Malabares, saxofone e arte de rua: As aventuras de uma viajera pela América do Sul

Poe Maria Fernanda Romero e Cami Mochileira

Minas pela Estrada

Conheci Cami em uma festa de rua no carnaval de Recife e a identificação foi instantânea. Ela que já viajou até o fim do mundo e encontrou o seu amor na estrada precisava participar desse projeto! Nesse post ela vai contar um pouquinho pra gente como se descobriu viajando e como sua vida de mochileira mudou após ela encontrar a sua mochila gêmea.

Quem é a Camila?

Eu sou a Camila, mas me descobri sendo a Cami Mochileira. Tenho 25 anos, e saí para viajar aos 23, justo uma semana depois de receber meu diploma de bacharel em Psicologia. Qual seria o caminho tradicional? Buscar um trabalho na área, engatar um mestrado e seguir minha vida desejada de professora universitária. Só que não!

menina com nariz de palhaço e cavaquinho pedindo carona com suas mochilas em uma estrada do Equador
Cami Mochielira pedindo carona no Equador

Lista de desejos

Minha vida sempre foi marcada por viagens. Nasci do encontro de um pai carioca com uma mãe amazonense, que namoravam por cartas. Enfim, nos mudamos todos para o nordeste. Aqui cresci e aspirava, assistindo programas de viagens pela televisão, algum dia poder também viajar o mundo.

Escrevi aos 18 anos uma lista de desejos, a qual esqueci no fundo do baú. Um deles era “fazer um mochilão depois de terminar a faculdade”, esquecido no fundo do inconsciente, assim foi, esquecido da memória. Mas nada se perde… nada se cria, tudo se transforma.

Pé na estrada – o início de uma vida nômade

Viajei para Buenos Aires, sozinha, pois pedi muito que alguma amiga fosse comigo, sem sucesso, aceitei a realidade de viajar só (e com medo mesmo)! No avião, olhei pra janela e pude avistar as luzes da cidade de buenos aires, eu quis chorar, as luzes simbolizavam que finalmente… eu estava livre. Uma nova história começa.

menina fazendo trilha em uma montanha com lago bem esverdeado chamado Torres del Paine no Chile
Torres del Paine – Chile

A partir de então, me diverti muito na capital Argentina! Tudo era mágico, inclusive as pessoas. Utilizei o Couchsurfing como modo de me hospedar. Economizava em tudo! Eu não queria que meu sonho acabasse por falta de dinheiro, né? Mais tarde, fui à Córdoba. Ali aprendi que ou você aprende pelo amor ou pela dor.

Eu morei numa casa ocupação rodeada de malabaristas e punks. Oi? Sim! Ali estava eu. Todos trabalhavam na rua, e eu , a simples viajera. Bem, eu tive que me movimentar!

Fazer Dinheiro na estrada

Comecei a vender brigadeiros e assim, aprendi a mágica de vender na rua! Era muito divertido. Depois aprendi a fazer artesanato, e pelas primeiras vezes não mexi nas minhas economias e passei a viver do meu próprio trabalho. Comprei um saxofone com o que ganhei na rua. Aprendi malabares, trabalhei no semáforo e finalmente aprendi o que é viver de arte de rua! Um artista não pede esmola! Pede contribuição no chapéu!

menina de mochila atravessando a fronteira do Equador com a Colombia
Cami chegando na Colômbia

Com isto, me movi pela América do sul. Da Argentina até a Colombia (que até então seria meu destino “final”).

Mochila Gêmea

Conheci um amor no Peru, que virou o meu companheiro de estrada. Juntos, chegamos a Colombia de carona, e este também era um dos meus desejos da lista dos 18 anos. A carona nos permitiu viajar por muito mais tempo, e muito mais lentamente (recomendo)! Cruzamos a Amazônia, adotamos um cachorro no Pará e regressamos de volta à minha cidade, Natal.

casal de viajantes em praia do Equador
Cami e namorado no Equador

Mas a aventura não podia parar! Tínhamos que conhecer o fim do mundo! E mais uma vez descemos de carona até o sul do Brasil. Ganhamos de presente uma passagem de avião para o fim do mundo, e esta foi a minha última viagem. Agora, da cidade do fim do mundo torcendo para que este momento de pandemia não seja fim do mundo, espero ansiosamente embarcar para mais uma aventura do outro lado do oceano atlântico! Um novo capítulo vem aí.

