Porto e vinho na beira Douro

Por Maria Fernanda Romero

Minha viagem para Porto começou com um pequeno empecilho, mas isso faz parte. O bom é que, com o passar do tempo, a gente aprende e quanto mais aprendemos, menos perrengues passamos. O que aconteceu foi:

Comprei um voo low cost da companhia Ryanair. Para quem não sabe, algumas companhias na Europa fazem trechos por um preço muito baixo. Tem voos de 5 até 40!!! A desvantagem é que você pode viajar somente com a bagagem de mão, de até 10 kg, e o check-in tem que ser feito antecipadamente pela internet.

Eu amo voos low cost, mas é muito importante tomar cuidado com as regras de cada companhia (Ryanair, Vueling, easyJet, Iberia,…) que podem variar. A primeira vez que fiz uma viagem low cost, por exemplo, tive que pagar uma taxa por não ter feito o check-in online. Dessa vez o problema foi o tamanho da minha mala. Ela estava estufada e passava das medidas permitidas pela companhia, apesar de não passar do peso. Então eu teria que pagar 50€ para despachá-la. Como 50 se a passagem tinha sido 10? Não podia ser verdade. Pedi por favor, implorei, mas não adiantava. Então uma funcionária do aeroporto, que assistia o show me disse: “vista todas as roupas”.

grafite de mao em muro de Porto em Portugal

Uma ótima ideia para quem já estava pensando em abandoná-las. Fui para Porto com todas as minhas roupas no corpo, mas não paguei nenhuma taxa. Que bom, porque o dinheiro estava contado.

O QUE FAZER EM PORTO

Porto é uma cidade pequena, mas que tem muita coisa para fazer. Eu comecei o passeio no centro histórico, na praça dos Leões. Diferente dos centros das grandes cidades, o de Porto é silencioso e tranquilo. Portugal, em geral, é um país bem tranquilo, com muito mar azul e barulho de pássaros.

igreja de azulejos em Porto
Igrejas coladas

Uma coisa que eu acho super charmosa em Portugal são os bondes e ver o bode passar da praça dos Leões é como viajar no tempo. Além disso, lá ficam as igrejas coladas, a Igreja dos Carmelitas Descalços e Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo. Na teoria era proibido construir igrejas geminadas, então há uma pequena casa, quase invisível, dividindo as duas. Entretanto, apesar de serem coladas, essas duas igrejas são muito diferentes entre si: A Igreja dos Carmelitas Descalços, construída entre 1619 e 1628, tem características do barroco e do rococó. Já a Nossa Senhora do Monte do Carmo foi erguida entre 1756 e 1768 e tem um estilo arquitetônico dividido entre o barroco e o neoclássico.

Descendo pela praça, vemos um dos símbolos da cidade do Porto: a Torres dos Clérigos. Projetada pelo italiano Nicolau Nasoni, a torre, que segue o estilo barroco, foi construída entre 1754 e 1763 e tem 75m de altura. É uma subida de mais de 200 degraus e a recompensa é uma vista exuberante da cidade de Porto. O valor da subida é de 3€.

Do lado oposto da Torre dos Clérigos fica a livraria Lello e Irmão. Essa é a livraria onde J.K.Rowling começou a escrever Harry Potter. A autora, que morou um tempo em Porto, se inspirou muito na cidade para escrever o livro: As vestes pretas e as capas que os bruxos de Hogwarts usam foram inspiradas, por exemplo, nas vestes usadas pelos alunos da Universidade do Porto. A escadaria da livraria Lello também está retratada no livro. Em várias entrevistas a autoria diz que sua estadia em Porto foi um momento muito difícil da sua vida, principalmente em questões amorosas. A entrada para a livraria custa 4€, mas o valor é descontado no caso da compra de um livro.

A cidade é cheia de vielas, subidas e descidas e é uma delícia se perder por elas. Na maioria das ruas altas há um mirante com uma vista impressionante de Porto: O rio no horizonte, o mar, o colorido dos prédios…

Em uma das subida que parece não chegar a lugar nenhum, fica a famosa Catedral da Sé de Porto. Como ela sofreu muitas reconstruções, possui mais de um estilo: Romântico, gótico, mas na maior parte barroco. No interior da catedral o visitante também tem acesso ao Claustro, onde fica exposta uma coleção de objetos valiosos da igreja. A visita ao Claustro custa 3€.

vista para o rio douro em Porto

Em direção contrária à Sé, descendo toda a cidade, às margens do Rio Douro, fica a Ribeira, a parte mais charmosa da cidade com as  pontes, que levam à Vila Nova de Gaia, o rio, que por si só já é exuberante e diversos restaurantes e barzinhos. Lá também é possível fazer passeios de barco. Atravessando para o lado de Gaia, é possível contemplar um pôr-do-sol incrível. Tudo isso ao som de músicos que fazem show nas ruas ou em bares. Tudo muito alegre e muito alto astral.

