La Mercè: vivendo Barcelona

Por Maria Fernanda Romero

A FESTA DA PADROEIRA DE BARCELONA

A festa da padroeira de Barcelona, La Mercè, é o maior festival gratuito da cidade. Ocorre no fim de setembro, promovendo uma imersão na cultura popular da Catalunya, integração entre a população e ocupação dos espaços públicos. Todo ano uma cidade é homenageada, esse ano foi a capital islandesa Reykjavik.

“Ocupar o espaço público da cidade cria a identidade de cidadão nos moradores”, explica Gabriela Chiaramelli, 25, arquiteta e mestre em sustentabilidade pela Universidade Politécnica da Catalunya, “isso reflete na forma como o indivíduo cuida da cidade,  pois, uma vez que a população se sente parte dela, um sentimento de dever civil é alimentado em cada um”.

Projeção audiovisual de uma capsula dentro de um parque de Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella

A extensa programação de La Mercè conta com uma maratona de shows divida entre artistas locais de diferentes estilos e o BAM (Barcelona Acció Musical), que foca na música internacional, e, principalmente, da cidade convidada. Projeções audiovisuais, circos e outras demonstrações típicas acontecem em diversos pontos turísticos da cidade, como no Castelo de Montjuic, no Arc del Triomf  e no Parc da Ciutadella.

“Descentralizar as atrações e promover a festa aberta para o público é mais uma vantagem para Barcelona, cidade cujo maior atrativo turístico é a própria cidade”, analisa Denis Santaella , 25, arquiteto e mestre em paisagismo pela Universidade Politécnica da Catalunya. “A prefeitura promove um evento dessa magnitude e tem capacidade de equipar temporariamente todos os espaços, para suprir as necessidades da festa. Além disso tem um sistema de limpeza de rua, que, em uma hora, já está tudo limpo”.

projecao de um antifiatro em fomato de queijo em um parque em Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella
bonecos de luz dancando no escuro em Barcelona
Arc del Triomf

Momento histórico

As representações típicas desse ano tiveram uma conotação especial, uma vez que a Catalunya está vivendo um momento histórico de sugestão de um referendum unilateral de separação da Espanha. Dentre essas representações as que mais se destacam são:

Trupe dos Gigantes: Os gigantes festivos apareciam em contextos religiosos durante o século XV, mas no decorrer dos séculos ganharam um caráter totalmente lúdico e festivo. São símbolos da identidade local e desde 1902 a prefeitura organiza concursos de gigantes. Também foram usados como forma de protestos durante a guerra civil. Seus desfiles seguem uma linha carnavalesca, lembrando os bonecos de Olinda no Brasil.

Correfoc: o Correfoc é um desfile inspirado no “Baile dos Diabos”, uma apresentação feita durante o casamento do Conde de Barcelona com a princesa de Aragão no século XII. O “Baile dos Diabos”, assim como alguns teatros de rua medieval, tinha como temática a alegoria da luta do Bem contra o Mal em que, nem sempre, o diabo representa o mal. Atualmente o Correfoc é uma apresentação em que grupos fantasiados de diabos e dragões saem à noite no meio da multidão com fogos de artifício.

apresentacao de falcons na praca jaume em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I
apresentacao em praca em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I

Castells, falcons e mojiganga:  São construções humanas cada vez maiores e mais complicadas. A prática é uma evolução dos bailes valencianos. Em Barcelona é muito comum e tem até competição entre os grupos. Os casteleiros foram considerados Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO em 2010.

Manoel,39, faz parte dos falcons de Barcelona que se apresentaram na Praça Jaume I durante a La Mercè. Há 8 anos ele treina 5 horas por semana e não consegue disfarçar a emoção de estar se apresentando na maior festa de Barcelona. “Estou muito contente de estar aqui, La Mercè é a nossa oportunidade de mostrar nosso trabalho do ano todo”.

