Como foi subir o maior vulcão ativo da Europa de madrugada

Por Maria Fernanda Romero

O maior vulcão ativo da Europa, o Teide, fica em Tenerife, parte das Ilhas Canárias, o arquipelago Espanhol localizado mais próximo da costa africana do que da Europa. Tenerife é uma das ilhas mais bonitas e exóticas do oceano atlântico, além disso é um ótimo destino para fugir do frio na Europa. Vou contar um pouquinho como foi minha experiência nas trilhas e percursos de Tenerife e como subir o Teide sem pagar nada.

tres planos, vulcão no fundo, rochas na frente e areia e predras em primeiro plano revelando um ambiente árido
El Teide, o maior vulcão ativo da Europa

Parque Nacional do Teide

O Parque Nacional do Teide têm várias opções de trilhas e para quem gosta de fazer longas caminhadas é um ótimo lugar para explorar por mais de um dia. E sei que parece irresistível acampar nessas paisagens cinematográfica, mas não é permitido acampar no parque sem autorização prévia.

Para chegar no Parque Nacional do Teide de transporte público é preciso pegar o ônibus 348 na cidade Puerto de la Cruz que saí todos os dias às 9h15 da estação da cidade e volta às 16h do vulcão. Outra opção é pegar a linha 342, que saí da Costa Adeje, na Praia das Américas e volta às 15h40. Outra opção mais cômoda é alugar um carro em mais amigos. Nas Canárias a diária dos carros é a partir de 15€.

A opção mais barata é totalmente de graça é pegar carona. As estradas são tão lindas que vai valer a pena esperar um pouquinho por um carro. 

Rochas avermelhadas e negras em contraste com areia e o azul do céu
Rochas de diferente coloração completam a paisagem

Subindo o Teide

Subir o Teide é a principal atividade turística de Tenerife e pensando na preservação do vulcão é limitado o número de pessoas que podem entrar no parque a 200 por dia. Então é necessário reserva uma permissão no website do Parque Nacional. Entretanto, essa permissão só é válida das 9h às 17h, então se você quer saber como ver o sol se pondo ou nascendo lá de cima, fique atento no próximo item.

Para subir o Teide é possível pegar um teleférico pagando a partir de 30€, dependendo da data, então para subir de graça é preciso caminhar ! A trilha tem um total de 18 km, mas o pico tem 3.717,98 m de altitude! é bem alto. O pico mais alto da Espanha e o maior vulcão ativo da Europa. Isso exige um certo esforço físico. 

A trilha começa na Montanha Branca, na estrada TF-21, km 40,7. Para começar a trilha deve seguir o “Sendero número 7” . Depois de algumas horas de caminhada chegará ao “Refúgio de Altavista”, desse ponto até o teleférico passa pelo “sendero número 11”. A terceira etapa, do teleférico até o pico é o “sendero número 10” também chamado de “Telesforo Bravo”.

Trecho da trilha na Montanha Branca

Subir o Teide de Madrugada

Uma opção muito escolhida por mochileiros que querem subir de graça e fazer a trilha para ver o pôr-do-sol e principalmente o nascer do sol, como eu fiz, é subir o Teide de Madrugada. Eu cheguei na base da Montanha Branca às 2h e após quase 5 horas de caminhada estava no topo do vulcão. Cansada, mas muito realizada, vi o sol nascer no ponto mais alto da Espanha.

montanhas avermelhadas e a casinha de madeira do teleferico na motanha
Paisagens inospita do Vulcão

Como é preciso passar o ponto do teleférico antes das 9h, horário de abertura do parque e que o controle de pessoas começa ser válido, é bom começar a descida a partir das 8h. Outra opção é começar a subida às 16h e ver o pôr-do-sol lá de cima e voltar durante a noite. Lembrando que o pôr-do-sol na Europa é bem mais tarde no verão, é bom levar isso em consideração no planejamento da sua viagem. 

Outra opção é passar a noite no Refúgio de Altavista, localizado a 3260m de altitude é uma ótima opção para dormir e dividir a trilha em dois dias. Ainda de ser mais fácil para conseguir ver o amanhecer ou entardecer das alturas. O alojamento fica aberto para entrada das 17h às 22h e fecha às 7h30. É permitido ficar apenas uma noite no alojamento.

Cuidados Especiais

É uma trilha longa e levar água é essencial! Um lanche para a caminhada, como bananas e barras de ceral também vai ser uma boa quando você chegar lá em cima com fome. Outro item muito importante é a escolha de uma roupa calçado adequados. Leve um casaco! As temperaturas na montanha são extremas e de madrugada faz muito frio.

sol bem alaranjada, pois tinha acabado de nascer, em destaque da neblina cinza
Nascer do sol no topo do Teide
Por último, contemple a montanha! É uma emoção indescritível.

“Mas você não tem medo de viajar sozinha?”

Por Maria Fernanda Romero

Sempre me perguntam sobre como vencer o medo de viajar sozinha e a verdade é que o medo sempre existirá.

Não acho que coragem e medo estejam em eixos opostos. Ou que a coragem surge na ausência do medo. Às vezes, eles andam lado a lado. Nunca tive medo da viagem. Sinceramente, não entendia o porquê perguntavam “Mas você não tem medo?”. Sempre indagava “medo de que?”. Percebi que algumas pessoas têm medo de se sentirem sozinhas, enquanto eu gosto tanto da minha própria companhia que às vezes penso que me tornei antissocial. Sempre fui um tanto tagarela, mas agora sempre fico um pouco introspectiva.