Os famosos vinhos do Porto também são originários do lado de lá do rio Douro, em Gaia. Entretanto a produção é bastante rigorosa e só pode ser feita na região do Alto Douro Vinhateiro. Em Gaia é possível visitar as cavas. O vinho do Porto tem um gosto diferente, adocicado e um teor alcoólico mais elevado que o normal (até 22%). Uma visita a uma cava pode custar de 20 a 100 euros.

ponte e lua cheia

Outro passeio que eu gostei muito em Porto foi o que fiz aos Jardins do Palácio de Cristal. O parque também fica no alto de Porto, ou seja, tem uma vista extraordinária e até romântica. A natureza do parque é linda e tem até pavões passeando por lá.

COMER EM PORTO

Portugal é um dos países mais baratos da Europa. Lá a entrada da maioria dos pontos turísticos é gratuita e a comida também é muito barata. Em Porto não é diferente. Lá, com 5 euros, já se come muito bem. O prato típico de Porto é a francesinha: Um sanduíche de linguiça, salsicha, presunto (em Portugal se diz fiambre) e carne de vaca coberto com queijo derretido, ao molho à base de tomate, cerveja e outros temperos.

Também vale a pena ir ao Mercado do Bolhão, o principal da cidade, que existe desde 1914. Lá é possível encontrar queijos, bacalhau e tudo de mais típico de Portugal, em um ambiente também conservado.

E pra quem gosta de sair, Porto pode ser uma cidade pequena, mas ainda assim tem uma vida noturna agitada! A rua que concentra o maior número de bares é a rua da Conceição, perto do centro histórico.

Porto é uma cidade tranquila e muito bonita que te oferece de tudo, sempre no ritmo tranquilo de Portugal.

Rio Douro e barcos
Rio Douro

O futuro da Catalunha segue incerto

Maria Fernanda Romero

No dia 1 de outubro de 2017, a Catalunha realizou um plebiscito, ou  referendum  em castelhano, unilateral e não reconhecido pelo governo espanhol, questionando os cidadãos se eles desejam tornar a região uma República independente. O assunto dividiu opiniões entre os próprios catalães, assim, busquei investigar o que aconteceu por aqui a partir do ponto de vista de diferentes habitantes da Espanha.

Jordi*, 33, capitão de barco e catalão, explica que os motivos da luta pela independência vão além de política e economia. “A classe política espanhola influenciou um pouco, mas o determinante foi a economia. A corrupção fez muito dinheiro desaparecer, e esse dinheiro faltou nos hospitais e em muitos outros lugares. Foi isso que fez com que acordássemos. Porém não é só econômico. Poderia ser somente econômico se a Espanha aceitasse a nossa língua, a nossa cultura e as nossas tradições. Mas não aceitam. Não somos queridos por eles. Então é algo cultural também.”

Enrique*, 29, piloto de avião e madrilenho enxerga a questão separatista como um problema que saiu do controle. “Uma onda cada vez maior, que não agrada nem os espanhóis nem os catalães. É um problema que deveria ser resolvido com o diálogo e não da forma como está sendo resolvido”.

Muitos catalães questionam a autonomia e a liberdade da Catalunha, tanto na gestão da própria economia, como na participação da política espanhola, uma vez que as leis aprovadas no parlamento da Catalunha devem ser aprovadas também pelo senado espanhol para entrar em vigor e que os impostos recolhidos na região são encaminhados para Madrid.

Bandeiras da catalunya em manifestação prõ;plebicito em praça em Barcelona
Manifestação pró-plebiscito, Setembro,2017

Lucas A., 18, estudante de filosofia e política na Universidade Autônoma de Madrid, tem uma visão mais periférica. Nasceu e cresceu em Alicante, município da Comunidade Valenciana, e sua graduação é dividida entre as cidades de Barcelona e Madrid. Lucas aponta que o problema da Espanha é que Madrid sempre foi o centro de poder. Mas a relação com as outras regiões nem sempre foram boas. “A Catalunha sempre foi uma região muito rica e em alguns momentos houve conflitos entre as duas regiões. E sempre teve gente na Catalunha que queria independência, ou autonomia frente à Madrid.”