Moral da história

Crie uma lista de desejos! Crie um artista em você! Crie a sua nova história. Ou melhor… transforme-se nisso viajando! O resto, a própria viagem se encarrega.

Menina malabarista em Machu Picchu
Machu Picchu – Peru

Nada se cria, nada se perde… tudo se transforma.

Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

 

Aljezur: Uma vila azul em Portugal

Por Maria Fernanda Romero

Chegando em Porutgal

Eu já perdi a conta de quantas vezes andei de avião. Mais de trinta, com certeza. Porém, ainda tenho medo de voar. Sempre fico inquieta, monitorando a rota do avião pela função “mapa”. Deve ter vários malucos assim, não é à toa que essa função esteja disponível no dispositivo de entretenimento de viagens.

Pelo mapa soube que estava perto de Lisboa, meu destino final, mas, pela janela do avião, eu via um vasto litoral. Amplo. Era o Oceano Atlântico marcado pelas falésias que determinam o começo de Portugal.

praia em aljezur, casa de surf, bandeira de Portugal
Praia de Monte Clérigo

Desci no aeroporto de Lisboa com meu mochilão de 50 litros pesando 15kg, uma mala de rodinha com mais 15kg e minha prancha. 10kg deveria ser o suficiente para todos os pertences dessa vida, mas ainda não cheguei nesse patamar de desapego. A questão é que não foi fácil andar até o metrô.

Fui até a estação Jardim Zoológico – onde pegaria o ônibus para Aljezur, no Algarve – arrastando a prancha e sendo ajudada por muitas boas almas. A Rede Expresso é a linha de ônibus que faz o trajeto. Saem 4 autocarros por dia e o bilhete custa 18 euros, mas jovens de até 25 anos têm desconto.

barco em Lisboa, ponte 25 de abril, oceano atlântico
Lisboa

Aljezur

Aljezur fica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), no Algarve. Fica perto da capital, Faro – onde também há um aeroporto internacional – e das cidade Albufeira e Lagos.

Minha história com essa cidade começou quando buscava algum lugar para ficar em Portugal durante o mês de agosto. Achei, pelo site worldpackers, uma oportunidade de trabalho em troca de acomodação e comida. Esse site assim como outros de trabalho voluntário (como workaway e helpix) é uma ótima opção para quem busca viajar gastando pouco dinheiro e experienciar realmente a vida local. Procure sempre escolher lugares bem avaliados, eu não tive tanta sorte no local que fiquei, mas o fato de a cidade ser maravilhosa compensou.

mar e oceano em portugal
Aljezur

mar e montanas em Portugal
Aljezur

Trabalhando em Aljezur e morando em Monte Clérigo, vivi dias incríveis do verão português. De dia, muito calor: uma média de 30ºC. Já, ao anoitecer, muito frio: A temperatura pode cair pela metade na madrugada, chegando aos 15ºC.

As praias são maravilhosas. A água gelada lembra o mar do sul do Brasil. O oceano aberto, as falésias e as grutas naturais te mostram, que você está no Algarve, um dos lugares mais lindos do mundo. É também um ótimo destino para quem surfa: Ondas perfeitas praticamente todos os dias. Além disso existem várias escolas e surfcamps na região.

praia, mar e montanhas em Portugal
Aljezur

praia, mar e montanhas no sul de Portugal
Aljezur

A locomoção sem carro é um pouco complicada, já que as praias são um pouco distantes umas das outras, entretanto é possível pedir carona – ou boleia como se diz em português de Portugal. Pegar boleia é seguro e fácil. Eu fiquei o mês todo dependendo desse método de locomoção, o que também fez com que eu conhecesse várias pessoas legais do mundo inteiro.

O que comer em Aljezur

Por ser uma cidade litorânea, encontra-se muito peixe na gastronomia local: Camarões, lula e bacalhau são pratos comuns, mas também é possível achar de tudo: pizza, hambúrguer e até comida latino-americana.

Praia e falésias em Arrifana
Arrifana

Escada no meio das motanhas que leva até um rio na praia em Aljezur
Aljezur

Conheci muitas pessoas, principalmente jovens que, como eu, buscam viajar, conhecer pessoas e lugares e, acima de tudo, se encontrar antes de ir atrás de uma carreira. Me arrisco a dizer que o jovem brasileiro quer se encontrar profissionalmente antes de se encontrar pessoalmente. Nosso método educacional, cada vez pior e mais restrito, nos obriga escolher e nos dedicar muito cedo a opções de carreiras que não aprofundam realmente as nossas habilidades. Já, na Europa, a maior parte das faculdades é multidisciplinar. Ao longo do curso você vai restringindo seu campo de estudo. Assim como existem diferentes tipos de Ensino Médio, para diferentes tipos de pessoas. Também é muito comum o programa de intercâmbio “Erasmus” durante a graduação.