O medo vai além da solidão.

Meu medo e inseguranças tem a ver com violência, mas penso que estou sujeita a tantas coisas na minha própria cidade. São Paulo é uma das metrópoles mais perigosas do mundo, e infelizmente, o Brasil é o quinto país com mais feminicídio do mundo e o segundo pior para ser turista.

casas em marrakech, mesquita de fundo e tapetes coloridos em vários prédios
Marrakech

Hoje o meu maior medo é de ver o tempo passar. Ser mera observadora da vida.

menina com dedo polegar levantado em estrada com os arredores bem verdes
Esperando uma carona pelas estradas francesas

Sem marcar em nada minha existência, sem fazer parte de alguma mudança. Ser apenas mais uma coadjuvante da vida, com uma bagagem de sonhos sem esperanças. Minha motivação nunca foi a coragem. Nunca me enxerguei como uma mulher corajosa. Talvez curiosa, cheia de vontade, impulsiva, cheia de atitude. Mas de repente me deparei com uma caixinha de medos guardada dentro de mim.

Tentando ignorar eu nunca entendi o que esse medo significava. Eu não tinha percebido, mas um medo é necessário.

Ele vem acompanhado do bom-senso, alerta, precaução e cuidado. O medo não deixa de existir! Você aprende a lidar com ele, aprende a ressignificar o medo e usar ele como aliado. Viajar sozinha é estar aberta. À diversas situações do mundo. Mas no mundo não existem só felicidade e coisas que agradam.

menina de bikini e canga no meio de uma imensidão azul onde o mar se mistura com o céu. Há um veleiro ao fundo e muitos corais no fundo do mar
Tarde tranquila em Zanzibar, Tanzânia
Deixar fluir e estar aberta me permitiu viver e conhecer a raiz de muitas coisas.

De um almoço italiano de domingo, com 4 gerações sentadas à mesa, todos falando ao mesmo tempo e a avó fumando um cigarro até uma ocupação. Mas também me fez refém da situação mais desagradável de toda minha vida. Então resolvi assumir o medo e, mesmo assim, permanecer com a ação. Resolvi trazer o medo pro campo da consciência, porque só assim posso lidar com ele.

Nós, mulheres, precisamos tomar cuidados especiais na viagem. Mais atenção ao nosso redor, se vestir de forma adequada, pensar em quem confia, compartilhar nossa localização com amigos. Mas não podemos deixar de viver pelo simples falto de ser mulher!

Hoje viajo com medo, pois ele não me paraliza, mas me protege.

De Santos a Foz do Iguaçu: sete meses viajando de bicicleta pelo Brasil

Por:Maria Fernanda Romero
Fotos:Julia Boratto

O Minas pela Estrada é um projeto sobre mulheres que viajam sozinhas e nesse post a entrevistada é a cicloviajante Julia Boratto, que viajou mais de três mil quilômetros pelo Brasil de bicicleta.

Julia saiu para viajar a primeira vez com 18 anos. A cicloviajante de 30 anos ficou 6 anos viajando o Brasil, vendendo artesanato junto com seu ex-companheiro. Aos 24 voltou a morar em São Paulo, onde tentou se enquadrar no modelo tradicional de vida e trabalho. Julia se formou como tecnóloga de multimeios e trabalhou com produção audiovisual.

Depois de se formar, ela se mudou para Santos, litoral paulista, onde trabalhava com joalheria artesanal. “Eu senti aquele chamado da alma para voltar para estrada.” Descreve a viajante.

Viajando o Brasil de bicicleta

Em Santos, Julia pedalava todos os dias. Em 2018 ela fez a primeira viagem longa de bike, foram 100 km da baixada até a reserva da Juréia.

“Eu tava com muita coisa na cabeça, principalmente pela questão do que as eleições representavam e fui pedalar para dar uma relaxada na mente. Quando cheguei na Juréia a minha cabeça estava muito mais tranquila, eu me sentia muito melhor.”

Essa viagem de bike abriu a mente da viajante e foi o despertar para Julia se jogar na vida nômade com a bicicleta. Depois de perceber que viajar dessa forma era possível, ela começou a pensar nas possibilidades em voltar à viver na estrada.

O primeiro passo da viajante foi colocar marcha e um banco mais confortável na bicicleta. Como a paulista sempre fez esporte, ela se sentia preparada fisicamente “a única coisa que eu fiz foi testar as marchas, subi a Ilha Porchat pra ver se eu aguentava subidas.”

menina que viaja de bicicleta pelo Brasil e usa um chapeu de palha com sua bicicleta carregada de mochilas em cima de uma ponta com um rio verde e bastante montanhas no fundo
Julia Boratto em sua viagem pelo Sul Brasil

“Pesquisei sobre cicloviagem, fui descobrindo o mundo do cicloturismo e mulheres que já viajavam de bike. Então, resolvi pegar minha magrela e caí na estrada”. Julia vendeu suas coisas e os móveis da casa, comprou uma barraca mais leve e um aforge para a bicicleta, entregou o apartamento e se preparou para sair de Santos.

