Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

 

Valência, Horchata e Paella

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Valência não é a cidade mais visitada da Espanha, porém é o berço de alguns aspectos da cultura espanhola. Para começar, a paella, que é um dos pratos espanhóis mais conhecidos no mundo, teve sua origem na cidade. Ela surgiu entre os séculos XV e XVI na Albufeira Valenciana, fruto da necessidade dos camponeses de preparar uma comida fácil e nutritiva com os ingredientes que havia no campo.

A paella tradicional é feita com frango e coelho, mas, depois, outros sabores foram criados e hoje é possível encontrar diversas variações do prato: com mariscos, verduras e outros tipos de carnes. Além da Paella, em Valência é possível encontrar a Horchata, uma bebida típica espanhola feita de chufas e pão doce. Há várias Horchaterías pelo centro da cidade.

VISTA PANORAMICA DE VALÊNCIA
Centro de Valência

O QUE FAZER EM VALÊNCIA

Não é só a gastronomia Valenciana que ainda carrega traços do passado. A cidade preserva um pedaço do muro que a envolvia durante a Idade Média. A Torre de Serranos, construída entre 1392 e 1398, também já funcionou como uma prisão. Hoje em dia, além de um marco histórico, funciona como museu. Ela é a porta para o centro histórico da cidade, que também é conhecido como Barrio Del Carmen. Lá também estão a Catedral de Valência, o centro arqueológico La Almoina, o mercado Lonja de La Seda e a Torre Miguelete.

Júlia Reis, 21, paulista e estudante de Arquitetura, nota que o centro é movimentado e também muito seguro. “A praça central tem muita vida, muita criança brincando até tarde. É tranquilo e movimentado. Também é bem iluminado, tanto de dia, quanto de noite.”

VISTA PANORAMICA DE VALENCIA
Vista Mirador Ataneo Mercantil

O centro de Valência mistura muitas influências arquitetônicas: gótico, o barroco francês, o barroco italiano e o neoclássico. “Todas as cidades da Europa têm uma arquitetura mais antiga. Eu vim para a Europa estudar a arquitetura, mas aqui percebi que não posso usar o que eu vejo como referência para o Brasil. É uma arquitetura muito antiga, totalmente fora da realidade brasileira, principalmente por causa do clima do nosso país. Aqui as cidades se encaixam, têm uma composição e um ritmo”, completa Júlia.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E DAS CIÊNCIAS EM VALÊNCIA
Cidade das Artes e das Ciências

Ao mesmo tempo que a cidade preserva muita história, também é conhecida pela Cidade das Artes e das Ciências, onde ficam as obras futuristas de Santiago Calatrava. O arquiteto se inspira em formas orgânicas e também abusa de formas assimétricas e surrealistas.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E CIENCIAS
Cidade das Artes e das Ciências

Dentro da Cidade das Artes e das Ciências é possível visitar o Hemisfèric e o Museu de les Ciències, com entradas no valor de 8 euros, e o Oceanogràfic, com entrada no valor de 29 euros. Também é possível comprar um combo para visitar todos os museus em mais de um dia, por 32 euros.

FALLAS

Visitar Valência e vivenciar a cultura espanhola é um bom programa em qualquer época do ano, porém uma dica é visitá-la entre 15 e 19 de março, quando acontecem as Fallas. As fallas são as festas típicas da cidade, onde ocorrem demonstrações culturais como a Cavalgada de fogo. Também há shows de música para todos os gostos. Vale muito a pena estar presente em Valência durante as fallas.

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Outras opções do que fazer em Valência, você pode encontrar no nosso parceiro mochileiros.

Praga: o anti-clichê Europeu

Por: Maria Fernanda Romero

Antes de entrar no trem para a República Tcheca anotei na minha agenda palavras e frases básicas da língua tcheca e também os endereços dos lugares em que ia ficar. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz e o único conselho que eu dou àqueles que vão para países em que não entendem absolutamente nada da língua. Anote! Porque, na pior situação, sempre tem a mímica e isso não tem erro.

Além disso, uma coisa que aconteceu muito comigo foi a pessoa estar na maior boa vontade, lascando as informações em tcheco e eu sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. “Nerozumím”: Eu não tô entendendo. Pelo menos foi isso que eu anotei… nem sempre eles paravam de falar ou trocavam o idioma, mas muitas vezes se esforçaram mais e é aí que entra a mímica. “Ahoj” é a saudação e também a despedida. “Prosím”, por favor, “Děkuji”, obrigado. Com essas palavras sobrevivi bem na República Tcheca.

O QUE FAZER EM PRAGA

Praga é um clichê europeu. Um rio que cruza a cidade (o Vltava), a ponte medieval, a parte velha, a parte “nova”, a arquitetura, o castelo – ou o conjunto de castelos, no caso de Praga. A cidade é linda e colorida. Tem um ar meio rebelde e leis mais brandas, porém ao mesmo tempo contraditórias. Por exemplo, não se pode comprar cigarros depois das 22h, mas é possível comprar tabaco. E também souvenirs de maconha com até 0,2% de THC.** (A maconha é descriminalizada no país, mas a venda de qualquer quantia de maconha ainda é um ato criminal e pode render até um ano na cadeia. O porte da droga não é considerado crime e o seu cultivo também é liberado, desde que não ultrapasse o valor máximo de posse, que é de 5 plantas. O uso médico de maconha com receita é permitìdo e também a venda de souvenirs com até 2% de THC).

Rio que divide a cidade de Praga, um barco passando por debaixo da ponte,  e o Castelo de fundo

Em Praga é possível ir para praticamente qualquer lugar a pé. Em Staré Město (Cidade Velha em português), fica – ou ficava -, desde 1410, um dos relógios mais importantes do mundo. O Relógio Astronômico Orloj. Tive sorte, porque alguns dias depois da minha visita, ele foi recolhido para manutenção. Espero que volte logo. Ele é tão especial, que, segundo a lenda, os vereadores de Praga cegaram o relojoeiro que o fabricou para que ele não pudesse fabricar outro igual. Lendas à parte, o relógio simboliza muitas coisas: As estátuas simbolizam a morte, o medo das invasões na cidade, o medo da fome e da pobreza e a vaidade. A bola de ouro representa o sol e a sua posição diz em qual parte do dia estamos. Ela indica também em que signo o sol está, já o ponteiro da lua indica em que signo e em que fase ela está.

A Praça Old Town também é onde está localizada a igreja gótica de Nossa Senhora de Týn, com torres desiguais que a fazem parecer um castelo. No centro da cidade velha, entretanto, tudo é muito caro. Os preços dos restaurantes, dos bares e das casas de câmbio (lá a moeda é a coroa tcheca) não são muito bons.