Giovanni*, 28, italiano e técnico de informática, vive em Barcelona há 10 anos. Ele explica, que a Espanha têm vários estados autônomos, que estão unidos no mesmo país. Cada um desses estados tem uma certa soberania sobre alguns aspectos. “Nem todos estão felizes em fazer parte da Espanha. Uma grande parte da população não quer se separar da Espanha, mas a outra grande parte quer. Agora não se sabe com precisão qual é a maioria. O que é certo é que a maioria dos catalães querem o plebiscito. Isso é seguro”.

bandeiras da espanha em praça de Barcelona, numa defesa de mantér a unidade do país
Manifestação anti-referendum, Setembro, 2017

“Eu nasci em Madrid. Desde que sou pequeno aprendi que Barcelona era uma das províncias mais importantes dentro da Espanha. Sempre senti que a Catalunha era parte de meu país e sempre enxerguei os catalães como parte do meu povo”, diz Enrique, que, apesar disso, concorda que uma solução poderia ser a autonomia financeira da Catalunha, assim como já é o caso do país Vasco.

*

A região da Catalunha se tornou de fato parte da Espanha depois da derrota na Guerra de Sucessão ( 1701-1714) contra os Bourbon (com quem a Catalunya já estivera em conflitos anteriormente e para quem já havia perdido territórios com o Tratado dos Pirineus). O reino de Filipe V foi muito autoritário e retirou muitos direitos conquistados na região. Dois séculos depois, a ditadura franquista (1939-1976) – que foi um regime fascista autoritário em toda a Espanha – reprimiu ainda mais a população e retirou ainda mais direitos. O ditador Francisco Franco também proibiu as línguas faladas nas comunidades autônomas (Galícia, País Vasco e Catalunha) e fez de tudo para impedir o separatismo das mesmas. Assim, muitas pessoas justificam o sentimento atual separatista da Catalunha com esse histórico de repressões.

Lucas acredita que nenhuma guerra do passado pode ser usada como argumento político. “Não podemos culpar ou utilizar acontecimentos de 300 anos atrás como argumento político. Está muito distante no tempo. Mas eu enxergo que o que aconteceu há 50, 60, 70 anos atrás não se resolveu adequadamente na Espanha.”

Giovanni e Lucas acreditam, que os catalães não se enxergam como parte da Espanha. “Há uma questão de identidade cultural em que o catalão não se enxerga como espanhol e deixou de se imaginar como parte da Espanha. Além disso, o resto da Espanha também não entende os catalães.”, acrescenta Lucas.

O madrilenho Enrique acha que os catalães têm toda razão em se sentirem afetados pela ditadura franquista, mas completa “Posso te dizer que minha avó, que viveu em Madrid, passou muita necessidade, passou fome e até tiraram o comércio da família dela. E ela era de Madrid. O franquismo impediu os catalães de falarem sua língua, e eles certamente foram reprimidos. Porém, a Catalunha e toda Espanha foram reprimidas.”

*

pessoas reunidas para o resultado do referendum que diria se a Catalunuya iria se tornar livre
Catalães aguardam resultado do referendum na praça Catalunha, 1 de outubro de 2017

A discussão sobre a legalidade do plebiscito ficou ainda mais intensa após a sua realização, apesar dos 2.020.144 votos a favor da independência da Catalunha. “A constituição está atrelada à Madrid e nela está escrito que nenhuma parte pode se separar. Mas se uma parte quer se separar, quais são os procedimentos? Há anos a Catalunha tenta achar uma solução para se separar da Espanha e, após não encontrar nenhuma, realizou o plebiscito”, diz Jordi.

Lucas acrescenta “Não é legal. Mas não quer dizer que não seja legítimo. Essa é a diferença. Então, acredito que, todos estamos de acordo que é importante respeitar as leis. Mas isso não quer dizer que todas as leis sejam justas. Acredito que os direitos costumam surgir conforme as necessidades.”

carro de policia parado em avenida durante o referendum em Barcelona
Polícia Nacional, 1 de outubro de 2017

A polícia nacional agiu com muita violência e repressão ao tentar impedir a votação. Os dados da Generalitat (governo catalão) é de que mais de 800 pessoas foram feridas. “Eu entendo e enxergo que eles têm outros costumes e estão insatisfeitos. Mas tudo tem que ser feito na legalidade. Eu não acho justificável a ação da polícia. A polícia agrediu muitas pessoas que só estavam votando, não estava fazendo mal a ninguém. Não gosto de ver a polícia pegando pessoas idosas e crianças. Mas foi um ato ilegal. O referendum tinha sido considerado ilegal, e mesmo assim eles fizeram acontecer.” , completa Enrique.

policia nacional reunida no dia do referendum em Barcelona
Polícia Nacional 1 de outubro de 2017

No dia 11 de outubro, Puigdemont, presidente da Generalitat, declarou a independência de forma subjetiva e retirou-a logo em seguida, pedindo diálogo com o governo espanhol. Mas Rajoy, presidente da Espanha, não quis mais negociar com a Generalitat.

