Catalunya é muito mais que Barcelona

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Barcelona é a maior cidade da comunidade autônoma da Catalunya. É famosa por sua arquitetura exuberante e intrigante, e pelos seus museus, parques, praias e festas. É uma cidade que nunca para e que, às vezes, até satura um pouco por estar sempre cheia.

A cidade é tão rica em cultura e opções de entretenimento, que muitos turistas passam uma semana ou mais na cidade sem se cansar. Entretanto, para quem tem tempo e quer conhecer mais a fundo a região, tem muitas outras coisas incríveis pela Catalunya.

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Sagrada Família

Saindo de Barcelona, sentido norte, ou no sentido da França, há um leque de possibilidades turísticas: De cidades interioranas, medievais e praias incríveis até montanhas onde, dependendo da época do ano, é possível esquiar. O único defeito é o preço do pedágio. Uma viagem de carro pela Costa Brava pode custar até 50 euros em pedágio, mas explorar cada cantinho dessa região compensa muito pela sua beleza natural e arquitetônica.

GIRONA

A 100 km de Barcelona, Girona é a segunda província mais visitada da Catalunya. A cidade medieval conserva construções do período e também trechos da muralha que envolvia a cidade durante a Idade Média.

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Girona

A Catedral de Girona, construída no século XI, é uma construção gótica maravilhosa. Segundo uma lenda da cidade, as moscas de Girona protegeram toda a riqueza da cidade que estava guardada na Catedral durante a invasão das tropas francesas. A verdade é que quando a cidade foi invadida, a peste estava começando, por isso tantas moscas. Todos os soldados franceses morreram em Girona, não conseguindo roubar nada e deixando a Catedral intacta. Também foi em Girona que a 6ª temporada da série Game Of Thrones foi gravada.

A cidade é pequena e é possível ir a todos os pontos turísticos a pé. Em Girona, assim como em outras províncias catalãs que não Barcelona, se nota muito mais a cultura e a língua local.

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Girona

FIGUERES

Figueres é a cidade onde Salvador Dalí nasceu. Fica no noroeste da Catalunya, quase na fronteira com a França. Além de ser a cidade natal de Dalí, é uma cidade muito charmosa que fica quase nas montanhas.

Em Figueres é possível visitar o Museu e Teatro do Salvador Dalí e a casa do artista.

BESALÚ

O pequeno vilarejo medieval fica a 40 km de Girona. Por ser muito bem preservado, visitá-lo é, de fato, como voltar no tempo. Em Besalú é possível observar a muralha que envolvia a cidade na Idade Média que está intacta, assim como o castelo da cidade.

Outros pontos turísticos de Besalú que encantam são a sua ponte medieval e ruínas de uma antiga sinagoga. Assim como Girona e Figueres, Besalú pode ser conhecida em um dia e o passeio vale muito a pena.

OLOT

Olot é um destino ótimo para quem gosta de natureza: Cachoeira, fontes termais e até crateras de vulcões extintos. As crateras de Montsacopa, Santa Margarita e Croscat são as mais famosos.

Na cidade tem alguns museus e construções importantes, mas o Parque Natural de la Garrotxa, que é formado por onze municípios, foi o que mais me impressionou.

Em Olot e em Vic, o povoado vizinho, também é possível fazer passeios de balão em algumas datas.

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Figueres

COSTA BRAVA

A Costa Brava cobre todo o litoral do mediterrâneo do norte de Barcelona até a França. Há muitas praias lindas e o que eles chamam de ‘Calas’, que são pequenas entradas para o mar com uma pequena faixa de areia e pedras na costa.

Toda Costa Brava é muito linda. Eu destaco Lloret del Mar, Tossa del Mar e o Parque natural de Caps de Creu.

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Cap de Creus

LLORET DEL MAR

Uma das praias mais famosas da Costa Brava, Lloret del Mar, é repleta de Calas paradisíacas onde é possível fazer mergulho. Também tem ruínas medievais, além de outros pontos turísticos interessantes como a Capilla del Santisimo e os Jardines de Santa Clotilde.

TOSSA DEL MAR

É um povoado medieval à beira mar. Tem um castelo incrível conservado, casas medievais e uma vista para o mar mediterrâneo de tirar o fôlego.