O primeiro plano era pedalar até o Uruguai, mas ela estava disposta a continuar aberta para todas as oportunidades, de sair sem prazo para voltar. “Quando eu cheguei em Torres, no Rio Grande do Sul, a pandemia chegou no Brasil e fecharam a fronteira com o Uruguai, então eu fui para a Serra Catarinense.”

Quarentena no sul do Brasil

Julia passou três meses da quarentena transitando entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Primeiro ficou em um sítio de permacultura em Praia Grande, na divisa dos estados. Depois subiu para as serras catarinenses e pousou em Cambará do Sul. De Cambará do Sul a cicloviajante foi para Urubici. “Fiquei em campings na maioria das vezes. Eles estavam fechados, mas me receberam pela minha condição, de eu estar vivendo na estrada, viajando de bike e não ter uma casa para voltar”. 

Na Serra Catarinense a cicloviajante teve um sonho que a fez pedalar até Foz do Iguaçu. Em julho a viagem chegou ao fim e ela retornou para São Paulo.

Bicicleta carregada com mochilas, barraca, chapeu em cima de uma ponte com o rio e arvorés ao fundo
Caminho para São José dos Ausentes

Coronavírus e a viagem

Julia não sentia que estava se colocado ou colocando outras pessoas em risco porque se movia sempre de bicicleta e sempre sozinha e se alojava em lugares isolados, no meio do mato, onde era recebida por pessoas que estavam isoladas.

A cicloviajante só transitou por lugares menos populosos, cidades bem pequenas onde não tinham muito turismo ou estavam fechadas para o turismo.

Até chegar em Foz, Julia quase não sentiu os efeitos da pandemia. Lá, a viajante percebeu o momento intenso e crítico que o mundo está vivendo e voltou para São Paulo. Agora ela aguarda um momento mais adequado para voltar para a estrada.

barraca, bicicleta e fogueira em um campo cheio de arucárias
Acampando no Rio das Antas, Serra Gaúcha
Transformar a viagem em Arte

A cicloviajante têm alguns projetos para transformar sua viagem em arte. Ela está escrevendo um livro digital e produzindo um documentário sobre esses meses viajando o Brasil de bicicleta. Ela também criou o Multiplica Arte.

O Multiplica Arte é uma plataforma de disseminação de arte e cultura, do lado mais humano das palavras, aquele que nos liga através do amor e da busca por respeito e igualdade. “Eu vejo que as pessoas entram em contato com o melhor de si através da arte”. A plataforma divulga poesias, músicas, danças e outras expressões artísticas e idéias revolucionárias.

Como são as despedidas para quem vive em movimento?

Por Maria Fernanda Romero e Julia Mendonça

Minas pela Estrada

O Minas pela Estrada é um projeto que dá voz as mulheres que estão ganhando o mundo de diferentes maneiras. No post de hoje teremos um texto super sensível de uma viajante muito especial que conheci na Bahia. A Ju Mendonça, uma mineira que está na estada desde 2017 fazendo uma rota do Japão ao México, passando por Namíbia, Moçambique e outros cantos mágicos do mundo.

menina com vestido longo colorido em cima de tabetes tipicos do Oriente médico e turbante vermelho na cabeça

Kurdistão – Iran

Julia, uma exploradora sem pré-definições

Eu acho que a maioria das pessoas se perdem com essa pergunta. Falar sobre nós mesmos é uma tarefa muito difícil. Estou em um processo de exploração de mim mesma, e essa palavra “explorar” já significa muito sobre mim.
Julia é uma exploradora do mundo, exploradora de sentimentos, culturas, religiões, pessoas e emoções. Como viajante do mundo, eu não poderia viver de outra maneira. Eu preciso estar aberta a tudo o que me chega no percurso dos meus caminhos. E quase sempre eu estou…aceito e recebo tudo com gratidão.
Falar brevemente de mim não é fácil, porque não sou um relato único, sou um todo – forte, apaixonada, curiosa e, acima de tudo, muito viva. E assim vivo, para SER VIVO.

julia sentada em um tapete fumando o classico shisha, ou narguile, arabe

Shiraz- Iran

“Hoje resolvi escrever sobre as despedidas”

Sempre quando começo a pensar em escrever sobre alguma coisa que vivi nesses últimos 3 anos viajando pelo mundo, fico confusa em como organizar uma ideia, muitas vezes ainda nem compreendida por mim mesma, mas hoje resolvi escrever sobre as despedidas, mesmo que agora não seja muito bem a hora delas. Agora é hora de presença e não de partida, e um viajante de longo prazo começa a entender isso na estrada mesmo, que as vezes é hora de ficar.

Uns dias, umas semanas, uns meses. Por um amor, por um amigo ou pelo próprio corpo que pede pra ficar, e o coração é quem escolhe por quanto tempo.
Mas a gente sabe que em algum momento vai partir, já que a estrada sempre nos chama, e a parte mais difícil de uma viagem de longo prazo é na verdade partir. No caso, sempre partir.