Estrada e no fundo montanhas e ceu
Aljezur

Viver fora da sua cultura pode ser um choque a cada dia, mas é também um constante aprendizado. Eu tive muita sorte: Aljezur é maravilhosa, as praias são tranquilas e a brisa do vento é constante. É um lugar que deve ser visitado por todos que gostam da tranquilidade e do mar.

Aiuruoca, a casa do papagaio

O QUE FAZER EM AIUROUCA

Seguindo pela Estrada Real no Estado de Minas Gerais, após o município de Baependi, está localizada a Serra do Papagaio, onde fica Aiuruoca, que em tupi significa casa do papagaio.

As estradas de terra do Parque Estadual da Serra do Papagaio nos reservam um visual deslumbrante, de montanhas infinitas. O clima é de paz e sinal de celular é algo raro. Em um entardecer de outono resolvi seguir as montanhas até o fim, encontrei um pedaço  do paraíso.

cachoeira, verde de fundo e uma queda grande
Cachoeira dos Garcias-Aiuruoca

Poucas vozes, o maior barulho era da Cachoeira dos Garcias. O vento gélido das montanhas da Serra da Mantiqueira me faziam implorar por uma lareira. O Casal Garcia foi o lugar, que escolhi para me abrigar. Por lá permaneci durante quatro dias.

Além da Cachoeira dos Garcias, o Parque Estadual da Serra do Papagaio, abriga o Pico do Papagaio. Chegar lá não é fácil. Uma caminhada de quase quatro horas para chegar a 2.105 metros de altitude. Além disso, a trilha não é sinalizada, ou seja, é muito fácil se perder, o recomendado é ir acompanhado de um guia.O poço Joaquim Bernardo também fica no Parque. Seu acesso é mais fácil, que os pontos anteriores.

cachoeira de queda grande e refrescante

Seguindo pela estrada, a pequena cidade de Aiuruoca é habitada por 6.257 pessoas. A cidade também faz parte das Sete Cidades Sagradas de Minas. Pouso Alto, Itanhandú, Carmo de Minas, Maria da Fé, São Tomé das Letras, Conceição do Rio Verde e Aiuruoca formam são tais cidades sagradas, elas formam a Constelação de Órion.

No centro da cidade, outra estrada de terra leva ao vale do Matutu, cabeças sagradas em tupi. O vale do Matutu é uma comunidade, que visa a preservação do meio ambiente. No caminho para Matutu fica a Cachoeira Deus-Me-Livre. Já em Matutu, Um casarão de 1904, patrimônio histórico de Aiuruoca. Lá se pode conhecer mais sobre a história da cidade e sobre a Associação dos Moradores e Amigos do Matutu (AMA).

sensacional queda dágua no sul de minas gerais

VALE DO MATUTU

No vale do Matutu mais cachoeiras maravilhosas. As cachoeiras das Fadas e dos Macacos são as mais famosas. No povoado também há muita comida boa. Produção de cerveja, cachaça, queijo e geleia artesanal. Comer bem, estar em paz e em contato com a natureza e belas paisagens, essa é a Casa do Papagaio.

pôr-do-sol na serra da mantiqueira. Montanhas, ceu laranja e muito verde
pôr-do-sol na serra da mantiqueira

São Thomé dos Quartzos

A misteriosa cidade mineira

 São Thomé das Letras, está a 1.444 metros de altitude e localizada na Serra da Mantiqueira. Todo o chão, assim como a maioria das casas da cidade é feito de quartzito, arenito e calcário. A preservação dos quartzos é um dos charmes da cidade, porém não é só isso. A natureza exuberante e o misticismo atraem milhares de turistas à São Thomé todos os anos.

