto para visitas e é um dos destaques da cidade. Ainda assim, os portugueses nunca conseguiram de fato consolidar a sua hegemonia. Primeiro, porque os habitantes de Mombasa sempre foram resistentes, mas também, porque, anos depois, holandeses, franceses e ingleses entraram na disputa pela influência no Oceano Índico.


homem com camisa do Brasil e aborbora cortada na mao. Atras cestas de limao.
Mercado Marikiti

Forte Jesus

O forte Jesus é agora um museu considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Lá é contada a história da influência portuguesa em Mombasa e das batalhas que ocorreram na região. O museu fica aberto todo dia das 8h às 18h. O valor para não-residentes é de 1200 shillings quenianos.

Praias

O melhor da cidade são as praias. Tanto a costa norte como a costa sul são deslumbrantes. A praia de Diani, na costa sul, é considerada uma das mais bonitas do país. As águas claras e a areia branca e seu contraste com as cabanas de palha, contribuem para a impressão de se estar num cenário de filme. Para chegar até a praia de Diani é preciso pegar a balsa em Mombasa. A praia têm acessos públicos e privados por resorts ou por “beaches clubs”. Alguns pedem uma taxa para entrar, outros você só paga se consumir. Eu entrei pelo Bidi Badu Beach Resort e lá só se pagava o que se consumia. Achei os preços justos em relação à média do país. Na praia de Diani também é possível mergulhar: o mergulho é uma das principais atrações turísticas do lugar, assim como o kitesurf.


Praia. 3 menino em primeiro plano  em segundo plano barco. muito azul
Nyali Beach

A praia de Nyali também não ficou muito para trás no quesito “deslumbre”. É mais acessível do que a praia de Diani e também tem um mar de cor exuberante. Ali é preciso ter atenção com a tábua da maré. O mar vai chegando aos poucos na praia e, mais ou menos às 17h fica perfeito para entrar na água e mergulhar. No mesmo esquema de acesso que a praia de Diani, entrei pelo Reef Hotel, que compreende, no seu conjunto, o Moonshine: um bar restaurante muito agradável com vista para o mar.

Do lado norte, os destaques ficam com Kilifi. É uma praia mais tranquila e menos conhecida que as anteriores, onde a natureza predomina. Outra praia de mergulho muito famosa é Watamu, que fica a 150km de Mombasa. Há também Malindi frequentada principalmente por italianos e Lamu, uma praia em que predomina a população árabe. Em Lamu tem os famosos Dhow – uma espécie de barquinhos a vela. Os passeios valem muito a pena.


camelo na praia
Nyali Beach

Lugares  para comer

A comida típica da região é principalmente Ugali, um tipo de pasta de arroz, feijão, chapati e carne. A comida é simples, e confesso que nem sempre me agrada. Mas achei alguns restaurantes que incrementam a comida local com a culinária extrangeira. Gostei muito do restaurante Blue Room, no centro da cidade, mas, principalmente, do Punta Cana na praia de Nyali. Em Mombasa também existe o famoso Hard Rock Café.

Nos países do oriente que já visitei, percebi um costume de barganhar por preços, ou seja, sempre que te falam o preço de um produto ou serviço, é preciso negociar e renegociar até chegar ao seu valor real. No Quênia isso me incomoda um pouco, pois é necessário barganhar até o preço do Uber. Então a dica é: tenha paciência.


casas de palha e mar em praia no litoral do Kenya
Dinai Beach

Outra recomendação é sempre pesquisar sobre a situação atual do país antes de agendar uma viagem para lá, pois existe a possibilidade de conflitos na região.

Anúncios

Praga: o anti-clichê Europeu

Por: Maria Fernanda Romero

Antes de entrar no trem para a República Tcheca anotei na minha agenda palavras e frases básicas da língua tcheca e também os endereços dos lugares em que ia ficar. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz e o único conselho que eu dou àqueles que vão para países em que não entendem absolutamente nada da língua. Anote! Porque, na pior situação, sempre tem a mímica e isso não tem erro.

Além disso, uma coisa que aconteceu muito comigo foi a pessoa estar na maior boa vontade, lascando as informações em tcheco e eu sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. “Nerozumím”: Eu não tô entendendo. Pelo menos foi isso que eu anotei… nem sempre eles paravam de falar ou trocavam o idioma, mas muitas vezes se esforçaram mais e é aí que entra a mímica. “Ahoj” é a saudação e também a despedida. “Prosím”, por favor, “Děkuji”, obrigado. Com essas palavras sobrevivi bem na República Tcheca.

O QUE FAZER EM PRAGA

Praga é um clichê europeu. Um rio que cruza a cidade (o Vltava), a ponte medieval, a parte velha, a parte “nova”, a arquitetura, o castelo – ou o conjunto de castelos, no caso de Praga. A cidade é linda e colorida. Tem um ar meio rebelde e leis mais brandas, porém ao mesmo tempo contraditórias. Por exemplo, não se pode comprar cigarros depois das 22h, mas é possível comprar tabaco. E também souvenirs de maconha com até 0,2% de THC.** (A maconha é descriminalizada no país, mas a venda de qualquer quantia de maconha ainda é um ato criminal e pode render até um ano na cadeia. O porte da droga não é considerado crime e o seu cultivo também é liberado, desde que não ultrapasse o valor máximo de posse, que é de 5 plantas. O uso médico de maconha com receita é permitìdo e também a venda de souvenirs com até 2% de THC).