Por outro lado, tem outras igrejas belíssimas, tanto católicas, como protestantes e a fundação do Clementinum, um conjunto arquitetônico que abriga a Biblioteca Nacional. Outras construções que se encontram no centro são a Universidade Charles, diversos museus como o Mucha e o Rudolfinum, que abriga uma sala de concertos, uma pinacoteca e um museu e que também já foi sede da Assembléia Nacional.

telhados vermelhos e verdes e montanhas no horizonte de Praga

Praga fica bem no meio da região da Boêmia, no centro da Europa e não é coincidência que o nome dessa região tenha dado origem à palavra “boêmio”. Os tchecos criaram as melhores cervejas do mundo, como a Pilsner Urquell, e são até hoje os maiores consumidores de cerveja do mundo. Mel e leite também são produtos locais muito importantes para o país.

cervejas de Praga

Assim como em muitas outras cidades da Europa, muitas empresas oferecem um Free Walking Tour em Praga. Eu fiz com a empresa Sandermans e gostei muito. Aprendi muitas curiosidades sobre a região, além de ir conhecendo os principais pontos turísticos da cidade. Uma das histórias que o guia nos contou foi que o atual presidente do país, Milos Zeman, odeia vegetarianos e jornalistas. Não sei se é verdade, mas espero que não.

Atravessando o rio Vltava pela ponte Charles chega-se ao Malá Strana, onde fica o castelo. Há outras pontes que ligam a parte velha de Praga à parte mais nova, porém a ponte Charles é a mais especial. Ela foi construída por ordem do rei Charles e sua sua construção durou 45 anos, até 1402. No solstício de verão, quem está abaixo da Torre da ponte vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito, a catedral do castelo, mas não há registros de que isso seja proposital.

castelo de Praga
Castelo de Praga

O conjunto de castelos de Praga é o maior do mundo. Lá ficam o Antigo Palácio Real, a Galeria Nacional de Praga, algumas prisões medievais e a Catedral de São Vito, que demorou 600 para ser construída e que é um dos símbolos da cidade.

O nosso guia do Free Walking Tour nos contou que Mick Jagger e os Rolling Stones colaboraram com a manutenção do conjunto: Após a queda do comunismo, a banda foi convidada para tocar em Praga e teria patrocinado uma reforma para melhorar a iluminação do castelo. O cantor, que gostava muito da cidade, teria ficado comovido com as dificuldades do país pós-comunismo e esse foi o modo que ele encontrou de ajudar. Provavelmente é uma lenda, mas poderia ser verdade.

Outra estrela que deixou marcas na cidade foi John Lennon. Ainda no bairro de Malá Strana fica um muro em homenagem ao artista. Hoje em dia é mais uma parede com grafite como tantas outras, porém, na década de 80, ele representava a indignação política da população e foi usada como protesto a favor da liberdade de expressão.

horizonte de Praga com telhados vermelhos e azúis

O bairro judeu também é um símbolo de resistência da cidade. Os judeus começaram a ocupar as áreas do subúrbio de Praga ainda na Idade Média. Eles sempre sofreram muita opressão e nem podiam frequentar o centro da cidade. Na Segunda Guerra Mundial, infelizmente, muitos judeus dessa região foram mortos, mas o bairro ainda está preservado para contar essa história.

A sinagoga Pinkas, construída em 1535, é um dos lugares onde mais se pode aprender sobre a cultura judaica na cidade, assim como a sinagoga Staranová, que é a Sinagoga mais antiga da Europa, sobrevivente de vários ataques, incêndios e guerras. No bairro, muitas pessoas também visitam o cemitério antigo, que foi, por mais de 300 anos, o único lugar onde os judeus podiam enterrar seus mortos.

COMER EM PRAGA

Como já disse, a cerveja em todo o país é muito boa, então o que não falta na cidade são bares e pubs com  bons preços e boas bebidas. Além disso, a comida é muito boa. Depois do Trdelnik, um doce que é uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberto com açúcar, canela, chocolate, doce de leite ou geléias, meu prato preferido foi o Smažený sýr: um queijo empanado frito maravilhoso.

Apesar de ter saído de lá um pouco confusa com tantas ironias e coincidências, enxerguei Praga como uma cidade charmosa, receptiva e bastante intensa.

Cesky Krumlov: Vilarejo medieval no sul da Bohemia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Cesky Krumlov é uma pequena cidade medieval no sul da República Tcheca, hoje patrimônio da UNESCO. Cesky era o prefixo para todas as cidades tchecas na época e significa “bohemia” em Português. Krumlov significa “contornada pelo rio”, fazendo referência à sua posição geográfica que é, de fato, no meio do rio Vltava (Moldava em português).

O QUE FAZER EM CESKY KRUMLOV

O principal ponto turístico da cidade é o seu Castelo, o segundo maior do país. Construído pela família Rosenberg, além de imenso, ele tem charmosos jardins divididos em duas partes, uma inglesa e uma francesa. Há também um urso vivendo lá. De verdade. E eu não consegui descobrir o motivo.

ceu cinza e casas coloridas com telhados cheio de neve

Não há carros no centro da cidade e há muitas construções conservadas que datam do século XVI, apesar das mudanças significativas que aconteceram por lá nos últimos trinta anos, desde que a República Tcheca deixou de ser comunista.

Um dos motivos de estar tão bem conservada é que, apesar das guerras que ocorreram no país, Cesky Krumlov nunca foi atingida por bombas, nem foi palco de um conflito direto. É uma pequena e tranquila cidade medieval, que conserva muito bem os estilos góticos e renascentistas.

Cesky Krumlov é encantadora, guarda muita história, cultura tcheca e cerveja boa. O que mais me impressionou foi como a maioria dos lugares, mesmo os restaurantes e o hostel, têm um porão, o vão entre o chão e o teto enorme, e o formato de um pequeno castelo. A sensação é de estar em uma outra época. Gostei muito do Free Walking Tour que fiz lá. O guia era divertido e contou muitas curiosidades e lendas sobre a cidade.

ceu cinza, montanha, a torre do castelo de Cesky Krumlov e telhados com neve

COMIDA EM CESKY KRUMLOV

A culinária tcheca é marcada principalmente pelas carnes, mas o que eu mais gostei foi a sobremesa. O Trdelnik ganhou meu coração e me acompanhou todos os dias na República Tcheca. É uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberta com açúcar, canela. Tem também outras opções de cobertura, como chocolate, doce de leite e geléias.

Jardins do castelo de cesky krumlov cheio de neve

Chegar em Cesky Krumlov não é tão fácil, mas isso a torna mais especial. Têm alguns trens que saem de lá para Ceske Budejovice, há 27km de distância. Por ônibus é possível chegar de Praga, a capital tcheca e das cidades austriacas Salzburg e Linz.

