Como foi subir o maior vulcão ativo da Europa de madrugada

Por Maria Fernanda Romero

O maior vulcão ativo da Europa, o Teide, fica em Tenerife, parte das Ilhas Canárias, o arquipelago Espanhol localizado mais próximo da costa africana do que da Europa. Tenerife é uma das ilhas mais bonitas e exóticas do oceano atlântico, além disso é um ótimo destino para fugir do frio na Europa. Vou contar um pouquinho como foi minha experiência nas trilhas e percursos de Tenerife e como subir o Teide sem pagar nada.

tres planos, vulcão no fundo, rochas na frente e areia e predras em primeiro plano revelando um ambiente árido
El Teide, o maior vulcão ativo da Europa

Parque Nacional do Teide

O Parque Nacional do Teide têm várias opções de trilhas e para quem gosta de fazer longas caminhadas é um ótimo lugar para explorar por mais de um dia. E sei que parece irresistível acampar nessas paisagens cinematográfica, mas não é permitido acampar no parque sem autorização prévia.

Para chegar no Parque Nacional do Teide de transporte público é preciso pegar o ônibus 348 na cidade Puerto de la Cruz que saí todos os dias às 9h15 da estação da cidade e volta às 16h do vulcão. Outra opção é pegar a linha 342, que saí da Costa Adeje, na Praia das Américas e volta às 15h40. Outra opção mais cômoda é alugar um carro em mais amigos. Nas Canárias a diária dos carros é a partir de 15€.

A opção mais barata é totalmente de graça é pegar carona. As estradas são tão lindas que vai valer a pena esperar um pouquinho por um carro. 

Rochas avermelhadas e negras em contraste com areia e o azul do céu
Rochas de diferente coloração completam a paisagem

Subindo o Teide

Subir o Teide é a principal atividade turística de Tenerife e pensando na preservação do vulcão é limitado o número de pessoas que podem entrar no parque a 200 por dia. Então é necessário reserva uma permissão no website do Parque Nacional. Entretanto, essa permissão só é válida das 9h às 17h, então se você quer saber como ver o sol se pondo ou nascendo lá de cima, fique atento no próximo item.

Para subir o Teide é possível pegar um teleférico pagando a partir de 30€, dependendo da data, então para subir de graça é preciso caminhar ! A trilha tem um total de 18 km, mas o pico tem 3.717,98 m de altitude! é bem alto. O pico mais alto da Espanha e o maior vulcão ativo da Europa. Isso exige um certo esforço físico. 

A trilha começa na Montanha Branca, na estrada TF-21, km 40,7. Para começar a trilha deve seguir o “Sendero número 7” . Depois de algumas horas de caminhada chegará ao “Refúgio de Altavista”, desse ponto até o teleférico passa pelo “sendero número 11”. A terceira etapa, do teleférico até o pico é o “sendero número 10” também chamado de “Telesforo Bravo”.

Trecho da trilha na Montanha Branca

Subir o Teide de Madrugada

Uma opção muito escolhida por mochileiros que querem subir de graça e fazer a trilha para ver o pôr-do-sol e principalmente o nascer do sol, como eu fiz, é subir o Teide de Madrugada. Eu cheguei na base da Montanha Branca às 2h e após quase 5 horas de caminhada estava no topo do vulcão. Cansada, mas muito realizada, vi o sol nascer no ponto mais alto da Espanha.

montanhas avermelhadas e a casinha de madeira do teleferico na motanha
Paisagens inospita do Vulcão

Como é preciso passar o ponto do teleférico antes das 9h, horário de abertura do parque e que o controle de pessoas começa ser válido, é bom começar a descida a partir das 8h. Outra opção é começar a subida às 16h e ver o pôr-do-sol lá de cima e voltar durante a noite. Lembrando que o pôr-do-sol na Europa é bem mais tarde no verão, é bom levar isso em consideração no planejamento da sua viagem. 

Outra opção é passar a noite no Refúgio de Altavista, localizado a 3260m de altitude é uma ótima opção para dormir e dividir a trilha em dois dias. Ainda de ser mais fácil para conseguir ver o amanhecer ou entardecer das alturas. O alojamento fica aberto para entrada das 17h às 22h e fecha às 7h30. É permitido ficar apenas uma noite no alojamento.