Júlia com alguns jovens de todas as idades e suas roupas coloridas em Dar es Salaam
Moneia- Moçambique


A gente pensa que um dia vai se acostumar com a despedida mas as vezes parece que ela cria um buraco. Um interessante buraco preenchido a cada partida por sentimentos diferentes. Sentimentos confusos…que as vezes alivia, as vezes aperta o peito, e as vezes a gente sente a dor da partida no estômago mesmo.

moto com 4 passageiros na india
Moto em Delhi – Índia, sempre cabe mais um

Depende de qual situação a gente está deixando pra trás e o que vem em seguida. Quem vive na estrada sabe disso, sempre vai ter algo novo a explorar, um pico pra subir, uma trilha pra fazer, um país interessante e uma outra família pra nos receber.

Somos curiosos, queremos sempre bater de frente com o novo, temos muitas perguntas e poucas respostas. Porém, logo um viajante percebe que a viagem por si só não dá as respostas prontas. É preciso ver as respostas em cada movimento, e talvez por isso a gente sempre se move.

duas indianas com roupas tipicas no deserto de Thar
Deserto de Thar- India


As vezes partimos com a sensação entalada na garganta mesmo, um choro não chorado, e acabamos por mergulhar nos nossos próprios sentimentos mais profundos de desapego e gratidão. Despedir quase sempre é difícil, e as vezes é necessário se despir também, tirar tudo que tá no corpo e na alma e esvaziar-se.
Sair do lugar assim vazio, se REconhecer no vazio, e despertar pra uma nova trajetória que sempre existirá, já que a estrada nos grita por todos os lados, a “estrada, essa desgraçada”.

As vezes eu quero que ela me deixa em paz, mas ela sempre foi a maior concorrência dos meus grandes amores e endereço fixo

Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

Música, luz e cores de Palermo: Viajando pelo sul da Itália

Por: Maria Fernanda Romero
Revisão: Clara Porta Guimarães

Palermo, a capital da Sicília, é uma cidade bem intensa e cheia de contrastes. Me senti fora da Europa, na capital da Argentina ou em uma grande metrópole do Brasil.

As cidades da Sicília são conhecidas pela desorganização e pelo caos, mas Palermo tem uma desordem ainda mais evidente nas ruas de Kalsa, o bairro árabe, ou nas vielas do Quattro Canti, que começa no cruzamento entre a Via Maqueda e a Corso Vittorio Emanuele.

FESTIVAL DE ARTE DE RUA

Foi lá que aconteceu o festival de arte de rua “Ballarò Buskers” nos dias 19, 20 e 21 de outubro.  A região também é conhecida pelos mercados, que lembram as feiras brasileiras. O Mercato Ballarò é o mais conhecido. Frutas frescas, peixes e artesanatos se misturam e colorem Palermo.

praca com muito verde na capital da sicilia
Palermo

Durante o Buskers Festival tudo isso se misturou com circo, teatro, dança e música. A abertura do Festival foi na Piazza Mediterraneo com Marco Masetti e Alessia Spatoliatore: uma combinação de circo de rua com teatro. Leve e divertido, agradou público de todas as idades.

mulher danca na rua em festival de arte em palermo

Sábado e domingo, durante a tarde, as crianças tomaram conta das ruas. As praças Mediterraneo, Brunaccini e Casa Professa, foram palco de laboratórios de circo e artesanato. Os pequenos se divertiram e coloriram o bairro ainda mais.

Durante a noite muita música acompanhou as apresentações de teatro e circo. A praça Ballaró e a Santa Chiara foram as mais animadas, com shows que se estenderam até o início da madrugada.

pessoas caminham na rua  e saxofonista e seu filho se apresentam em Palermo

MAIS EM PALERMO

Motoqueiros sem capacetes, carroças, gritaria e arte estão por toda a parte na capital cultural da ilha. Os contrastes de Palermo são notados principalmente pelas ruas velhas e muitas vezes sujas, nas casas mal-cuidadas contra a arquitetura deslumbrante. O renascimento italiano impera nas construções, principalmente nas Igrejas indescritivelmente bonitas, imponentes e com muito mármore. As mais conhecidas do Centro Histórico, além da Catedral de Palermo são a Chiesa di San Giovanni degli Eremiti e a Chiesa di Santa Maria dell’Ammiraglio ou Chiesa della Martorana.

ESCOLA DE SAMBA EM PALERMO

Outros pontos turísticos da região são o Palazzo dei Normanni e a Piazza Bellini, onde está a Fontana Pretoria. Alguns edifícios da Piazza Bellini estão conservados desde 1400. É impressionante e maravilhoso. Além disso, no Borgo Vecchio fica o Teatro Massimo, uma das casas de ópera mais famosas do mundo e a maior da Itália. É uma das locações de “O Poderoso Chefão”.

CATEDRAL DE PALERMO
Catedral de Palermo

Quem desembarcar em Palermo viverá uma experiência intensa e encontrará muita história, cultura e diversão.

Boom Festival: Geometría Sagrada

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

UM DOS MAIORES FESTIVAIS DE CULTURAS ALTERNATIVAS DO MUNDO

O Boom é um Festival de Culturas Alternativas que acontece uma vez a cada dois anos em Idanha-a-Nova, Portugal. Neste ano aconteceu entre 22 e 29 de julho.

O tema do Boom Festival de 2018 foi Geometria Sagrada: a ciência que estuda os padrões, os códigos, as proporções e os sistemas de todas as coisas. As nossas células, as folhas, a natureza, tudo segue o mesmo padrão geométrico. Tais figuras, formas e proporções são consideradas sagradas por serem encontradas em toda a Criação.