Muitas vezes compartilhei momentos com pessoas na República Tcheca, no qual eu não entendia uma palavra. Fui em alguns jantares, assisti um jogo de hóquei e também compartilhei algumas mesas no bar. Eu não entendia uma palavram mas percebi que não era necessário para entender as boas intenções, compartilhar os bons momentos e também pedir ajuda e ser ajudada. A boa vontade e o que vem de dentro é o que importa.

Essas conexões que acontecem pela  estrada me ensinam muito. Me mostram que as pessoas estão ligadas por emoções, não importa da onde elas sejam. As diferenças culturais são muitas de um país para o outro, mas os sentimentos são universais.

rodoviária de cesky krumlov com vários homens e todo coberto de neve

Outros destinos na República Tcheca você pode encontrar no fórum dos mochileiros.

Qual é o impacto do nosso turismo?

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

O jogo da especulação imobiliária, todos conhecemos. Desapropriação de espaços para construção de prédios, empresas ou outros comércios mais lucrativos é comum em todas as grandes cidades. E cada vez mais o turismo está envolvido com este tipo de negócio.

Observo muito, em Barcelona, faixas que dizem “Barcelona não está à venda” e “Salve Barcelona” (ou Drassanes, ou Para-lel, ou Sants), mas, no início, não entendia o que isso tinha a ver com o turismo ou com a especulação imobiliária.

Esses dias, fui a um bate-papo com o fotógrafo Rafa Badia e uma editora de um site de reflexão sobre imagem e fotografia. O tema era fotografia de viagens, porém a conversa foi muito além. Rafa contou de suas viagens à Paris nos dias atuais e nos anos anteriores: “Antigamente você ia à Paris para comer o queijo, hoje em dia lá tem pizza, pasta e kebab no mesmo restaurante, ao lado Mc Donald’s.”. Ele mostrou fotos de viagens em diferentes datas e as diferenças são gigantes – quer dizer, são cada vez menores. “A fotografia é o símbolo do tempo. Cada vez as cidades parecem ser mais iguais e as pessoas se vestem mais iguais”, observou o fotógrafo.

homem turista, vendo sua camera, enquanto outra turista atrás também tira fotos
Turista em Cesky Krumlov

Nas cidades pelas quais passei sempre busquei me aproximar o máximo possível dos moradores para entender o cotidiano do lugar e ter uma vivência mais verdadeira da cidade. Em Lisboa eu tinha a vantagem de falar e entender perfeitamente o idioma.

Em uma dessas tardes em Lisboa estava com a minha amiga na Igreja da Sé e não paravam de nos oferecer passeios no bairro de Alfama por preços absurdos. Ignoramos todos e fomos a pé. Paramos para pedir informação nas Portas do Sol para uma portuguesa de aproximadamente 35 anos. Conversamos muito com ela e ela nos disse que Alfama não era Portugal de verdade e perguntou se a gente não aceitava um passeio típico no bairro Mouradia. Óbvio que aceitamos!

homem turista tira foto de lagos com Cisneis
Turista na Alemanha

Conhecemos as tabernas, me lembrei dos livros, que havia lido na época da escola, bebemos a Ginjinha, típica cachaça portuguesa feita de uma espécie de cereja. Ela nos contou histórias e lendas do bairro, inclusive a de Maria Severa, a primeira mulher a cantar o Fado em Lisboa. Também conhecemos uma amiga dela, que é fadista. Tivemos o melhor dia possível em Lisboa. Eu me apaixonei pela cidade de uma maneira inexplicável.

Fomos com ela até o Rossio, porque ela também queria nos levar na Casa do Alentejo. Na transição de bairros é impossível não notar a diferença: Muitas construções, inúmeros restaurantes na calçada… Foi então que ela se emocionou ao dizer: “Aqui também era como a Mouradia. Agora as tabernas e os lugares em que os portugueses se reúnem para conversar e tomar a ginja estão sendo trocados por Hostels e Subways.”

turistas observam um mapa em Portugal

De volta a Barcelona encontrei uma amiga daqui e ela perguntou sobre a viagem. Eu disse que foi boa, mas que estava feliz de estar de volta, porque não há um lugar que se compare a Barcelona para se morar. Ela torceu a cara. “É, todos acham isso. Nada contra… mas parece que a cidade está sendo moldada para o turista e não para quem é daqui”. Ela tem razão. Mas não é só Barcelona. A minha estadia em Barcelona, uma cidade mega turística, me fez perceber o turismo, até o que eu mesma fazia, de uma forma mais crítica.

O turismo está crescendo e ele tem um impacto grande. Viajar é bom e temos que viajar cada vez mais, mas com responsabilidade. Hoje sabemos mais da importância da sustentabilidade e que ela é um pilar entre o econômico, o social e o ambiental. Muitas coisas são responsabilidade das grandes corporações, hotéis e agências de turismo, porém muita coisa é responsabilidade do viajante: É super importante se hospedar em estabelecimentos regulamentados e que não foram construídos em Áreas de Preservação, valorizar a gastronomia e os produtos locais e artesanais, preferir o transporte público, respeitar sempre o meio ambiente, reciclando e não jogando lixo no chão e na natureza (até uma bituca de cigarro pode fazer muito mal para o meio ambiente)… Temos que lembrar que nós somos parte do mundo, que queremos construir.

Lisboa me trouxe a certeza que Portugal tem muito do Brasil (e vice-versa)

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

O QUE FAZER EM LISBOA

Lisboa, desorganizada e perfeitinha. Bairros estreitos, beira-mar e beira-rio, má sinalização, transporte público confuso e funcionários públicos que não estão dispostos a ajudar. Já estive algumas vezes em Lisboa e quanto mais a amo, mais a comparo com o Brasil, principalmente com o Rio de Janeiro. E não é que ela tem até uma versão do Cristo?

Lisboa precisa de uns 3 dias para ser conhecida e seus arredores, Sintra e Cascais, também merecem alguns dias para uma visita. O primeiro dia em Lisboa pode ser dedicado ao centro histórico, começando na Praça do Comércio que fica na beira do Rio Tejo e tem uma vista linda para a ponte 25 de Abril.

Barco em primeiro plano no rio tejo e ponte 25 de abril no fundo, na capital portuguesa, Lisboa
Lisboa

Depois do arco da Rua Augusta fica a Baixa Lisboa com lojas e restaurantes bem turísticos. Ali perto também fica o Elevador de Santa Justa, que é bonito, mas, apesar de ser um dos símbolos da cidade, não tem nada demais. Vale a pena passar por ele, porém não é imperdível. Continuando a caminhada pela a Baixa Augusta chegamos ao Rossio.

O lugar, que mais gostei do Rossio foi a Casa do Alentejo. Antigamente cada região de Portugal tinha uma casa que funcionava como uma espécie de embaixada dessa região. Atualmente, as atividades na Casa do Alentejo incluem apresentações de livros, filmes, fotografias, saraus, expressões de arte em geral que representam e preservam a cultura alentejana, além da sua gastronomia, já que dentro da Casa tem um restaurante.