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Paisagens pela estrada

CAPS DE CREU

O Parque Natural de Caps de Creu é uma península quase na França. Dentro dele há muitos povoados. Os mais famosos são os Roses e os Cadaqués. Por ser uma península, permite uma visão panorâmica do mar de qualquer lugar.

O artista Salvador Dalí também tinha uma casa ali e algumas de suas obras foram inspiradas no local.

Eu, que sou apaixonada por natureza, fiquei arrepiada de ver a lua cheia aparecer em uma noite estrelada no lugar.

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Cadaqués- Cap de Creus

De praias a montanhas, a Catalunya compõe-se por todos os tipos de paisagem. As montanhas Vall del Núria, La Molina e La Masella são algumas estações de esqui do estado, que se localizam a apenas 3 horas de Andorra. E o melhor: Dá para chegar de transporte público em todas elas!

A Catalunya é conhecida por Barcelona, mas na verdade é muito mais do que a capital. Realmente é uma região que deve ser explorada.  E pra quem busca mais opções e roteiros do que fazer na Espanha recomendo o dar uma olha no mochileiros.

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Spannabis mostra o potencial da indústria canabica em Barcelona

Por Maria Fernanda Romero

A Spannabis é uma das maiores feiras cannábicas do mundo. Sua 15ª edição aconteceu no último fim de semana (9, 10 e 11 de março) em Barcelona.  A feira reúne todos os apaixonados por maconha da Europa e do mundo, desde dos consumidores primários até produtores e todos os especialistas da indústria cannábica.

O evento mostra que a maconha deixou de ser apenas um entorpecente e tornou-se quase um artigo de luxo que tem infinitas variações, acessórios adjacentes, seguidores e especialistas. Já a vi até ser comparada com o vinho! Além disso, a cannabis ganha cada vez mais estudos e produtos visando o lado medicinal, tem utilidade na indústria têxtil e pode até ser usada como combustível.

COMO É A SPANNABIS

Mais de 250 expositores compareceram à feira, dentre os quais os já conhecidos Barney’s Farm, DNA e Sensi Seeds, mas também alguns novos, como Carroll Leds. A feira também recebeu a World Cannabis Conferences 2018, que foi o sexto Congresso Internacional sobre cannabis.

entrada da spannabis, feira cannabica em Barcelona

Na sexta feira, o fórum contou com debates sobre as mulheres cannábicas.O ambiente cannábico é predominantemente masculino, assim como os empresários e pesquisadores desse ramo. Porém, isto está mudando e conforme o ramo cresce também cresce o número de mulheres que estão ocupando espaço nesse mundo.

Alice Reis, 24, brasileira e psicóloga é uma das fundadoras da plataforma digital Girls in Green. A plataforma reúne informações do mundo cannábico no Brasil e no mundo. As duas criadoras da plataforma são entusiastas de viagens e cannabis e têm por objetivo tirar o estigma negativo do usuário de maconha, mas também buscar a representatividade da mulher em um ambiente ainda muito masculino.

“No nosso espaço falamos sobre viagens, política de drogas e maconha. É um espaço para todos, mas permitimos muita conversa entre as mulheres. É um espaço em que as mulheres são acolhidas e muitas vezes desabafam. Nós respondemos todas que entram em contato com a gente, seja tirando dúvidas ou apenas ouvindo as histórias das meninas.”, conta a psicóloga, que completa dizendo que procura incentivar as seguidoras do site a dividirem suas experiências na plataforma.A

menina vaporizando em feira cannabica
Alice Reis provando o vaporizador da Puff Co

Ainda no primeiro dia do evento, a conferência recebeu o ICBC, o fórum internacional sobre  mercado da maconha. Já no sábado, foi o dia da maconha medicinal com a presença do Observatório Espanhol da Cannabis Medicinal.

“Ainda temos que avançar muito no estudo sobre cannabis medicinal. Infelizmente só são permitidos atualmente óleos de maconha de CBD com até 0,2% de THC. O problema é que sabemos que no nível de microdoses os dois trabalham bem juntos” Conta Q., produtor de óleo medicinal de CBD.  “Ainda há muita propaganda demasiadamente ruim do THC e muita propaganda demasiadamente boa do CBD”, completa o produtor.

funcionários da empresa canna testando componentes de maconha
A empresa Canna testa os componentes de marihuanna 

As categorias de expositores são: Banco de Sementes, Cânhamo Industrial, Acessórios, Grow Shops, Medicinal, Fertilizantes,  Vaporizadores e Têxtil. Paralelamente à feira acontece uma votação na qual alguns jurados dentro do público escolhem o melhor expositor de cada categoria.