LAGO DO FESTIVAL DE CULTURAS ALTERNATIVAS BOOM COM MUITAS PESSOAS NADANDO

O Boom Festival é diferente de outros festivais de música e cultura, pois ele se aprofunda no tema escolhido de forma que não é apenas a decoração que é voltada a ele: ele é também abordado em debates e palestras durante o festival, ao lado de outros assuntos alinhados à Espiritualidade, à Redução de Danos, à consciência ecológica, a novos sistemas econômicos e, pela primeira vez este ano, à igualdade de gêneros.

mulheres discutindo sobre igualdade de generos em festa
Discussão sobre igualdade de gêneros em festas

A Boomland, espaço onde ocorre o festival, é totalmente sustentável. Há um lago que rodeia grande parte da festa e deixa o calor mais suportável. As estruturas e os espaços são construídos pensando na bioconstrução. Até os talheres distribuídos na praça de alimentação são biodegradáveis. Eles são feitos de amido de batata. Os banheiros são de compostagem, ou seja, são banheiros secos e por isso não desperdiçam água. Não é permitido o uso de nenhum produto químico, o que gera um bom adubo para o solo do espaço.

filtro de sonho de bamboo no boom festival

MÚSICA

Ao todo são 7 palcos no Festival. Os principais são o Dance Temple e o Alchemy Circle. No Dance Temple os principais nomes do trance se apresentam. De Ace Ventura e Astrix a Confo e Farebi Jalebi. Na noite do eclipse lunar (27.07), o grupo de trance orgânico Highlight Tribe fez uma apresentação emocionante.

O Alchemy Circle é mais alternativo. O line-up conta com grandes nomes da gravadora Zenon Records. O som nem sempre tem altos BPMs, mas é sempre muito psicodélico.

GOPR3414.jpg
Dance Temple

A arte está presente em todos os cantos do festival. Cada jardim e cada esquina tem alguma coisa especial, seja uma decoração mágica ou uma reflexão. A arte é tão presente no Boom que tem até um Museu no Festival: o Museu de Arte Visionária que nesta edição incluía obras das artistas Amanda Sage e Martina Hoffmann.

O Being Fields é o espaço de cura, onde acontecem as práticas de yoga, meditação, terapias aquáticas, rituais xamânicos e qualquer outra reconexão do homem com a natureza. Hoje o espaço é uma das áreas mais importantes da festa e abre alternativas para quem busca algo além da música.

ESCULTURA DE MADEIRA EM BOOM FESTIVAL

No palo Sacred Fire também acontecem rituais xamânicos, e, como o nome indica, fogueiras. É no Sacred Fire, que acontecem os workshops. Um espaço inspirador de troca de conhecimento e experiências.

A Redução de Danos no Boom Festival também é uma das melhores do mundo. A Lei de Drogas de Portugal é pautada dentro das políticas de Redução de Danos e descriminaliza o porte de todas as substâncias. O país também reconhece a importância do trabalho informativo, inclusive a respeito do conteúdo das substâncias, como ferramenta preventiva para diminuir os riscos e o uso abusivo.

POR DO SOL NO BOOM

Por isso, o Coletivo Kosmicare organiza um stand informativo e também de teste de drogas, utilizando uma técnica chamada TLC. Além disso há um espaço de Psycare, onde pessoas que estejam tendo uma experiência difícil com o uso de substâncias psicoativas ou, pessoas que apenas queiram conversar,  podem falar abertamente com os redutores de danos. Esse espaço é importante para acolher e também conscientizar usuários sobre fazer um uso de drogas seguro. 

O Boom prega a liberdade e o amor. Busca ensinar às pessoas um pouco mais sobre consciência ecológica, redução de lixo, do consumo e principalmente respeito às diferenças.  É um espaço mágico e acolhedor. Uma experiência inesquecível e imprescindível à todos que acreditam em uma forma mais leve de viver.

Conhecendo a Espanha: Valência, Horchata e Paella

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Valência não é a cidade mais visitada da Espanha, porém é o berço de alguns aspectos da cultura espanhola. Para começar, a paella, que é um dos pratos espanhóis mais conhecidos no mundo, teve sua origem na cidade. Ela surgiu entre os séculos XV e XVI na Albufeira Valenciana, fruto da necessidade dos camponeses de preparar uma comida fácil e nutritiva com os ingredientes que havia no campo.

A paella tradicional é feita com frango e coelho, mas, depois, outros sabores foram criados e hoje é possível encontrar diversas variações do prato: com mariscos, verduras e outros tipos de carnes. Além da Paella, em Valência é possível encontrar a Horchata, uma bebida típica espanhola feita de chufas e pão doce. Há várias Horchaterías pelo centro da cidade.

VISTA PANORAMICA DE VALÊNCIA
Centro de Valência

O QUE FAZER EM VALÊNCIA

Não é só a gastronomia Valenciana que ainda carrega traços do passado. A cidade preserva um pedaço do muro que a envolvia durante a Idade Média. A Torre de Serranos, construída entre 1392 e 1398, também já funcionou como uma prisão. Hoje em dia, além de um marco histórico, funciona como museu. Ela é a porta para o centro histórico da cidade, que também é conhecido como Barrio Del Carmen. Lá também estão a Catedral de Valência, o centro arqueológico La Almoina, o mercado Lonja de La Seda e a Torre Miguelete.