O bairro Mouraria é um bairro típico português. Lá é possível assistir o fado, ver e beber em tabernas a ginjinha, típica cachaça portuguesa feita com uma variação da nossa cereja. É possível também comer comida típica e barata. Fui ao restaurante “O Triguerinho” e achei o custo benefício excelente, além da porção ser bem servida.

Ao lado da Mouraria fica um dos bairros mais antigos de Lisboa, o Alfama. Ruas estreitas, portas pequenas, bonde e a Catedral da Sé caracterizam esse bairro. Assim como grande parte de Lisboa, colorida. As casas e os bondes amarelos em contraste com o azul do mar e do rio.

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A Catedral da Sé de Lisboa é a igreja mais antiga e importante da cidade. Sua construção data do século XII e seu estilo predominante é o românico. Seu nome completo é Santa Maria Maior. É possível visitar o claustro e tesouro da catedral, ambos por 2,50 euros. A catedral fecha às 17h no inverno e às 18h no verão.

Catedral da Sé, Augusta, cachaça. As semelhanças com o Brasil estão por toda parte, mas isso não é nem o começo! A cidade tem mais de 20 miradouros com vistas incríveis. Um deles fica no bairro de Alfama, o Miradouro das Portas do Sol e é o lugar ideal para ver o pôr do sol, apreciar a vista e curtir um pouco a cidade.

Subindo ainda mais por Alfama fica o Castelo de São Jorge que foi restaurado após o terremoto que destruiu praticamente toda a cidade em 1755. O castelo fica aberto das 9h às 18h, no inverno e até às 21h no verão. A entrada custa 8,50 euros.  Estudantes, crianças e idosos têm desconto.

casas coloridas e o oceano de Lisboa ao fundo

No segundo dia eu recomendo começar o passeio no Cais do Sodré, outro lugar ótimo para curtir a cidade, descansar da caminhada e apreciar a vista. Ao lado do cais fica o Mercado da Ribeira, ou Time Out Market. Lá tem comidas maravilhosas e, como todo mercadão, frutas típicas da região. Entretanto, o preço não é tão baixo, o mercado está bastante gourmetizado.

Subindo as vielas em direção aos bairros Chiado e Alto fica outro miradouro famoso, o miradouro de Santa Catarina. O Chiado é um bairro com cafés e comércios, principalmente na Rua Garrett. É um bairro muito presente na literatura e assim como seu vizinho, o bairro Alto, é boêmio e tem uma vida noturna ativa e cerveja barata.

Um pouco afastado do centro e de todos os outros pontos turísticos fica o bairro de Belém. As caravelas do descobrimento conduzidas Pedro Álvares Cabral, assim como as de Vasco da Gama saíram de Belém. Por isso, lá fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento em forma de caravela. No chão tem um mapa-múndi destacando todos os lugares que foram colônias portuguesas. Lá está destacada, por exemplo, a cidade Cananeia como primeira cidade do Brasil.

bonde subindo a ladeira em Lisboa

Ao lado, a Torre de Belém, que na verdade era um forte.  Ela é hoje um patrimônio Cultural da Unesco. A torre também serviu para coroa portuguesa guardar suas riquezas. A visita custa 10 euros, mas é possível comprar um ingresso que dá direito a uma visita a ela ao Mosteiro do Jerônimos e ao Museu de Arqueologia por 21 euros.

Dentro do Mosteiro dos Jerônimos, uma construção que demorou quase um século para ficar pronta, fica a Igreja de Santa Maria de Belém, uma das mais bonitas que eu já vi na Europa. Ela é muito ampla e seus vitrais coloridos iluminam a Igreja deixando-a mais clara que o tradicional.

torre de belem no oceano em Lisboa  e o sol se pondo no fundo
Torre de Belém

Lá dentro do mosteiro estão também os túmulos de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, um dos maiores, quiçá o maior poeta português. Ler sua poesia é uma forma de entender e sentir o que foi Lisboa no passado.

No bairro de Belém também estão os museus dos Coches, de Arqueologia e de Marinha, entre outros. Mas vale a pena ressaltar que praticamente nenhum museu da cidade abre às segundas. Tem mais essa semelhança com o Brasil: segunda-feira é um dia morto em todo Portugal.

arco mostrando o mosteiro dos jerônimos
Mosteiro dos Jerônimos

É de Belém também que vêm os famosos pastéis de Belém. Precisamente, foi na Antiga Confeitaria de Belém que foi inventada a receita secreta das freiras, mas as outras confeitarias de Belém também oferecem o pastel por um preço mais em conta. Em Belém também é possível comer um arroz com bacalhau bem gostoso. O segredo é pedir dicas de restaurantes para os moradores e para os donos de comércio, por exemplo.

A locomoção em Lisboa é um pouco complicada. Lá tem os trens (comboio), metrô, ônibus e bonde. Para entender melhor os horários sugiro consultar o aplicativo da Via Verde ou o site da CP (Comboios de Portugal).

Se esse post sobre Lisboa não te fez lembrar do Brasil, você precisa arrumar as malas agora mesmo e ir visitar a capital de Portugal.

Porto e vinho na beira Douro

Por Maria Fernanda Romero

Minha viagem para Porto começou com um pequeno empecilho, mas isso faz parte. O bom é que, com o passar do tempo, a gente aprende e quanto mais aprendemos, menos perrengues passamos. O que aconteceu foi:

Comprei um voo low cost da companhia Ryanair. Para quem não sabe, algumas companhias na Europa fazem trechos por um preço muito baixo. Tem voos de 5 até 40!!! A desvantagem é que você pode viajar somente com a bagagem de mão, de até 10 kg, e o check-in tem que ser feito antecipadamente pela internet.

Eu amo voos low cost, mas é muito importante tomar cuidado com as regras de cada companhia (Ryanair, Vueling, easyJet, Iberia,…) que podem variar. A primeira vez que fiz uma viagem low cost, por exemplo, tive que pagar uma taxa por não ter feito o check-in online. Dessa vez o problema foi o tamanho da minha mala. Ela estava estufada e passava das medidas permitidas pela companhia, apesar de não passar do peso. Então eu teria que pagar 50€ para despachá-la. Como 50 se a passagem tinha sido 10? Não podia ser verdade. Pedi por favor, implorei, mas não adiantava. Então uma funcionária do aeroporto, que assistia o show me disse: “vista todas as roupas”.

grafite de mao em muro de Porto em Portugal

Uma ótima ideia para quem já estava pensando em abandoná-las. Fui para Porto com todas as minhas roupas no corpo, mas não paguei nenhuma taxa. Que bom, porque o dinheiro estava contado.