Lendas urbanas explicam, que o nome São Thomé das Letras surgiu da história de um escravo, que se apaixonou pela irmã de seu senhor. Também há inscrições rupestres na gruta da cidade, onde permanecia a estátua de São Tomé. Para mim “São Thomé dos Quartzos” parece mais apropriado, uma vez que a linda cidadela foi construída sobre um depósito mineral de quartzito, mais conhecida como “pedra de São Thomé”.

montanhas, por do sol e natureza em Minas Gerais
Vista da Serra da Mantiqueira

Pedra de São Thomé em montanha na cidade mineira
Pedra de São Thomé

pedras de sao thome, na ladeira da cidade mineira
Pedreira de Sobradinho

Assim como todo o rico estado de Minas Gerais, São Thomé foi muito explorada pelos bandeirantes. A extração das “pedras de são tomé” foi a principal atividade econômica da cidade por muitos anos. A pedreira, apesar de gerar empregos para os moradores da região, tem um impacto ambiental muito negativo, e hoje em dia moradores e turistas zelam para uma economia, que não degrade tanto o meio ambiente.

O QUE FAZER EM SÃO THOMÉ

A cidade também é um ponto energético da Terra, pelas presenças de tais quartzos o local exala uma energia telúrica, que atraí místicos, pesquisadores científicos e curiosos. Um dos pontos em que essa energia pode ser observada é na Ladeira do Amendoim.

A Ladeira fica na estrade de Três Corações para São Thomé, antes de chegar na cidade. Lá é possível observar carros sendo atraído para cima da ladeira, desafiando a gravidade. Guias explicas que é devido o magnetismo do local. Ainda antes de chegar à cidade, outro ponto que vale a pena visitar é a Cachoeira das Fadas.

cachoeira em sao thome das letras
Cachoeira Eubióse

poço em Sobradinho, Minas gerais. agua azul e clara
Poço da Jade- Sobradinho

cachoeira em sobradinho, minas gerais
Cachoeira do Sobradinho

cachoeira em sao thome das letras
Cachoeira Eubióse

São Thomé é uma cidade pequena, e tudo pode ser feito a pé. Na praça central ficam a Igreja Matriz e a Gruta. Subindo a rua o mais incrível: a Pedreira ou Parque Municipal Antônio Rosa. Na Pedreira ficam a Pirâmide, a Pedra da Bruxa e o Mirante, ambos com uma panorâmica impressionante para toda a Serra da Mantiqueira, além de nascer e pôr-do-sol de tirar o fôlego.

À caminho de Sobradinho, ao lado esquerdo está a cachoeiras da Lua. Virando no Bar do Johnny estão as cachoeiras Eubióse, Flário, Véu da Noiva entre outras. Em Sobradinho estão os lugares que eu mais gostei. Gruta e cachoeira do Sobradinho, Gruta do Labirinto, Gruta da Bruxa e o Pico do Gavião, todas as grutas precisam do acompanhamento de um guia.

piramide em sao thome, muito famosa pra apreciar o por do sol
Pirâmide em São Thomé

piramide em sao thome. Melhor vista da cidade
Mirante

piramide em sao thome. Melhor vista da cidade
Pirâmide

por do sol maravilhoso em sao thome das letras.

SPANKARTZ: Arte e bioarquitetura

A Spankartz é uma empresa de bioarquitetura diferente de qualquer outra. Proporcionar uma realidade lúdica é algo ainda longe da arquitetura convencional. As cores e curvas, que encontram as pessoas, formam a nova e sustentável forma de arquitetura, que proporciona conforto e segurança para as pessoas.

Por trás das tendas psicodélicas que encantam festas trance pelo mundo, a Spankartz surpreende mais a cada trabalho. A marca foi criada por Rodrigo Gonzalez,30, que decidiu trabalhar com uma realidade diferenciada, após passar por um período de luto. Gonzalez prova para o mundo que, a criatividade é essencial para qualquer projeto de sucesso.”Eu tinha boas ideias e meu medo era de não ter pessoas que as realizassem comigo, então montei meu próprio grupo e comecei a colocar em prática.”

Com Bamboo ou Eucalipto, cordas e lycra, Rodrigo e sua equipe constroem pistas inusitadas e principalmente bonitas, apesar disso, o empresário não se vê como decorador. “Eu faço instalações fundamentais, que hoje em dia engloba decoração”.

A primeira vez que o grupo chamou atenção foi no Pulsar 2015. A “grande Aranha” foi o palco do Chill Out da festa mineira e impressionou até os mais antigos frequentadores da cena. “O Pulsar foi diferente de tudo, estudei aquela técnica por 3 anos”, conta Rodrigo “Nós nos espelhamos em núcleos maiores para fazer um bom festival, priorizando o bem-estar dos funcionários e investindo em uma boa área de alimentação e descanso.”