Cuidados Especiais

É uma trilha longa e levar água é essencial! Um lanche para a caminhada, como bananas e barras de ceral também vai ser uma boa quando você chegar lá em cima com fome. Outro item muito importante é a escolha de uma roupa calçado adequados. Leve um casaco! As temperaturas na montanha são extremas e de madrugada faz muito frio.

sol bem alaranjada, pois tinha acabado de nascer, em destaque da neblina cinza
Nascer do sol no topo do Teide
Por último, contemple a montanha! É uma emoção indescritível.

Como aprender idiomas viajando?

Por Maria Fernanda Romero

As línguas que aprendi na estrada

Não lembro qual foi a minha primeira palavra em italiano, mas sei que na primeira que ouvi, tive certeza que era a língua mais bonita do mundo. Na primeira vez que troquei trabalho por hospedagem, dividi quarto com uma italiana, que me deixou um livro. E mesmo sem entender muito bem o que estava escrito, lia e anotava trechos que me soavam como as poesias mais belas. Quis traduzir tudo que eu mesma já tinha escrito.


Em italiano, os versos simples teriam impacto. “A areia branca se desfaz em meu quintal, o branco, que nunca me canso, é invadido pela força do azul.”
Traduzi meu primeiro verso e decidi ir morar na Itália. Até dar para aprender uma língua pela internet, mas eu não tenho muita paciência para ficar muito tempo na frente do computador, ainda mais lendo aulas de italiano. Eu precisava ouvir.

Pantheon de Roma formado por um telhado triangular e colunas estilo greco-romano
Roma


Continuei lendo meu livro, assisti alguns filmes e quando cheguei na Itália, pelo menos achava que entendia tudo. Responder era uma grande mistura de portunhol e italiano. Mas eu estava me esforçando para melhorar. Repetia cada palavra nova dezenas de vezes como uma criança. Chegou um ponto que eu sabia me apresentar, falar sobre o que eu fazia e gostava, contar sobre meu dia e reclamar da chuva, mas não sabia as coisas mais básicas, como os pronomes, o gênero das palavras, as cores… Falar comigo devia ser engraçado. Eu era aquele gringo que fala “O casa é bonito”. Eu fui persistente, se me respondiam em outra língua, continuava respondendo em italiano.

ilha vista de cima, mar muito azul e verde ao redor
Taormina

Tudo era bonito, mesmo falando errado. Quando meu chefe pediu para tirar a “spazzatura” a primeira vez, eu pensei que era algum elogio, alguma pessoa, alguma referência. Foi difícil aceitar que uma palavra tão bonita, era como eles se referiam ao lixo. Com o tempo, fui percebendo as variações de sotaques e dialetos e achei o italiano, na verdade, um pouco melancólico. Alguma coisa naquelas linhas daquele livro, me davam vontade de chorar, me lembravam da dor. Talvez aquelas palavras traduzem muito bem a minha dor, de uma forma aparentemente bela.

cadeados em primeiro plano, mar do lado de fora de uma grade e um castelo de fundo
Napoli

“il cuore si scioglieva in un immenso dolore per le sofferenze che avevano involontariamente inflitto. Spesso volano intorno come mosche e sono innumerevoli…”

Il Sogno, Émile Zola

ALGUMAS DICAS QUE TORNARAM MINHA VIDA MAIS FÁCIL NA ITÁLIA

A primeira é claro: fique longe de brasileiros e se junte com os locais. Ouvir italiano foi o que de fato me ajudou a assimilar tudo que eu estudava.

Filmes, livros e séries são excelentes, mas existem muitos aplicativos que também ajudam na gramática e vocabulário! Eu adoro o Duolingue.

Outra dica, que ao menos comigo funcionou, fou ler jornal! Todos os dias eu abria os principais portais de noticías do país e a estrutura familiar da notícia me fez entender bastante a dinâmica da língua.

Não tenha medo de errar!