O QUE FAZER EM PORTO

Porto é uma cidade pequena, mas que tem muita coisa para fazer. Eu comecei o passeio no centro histórico, na praça dos Leões. Diferente dos centros das grandes cidades, o de Porto é silencioso e tranquilo. Portugal, em geral, é um país bem tranquilo, com muito mar azul e barulho de pássaros.

igreja de azulejos em Porto
Igrejas coladas

Uma coisa que eu acho super charmosa em Portugal são os bondes e ver o bode passar da praça dos Leões é como viajar no tempo. Além disso, lá ficam as igrejas coladas, a Igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Na teoria era proibido construir igrejas geminadas, então há uma pequena casa, quase invisível, dividindo as duas. Entretanto, apesar de serem coladas, essas duas igrejas são muito diferentes entre si: A Igreja dos Carmelitas Descalços, construída entre 1619 e 1628, tem características do barroco e do rococó. Já a Nossa Senhora do Monte do Carmo foi erguida entre 1756 e 1768 e tem um estilo arquitetônico dividido entre o barroco e o neoclássico.

Descendo pela praça, vemos um dos símbolos da cidade do Porto: a Torres dos Clérigos. Projetada pelo italiano Nicolau Nasoni, a torre, que segue o estilo barroco, foi construída entre 1754 e 1763 e tem 75m de altura. É uma subida de mais de 200 degraus e a recompensa é uma vista exuberante da cidade de Porto. O valor da subida é de 3€.

Do lado oposto da Torre dos Clérigos fica a livraria Lello e Irmão. Essa é a livraria onde J.K.Rowling começou a escrever Harry Potter. A autora, que morou um tempo em Porto, se inspirou muito na cidade para escrever o livro: As vestes pretas e as capas que os bruxos de Hogwarts usam foram inspiradas, por exemplo, nas vestes usadas pelos alunos da Universidade do Porto. A escadaria da livraria Lello também está retratada no livro. Em várias entrevistas a autoria diz que sua estadia em Porto foi um momento muito difícil da sua vida, principalmente em questões amorosas. A entrada para a livraria custa 4€, mas o valor é descontado no caso da compra de um livro.

A cidade é cheia de vielas, subidas e descidas e é uma delícia se perder por elas. Na maioria das ruas altas há um mirante com uma vista impressionante de Porto: O rio no horizonte, o mar, o colorido dos prédios…

Em uma das subida que parece não chegar a lugar nenhum, fica a famosa Catedral da Sé de Porto. Como ela sofreu muitas reconstruções, possui mais de um estilo: Romântico, gótico, mas na maior parte barroco. No interior da catedral o visitante também tem acesso ao Claustro, onde fica exposta uma coleção de objetos valiosos da igreja. A visita ao Claustro custa 3€.

vista para o rio douro em Porto

Em direção contrária à Sé, descendo toda a cidade, às margens do Rio Douro, fica a Ribeira, a parte mais charmosa da cidade com as  pontes, que levam à Vila Nova de Gaia, o rio, que por si só já é exuberante e diversos restaurantes e barzinhos. Lá também é possível fazer passeios de barco. Atravessando para o lado de Gaia, é possível contemplar um pôr-do-sol incrível. Tudo isso ao som de músicos que fazem show nas ruas ou em bares. Tudo muito alegre e muito alto astral.

Os famosos vinhos do Porto também são originários do lado de lá do rio Douro, em Gaia. Entretanto a produção é bastante rigorosa e só pode ser feita na região do Alto Douro Vinhateiro. Em Gaia é possível visitar as cavas. O vinho do Porto tem um gosto diferente, adocicado e um teor alcoólico mais elevado que o normal (até 22%). Uma visita a uma cava pode custar de 20 a 100 euros.

ponte e lua cheia

Outro passeio que eu gostei muito em Porto foi o que fiz aos Jardins do Palácio de Cristal. O parque também fica no alto de Porto, ou seja, tem uma vista extraordinária e até romântica. A natureza do parque é linda e tem até pavões passeando por lá.

COMER EM PORTO

Portugal é um dos países mais baratos da Europa. Lá a entrada da maioria dos pontos turísticos é gratuita e a comida também é muito barata. Em Porto não é diferente. Lá, com 5 euros, já se come muito bem. O prato típico de Porto é a francesinha: Um sanduíche de linguiça, salsicha, presunto (em Portugal se diz fiambre) e carne de vaca coberto com queijo derretido, ao molho à base de tomate, cerveja e outros temperos.

Também vale a pena ir ao Mercado do Bolhão, o principal da cidade, que existe desde 1914. Lá é possível encontrar queijos, bacalhau e tudo de mais típico de Portugal, em um ambiente também conservado.

E pra quem gosta de sair, Porto pode ser uma cidade pequena, mas ainda assim tem uma vida noturna agitada! A rua que concentra o maior número de bares é a rua da Conceição, perto do centro histórico.

Porto é uma cidade tranquila e muito bonita que te oferece de tudo, sempre no ritmo tranquilo de Portugal.

Rio Douro e barcos
Rio Douro

O futuro da Catalunha segue incerto

Maria Fernanda Romero

No dia 1 de outubro de 2017, a Catalunha realizou um plebiscito, ou  referendum  em castelhano, unilateral e não reconhecido pelo governo espanhol, questionando os cidadãos se eles desejam tornar a região uma República independente. O assunto dividiu opiniões entre os próprios catalães, assim, busquei investigar o que aconteceu por aqui a partir do ponto de vista de diferentes habitantes da Espanha.

Jordi*, 33, capitão de barco e catalão, explica que os motivos da luta pela independência vão além de política e economia. “A classe política espanhola influenciou um pouco, mas o determinante foi a economia. A corrupção fez muito dinheiro desaparecer, e esse dinheiro faltou nos hospitais e em muitos outros lugares. Foi isso que fez com que acordássemos. Porém não é só econômico. Poderia ser somente econômico se a Espanha aceitasse a nossa língua, a nossa cultura e as nossas tradições. Mas não aceitam. Não somos queridos por eles. Então é algo cultural também.”

Enrique*, 29, piloto de avião e madrilenho enxerga a questão separatista como um problema que saiu do controle. “Uma onda cada vez maior, que não agrada nem os espanhóis nem os catalães. É um problema que deveria ser resolvido com o diálogo e não da forma como está sendo resolvido”.

Muitos catalães questionam a autonomia e a liberdade da Catalunha, tanto na gestão da própria economia, como na participação da política espanhola, uma vez que as leis aprovadas no parlamento da Catalunha devem ser aprovadas também pelo senado espanhol para entrar em vigor e que os impostos recolhidos na região são encaminhados para Madrid.