Júlia Reis, 21, paulista e estudante de Arquitetura, nota que o centro é movimentado e também muito seguro. “A praça central tem muita vida, muita criança brincando até tarde. É tranquilo e movimentado. Também é bem iluminado, tanto de dia, quanto de noite.”

VISTA PANORAMICA DE VALENCIA
Vista Mirador Ataneo Mercantil

O centro de Valência mistura muitas influências arquitetônicas: gótico, o barroco francês, o barroco italiano e o neoclássico. “Todas as cidades da Europa têm uma arquitetura mais antiga. Eu vim para a Europa estudar a arquitetura, mas aqui percebi que não posso usar o que eu vejo como referência para o Brasil. É uma arquitetura muito antiga, totalmente fora da realidade brasileira, principalmente por causa do clima do nosso país. Aqui as cidades se encaixam, têm uma composição e um ritmo”, completa Júlia.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E DAS CIÊNCIAS EM VALÊNCIA
Cidade das Artes e das Ciências

Ao mesmo tempo que a cidade preserva muita história, também é conhecida pela Cidade das Artes e das Ciências, onde ficam as obras futuristas de Santiago Calatrava. O arquiteto se inspira em formas orgânicas e também abusa de formas assimétricas e surrealistas.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E CIENCIAS
Cidade das Artes e das Ciências

Dentro da Cidade das Artes e das Ciências é possível visitar o Hemisfèric e o Museu de les Ciències, com entradas no valor de 8 euros, e o Oceanogràfic, com entrada no valor de 29 euros. Também é possível comprar um combo para visitar todos os museus em mais de um dia, por 32 euros.

FALLAS

Visitar Valência e vivenciar a cultura espanhola é um bom programa em qualquer época do ano, porém uma dica é visitá-la entre 15 e 19 de março, quando acontecem as Fallas. As fallas são as festas típicas da cidade, onde ocorrem demonstrações culturais como a Cavalgada de fogo. Também há shows de música para todos os gostos. Vale muito a pena estar presente em Valência durante as fallas.

IMG_7340.jpg

Outras opções do que fazer em Valência, você pode encontrar no nosso parceiro mochileiros.

Bordei Marrakech no meu coração

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

O coração já estava acelerado antes de entrar no avião. Era um misto de ansiedade com receio. Não queria criar expectativas, mas já tinha um monte delas. Me avisaram que os marroquinos eram super comerciantes, que eu teria que negociar todos os preços. Estava preparada para brincar de leilão, cobrir os ombros e conhecer um mundo totalmente novo.

Meu vôo pousava 22h30 e a primeira dificuldade seria chegar sozinha em um país muçulmano pela noite. Tinha pedido um transfer para o hotel, mas a fila da imigração estava enorme. Demorei duas horas para passar pelo controle de passaporte e o transfer não esperou.

casas em marrakech, mesquita de fundo e tapetes coloridos em vários prédios

No Aeroporto de Marrakech-Menara é proibido ficar dentro do saguão. Tanto para embarcar, como para desembarcar. Só é possível passar direto para área de embarque e é uma segurança super pesada: tem raio-x na porta para sair à rua e também para voltar. Quando percebi que estava sozinha e não havia ninguém do meu hotel, quis voltar para o aeroporto, mas já não era possível. Tinha que pegar um táxi. E eu estava com medo.

Quando cheguei no ponto de táxi, a única semelhança que vi com os pontos de táxis que eu estava acostumada é que havia carros. Os marroquinos têm muita facilidade com as línguas e é super comum vê-los falando inglês, espanhol e até português. Eles querem te vender a qualquer custo e por isso tentam descobrir da onde você é e que língua fala para serem mais enfáticos nas abordagens. Entre eles a língua é o árabe.

O QUE FAZER EM MARRAKECH

Tudo no Marrocos deve ser negociado antes: A a arte da pechincha é muito usada, inclusive obrigatória. Mas às vezes me sentia insegura de oferecer um preço e eles não gostarem. Para negociar o táxi aconteceu exatamente isso. Tinham me dito que o aeroporto era perto e o táxi custaria cerca de 100Dh (mais ou menos 10€) mas na hora que eu dei minha oferta eles desataram a resmungar em árabe um com o outro. Me ofereceram 250Dh e acabamos fechando por 220Dh.

homens encatadores de cobras em praca em Marrakech
Praça Jemaa el-Fnaa

Marrakech é uma das cidades imperiais do Marrocos. As cidades imperiais foram as capitais das antigas dinastias do país ao Norte da África. Todas elas têm a mesma disposição espacial: Uma Medina, um núcleo religioso principal, que é a Mesquita, uma muralha protegendo e bem em frente à entrada, um cemitério.

A Medina é sempre bem protegida e forma labirintos. Em Marrakech a Medina é um mundo à parte, onde os acessórios, tapetes, portas, artesanatos e objetos religiosos ou não colorem as ruas. O muro que protege a Medina de Marrakech tem 19km e é todo furado para evitar rachaduras do sol.