Rio que divide a cidade de Praga, um barco passando por debaixo da ponte,  e o Castelo de fundo

Em Praga é possível ir para praticamente qualquer lugar a pé. Em Staré Město (Cidade Velha em português), fica – ou ficava -, desde 1410, um dos relógios mais importantes do mundo. O Relógio Astronômico Orloj. Tive sorte, porque alguns dias depois da minha visita, ele foi recolhido para manutenção. Espero que volte logo. Ele é tão especial, que, segundo a lenda, os vereadores de Praga cegaram o relojoeiro que o fabricou para que ele não pudesse fabricar outro igual. Lendas à parte, o relógio simboliza muitas coisas: As estátuas simbolizam a morte, o medo das invasões na cidade, o medo da fome e da pobreza e a vaidade. A bola de ouro representa o sol e a sua posição diz em qual parte do dia estamos. Ela indica também em que signo o sol está, já o ponteiro da lua indica em que signo e em que fase ela está.

A Praça Old Town também é onde está localizada a igreja gótica de Nossa Senhora de Týn, com torres desiguais que a fazem parecer um castelo. No centro da cidade velha, entretanto, tudo é muito caro. Os preços dos restaurantes, dos bares e das casas de câmbio (lá a moeda é a coroa tcheca) não são muito bons.

Por outro lado, tem outras igrejas belíssimas, tanto católicas, como protestantes e a fundação do Clementinum, um conjunto arquitetônico que abriga a Biblioteca Nacional. Outras construções que se encontram no centro são a Universidade Charles, diversos museus como o Mucha e o Rudolfinum, que abriga uma sala de concertos, uma pinacoteca e um museu e que também já foi sede da Assembléia Nacional.

telhados vermelhos e verdes e montanhas no horizonte de Praga

Praga fica bem no meio da região da Boêmia, no centro da Europa e não é coincidência que o nome dessa região tenha dado origem à palavra “boêmio”. Os tchecos criaram as melhores cervejas do mundo, como a Pilsner Urquell, e são até hoje os maiores consumidores de cerveja do mundo. Mel e leite também são produtos locais muito importantes para o país.

cervejas de Praga

Assim como em muitas outras cidades da Europa, muitas empresas oferecem um Free Walking Tour em Praga. Eu fiz com a empresa Sandermans e gostei muito. Aprendi muitas curiosidades sobre a região, além de ir conhecendo os principais pontos turísticos da cidade. Uma das histórias que o guia nos contou foi que o atual presidente do país, Milos Zeman, odeia vegetarianos e jornalistas. Não sei se é verdade, mas espero que não.

Atravessando o rio Vltava pela ponte Charles chega-se ao Malá Strana, onde fica o castelo. Há outras pontes que ligam a parte velha de Praga à parte mais nova, porém a ponte Charles é a mais especial. Ela foi construída por ordem do rei Charles e sua sua construção durou 45 anos, até 1402. No solstício de verão, quem está abaixo da Torre da ponte vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito, a catedral do castelo, mas não há registros de que isso seja proposital.

castelo de Praga
Castelo de Praga

O conjunto de castelos de Praga é o maior do mundo. Lá ficam o Antigo Palácio Real, a Galeria Nacional de Praga, algumas prisões medievais e a Catedral de São Vito, que demorou 600 para ser construída e que é um dos símbolos da cidade.

O nosso guia do Free Walking Tour nos contou que Mick Jagger e os Rolling Stones colaboraram com a manutenção do conjunto: Após a queda do comunismo, a banda foi convidada para tocar em Praga e teria patrocinado uma reforma para melhorar a iluminação do castelo. O cantor, que gostava muito da cidade, teria ficado comovido com as dificuldades do país pós-comunismo e esse foi o modo que ele encontrou de ajudar. Provavelmente é uma lenda, mas poderia ser verdade.

Outra estrela que deixou marcas na cidade foi John Lennon. Ainda no bairro de Malá Strana fica um muro em homenagem ao artista. Hoje em dia é mais uma parede com grafite como tantas outras, porém, na década de 80, ele representava a indignação política da população e foi usada como protesto a favor da liberdade de expressão.

horizonte de Praga com telhados vermelhos e azúis

O bairro judeu também é um símbolo de resistência da cidade. Os judeus começaram a ocupar as áreas do subúrbio de Praga ainda na Idade Média. Eles sempre sofreram muita opressão e nem podiam frequentar o centro da cidade. Na Segunda Guerra Mundial, infelizmente, muitos judeus dessa região foram mortos, mas o bairro ainda está preservado para contar essa história.

A sinagoga Pinkas, construída em 1535, é um dos lugares onde mais se pode aprender sobre a cultura judaica na cidade, assim como a sinagoga Staranová, que é a Sinagoga mais antiga da Europa, sobrevivente de vários ataques, incêndios e guerras. No bairro, muitas pessoas também visitam o cemitério antigo, que foi, por mais de 300 anos, o único lugar onde os judeus podiam enterrar seus mortos.

COMER EM PRAGA

Como já disse, a cerveja em todo o país é muito boa, então o que não falta na cidade são bares e pubs com  bons preços e boas bebidas. Além disso, a comida é muito boa. Depois do Trdelnik, um doce que é uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberto com açúcar, canela, chocolate, doce de leite ou geléias, meu prato preferido foi o Smažený sýr: um queijo empanado frito maravilhoso.

Apesar de ter saído de lá um pouco confusa com tantas ironias e coincidências, enxerguei Praga como uma cidade charmosa, receptiva e bastante intensa.