Bandeiras da catalunya em manifestação prõ;plebicito em praça em Barcelona
Manifestação pró-plebiscito, Setembro,2017

Lucas A., 18, estudante de filosofia e política na Universidade Autônoma de Madrid, tem uma visão mais periférica. Nasceu e cresceu em Alicante, município da Comunidade Valenciana, e sua graduação é dividida entre as cidades de Barcelona e Madrid. Lucas aponta que o problema da Espanha é que Madrid sempre foi o centro de poder. Mas a relação com as outras regiões nem sempre foram boas. “A Catalunha sempre foi uma região muito rica e em alguns momentos houve conflitos entre as duas regiões. E sempre teve gente na Catalunha que queria independência, ou autonomia frente à Madrid.”

Giovanni*, 28, italiano e técnico de informática, vive em Barcelona há 10 anos. Ele explica, que a Espanha têm vários estados autônomos, que estão unidos no mesmo país. Cada um desses estados tem uma certa soberania sobre alguns aspectos. “Nem todos estão felizes em fazer parte da Espanha. Uma grande parte da população não quer se separar da Espanha, mas a outra grande parte quer. Agora não se sabe com precisão qual é a maioria. O que é certo é que a maioria dos catalães querem o plebiscito. Isso é seguro”.

bandeiras da espanha em praça de Barcelona, numa defesa de mantér a unidade do país
Manifestação anti-referendum, Setembro, 2017

“Eu nasci em Madrid. Desde que sou pequeno aprendi que Barcelona era uma das províncias mais importantes dentro da Espanha. Sempre senti que a Catalunha era parte de meu país e sempre enxerguei os catalães como parte do meu povo”, diz Enrique, que, apesar disso, concorda que uma solução poderia ser a autonomia financeira da Catalunha, assim como já é o caso do país Vasco.

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A região da Catalunha se tornou de fato parte da Espanha depois da derrota na Guerra de Sucessão ( 1701-1714) contra os Bourbon (com quem a Catalunya já estivera em conflitos anteriormente e para quem já havia perdido territórios com o Tratado dos Pirineus). O reino de Filipe V foi muito autoritário e retirou muitos direitos conquistados na região. Dois séculos depois, a ditadura franquista (1939-1976) – que foi um regime fascista autoritário em toda a Espanha – reprimiu ainda mais a população e retirou ainda mais direitos. O ditador Francisco Franco também proibiu as línguas faladas nas comunidades autônomas (Galícia, País Vasco e Catalunha) e fez de tudo para impedir o separatismo das mesmas. Assim, muitas pessoas justificam o sentimento atual separatista da Catalunha com esse histórico de repressões.

Lucas acredita que nenhuma guerra do passado pode ser usada como argumento político. “Não podemos culpar ou utilizar acontecimentos de 300 anos atrás como argumento político. Está muito distante no tempo. Mas eu enxergo que o que aconteceu há 50, 60, 70 anos atrás não se resolveu adequadamente na Espanha.”

Giovanni e Lucas acreditam, que os catalães não se enxergam como parte da Espanha. “Há uma questão de identidade cultural em que o catalão não se enxerga como espanhol e deixou de se imaginar como parte da Espanha. Além disso, o resto da Espanha também não entende os catalães.”, acrescenta Lucas.

O madrilenho Enrique acha que os catalães têm toda razão em se sentirem afetados pela ditadura franquista, mas completa “Posso te dizer que minha avó, que viveu em Madrid, passou muita necessidade, passou fome e até tiraram o comércio da família dela. E ela era de Madrid. O franquismo impediu os catalães de falarem sua língua, e eles certamente foram reprimidos. Porém, a Catalunha e toda Espanha foram reprimidas.”

*

pessoas reunidas para o resultado do referendum que diria se a Catalunuya iria se tornar livre
Catalães aguardam resultado do referendum na praça Catalunha, 1 de outubro de 2017

A discussão sobre a legalidade do plebiscito ficou ainda mais intensa após a sua realização, apesar dos 2.020.144 votos a favor da independência da Catalunha. “A constituição está atrelada à Madrid e nela está escrito que nenhuma parte pode se separar. Mas se uma parte quer se separar, quais são os procedimentos? Há anos a Catalunha tenta achar uma solução para se separar da Espanha e, após não encontrar nenhuma, realizou o plebiscito”, diz Jordi.

Lucas acrescenta “Não é legal. Mas não quer dizer que não seja legítimo. Essa é a diferença. Então, acredito que, todos estamos de acordo que é importante respeitar as leis. Mas isso não quer dizer que todas as leis sejam justas. Acredito que os direitos costumam surgir conforme as necessidades.”

carro de policia parado em avenida durante o referendum em Barcelona
Polícia Nacional, 1 de outubro de 2017

A polícia nacional agiu com muita violência e repressão ao tentar impedir a votação. Os dados da Generalitat (governo catalão) é de que mais de 800 pessoas foram feridas. “Eu entendo e enxergo que eles têm outros costumes e estão insatisfeitos. Mas tudo tem que ser feito na legalidade. Eu não acho justificável a ação da polícia. A polícia agrediu muitas pessoas que só estavam votando, não estava fazendo mal a ninguém. Não gosto de ver a polícia pegando pessoas idosas e crianças. Mas foi um ato ilegal. O referendum tinha sido considerado ilegal, e mesmo assim eles fizeram acontecer.” , completa Enrique.

policia nacional reunida no dia do referendum em Barcelona
Polícia Nacional 1 de outubro de 2017

No dia 11 de outubro, Puigdemont, presidente da Generalitat, declarou a independência de forma subjetiva e retirou-a logo em seguida, pedindo diálogo com o governo espanhol. Mas Rajoy, presidente da Espanha, não quis mais negociar com a Generalitat.

O mês de outubro seguiu tenso. Cada vez mais policiais da Polícia Nacional na Catalunha e centenas de empresas deixando suas sedes da comunidade. No dia 27 de outubro, o parlamento da Catalunha aprovou a Declaração Unilateral de  Independência e Puigdemont a declarou.

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Greve Geral, 3 de outubro de 2017

A resposta do governo central foi a aplicação do Artigo 155, ou seja, toda autonomia da Catalunha foi retirada, o parlamento destituído e o governo regional demitido. O controle da região está nas mãos de Mariano Rajoy, que convocou eleições para 21 de dezembro.

O Tribunal espanhol também condenou líderes independentistas por rebelião e conspiração. Oriol Junqueras, Joaquim Forn, Raül Romeva, Jordi Turull, Josep Rull, Santi Vila, Carles Mundó e Carme Forcadell são os presos políticos que mais geraram manifestações e reações negativas por parte do povo. Carles Puigdemont foi destituído da presidência Generalitat e está em exílio em Bruxelas, Bélgica, com outros representantes do seu governo.

cartaz pedindo liberdade aos presos políticos
Manifestação para liberdade dos presos políticos

Ninguém se atreve a dizer se o futuro político da Catalunha  será melhor ou mais desastroso, mas Giovanni problematiza a discussão generalizada que a política ganhou “Uma coisa que um pouco me doí sobre a separação é a fratura social que isso criou. Eu já vi amigos que já não se falam, já vi casais que se separaram, já vi famílias que não se falam entre si. Isso eu não gosto. A razão não me interessa. Mas o que eu lamento muito é que toda essa polaridade tenha gerado uma fratura social.”