Aprender uma nova língua é quase como voltar a ser criança. Não tenha medo de falar errado, fale, tente e tente até conseguir!

vulcão etna marrom, com texturas e nuvens cobrindo o céu azul
Vulcão Etna

Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

Música, luz e cores de Palermo: Viajando pelo sul da Itália

Por: Maria Fernanda Romero
Revisão: Clara Porta Guimarães

Palermo, a capital da Sicília, é uma cidade bem intensa e cheia de contrastes. Me senti fora da Europa, na capital da Argentina ou em uma grande metrópole do Brasil.

As cidades da Sicília são conhecidas pela desorganização e pelo caos, mas Palermo tem uma desordem ainda mais evidente nas ruas de Kalsa, o bairro árabe, ou nas vielas do Quattro Canti, que começa no cruzamento entre a Via Maqueda e a Corso Vittorio Emanuele.

FESTIVAL DE ARTE DE RUA

Foi lá que aconteceu o festival de arte de rua “Ballarò Buskers” nos dias 19, 20 e 21 de outubro.  A região também é conhecida pelos mercados, que lembram as feiras brasileiras. O Mercato Ballarò é o mais conhecido. Frutas frescas, peixes e artesanatos se misturam e colorem Palermo.

praca com muito verde na capital da sicilia
Palermo

Durante o Buskers Festival tudo isso se misturou com circo, teatro, dança e música. A abertura do Festival foi na Piazza Mediterraneo com Marco Masetti e Alessia Spatoliatore: uma combinação de circo de rua com teatro. Leve e divertido, agradou público de todas as idades.

mulher danca na rua em festival de arte em palermo

Sábado e domingo, durante a tarde, as crianças tomaram conta das ruas. As praças Mediterraneo, Brunaccini e Casa Professa, foram palco de laboratórios de circo e artesanato. Os pequenos se divertiram e coloriram o bairro ainda mais.

Durante a noite muita música acompanhou as apresentações de teatro e circo. A praça Ballaró e a Santa Chiara foram as mais animadas, com shows que se estenderam até o início da madrugada.

pessoas caminham na rua  e saxofonista e seu filho se apresentam em Palermo

MAIS EM PALERMO

Motoqueiros sem capacetes, carroças, gritaria e arte estão por toda a parte na capital cultural da ilha. Os contrastes de Palermo são notados principalmente pelas ruas velhas e muitas vezes sujas, nas casas mal-cuidadas contra a arquitetura deslumbrante. O renascimento italiano impera nas construções, principalmente nas Igrejas indescritivelmente bonitas, imponentes e com muito mármore. As mais conhecidas do Centro Histórico, além da Catedral de Palermo são a Chiesa di San Giovanni degli Eremiti e a Chiesa di Santa Maria dell’Ammiraglio ou Chiesa della Martorana.

ESCOLA DE SAMBA EM PALERMO

Outros pontos turísticos da região são o Palazzo dei Normanni e a Piazza Bellini, onde está a Fontana Pretoria. Alguns edifícios da Piazza Bellini estão conservados desde 1400. É impressionante e maravilhoso. Além disso, no Borgo Vecchio fica o Teatro Massimo, uma das casas de ópera mais famosas do mundo e a maior da Itália. É uma das locações de “O Poderoso Chefão”.

CATEDRAL DE PALERMO
Catedral de Palermo

Quem desembarcar em Palermo viverá uma experiência intensa e encontrará muita história, cultura e diversão.

Boom Festival: Geometría Sagrada

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

UM DOS MAIORES FESTIVAIS DE CULTURAS ALTERNATIVAS DO MUNDO

O Boom é um Festival de Culturas Alternativas que acontece uma vez a cada dois anos em Idanha-a-Nova, Portugal. Neste ano aconteceu entre 22 e 29 de julho.

O tema do Boom Festival de 2018 foi Geometria Sagrada: a ciência que estuda os padrões, os códigos, as proporções e os sistemas de todas as coisas. As nossas células, as folhas, a natureza, tudo segue o mesmo padrão geométrico. Tais figuras, formas e proporções são consideradas sagradas por serem encontradas em toda a Criação.