O mês de outubro seguiu tenso. Cada vez mais policiais da Polícia Nacional na Catalunha e centenas de empresas deixando suas sedes da comunidade. No dia 27 de outubro, o parlamento da Catalunha aprovou a Declaração Unilateral de  Independência e Puigdemont a declarou.

IMG_9581
Greve Geral, 3 de outubro de 2017

A resposta do governo central foi a aplicação do Artigo 155, ou seja, toda autonomia da Catalunha foi retirada, o parlamento destituído e o governo regional demitido. O controle da região está nas mãos de Mariano Rajoy, que convocou eleições para 21 de dezembro.

O Tribunal espanhol também condenou líderes independentistas por rebelião e conspiração. Oriol Junqueras, Joaquim Forn, Raül Romeva, Jordi Turull, Josep Rull, Santi Vila, Carles Mundó e Carme Forcadell são os presos políticos que mais geraram manifestações e reações negativas por parte do povo. Carles Puigdemont foi destituído da presidência Generalitat e está em exílio em Bruxelas, Bélgica, com outros representantes do seu governo.

cartaz pedindo liberdade aos presos políticos
Manifestação para liberdade dos presos políticos

Ninguém se atreve a dizer se o futuro político da Catalunha  será melhor ou mais desastroso, mas Giovanni problematiza a discussão generalizada que a política ganhou “Uma coisa que um pouco me doí sobre a separação é a fratura social que isso criou. Eu já vi amigos que já não se falam, já vi casais que se separaram, já vi famílias que não se falam entre si. Isso eu não gosto. A razão não me interessa. Mas o que eu lamento muito é que toda essa polaridade tenha gerado uma fratura social.”

Dia 21 de dezembro a Catalunha terá a chance de eleger, mais uma vez, um governo independentista. Mas isso a fará livre ou ainda mais reprimida e sem autoridade?

O universo imenso que é Roma

Sempre escutei, até dos próprios italianos, que a Itália era uma zona de Roma para o sul. Bom, eu sou brasileira e não tenho medo de bagunça. Mas, de fato a percebi, quando desci no Aeroporto Fiumicino em Roma, fui comprar o bilhete do trem e a máquina não estava funcionando. Primeiro achei que o problema era eu. Perdida e sem saber o que perguntar, nem para quem, resolvi observar as pessoas.

Um italiano, do jeito que eu imaginava que eles eram, chegou para comprar o bilhete. Se revoltou com a máquina. Bateu nela e começou a falar muitos palavrões. Eu não consegui segurar o riso, era isso mesmo: Eu estava na Itália. Segui o italiano irritado e perguntei o que tinha acontecido. Ele respondeu: “Nada em Roma funciona!!!!”. Então indaguei como eu podia chegar ao centro. Ele respondeu que tinha um ônibus. Parece então, que ainda tem coisa que funciona.

praça venezza em Roma. Monumento de fundo e pessoas passando.
Piazza Venezia

O QUE FAZER EM ROMA

Peguei o ônibus até a estação central Termini. De lá é possível pegar trem, metrô e ônibus para qualquer lugar da cidade e também para outras cidades da Itália. Roma me encantou e me envolveu de uma forma diferente. Tudo o que dizem é verdade: A cidade é um museu a céu aberto. Construções clássicas, renascentistas e modernas. Muito mármore e janelas simétricas por todos os lados.

COLISEU

Uma das sete maravilhas do mundo, o Coliseu, é um bom ponto de partida para começar a conhecer a cidade. Símbolo do Império romano, é o maior anfiteatro do mundo. Um modelo absoluto de arquitetura, construído por ordem do imperador Flávio Vespasiano e concluído durante o governo de seu filho Tito.

coliseu, monumento romano, com a lua cheia no ceu
Coliseu

O anfiteatro demorou 8 anos para ser concluído. O material usado na obra foi: tijolos, blocos de tufa (uma espécie de pedra vulcânica), concreto e principalmente mármore travertino. Com capacidade para 50 mil pessoas, os assentos eram distribuídos conforme as classes sociais. O pódio, a parte mais perto da arena, para as classes mais altas, a maeniana era destinada para classe média e o portici para a plebe e para as mulheres.