Dia 21 de dezembro a Catalunha terá a chance de eleger, mais uma vez, um governo independentista. Mas isso a fará livre ou ainda mais reprimida e sem autoridade?

O universo imenso que é Roma

Sempre escutei, até dos próprios italianos, que a Itália era uma zona de Roma para o sul. Bom, eu sou brasileira e não tenho medo de bagunça. Mas, de fato a percebi, quando desci no Aeroporto Fiumicino em Roma, fui comprar o bilhete do trem e a máquina não estava funcionando. Primeiro achei que o problema era eu. Perdida e sem saber o que perguntar, nem para quem, resolvi observar as pessoas.

Um italiano, do jeito que eu imaginava que eles eram, chegou para comprar o bilhete. Se revoltou com a máquina. Bateu nela e começou a falar muitos palavrões. Eu não consegui segurar o riso, era isso mesmo: Eu estava na Itália. Segui o italiano irritado e perguntei o que tinha acontecido. Ele respondeu: “Nada em Roma funciona!!!!”. Então indaguei como eu podia chegar ao centro. Ele respondeu que tinha um ônibus. Parece então, que ainda tem coisa que funciona.

praça venezza em Roma. Monumento de fundo e pessoas passando.
Piazza Venezia

O QUE FAZER EM ROMA

Peguei o ônibus até a estação central Termini. De lá é possível pegar trem, metrô e ônibus para qualquer lugar da cidade e também para outras cidades da Itália. Roma me encantou e me envolveu de uma forma diferente. Tudo o que dizem é verdade: A cidade é um museu a céu aberto. Construções clássicas, renascentistas e modernas. Muito mármore e janelas simétricas por todos os lados.

COLISEU

Uma das sete maravilhas do mundo, o Coliseu, é um bom ponto de partida para começar a conhecer a cidade. Símbolo do Império romano, é o maior anfiteatro do mundo. Um modelo absoluto de arquitetura, construído por ordem do imperador Flávio Vespasiano e concluído durante o governo de seu filho Tito.

coliseu, monumento romano, com a lua cheia no ceu
Coliseu

O anfiteatro demorou 8 anos para ser concluído. O material usado na obra foi: tijolos, blocos de tufa (uma espécie de pedra vulcânica), concreto e principalmente mármore travertino. Com capacidade para 50 mil pessoas, os assentos eram distribuídos conforme as classes sociais. O pódio, a parte mais perto da arena, para as classes mais altas, a maeniana era destinada para classe média e o portici para a plebe e para as mulheres.

A função do anfiteatro era entreter o povo, que ia à loucura com sangrentas mortes de animais, prisioneiros de guerra e combates entre gladiadores. Mais de 10 mil gladiadores morreram lá em três séculos de combates, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes.

coliseu por dentro em um por do sol que deixou o ceu rosa
Coliseu

Hoje, o Coliseu nos mostra toda grandiosidade do que foi o Império Romano, mas também traz à tona a reflexão: por que a morte era um espetáculo? Será que ela deixou de ser? Como o ser humano pode ainda ser tão sádico e ver entretenimento no sofrimento do outro?

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano
Fóruns Palatino e Romano

O mesmo ingresso do Coliseu, dá direito à visita ao Fórum Romano e ao Palatino. Roma é formada por sete colinas e foi no Monte Palatino, que a cidade começou. Ali /imperadores construíram suas casas e formaram os fóruns. Durante séculos, foi nos fóruns de Roma que toda a vida pública do Império aconteceu: eleições, julgamentos e outros assuntos comerciais eram discutidos ali. Hoje, as ruínas de construções importantes como o Arco de Tito, Basílica Giulia e Templo de Saturno contam um pouco dessa história. Há poucos metros do Fórum fica a Piazza Venezia. Uma das praças mais famosas da cidade, onde está o Vittoriano, um monumento dedicado ao rei Vittorio Emanuele II.

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano e a vista da cidade em segundo plano
Fórum Palatino e Romano

Roma tem muitas outras praças incríveis. A Piazza Navona é uma delas e fica na mesma região de outro monumento imperdível, o Pantheon. Construído durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C) e dedicado a todos os deuses romanos, é, ainda hoje, a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo.

A Piazza di Spagna é onde fica a Fontana della Barcaccia, escultura barroca de Pietro Bernini e seu filho, Gian Lorenzo Bernini. Ao lado direito, uma escadaria que leva à antiga casa do poeta inglês John Keats. Subindo a escadaria temos uma vista linda da cidade. Próxima a Piazza di Spagna fica a Fontana di Trevi. Uma outra praça mais vazia e com uma incrível vista e pôr-do-sol é a Piazza del Popolo, ao lado da Galleria Borghese, onde há obras de Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Raffaello, Caravaggio, entre outros.

pantheon de roma
Pantheon

Para conhecer a cidade do Vaticano, é necessário um dia inteiro. As filas para visitas são enormes, o melhor é se organizar e já reservar ingressos pela internet. A Basílica de São Pedro, na Praça São Pedro, tem entrada gratuita, mas são vendidas entradas sem filas e também visitas guiadas. É lá que fica a Pietà, de Michelangelo. Também é possível subir na cúpula da Basílica por 6 euros de escada ou por 8 euros de elevador.

por do sol laranja da praça do povo em roma
Piazza del Popolo

A visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina custa 16 euros, mas são vendidos pacotes de até 50 euros com guia e sem fila. É tudo muito lotado e grande, então a visita requer tempo, mas vale muito a pena, uma vez que importantes coleções para história da humanidade estão ali. Raffaello Sanzio pintou algumas salas internas do Vaticano, enquanto Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina.

Basilica São Pedro em Roma
Basílica de São Pedro

Experiência gastronômica: Além de todos os passeios incríveis, da paisagem linda e de toda história aprendida e vivenciada, Roma me proporcionou as melhores refeições da minha vida.

O QUE COMER EM ROMA

As pizzas e a massa fazem jus à fama que têm. Os italianos costumam comer uma entrada, a massa como primeiro prato, depois um segundo prato de carne ou peixe e por último, claro, a sobremesa. Eu ficava satisfeita só com a massa. Tanto faz o molho – pesto, carbonara ou quatro queijos -, tudo é muito grande e saboroso. Outro prato que me conquistou foi a berinjela a parmegiana. As sobremesas que mais gostei foram Panna cotta, um tipo de pudim, Amarene, uma fruta cítrica e o Tiramisù, doce com o amargo do café. Para quem quer experimentar a tal culinária italiana, recomendo os restaurantes Giglio, Matriciana e Trattoria.