Projeções, apresentações impecáveis, músicas e um entorno que te transportam para Idade Medieval.  Aline Pinheiro, 25, designer, brasileira de passagem por Barcelona acha que o único defeito da festa é a área gastronômica. “Tem food trucks em todos os pontos, mas a comida não é tão boa e é mais cara que o normal”.

casal em apresentação de circo em castelo de Montjuic
Circo no Castelo de Montjuic
vista da roda gigante em barceloneta, com barcos, montanhas e mar
Roda Gigante em Barceloneta
Catedral de Barcelona durante a festa da padroeira La Merce
Catedral de Barcelona

Um dos momentos mais lindos do festival foi o encerramento. Um minuto de silêncio em respeito ao atentado terrorista em Barcelona. E então começou o emocionante espetáculo: um show pirotécnico na frente da mágica fonte de Montjuic, praça Espanha, em que água, música, luz e sombra, dançaram na mesma sintonia.

fogos na praça Espanha em Barcelona durante encerramento
Encerramento na Praça Espanha

Aljezur: Uma vila azul em Portugal

Por Maria Fernanda Romero

Chegando em Porutgal

Eu já perdi a conta de quantas vezes andei de avião. Mais de trinta, com certeza. Porém, ainda tenho medo de voar. Sempre fico inquieta, monitorando a rota do avião pela função “mapa”. Deve ter vários malucos assim, não é à toa que essa função esteja disponível no dispositivo de entretenimento de viagens.

Pelo mapa soube que estava perto de Lisboa, meu destino final, mas, pela janela do avião, eu via um vasto litoral. Amplo. Era o Oceano Atlântico marcado pelas falésias que determinam o começo de Portugal.

praia em aljezur, casa de surf, bandeira de Portugal
Praia de Monte Clérigo

Desci no aeroporto de Lisboa com meu mochilão de 50 litros pesando 15kg, uma mala de rodinha com mais 15kg e minha prancha. 10kg deveria ser o suficiente para todos os pertences dessa vida, mas ainda não cheguei nesse patamar de desapego. A questão é que não foi fácil andar até o metrô.

Fui até a estação Jardim Zoológico – onde pegaria o ônibus para Aljezur, no Algarve – arrastando a prancha e sendo ajudada por muitas boas almas. A Rede Expresso é a linha de ônibus que faz o trajeto. Saem 4 autocarros por dia e o bilhete custa 18 euros, mas jovens de até 25 anos têm desconto.

barco em Lisboa, ponte 25 de abril, oceano atlântico
Lisboa

Aljezur

Aljezur fica no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), no Algarve. Fica perto da capital, Faro – onde também há um aeroporto internacional – e das cidade Albufeira e Lagos.

Minha história com essa cidade começou quando buscava algum lugar para ficar em Portugal durante o mês de agosto. Achei, pelo site worldpackers, uma oportunidade de trabalho em troca de acomodação e comida. Esse site assim como outros de trabalho voluntário (como workaway e helpix) é uma ótima opção para quem busca viajar gastando pouco dinheiro e experienciar realmente a vida local. Procure sempre escolher lugares bem avaliados, eu não tive tanta sorte no local que fiquei, mas o fato de a cidade ser maravilhosa compensou.

mar e oceano em portugal
Aljezur
mar e montanas em Portugal
Aljezur

Trabalhando em Aljezur e morando em Monte Clérigo, vivi dias incríveis do verão português. De dia, muito calor: uma média de 30ºC. Já, ao anoitecer, muito frio: A temperatura pode cair pela metade na madrugada, chegando aos 15ºC.

As praias são maravilhosas. A água gelada lembra o mar do sul do Brasil. O oceano aberto, as falésias e as grutas naturais te mostram, que você está no Algarve, um dos lugares mais lindos do mundo. É também um ótimo destino para quem surfa: Ondas perfeitas praticamente todos os dias. Além disso existem várias escolas e surfcamps na região.

praia, mar e montanhas em Portugal
Aljezur
praia, mar e montanhas no sul de Portugal
Aljezur

A locomoção sem carro é um pouco complicada, já que as praias são um pouco distantes umas das outras, entretanto é possível pedir carona – ou boleia como se diz em português de Portugal. Pegar boleia é seguro e fácil. Eu fiquei o mês todo dependendo desse método de locomoção, o que também fez com que eu conhecesse várias pessoas legais do mundo inteiro.

O que comer em Aljezur

Por ser uma cidade litorânea, encontra-se muito peixe na gastronomia local: Camarões, lula e bacalhau são pratos comuns, mas também é possível achar de tudo: pizza, hambúrguer e até comida latino-americana.