LAGO DO FESTIVAL DE CULTURAS ALTERNATIVAS BOOM COM MUITAS PESSOAS NADANDO

O Boom Festival é diferente de outros festivais de música e cultura, pois ele se aprofunda no tema escolhido de forma que não é apenas a decoração que é voltada a ele: ele é também abordado em debates e palestras durante o festival, ao lado de outros assuntos alinhados à Espiritualidade, à Redução de Danos, à consciência ecológica, a novos sistemas econômicos e, pela primeira vez este ano, à igualdade de gêneros.

mulheres discutindo sobre igualdade de generos em festa
Discussão sobre igualdade de gêneros em festas

A Boomland, espaço onde ocorre o festival, é totalmente sustentável. Há um lago que rodeia grande parte da festa e deixa o calor mais suportável. As estruturas e os espaços são construídos pensando na bioconstrução. Até os talheres distribuídos na praça de alimentação são biodegradáveis. Eles são feitos de amido de batata. Os banheiros são de compostagem, ou seja, são banheiros secos e por isso não desperdiçam água. Não é permitido o uso de nenhum produto químico, o que gera um bom adubo para o solo do espaço.

filtro de sonho de bamboo no boom festival

MÚSICA

Ao todo são 7 palcos no Festival. Os principais são o Dance Temple e o Alchemy Circle. No Dance Temple os principais nomes do trance se apresentam. De Ace Ventura e Astrix a Confo e Farebi Jalebi. Na noite do eclipse lunar (27.07), o grupo de trance orgânico Highlight Tribe fez uma apresentação emocionante.

O Alchemy Circle é mais alternativo. O line-up conta com grandes nomes da gravadora Zenon Records. O som nem sempre tem altos BPMs, mas é sempre muito psicodélico.

GOPR3414.jpg
Dance Temple

A arte está presente em todos os cantos do festival. Cada jardim e cada esquina tem alguma coisa especial, seja uma decoração mágica ou uma reflexão. A arte é tão presente no Boom que tem até um Museu no Festival: o Museu de Arte Visionária que nesta edição incluía obras das artistas Amanda Sage e Martina Hoffmann.

O Being Fields é o espaço de cura, onde acontecem as práticas de yoga, meditação, terapias aquáticas, rituais xamânicos e qualquer outra reconexão do homem com a natureza. Hoje o espaço é uma das áreas mais importantes da festa e abre alternativas para quem busca algo além da música.

ESCULTURA DE MADEIRA EM BOOM FESTIVAL

No palo Sacred Fire também acontecem rituais xamânicos, e, como o nome indica, fogueiras. É no Sacred Fire, que acontecem os workshops. Um espaço inspirador de troca de conhecimento e experiências.

A Redução de Danos no Boom Festival também é uma das melhores do mundo. A Lei de Drogas de Portugal é pautada dentro das políticas de Redução de Danos e descriminaliza o porte de todas as substâncias. O país também reconhece a importância do trabalho informativo, inclusive a respeito do conteúdo das substâncias, como ferramenta preventiva para diminuir os riscos e o uso abusivo.

POR DO SOL NO BOOM

Por isso, o Coletivo Kosmicare organiza um stand informativo e também de teste de drogas, utilizando uma técnica chamada TLC. Além disso há um espaço de Psycare, onde pessoas que estejam tendo uma experiência difícil com o uso de substâncias psicoativas ou, pessoas que apenas queiram conversar,  podem falar abertamente com os redutores de danos. Esse espaço é importante para acolher e também conscientizar usuários sobre fazer um uso de drogas seguro. 

O Boom prega a liberdade e o amor. Busca ensinar às pessoas um pouco mais sobre consciência ecológica, redução de lixo, do consumo e principalmente respeito às diferenças.  É um espaço mágico e acolhedor. Uma experiência inesquecível e imprescindível à todos que acreditam em uma forma mais leve de viver.

Conhecendo a Espanha: Valência, Horchata e Paella

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Valência não é a cidade mais visitada da Espanha, porém é o berço de alguns aspectos da cultura espanhola. Para começar, a paella, que é um dos pratos espanhóis mais conhecidos no mundo, teve sua origem na cidade. Ela surgiu entre os séculos XV e XVI na Albufeira Valenciana, fruto da necessidade dos camponeses de preparar uma comida fácil e nutritiva com os ingredientes que havia no campo.

