Por que eu ainda viajo?

Por Maria Fernanda Romero

Desde comecei essa página mudei muito minha forma de viajar, me expressar, criar conteúdo- até abandonei um pouco o site, postando mais no instagram, mas nunca deixei de viajar, ao contrário, hoje não tenho endereço fixo, não pago conta de luz, nem aluguel, não tenho conforto e nem sempre uma cama macia- e às vezes tenho dor nas costas, mas continuo viajando e nem penso em abandonar esse estilo de vida !

Viajar não é uma fuga da vida. E sim viver a vida da forma mais intensa, real e presente dela. Viajar é não ter certezas e se reencontrar no desconhecido. Eu comecei a viajar por uma mistura de curiosidade sobre o mundo e suas diferentes formas, decepção sobre a minha rotina e ansiedade de viver logo tudo que eu poderia viver. Mas, rapidamente, toda viagem mudou.

meninas em primeiro plano, em uma estrada de terra, montanhas no fundo
Tankwa Karoo National Park, África do Sul

Eu comecei uma viagem de perdas: de certezas, de verdades, de medos, de rótulos. Uma viagem de compreensão: pelas diferenças, pelos sentimentos. De encontros: com pessoas especiais que me mostraram que vale a pena acreditar na humanidade. Às vezes me falam que tenho que tomar cuidado, que nem todas as pessoas são boas e eu posso ir lá e me hospedar na casa delas, sem nem a conhecerem. Ou pegar uma carona. Mas viajando conheci pessoas, que me fizeram sentir que eu poderia confiar e acreditar.

Minha fé no próximo e na bondade só cresceu durante a viagem. E agora, viajo com mais calma, me surpreendo com a rotina. Mas a viagem mais importante que comecei dentro de tantas viagens, foi a viagem para dentro de mim. Todas as minhas camadas de ser, de luz e de sombra. Viajando lido com a minha escuridão o todo tempo, percebo o quão importante é saber reconhecer e enxergar onde ela está e ainda sim continuar positiva e confiante. E afinal, quando deixo a sombra de lado, priorizo os encontros fantásticos, que parecem ser feitos de sonhos.

victoria falls, cataratas na zambia, arco-iris e menina
Victoria Falls, Zâmbia

Autor: culturanavegavel

Jornalista de formação, escritora de alma. Comecei um mochilão por curiosidade e encontrei várias formas de viver e aprender. Hoje levo uma vida nômade, viajando por onde meu coração vibra. instagram: @culturanavegavel

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