Praia e falésias em Arrifana
Arrifana
Escada no meio das motanhas que leva até um rio na praia em Aljezur
Aljezur

Conheci muitas pessoas, principalmente jovens que, como eu, buscam viajar, conhecer pessoas e lugares e, acima de tudo, se encontrar antes de ir atrás de uma carreira. Me arrisco a dizer que o jovem brasileiro quer se encontrar profissionalmente antes de se encontrar pessoalmente. Nosso método educacional, cada vez pior e mais restrito, nos obriga escolher e nos dedicar muito cedo a opções de carreiras que não aprofundam realmente as nossas habilidades. Já, na Europa, a maior parte das faculdades é multidisciplinar. Ao longo do curso você vai restringindo seu campo de estudo. Assim como existem diferentes tipos de Ensino Médio, para diferentes tipos de pessoas. Também é muito comum o programa de intercâmbio “Erasmus” durante a graduação.

Estrada e no fundo montanhas e ceu
Aljezur

Viver fora da sua cultura pode ser um choque a cada dia, mas é também um constante aprendizado. Eu tive muita sorte: Aljezur é maravilhosa, as praias são tranquilas e a brisa do vento é constante. É um lugar que deve ser visitado por todos que gostam da tranquilidade e do mar.

Budapeste, minha primeira cidade mais ao leste

Por Maria Fernanda Romero

CONHECENDO BUDAPESTE

Budapeste, capital da Hungria, é uma cidade muito especial. A cidade traz em sua essência a resistência de um povo que tem tantas guerras em sua história, mas hoje é alegre e agrega tão bem diferentes povos.

 A Bácia dos Cárpatos foi construída pelo Império Avaro e dominada pelo Império Romano. Em 896 o príncipe Árpád conquistou a região e deu início a monarquia Húngara. A cultura húngaro sofre influência tanto do leste europeu quanto do ocidente. O idioma, que é muito diferente da língua dos países vizinhos, tem parentesco com o finlandês. A arquitetura gótica predomina nas construções e até hoje as ruas de Budapeste te levam à um passeio na Idade Média.

Durante as guerras medievais, o Estado húngaro sofreu diversos ataques que quase destruíram totalmente o país, entretanto o maior inimigo da nação surgiu no século XV, o Império Turco Otomano.

Por muito tempo foi possível combater o inimigo, entretanto em 1526 os turcos venceram os húngaros e em 1541 o país foi dividido e controlado pela família Habsburgo, tradicional família austríaca, e pelo  Império Turco Otomano.  Uma terceira parte permaneceu no reino da Hungria. Durante quase dois séculos a capital Húngara, Buda, permaneceu sob o controle Turco.

Depois de um período de calmaria e reunificação do reino, em 15 de março de 1848 Lajos Kossuth liderou uma revolução que buscava a independência total do Império Austríaco, mas uma vez que os rusos estavam do lado Habsburgo, A Hungria foi derrotada mais uma vez.Ferenc Deák foi o líder hungaro responsável pelo acordo de 1867, que marcou o surgimento do Império Austro-Húngaro.

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foto: blogmundohistoria.blogspot.com

Durante a Primeira Guerra Mundial o Império,derrotado,  perdeu território. Em 1919 líderes comunistas impuseram um regime, que não permaneceu por muito tempo. Na Segunda Guerra Mundial, liderada por um governo de direita, a Hungria se aliou a Alemanha.Mais uma vez derrotada, o país no centro-europeu, permaneceu sob o comando da URSS até a o fim do comunismo no leste europeu.

O QUE FAZER EM BUDAPESTE

A redondeza do Parque da Cidade é tranquila e arborizada. Perto do parque está situada a Praça dos Heróis, onde tem estátuas de figuras marcantes para a história da Hungria.

Praça em Budapeste, um ponto turistico em viagem pela europa
Praça dos heróis

a Avenida Andrássy, uma longa avenida movimentada com comércios e onde está situada a Casa do Terror e a Ópera Nacional, liga a Praça dos Heróis ao centro de Peste. A Casa do Terror relembra as mortes causadas tanto pelos nazistas, quanto pelos comunistas.

ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Vista Budapeste
ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Rio Danúbio
ponte de budapeste, ponto turistico em viagens pela na europa
Ponte Budapeste

Em cada escada de ferro, em casa parede desbotada, uma parte dessa história é contada. Budapeste é aquele lugar que você sente uma energia inexplicável, é a cidade que até fala com você.