A função do anfiteatro era entreter o povo, que ia à loucura com sangrentas mortes de animais, prisioneiros de guerra e combates entre gladiadores. Mais de 10 mil gladiadores morreram lá em três séculos de combates, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes.

coliseu por dentro em um por do sol que deixou o ceu rosa
Coliseu

Hoje, o Coliseu nos mostra toda grandiosidade do que foi o Império Romano, mas também traz à tona a reflexão: por que a morte era um espetáculo? Será que ela deixou de ser? Como o ser humano pode ainda ser tão sádico e ver entretenimento no sofrimento do outro?

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano
Fóruns Palatino e Romano

O mesmo ingresso do Coliseu, dá direito à visita ao Fórum Romano e ao Palatino. Roma é formada por sete colinas e foi no Monte Palatino, que a cidade começou. Ali /imperadores construíram suas casas e formaram os fóruns. Durante séculos, foi nos fóruns de Roma que toda a vida pública do Império aconteceu: eleições, julgamentos e outros assuntos comerciais eram discutidos ali. Hoje, as ruínas de construções importantes como o Arco de Tito, Basílica Giulia e Templo de Saturno contam um pouco dessa história. Há poucos metros do Fórum fica a Piazza Venezia. Uma das praças mais famosas da cidade, onde está o Vittoriano, um monumento dedicado ao rei Vittorio Emanuele II.

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano e a vista da cidade em segundo plano
Fórum Palatino e Romano

Roma tem muitas outras praças incríveis. A Piazza Navona é uma delas e fica na mesma região de outro monumento imperdível, o Pantheon. Construído durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C) e dedicado a todos os deuses romanos, é, ainda hoje, a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo.

A Piazza di Spagna é onde fica a Fontana della Barcaccia, escultura barroca de Pietro Bernini e seu filho, Gian Lorenzo Bernini. Ao lado direito, uma escadaria que leva à antiga casa do poeta inglês John Keats. Subindo a escadaria temos uma vista linda da cidade. Próxima a Piazza di Spagna fica a Fontana di Trevi. Uma outra praça mais vazia e com uma incrível vista e pôr-do-sol é a Piazza del Popolo, ao lado da Galleria Borghese, onde há obras de Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Raffaello, Caravaggio, entre outros.

pantheon de roma
Pantheon

Para conhecer a cidade do Vaticano, é necessário um dia inteiro. As filas para visitas são enormes, o melhor é se organizar e já reservar ingressos pela internet. A Basílica de São Pedro, na Praça São Pedro, tem entrada gratuita, mas são vendidas entradas sem filas e também visitas guiadas. É lá que fica a Pietà, de Michelangelo. Também é possível subir na cúpula da Basílica por 6 euros de escada ou por 8 euros de elevador.

por do sol laranja da praça do povo em roma
Piazza del Popolo

A visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina custa 16 euros, mas são vendidos pacotes de até 50 euros com guia e sem fila. É tudo muito lotado e grande, então a visita requer tempo, mas vale muito a pena, uma vez que importantes coleções para história da humanidade estão ali. Raffaello Sanzio pintou algumas salas internas do Vaticano, enquanto Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina.

Basilica São Pedro em Roma
Basílica de São Pedro

Experiência gastronômica: Além de todos os passeios incríveis, da paisagem linda e de toda história aprendida e vivenciada, Roma me proporcionou as melhores refeições da minha vida.

O QUE COMER EM ROMA

As pizzas e a massa fazem jus à fama que têm. Os italianos costumam comer uma entrada, a massa como primeiro prato, depois um segundo prato de carne ou peixe e por último, claro, a sobremesa. Eu ficava satisfeita só com a massa. Tanto faz o molho – pesto, carbonara ou quatro queijos -, tudo é muito grande e saboroso. Outro prato que me conquistou foi a berinjela a parmegiana. As sobremesas que mais gostei foram Panna cotta, um tipo de pudim, Amarene, uma fruta cítrica e o Tiramisù, doce com o amargo do café. Para quem quer experimentar a tal culinária italiana, recomendo os restaurantes Giglio, Matriciana e Trattoria.

Roma supera toda e qualquer expectativa. Um lugar para quem ama arte, história, comida e aprecia o jeito enérgico dos italianos.

×