No ano seguinte, a SPankatz foi convidada para participar da montagem do Boom, em Portugal. A experiência foi incrível, afinal não poderia ser diferente,  os maiores e melhores núcleos de todo o mundo estavam reunidos compartilhando ideias, informações, experiências e sonhos.

A montagem da primeira edição do festival Kamala, no Uruguai, também foi feita pelo núcleo, que mais uma vez ousou nas técnicas. “Usamos um poste suspenso com cabeamento de aço. A técnica é de uma crew americana e aprendi no Boom.” A festa portuguesa contou com 32 postes suspensos. “Aqui tem apenas um, mas já é um desafio para nós.”

Foi a primeira vez que, um poste suspenso foi usado em um projeto de Gonzalez. a ideia não estava no projeto original, mas quando um integrante da crew americana viu o projeto do colega brasileiro, deu a seguinte sugestão.

Além do trance, as construções são uma nova forma de arquitetura, que além de limpa e sustentável, monta e desmonta com facilidade, não devasta o solo e a mata entorno e são muito resistentes a vento e chuva. Rodrigo enxerga um futuro de possibilidades, e um deles, é construir abrigos, por exemplo, para imigrantes.

Os desafios são grandes, mas com humildade, coragem e comprometimento, a SPankartz promete vencê-los todos.

Versão reduzida da entrevista realizada com Rodrigo Gonzalez no Uruguay

SPANKARTZ: Entrevista com o fundador

Rodrigo Gonzalez & SPANKARTZ A/I: Uma nova possibilidade a cada projeto

Spankartz A/I é um grupo de bioarquitetura e design diferenciado. “Proporcionamos uma realidade lúdica para as pessoas que é algo que está distante da arquitetura convencional-reta.”, diz Gonzalez, o idealizador do núcleo.

Rodrigo Gonzalez e sua equipe constroem pistas, palcos, áreas de descanso, portais, galerias de artes e áreas funcionais inusitadas e muito encantadoras. Com cores, técnicas, formas e sustentabilidade criam uma nova forma de arquitetura, que proporciona, para o público de festivais de música e encontros alternativos, sombra conforto, abrigo além de muita segurança. Mesmo assim o idealizador não se vê como decorador: “Eu faço estruturas funcionais de uso coletivo, que hoje em dia são vistas como instalações decorativas nos festivais.”.

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Lugar, onde Rodrigo cria todos seus projetos

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Foto: reprodução

A Spankartz  está em ativa desde 2015 surpreende mais a cada estrutura apresentada. Paulistano frequentador da cena desde 2000, que decidido a conquistar uma nova realidade através das artes, após um período de luto e reflexão deu início em 2011 aos aprendizados com bioconstrução, arquiterura e permacultura, visando criar estruturas com materiais naturais e tecidos. “Eu tinha muitas ideias mas também muito receio de não ter um time para realizá-las comigo, então iniciei uma busca sendo muitas vezes voluntário em alguns festivais e assim encontrando as pessoas certas que hoje fazem parte do núcleo”. Gonzalez prova para todos que criatividade somada ao amor pelo trabalho é essencial para que um projeto seja de sucesso.

O primeiro grande destaque do núcleo foi no Festival Pulsar 2015. “Fui convidado para criar o time que atuaria em campo, pensei no que seria o melhor para o acontecimento então convoquei amigos de sete estados, com os quais já havia trabalhado em diferentes situações para realizar aquele sonho chamado Pulsar.”, conta Rodrigo. A grande “Aranha“ foi o palco desenvolvido para atender o espaço denominado Molecular Stage do festival, que acontece em Minas Gerais. Impressionando até os mais antigos frequentadores da cena trance nacional, sua forma era mais orgânica assim fora do habitual visto atualmente. “Pulsar foi diferente de tudo até aquele momento, estudei a técnica utilizada no Molecular Stage desde o primeiro contato com festivais que foi no festival AHO litoral paulista em 2012, de lá pra cá foram três anos de estudos.”,diz Gonzalez.

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Molecular Stage Pulsar 2015- Foto reprodução facebook.com/pg/pulsarfestival.art

Logo na sequência SpankartZ foi convidada para participar de projetos em 4 festivais na Europa: Goa Gil DE, Fusion e Freqs of Nature, ambos na Alemanha, e a primeira edição do WAO Festival na Itália,onde Rodrigo considera ter concluído seu maior desafio até então, construindo uma cúpula com arcos de bamboo a 8 metros de altura. Este trabalho foi realizado em conjunto com a crew Free Optics responsável pela decoração da estrutura.