A paella tradicional é feita com frango e coelho, mas, depois, outros sabores foram criados e hoje é possível encontrar diversas variações do prato: com mariscos, verduras e outros tipos de carnes. Além da Paella, em Valência é possível encontrar a Horchata, uma bebida típica espanhola feita de chufas e pão doce. Há várias Horchaterías pelo centro da cidade.

VISTA PANORAMICA DE VALÊNCIA
Centro de Valência

O QUE FAZER EM VALÊNCIA

Não é só a gastronomia Valenciana que ainda carrega traços do passado. A cidade preserva um pedaço do muro que a envolvia durante a Idade Média. A Torre de Serranos, construída entre 1392 e 1398, também já funcionou como uma prisão. Hoje em dia, além de um marco histórico, funciona como museu. Ela é a porta para o centro histórico da cidade, que também é conhecido como Barrio Del Carmen. Lá também estão a Catedral de Valência, o centro arqueológico La Almoina, o mercado Lonja de La Seda e a Torre Miguelete.

Júlia Reis, 21, paulista e estudante de Arquitetura, nota que o centro é movimentado e também muito seguro. “A praça central tem muita vida, muita criança brincando até tarde. É tranquilo e movimentado. Também é bem iluminado, tanto de dia, quanto de noite.”

VISTA PANORAMICA DE VALENCIA
Vista Mirador Ataneo Mercantil

O centro de Valência mistura muitas influências arquitetônicas: gótico, o barroco francês, o barroco italiano e o neoclássico. “Todas as cidades da Europa têm uma arquitetura mais antiga. Eu vim para a Europa estudar a arquitetura, mas aqui percebi que não posso usar o que eu vejo como referência para o Brasil. É uma arquitetura muito antiga, totalmente fora da realidade brasileira, principalmente por causa do clima do nosso país. Aqui as cidades se encaixam, têm uma composição e um ritmo”, completa Júlia.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E DAS CIÊNCIAS EM VALÊNCIA
Cidade das Artes e das Ciências

Ao mesmo tempo que a cidade preserva muita história, também é conhecida pela Cidade das Artes e das Ciências, onde ficam as obras futuristas de Santiago Calatrava. O arquiteto se inspira em formas orgânicas e também abusa de formas assimétricas e surrealistas.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E CIENCIAS
Cidade das Artes e das Ciências

Dentro da Cidade das Artes e das Ciências é possível visitar o Hemisfèric e o Museu de les Ciències, com entradas no valor de 8 euros, e o Oceanogràfic, com entrada no valor de 29 euros. Também é possível comprar um combo para visitar todos os museus em mais de um dia, por 32 euros.

FALLAS

Visitar Valência e vivenciar a cultura espanhola é um bom programa em qualquer época do ano, porém uma dica é visitá-la entre 15 e 19 de março, quando acontecem as Fallas. As fallas são as festas típicas da cidade, onde ocorrem demonstrações culturais como a Cavalgada de fogo. Também há shows de música para todos os gostos. Vale muito a pena estar presente em Valência durante as fallas.

IMG_7340.jpg

Outras opções do que fazer em Valência, você pode encontrar no nosso parceiro mochileiros.

Catalunya é muito mais que Barcelona

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Barcelona é a maior cidade da comunidade autônoma da Catalunya. É famosa por sua arquitetura exuberante e intrigante, e pelos seus museus, parques, praias e festas. É uma cidade que nunca para e que, às vezes, até satura um pouco por estar sempre cheia.

A cidade é tão rica em cultura e opções de entretenimento, que muitos turistas passam uma semana ou mais na cidade sem se cansar. Entretanto, para quem tem tempo e quer conhecer mais a fundo a região, tem muitas outras coisas incríveis pela Catalunya.

21752042_1523342601059884_1159749466759265189_n.jpg

Sagrada Família

Saindo de Barcelona, sentido norte, ou no sentido da França, há um leque de possibilidades turísticas: De cidades interioranas, medievais e praias incríveis até montanhas onde, dependendo da época do ano, é possível esquiar. O único defeito é o preço do pedágio. Uma viagem de carro pela Costa Brava pode custar até 50 euros em pedágio, mas explorar cada cantinho dessa região compensa muito pela sua beleza natural e arquitetônica.