É impressionante a variedade de categorias e até de produtos dentro da mesma categoria. A Sensi Seeds, que é um banco de sementes conhecido, é uma das empresas que explora o lado alimentício da planta. Eles produzem agora o Hemp Protein Shake, um concentrado de proteína que não tem nenhum efeito alucinógeno, pois é feito com o caule da planta. Além de rico em proteínas o shake tem Vitamina B e ferro em sua composição.

Stands de feira cannabica em Barcelona

Os fertilizantes, reguladores de solo e sistemas de iluminação à base de cannabis estão cada vez mais potentes. Mas as “parafernálias”, que são os novos utensílios relacionados à erva também estão se diversificando. A Rosin Tech, por exemplo é uma empresa que vende máquinas que extraem o rosin da flor de marijuana. As máquinas são conhecidas e custam em torno de €3000, porém a empresa teve a sacada de vender uma mini-máquina para os consumidores comuns poderem fazer a própria extração em casa. A mini-máquina custa em torno de 250 euros.

máquina de prensar rosin em feira cannábica de Barcelona

A Trimpro foi uma das empresas que estava vendendo máquinas que fazem o “trim” automaticamente, isto é, que tiram o excesso de plantas da flor de marijuana. Entretanto, essas máquinas diminuem a qualidade do processo e tiram os empregos das pessoas que o fazem manualmente.

máquina de trimmar (cortar excesso de folhas) em Barcelona

Muitos frequentadores da feira estão muito felizes com o crescimento da Indústria da maconha, mas isso também traz sentimentos pessimistas. “Hoje em dia quem trabalha na indústria cannábica são os apaixonados. Essas pessoas trabalham de forma underground, improvisando e muitas grandes empresas podem ocupar esses espaços.”, conta Jean, francês, 34. “A legalidade da maconha ainda é incerta, ela é cinza. Muitas empresas estão esperando uma regulamentação mais clara, mas tenho medo que a grande indústria monopolize o mercado da maconha e tudo fique nas mãos do grande Lobby”, completa.

MERCADO INTERNACIONAL

Nos Estados Unidos é possível observar que o mercado da maconha já está completamente mercantilizado e que, por consequência do modelo capitalista, os preços subiram muito. O modelo sulamericano de legalização é bem diferente, no entanto, Jean não acredita que a Europa deva seguir por esse caminho, uma vez que desde já os europeus enxergam a maconha como mercadoria.

Alice Reis, que também já esteve na maior feira cannábica do mundo, a Emerald Cup nos Estados Unidos e na Cannabis Cup de Montevideo destaca as diferenças: “Nos Estados Unidos é permitido inclusive a venda da maconha com concentrações variadas de THC, enquanto a feira do Uruguai é muito voltada para o cultivo e, principalmente, para o pequeno cultivador”.

trofeu high times da seed company em feira cannábica

Qual é o impacto do nosso turismo?

Por Maria Fernanda Romero

O jogo da especulação imobiliária, todos conhecemos. Desapropriação de espaços para construção de prédios, empresas ou outros comércios mais lucrativos é comum em todas as grandes cidades. E cada vez mais o turismo está envolvido com este tipo de negócio.

Observo muito, em Barcelona, faixas que dizem “Barcelona não está à venda” e “Salve Barcelona” (ou Drassanes, ou Para-lel, ou Sants), mas, no início, não entendia o que isso tinha a ver com o turismo ou com a especulação imobiliária.