Roma supera toda e qualquer expectativa. Um lugar para quem ama arte, história, comida e aprecia o jeito enérgico dos italianos.

A efervescência da capital espanhola

O QUE FAZER EM MADRID

À primeira vista, Madrid se parecia com qualquer capital do mundo, inclusive com a que eu nasci. Carros, prédios, barulho e trânsito. Entrei em Madrid pela aveni da América. Estava de carona com um blablacar. O aplicativo é muito útil e econômico. Fui de carro até o centro observando a cidade pela janela e sentindo também seu ar seco e quente. Quase não chove ao longo do ano na capital espanhola. O clima segue extremos: muito quente ou muito frio.

Madrid em dia ensolarado. Predios com bandeiras da Esapanha e muito verde
Madrid

Comecei a conhecer a cidade pela Gran Vía, uma das principais avenidas da capital. Bancos, teatros, bares e a charmosa arquitetura do século XX acompanham o passeio. Também vale a pena caminhar pelo centro histórico da cidade, onde ficam situadas a Plaza Mayor, o Mercado de San Miguel, a Catedral de la Almudena , dentre outros pontos turísticos importantes para história espanhola.

Durante a dinastia dos Áustrias, a Plaza Mayor era palco de festas populares, corridas de touros e também manifestações religiosas. O coração da cidade velha ainda mantém traços da história espanhola. Também é um ótimo lugar para comer. Ali perto fica um dos restaurantes mais velhos do mundo, Sobrino de Botín, fundado por Jean Botin em 1725. O restaurante ainda funciona na Calle Cuchilleros e mantém os mesmos pratos principais desde da sua inauguração: Sopa de alho com ovo, porco e cordeiro assados no forno à lenha estão entre as especialidades do restaurante.

Madrid em um dia ensolarado. A famosa Puerta de Alcalá
Puerta de Alcalá

O Palacio Real, ainda no centro histórico, fica aberto para visitação todos os dias, de abril a setembro das 10h às 20h e de outubro à março das 10h às 18h. O valor do ingresso é 11 euros. De segunda à quinta, depois das 16h é possível visitar o palácio gratuitamente.

Também no centro de Madrid está a Puerta del Sol. Na praça fica, desde 1950, o marco zero de todas as estradas espanholas. Ali era literalmente uma porta de entrada para Madrid no século XV, quando a cidade era rodeada por uma muralha. A porta recebe os primeiros raios de sol do dia e, por isso, também leva o nome Sol. Na praça também está a famosa escultura “Oso y el Madroño”: O urso que apoia suas garras num arbusto de madronho foi esculpido em 1967 por Antônio Navarro Santafé.

O simbolo da capital da Espanha Madrid e ao fundo um ceu azul
Puerta del Sol

Outro lugar lindo em Madrid é a Plaza de Cibeles. Na bifurcação entre o Passeo de Recoletos e da calle de Alcalá (onde fica a Puerta de Alcalá) fica a Fuente de Cibeles. O contorno da praça é inundado pela arquitetura neoclássica,  em destaque  o Palacio de Cibeles ou Palacio de Comunicaciones, atual prefeitura de Madrid. A fonte, que representa a deusa romana Cibele, símbolo da terra, agricultura e fertilidade, também marca o início do Passeo del Arte.

ARTE EM MADRID

O Passeo del Arte é o nome que foi dado à região entre os trechos do Passeo del Prado e Passeo de Recoletos onde encontram-se diversos museus. Os mais famosos são o Museo del Prado, o Museo Nacional de Centro de Arte Reina Sofía e o Museo Thyssen-Bernemisza, mas além deles, existem outros diversos museus na região, como a Casa de América, o CaixaForum Madrid e o Real Observatorio.

No Museo del Prado encontram-se obras de Caravaggio, Lorenzo Lotto, Maella, Diego Velázquez e Goya. O Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, tem três itinerários com reflexões muito interessantes: “A erupção do século XX: utopias e conflito (1900-1945)”, “A guerra terminou? Arte para um mundo dividido (1945-1958)” e “Da revolta para a pós modernidade (1962-1982)”. Na primeira parte está o quadro mais famoso do museu, “Guernica”, de Picasso. Já o Museo Thyssen-Bornemisza expõe tanto obras clássicas italianas do século XV de artistas como Ghirlandaio e Caravaggio, como obras dos vanguardistas, Monet, Van Gogh, Picasso e Dalí.

FAMOSO PARQUE EM MADRID, ARVORES VERDES E ALGUMAS FICANDO LARANJA.
Parque del Retiro

Seguindo pelo Passeo del Arte até o Jardim Botânico está uma das entradas do Parque del Retiro, um dos maiores parques de Madrid que é encantador. É um passeio super madrileño, com muito verde (mais de 15 mil árvores), um lindo lago e o Palácio de Cristal.  No parque também tem o monumento “O Ángel Caído” (ou “O Anjo Caído”) , esculpido em 1877 por Ricardo Bellver. Dizem que Madrid é a única cidade do mundo com um monumento ao Diabo.

PALACIO DE CRISTAL EM MADRID AO FUNDO DE UM DIA LINDO DE SOL
Palacio del Cristal

O pôr-do-sol mais incrível que vi em Madrid foi no gramado do Templo de Debod. O monumento foi doado pelo Egito, em agradecimento à ajuda espanhola para resgatar o complexo de Abu Simbel, em 1968. Outros parques da cidade, que agradam madrileños e turistas, são o Madrid Río e o Casa de Campo. É interessante lembrar que, como na Europa as estações do ano são realmente marcadas, o horário do pôr-do-sol varia. No verão o dia pode chegar a durar até às 21h30, enquanto que no inverno escurece no máximo às 18h

O que comer em Madrid

A comida de Madrid é muito caseira. O prato mais famoso é o cocido madrileño, que é feito com sopa, grão de bico e carne. Nos bares são mais comum as “tapas”: petiscos, como batatas bravas e nachos. O jámon, presunto espanhol, também conquista muitos turistas.

sol alaranjado em Madrid , com fonte em primeiro plano
Templo de Debod

Outros bairros incríveis, menos turísticos e com uma vida noturna muito ativa são La Malasaña, La Laitna e o Lavapiés. Sendo La Masaña mais boêmio e elitizado. Os outros dois são bem alternativos, com bastante contracultura e imigrantes de todo o mundo.

Madrid é uma capital muito rica e cheia de vida. Os madrileños lembram muito os latinos na forma de se relacionar uns com os outros. Uma cidade menos feita para o turismo se comparado com outras regiões da Espanha, como Barcelona, onde você vive intensamente a cultura local espanhola.

templo de Debod erm Madrid em primeiro plano, com reflexo na agua e no fundo por do sol
Templo de Debod