GIRONA

A 100 km de Barcelona, Girona é a segunda província mais visitada da Catalunya. A cidade medieval conserva construções do período e também trechos da muralha que envolvia a cidade durante a Idade Média.

22789223_1562141150513362_3282773752100688328_n

Girona

A Catedral de Girona, construída no século XI, é uma construção gótica maravilhosa. Segundo uma lenda da cidade, as moscas de Girona protegeram toda a riqueza da cidade que estava guardada na Catedral durante a invasão das tropas francesas. A verdade é que quando a cidade foi invadida, a peste estava começando, por isso tantas moscas. Todos os soldados franceses morreram em Girona, não conseguindo roubar nada e deixando a Catedral intacta. Também foi em Girona que a 6ª temporada da série Game Of Thrones foi gravada.

A cidade é pequena e é possível ir a todos os pontos turísticos a pé. Em Girona, assim como em outras províncias catalãs que não Barcelona, se nota muito mais a cultura e a língua local.

23031719_1565604316833712_7298536562768498200_n

Girona

FIGUERES

Figueres é a cidade onde Salvador Dalí nasceu. Fica no noroeste da Catalunya, quase na fronteira com a França. Além de ser a cidade natal de Dalí, é uma cidade muito charmosa que fica quase nas montanhas.

Em Figueres é possível visitar o Museu e Teatro do Salvador Dalí e a casa do artista.

BESALÚ

O pequeno vilarejo medieval fica a 40 km de Girona. Por ser muito bem preservado, visitá-lo é, de fato, como voltar no tempo. Em Besalú é possível observar a muralha que envolvia a cidade na Idade Média que está intacta, assim como o castelo da cidade.

Outros pontos turísticos de Besalú que encantam são a sua ponte medieval e ruínas de uma antiga sinagoga. Assim como Girona e Figueres, Besalú pode ser conhecida em um dia e o passeio vale muito a pena.

OLOT

Olot é um destino ótimo para quem gosta de natureza: Cachoeira, fontes termais e até crateras de vulcões extintos. As crateras de Montsacopa, Santa Margarita e Croscat são as mais famosos.

Na cidade tem alguns museus e construções importantes, mas o Parque Natural de la Garrotxa, que é formado por onze municípios, foi o que mais me impressionou.

Em Olot e em Vic, o povoado vizinho, também é possível fazer passeios de balão em algumas datas.

IMG_4701

Figueres

COSTA BRAVA

A Costa Brava cobre todo o litoral do mediterrâneo do norte de Barcelona até a França. Há muitas praias lindas e o que eles chamam de ‘Calas’, que são pequenas entradas para o mar com uma pequena faixa de areia e pedras na costa.

Toda Costa Brava é muito linda. Eu destaco Lloret del Mar, Tossa del Mar e o Parque natural de Caps de Creu.

30571246_1730902800303862_4015734988002557952_n

Cap de Creus

LLORET DEL MAR

Uma das praias mais famosas da Costa Brava, Lloret del Mar, é repleta de Calas paradisíacas onde é possível fazer mergulho. Também tem ruínas medievais, além de outros pontos turísticos interessantes como a Capilla del Santisimo e os Jardines de Santa Clotilde.

TOSSA DEL MAR

É um povoado medieval à beira mar. Tem um castelo incrível conservado, casas medievais e uma vista para o mar mediterrâneo de tirar o fôlego.

IMG_4772.jpg

Paisagens pela estrada

CAPS DE CREU

O Parque Natural de Caps de Creu é uma península quase na França. Dentro dele há muitos povoados. Os mais famosos são os Roses e os Cadaqués. Por ser uma península, permite uma visão panorâmica do mar de qualquer lugar.

O artista Salvador Dalí também tinha uma casa ali e algumas de suas obras foram inspiradas no local.

Eu, que sou apaixonada por natureza, fiquei arrepiada de ver a lua cheia aparecer em uma noite estrelada no lugar.

30581981_1733139766746832_4563700238614790144_n

Cadaqués- Cap de Creus

De praias a montanhas, a Catalunya compõe-se por todos os tipos de paisagem. As montanhas Vall del Núria, La Molina e La Masella são algumas estações de esqui do estado, que se localizam a apenas 3 horas de Andorra. E o melhor: Dá para chegar de transporte público em todas elas!