Esses dias, fui a um bate-papo com o fotógrafo Rafa Badia e uma editora de um site de reflexão sobre imagem e fotografia. O tema era fotografia de viagens, porém a conversa foi muito além. Rafa contou de suas viagens à Paris nos dias atuais e nos anos anteriores: “Antigamente você ia à Paris para comer o queijo, hoje em dia lá tem pizza, pasta e kebab no mesmo restaurante, ao lado Mc Donald’s.”. Ele mostrou fotos de viagens em diferentes datas e as diferenças são gigantes – quer dizer, são cada vez menores. “A fotografia é o símbolo do tempo. Cada vez as cidades parecem ser mais iguais e as pessoas se vestem mais iguais”, observou o fotógrafo.

homem turista, vendo sua camera, enquanto outra turista atrás também tira fotos
Turista em Cesky Krumlov

Nas cidades pelas quais passei sempre busquei me aproximar o máximo possível dos moradores para entender o cotidiano do lugar e ter uma vivência mais verdadeira da cidade. Em Lisboa eu tinha a vantagem de falar e entender perfeitamente o idioma.

Em uma dessas tardes em Lisboa estava com a minha amiga na Igreja da Sé e não paravam de nos oferecer passeios no bairro de Alfama por preços absurdos. Ignoramos todos e fomos a pé. Paramos para pedir informação nas Portas do Sol para uma portuguesa de aproximadamente 35 anos. Conversamos muito com ela e ela nos disse que Alfama não era Portugal de verdade e perguntou se a gente não aceitava um passeio típico no bairro Mouradia. Óbvio que aceitamos!

homem turista tira foto de lagos com Cisneis
Turista na Alemanha

Conhecemos as tabernas, me lembrei dos livros, que havia lido na época da escola, bebemos a Ginjinha, típica cachaça portuguesa feita de uma espécie de cereja. Ela nos contou histórias e lendas do bairro, inclusive a de Maria Severa, a primeira mulher a cantar o Fado em Lisboa. Também conhecemos uma amiga dela, que é fadista. Tivemos o melhor dia possível em Lisboa. Eu me apaixonei pela cidade de uma maneira inexplicável.

Fomos com ela até o Rossio, porque ela também queria nos levar na Casa do Alentejo. Na transição de bairros é impossível não notar a diferença: Muitas construções, inúmeros restaurantes na calçada… Foi então que ela se emocionou ao dizer: “Aqui também era como a Mouradia. Agora as tabernas e os lugares em que os portugueses se reúnem para conversar e tomar a ginja estão sendo trocados por Hostels e Subways.”

turistas observam um mapa em Portugal

De volta a Barcelona encontrei uma amiga daqui e ela perguntou sobre a viagem. Eu disse que foi boa, mas que estava feliz de estar de volta, porque não há um lugar que se compare a Barcelona para se morar. Ela torceu a cara. “É, todos acham isso. Nada contra… mas parece que a cidade está sendo moldada para o turista e não para quem é daqui”. Ela tem razão. Mas não é só Barcelona. A minha estadia em Barcelona, uma cidade mega turística, me fez perceber o turismo, até o que eu mesma fazia, de uma forma mais crítica.

O turismo está crescendo e ele tem um impacto grande. Viajar é bom e temos que viajar cada vez mais, mas com responsabilidade. Hoje sabemos mais da importância da sustentabilidade e que ela é um pilar entre o econômico, o social e o ambiental. Muitas coisas são responsabilidade das grandes corporações, hotéis e agências de turismo, porém muita coisa é responsabilidade do viajante: É super importante se hospedar em estabelecimentos regulamentados e que não foram construídos em Áreas de Preservação, valorizar a gastronomia e os produtos locais e artesanais, preferir o transporte público, respeitar sempre o meio ambiente, reciclando e não jogando lixo no chão e na natureza (até uma bituca de cigarro pode fazer muito mal para o meio ambiente)… Temos que lembrar que nós somos parte do mundo, que queremos construir.

La Mercè: vivendo Barcelona

Por Maria Fernanda Romero

A FESTA DA PADROEIRA DE BARCELONA

A festa da padroeira de Barcelona, La Mercè, é o maior festival gratuito da cidade. Ocorre no fim de setembro, promovendo uma imersão na cultura popular da Catalunya, integração entre a população e ocupação dos espaços públicos. Todo ano uma cidade é homenageada, esse ano foi a capital islandesa Reykjavik.

“Ocupar o espaço público da cidade cria a identidade de cidadão nos moradores”, explica Gabriela Chiaramelli, 25, arquiteta e mestre em sustentabilidade pela Universidade Politécnica da Catalunya, “isso reflete na forma como o indivíduo cuida da cidade,  pois, uma vez que a população se sente parte dela, um sentimento de dever civil é alimentado em cada um”.