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Foto reprodução

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Foto reprodução

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Foto reprodução

Já em 2016 Rodrigo Gonzalez foi convidado para participar de um dos maiores festivais de música & conhecimentos do mundo o “Boom Festival”, em Portugal. A experiência não podia ser mais do que surpreendente para ele com os melhores grupos do globo reunidos para compartilhar idéias, informações, experiências e sonhos.

Recentemente foi convidado para o Festival KAMALA, realizado no Uruguay terra natal de sua família. Ousou ao apresentar uma nova técnica que vai para seu currículo. “Usamos um poste central suspenso por cabos de aço técnica que aprendi com a crew americana DoLab no Boom”.

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Foto: reprodução

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Foto: reprodução

Agora além do cenário de festivais nacionais e internacionais a SpankartZ visa novos caminhos para as construções, como compartilhamento de conhecimento em workshops e estudos, que remetem a uma nova forma de arquitetura mesclando conhecimentos ancestrais à técnicas contemporâneas. Além de limpa, sustentável, prática e de menor impacto no local instalado, é também resistentes ao vento e a chuva.

Rodrigo Gonzalez enxerga um futuro de possibilidades para o grupo, um deles é construção de abrigos para uso coletivo em situações extremas, por exemplo, para refugiados ou desabrigados, vítimas de desastres naturais, guerras entre outros acontecimentos. O desafio é grande e são muitas as barreiras para contornar e concluir cada objetivo do grupo mas com força, humildade e determinação a SpankartZ busca o equilíbrio entre diversão, conhecimento e trabalho para alcançar suas metas.

O refúgio dos leões marinhos

Cabo Polônio: um paraíso Uruguaio

Cabo Polônio é um pedaço de terra no meio de um mar bravo, que se quebra em grandes rochas. Sua geografia, perigosa para os navegantes do século XVIII, causou muitos acidentes aos aventureiros que ousaram tentar chegar à região. O mais famoso e que batizou o balneário é o náufrago do capitão espanhol Joseph Pollonio.

dois caminhoes que fazem a travessia para Cabo polonio
Cabo Polônio

O povoado uruguaio está no Departamento de Rocha a 260 km de Montevídeo e sua área é protegida e declarada Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO. Esse fator faz com que seja proibido o ingresso de carros particulares no balneário. Há 7 km do centrinho há uma portaria e de lá saem caminhões 4×4 que te levam a Cabo Polônio de fato.

Os caminhões saem algumas vezes por dia, porém sempre bom verificar no site das Rutas del Sol, o valor em março de 2017 estava 500 pesos ida e volta. Os 7 km de trajeto são em dunas desérticas e uma paisagem totalmente virgem. Outra forma (muito) mais difícil de chegar em Cabo Polônio é caminhando pelas Dunas da cidade vizinha, Valizas.

caminhoes que fazem a travessia de cabo polonio no uruguay
Cabo Polônio

A península de Cabo Polônio

A península é muito especial por diversos motivos. Existem duas praias que a cercam, a playa Sur e a playa de la Caravela a primeira é totalmente deserta com apenas algumas casinhas, do melhor estilo uruguaio, simples, planas, com grandes janelas e cores claras.

pedras, mar, casas lindas em uma das melhores praias uruguaias
Cabo Polônio

A playa de la Caravela tem o Farol de Cabo Polônio, para subir no farol o valor é 25 pesos. A subida de 750m não é muito difícil e o visual vale muito a pena. Na base do farol uma incrível costeira, onde leões e lobos marinhos passam os verões curtindo. No inverno os animais migram para uma pequena ilha que fica em frente ao farol. Em outubro também é comum a presença de algumas especíe de baleias no local, assim como golfinhos.

farol de cabo polonio
Farol

espaco de leoes marinhos em cabo polonio
Loberia

A população fixa do vilarejo é  pequena e composta principalmente por artesões, e pescadores. Cabo Polonio não tem rede elétrica e nem asfalto. Algumas casas usam energia solar para esquentar a água, geradores também são comum, principalmente nas noites de verão, quando os barzinhos locais viram pequenos clubes de dança.

Todos esses motivos tornam o refúgio dos animais marinhos tão especial, mas o principal motivo é a plenitude que o lugar traz. Não há uma pessoa que não sinta uma estranha sensação de estar vivendo em outro tempo durante a estadia em Cabo Polonio. Só vivendo para entender.