Dentro da Medina de Marrakech fica uma das praças mais famosas do país: A praça Jemaa el-Fna que é um patrimônio oral e cultura da UNESCO. É uma das primeiras vezes que uma atração não palpável é considerada patrimônio da organização.

mesquita em Marrakech
Mesquita Koutoubia

Antigamente a Praça era o lugar onde cortavam as cabeças dos sentenciados à morte. Depois Jemaa el-Fna foi convertida em uma praça de animação.  Lá tem macacos, encantadores de cobras, mulheres que fazem tatuagem de renas e principalmente venda de especiarias. Acho que todo nosso imaginário ocidental sobre o que é o Marrocos pode ser representado na Jemaa el-Fna. Mas é importante lembrar: tudo é pago! Até fotos!  E se não pagar irá arrumar um problema com os locais.

Na Medina também tem os Souks. São como lojas especializadas. Existem Souks de couro, porcelana, roupas. Tudo muito bem trabalhado e encantador. Fazer compras no Souks é uma atividade a ser considerada.

A maioria das hospedagens em Marrakech chamam Riad. Antigamente Riad era a casa de uma família rica. Por fora parece mal cuidada, mas por dentro é muito bonita. Todas têm alguns quartos, uma fonte no meio e jardins laterais. Hoje em dia essas casas são hostels, onde é possível se hospedar por um preço justo dentro da Medina.

A Medina é muito viva. Não é permitida a entrada de carros, mas tem várias motos que cortam as ruelas do centrinho e é melhor tomar cuidado com elas.  Me incomodou um pouco o fato de não ter muitas mulheres na rua, mas consegui me virar bem e com cautela.

A comida marroquina é maravilhosa. O tradicional Homus e Tahine serve de acompanhamento para tudo. Também há uma variedade de geleias impressionante. Nas refeições grandes, a carne de cordeiro é um ingrediente comum. Muitos pratos são feitos com ela. O cuscuz também é muito tradicional, tanto com peixe como com vegetais. Sobre os temperos, nem preciso me alongar: A variedade de especiarias marroquinas não tem fim.

plantas verdes em contraste com a decoracao azul em Marrakech
Jardim Majorelle

Há também restaurantes franceses e estrangeiros em Marrakech, como o Nomad e o Le Jardin. Esses restaurantes mesclam a cozinha mediterrânea com a cozinha marroquina e estão muito bem localizados.

O Palácio da Bahia também é lindíssimo. Uma arquitetura que mistura a simetria dos árabes, os mosaicos dos andaluzes e os arcos dos berberes, os marroquinos da montanha. Ninguém sabe se os árabes incorporaram a arquitetura andaluza em suas construções, ou se os andaluzes incorporaram a arquitetura árabe depois das invasões. A questão é que a combinação da arquitetura árabe-andaluza é incrível.

Todas as construções do palácio são feitas de gesso, pó de mármore e clara de ovo.Ele tem 160 quartos e vários pátios e salões. A entrada custa 10Dh.

Na Mesquita Koutoubia, a principal de Marrakech, não é permitida a entrada de estrangeiros, mas um passeio pelos seus jardins vale a pena.Fora da Medina também há muita coisa linda.

O Jardim Majorelle é um jardim botânico extremamente colorido, principalmente em tons de azul e amarelo. Ele pertencia ao pintor francês Jacques Majorelle, mas depois de sua morte ficou abandonado então o estilista Yves Saint Laurent o comprou, restaurou e o doou à Marrakech. O jardim é muito rico, tem plantas do mundo todo, principalmente da América Latina.

Montanhas atlas marrocos com neve
Montanhas Atlas

Montanhas Atlas

Também fiz um bate-volta nas montanhas do Atlas. É o povo berbere que ocupa as montanhas, ao norte do Marrocos. Até 2004, a língua local era apenas oral. Eles vivem principalmente da agricultura. O trigo é o grão mais cultivado. Os berberes vivem da terra e respeitam a natureza. As casas nas montanhas são todas feitas de barro.

A primeira cidade que parei foi Tahennaout. Lá há uma cooperativa de mulheres que faz extrações do argan, uma erva muito boa para o cabelo e para a pele e que tem propriedades terapêuticas. Elas vendem os óleos, dentre outros produtos artesanais.

Seguimos para Tamazirt. Lá é possível fazer uma trilha pelas montanhas do Atlas de 1900m de altitude. O Atlas é uma das cordilheiras responsáveis pela existência do deserto do Saara. As massas de umidade ficam presas na montanha (onde até neva!) e não passam para a área do Saara, que fica desértica.

mulheres produzem oleo de Arghan no marrocos

Há também muitos rios na região. Os rios são permanentes, mas seu nível depende da chuva e do degelo na região. Os rios continuam para a área desértica, mas secam ao longo do percurso. O povo Berbere é muito receptivo e muitas casas oferecem um almoço típico marroquino com chá de ervas da montanha.

Shukran, Marrocos, por me mostrar um tanto mais do mundo e quebrar tantos conceitos já formados em mim.

Catalunya é muito mais que Barcelona

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Barcelona é a maior cidade da comunidade autônoma da Catalunya. É famosa por sua arquitetura exuberante e intrigante, e pelos seus museus, parques, praias e festas. É uma cidade que nunca para e que, às vezes, até satura um pouco por estar sempre cheia.