Projeção audiovisual de uma capsula dentro de um parque de Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella

A extensa programação de La Mercè conta com uma maratona de shows divida entre artistas locais de diferentes estilos e o BAM (Barcelona Acció Musical), que foca na música internacional, e, principalmente, da cidade convidada. Projeções audiovisuais, circos e outras demonstrações típicas acontecem em diversos pontos turísticos da cidade, como no Castelo de Montjuic, no Arc del Triomf  e no Parc da Ciutadella.

“Descentralizar as atrações e promover a festa aberta para o público é mais uma vantagem para Barcelona, cidade cujo maior atrativo turístico é a própria cidade”, analisa Denis Santaella , 25, arquiteto e mestre em paisagismo pela Universidade Politécnica da Catalunya. “A prefeitura promove um evento dessa magnitude e tem capacidade de equipar temporariamente todos os espaços, para suprir as necessidades da festa. Além disso tem um sistema de limpeza de rua, que, em uma hora, já está tudo limpo”.

projecao de um antifiatro em fomato de queijo em um parque em Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella

bonecos de luz dancando no escuro em Barcelona
Arc del Triomf

Momento histórico

As representações típicas desse ano tiveram uma conotação especial, uma vez que a Catalunya está vivendo um momento histórico de sugestão de um referendum unilateral de separação da Espanha. Dentre essas representações as que mais se destacam são:

Trupe dos Gigantes: Os gigantes festivos apareciam em contextos religiosos durante o século XV, mas no decorrer dos séculos ganharam um caráter totalmente lúdico e festivo. São símbolos da identidade local e desde 1902 a prefeitura organiza concursos de gigantes. Também foram usados como forma de protestos durante a guerra civil. Seus desfiles seguem uma linha carnavalesca, lembrando os bonecos de Olinda no Brasil.

Correfoc: o Correfoc é um desfile inspirado no “Baile dos Diabos”, uma apresentação feita durante o casamento do Conde de Barcelona com a princesa de Aragão no século XII. O “Baile dos Diabos”, assim como alguns teatros de rua medieval, tinha como temática a alegoria da luta do Bem contra o Mal em que, nem sempre, o diabo representa o mal. Atualmente o Correfoc é uma apresentação em que grupos fantasiados de diabos e dragões saem à noite no meio da multidão com fogos de artifício.

apresentacao de falcons na praca jaume em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I

apresentacao em praca em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I

Castells, falcons e mojiganga:  São construções humanas cada vez maiores e mais complicadas. A prática é uma evolução dos bailes valencianos. Em Barcelona é muito comum e tem até competição entre os grupos. Os casteleiros foram considerados Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO em 2010.

Manoel,39, faz parte dos falcons de Barcelona que se apresentaram na Praça Jaume I durante a La Mercè. Há 8 anos ele treina 5 horas por semana e não consegue disfarçar a emoção de estar se apresentando na maior festa de Barcelona. “Estou muito contente de estar aqui, La Mercè é a nossa oportunidade de mostrar nosso trabalho do ano todo”.

Projeções, apresentações impecáveis, músicas e um entorno que te transportam para Idade Medieval.  Aline Pinheiro, 25, designer, brasileira de passagem por Barcelona acha que o único defeito da festa é a área gastronômica. “Tem food trucks em todos os pontos, mas a comida não é tão boa e é mais cara que o normal”.

casal em apresentação de circo em castelo de Montjuic
Circo no Castelo de Montjuic

vista da roda gigante em barceloneta, com barcos, montanhas e mar
Roda Gigante em Barceloneta

Catedral de Barcelona durante a festa da padroeira La Merce
Catedral de Barcelona

Um dos momentos mais lindos do festival foi o encerramento. Um minuto de silêncio em respeito ao atentado terrorista em Barcelona. E então começou o emocionante espetáculo: um show pirotécnico na frente da mágica fonte de Montjuic, praça Espanha, em que água, música, luz e sombra, dançaram na mesma sintonia.

fogos na praça Espanha em Barcelona durante encerramento
Encerramento na Praça Espanha