A cidade é tão rica em cultura e opções de entretenimento, que muitos turistas passam uma semana ou mais na cidade sem se cansar. Entretanto, para quem tem tempo e quer conhecer mais a fundo a região, tem muitas outras coisas incríveis pela Catalunya.

21752042_1523342601059884_1159749466759265189_n.jpg

Sagrada Família

Saindo de Barcelona, sentido norte, ou no sentido da França, há um leque de possibilidades turísticas: De cidades interioranas, medievais e praias incríveis até montanhas onde, dependendo da época do ano, é possível esquiar. O único defeito é o preço do pedágio. Uma viagem de carro pela Costa Brava pode custar até 50 euros em pedágio, mas explorar cada cantinho dessa região compensa muito pela sua beleza natural e arquitetônica.

GIRONA

A 100 km de Barcelona, Girona é a segunda província mais visitada da Catalunya. A cidade medieval conserva construções do período e também trechos da muralha que envolvia a cidade durante a Idade Média.

22789223_1562141150513362_3282773752100688328_n

Girona

A Catedral de Girona, construída no século XI, é uma construção gótica maravilhosa. Segundo uma lenda da cidade, as moscas de Girona protegeram toda a riqueza da cidade que estava guardada na Catedral durante a invasão das tropas francesas. A verdade é que quando a cidade foi invadida, a peste estava começando, por isso tantas moscas. Todos os soldados franceses morreram em Girona, não conseguindo roubar nada e deixando a Catedral intacta. Também foi em Girona que a 6ª temporada da série Game Of Thrones foi gravada.

A cidade é pequena e é possível ir a todos os pontos turísticos a pé. Em Girona, assim como em outras províncias catalãs que não Barcelona, se nota muito mais a cultura e a língua local.

23031719_1565604316833712_7298536562768498200_n

Girona

FIGUERES

Figueres é a cidade onde Salvador Dalí nasceu. Fica no noroeste da Catalunya, quase na fronteira com a França. Além de ser a cidade natal de Dalí, é uma cidade muito charmosa que fica quase nas montanhas.

Em Figueres é possível visitar o Museu e Teatro do Salvador Dalí e a casa do artista.

BESALÚ

O pequeno vilarejo medieval fica a 40 km de Girona. Por ser muito bem preservado, visitá-lo é, de fato, como voltar no tempo. Em Besalú é possível observar a muralha que envolvia a cidade na Idade Média que está intacta, assim como o castelo da cidade.

Outros pontos turísticos de Besalú que encantam são a sua ponte medieval e ruínas de uma antiga sinagoga. Assim como Girona e Figueres, Besalú pode ser conhecida em um dia e o passeio vale muito a pena.

OLOT

Olot é um destino ótimo para quem gosta de natureza: Cachoeira, fontes termais e até crateras de vulcões extintos. As crateras de Montsacopa, Santa Margarita e Croscat são as mais famosos.

Na cidade tem alguns museus e construções importantes, mas o Parque Natural de la Garrotxa, que é formado por onze municípios, foi o que mais me impressionou.

Em Olot e em Vic, o povoado vizinho, também é possível fazer passeios de balão em algumas datas.

IMG_4701

Figueres

COSTA BRAVA

A Costa Brava cobre todo o litoral do mediterrâneo do norte de Barcelona até a França. Há muitas praias lindas e o que eles chamam de ‘Calas’, que são pequenas entradas para o mar com uma pequena faixa de areia e pedras na costa.

Toda Costa Brava é muito linda. Eu destaco Lloret del Mar, Tossa del Mar e o Parque natural de Caps de Creu.

30571246_1730902800303862_4015734988002557952_n

Cap de Creus

LLORET DEL MAR

Uma das praias mais famosas da Costa Brava, Lloret del Mar, é repleta de Calas paradisíacas onde é possível fazer mergulho. Também tem ruínas medievais, além de outros pontos turísticos interessantes como a Capilla del Santisimo e os Jardines de Santa Clotilde.

TOSSA DEL MAR

É um povoado medieval à beira mar. Tem um castelo incrível conservado, casas medievais e uma vista para o mar mediterrâneo de tirar o fôlego.

IMG_4772.jpg

Paisagens pela estrada

CAPS DE CREU

O Parque Natural de Caps de Creu é uma península quase na França. Dentro dele há muitos povoados. Os mais famosos são os Roses e os Cadaqués. Por ser uma península, permite uma visão panorâmica do mar de qualquer lugar.

O artista Salvador Dalí também tinha uma casa ali e algumas de suas obras foram inspiradas no local.

Eu, que sou apaixonada por natureza, fiquei arrepiada de ver a lua cheia aparecer em uma noite estrelada no lugar.

30581981_1733139766746832_4563700238614790144_n

Cadaqués- Cap de Creus

De praias a montanhas, a Catalunya compõe-se por todos os tipos de paisagem. As montanhas Vall del Núria, La Molina e La Masella são algumas estações de esqui do estado, que se localizam a apenas 3 horas de Andorra. E o melhor: Dá para chegar de transporte público em todas elas!

A Catalunya é conhecida por Barcelona, mas na verdade é muito mais do que a capital. Realmente é uma região que deve ser explorada.  E pra quem busca mais opções e roteiros do que fazer na Espanha recomendo o dar uma olha no mochileiros.