A Catalunya é conhecida por Barcelona, mas na verdade é muito mais do que a capital. Realmente é uma região que deve ser explorada.  E pra quem busca mais opções e roteiros do que fazer na Espanha recomendo o dar uma olha no mochileiros.

Spannabis mostra o potencial da indústria canabica em Barcelona

Por Maria Fernanda Romero

A Spannabis é uma das maiores feiras cannábicas do mundo. Sua 15ª edição aconteceu no último fim de semana (9, 10 e 11 de março) em Barcelona.  A feira reúne todos os apaixonados por maconha da Europa e do mundo, desde dos consumidores primários até produtores e todos os especialistas da indústria cannábica.

O evento mostra que a maconha deixou de ser apenas um entorpecente e tornou-se quase um artigo de luxo que tem infinitas variações, acessórios adjacentes, seguidores e especialistas. Já a vi até ser comparada com o vinho! Além disso, a cannabis ganha cada vez mais estudos e produtos visando o lado medicinal, tem utilidade na indústria têxtil e pode até ser usada como combustível.

COMO É A SPANNABIS

Mais de 250 expositores compareceram à feira, dentre os quais os já conhecidos Barney’s Farm, DNA e Sensi Seeds, mas também alguns novos, como Carroll Leds. A feira também recebeu a World Cannabis Conferences 2018, que foi o sexto Congresso Internacional sobre cannabis.

entrada da spannabis, feira cannabica em Barcelona

Na sexta feira, o fórum contou com debates sobre as mulheres cannábicas.O ambiente cannábico é predominantemente masculino, assim como os empresários e pesquisadores desse ramo. Porém, isto está mudando e conforme o ramo cresce também cresce o número de mulheres que estão ocupando espaço nesse mundo.

Alice Reis, 24, brasileira e psicóloga é uma das fundadoras da plataforma digital Girls in Green. A plataforma reúne informações do mundo cannábico no Brasil e no mundo. As duas criadoras da plataforma são entusiastas de viagens e cannabis e têm por objetivo tirar o estigma negativo do usuário de maconha, mas também buscar a representatividade da mulher em um ambiente ainda muito masculino.

“No nosso espaço falamos sobre viagens, política de drogas e maconha. É um espaço para todos, mas permitimos muita conversa entre as mulheres. É um espaço em que as mulheres são acolhidas e muitas vezes desabafam. Nós respondemos todas que entram em contato com a gente, seja tirando dúvidas ou apenas ouvindo as histórias das meninas.”, conta a psicóloga, que completa dizendo que procura incentivar as seguidoras do site a dividirem suas experiências na plataforma.

menina vaporizando em feira cannabica
Alice Reis provando o vaporizador da Puff Co

Ainda no primeiro dia do evento, a conferência recebeu o ICBC, o fórum internacional sobre  mercado da maconha. Já no sábado, foi o dia da maconha medicinal com a presença do Observatório Espanhol da Cannabis Medicinal.

“Ainda temos que avançar muito no estudo sobre cannabis medicinal. Infelizmente só são permitidos atualmente óleos de maconha de CBD com até 0,2% de THC. O problema é que sabemos que no nível de microdoses os dois trabalham bem juntos” Conta Q., produtor de óleo medicinal de CBD.  “Ainda há muita propaganda demasiadamente ruim do THC e muita propaganda demasiadamente boa do CBD”, completa o produtor.

funcionários da empresa canna testando componentes de maconha
A empresa Canna testa os componentes de marihuanna 

As categorias de expositores são: Banco de Sementes, Cânhamo Industrial, Acessórios, Grow Shops, Medicinal, Fertilizantes,  Vaporizadores e Têxtil. Paralelamente à feira acontece uma votação na qual alguns jurados dentro do público escolhem o melhor expositor de cada categoria.

É impressionante a variedade de categorias e até de produtos dentro da mesma categoria. A Sensi Seeds, que é um banco de sementes conhecido, é uma das empresas que explora o lado alimentício da planta. Eles produzem agora o Hemp Protein Shake, um concentrado de proteína que não tem nenhum efeito alucinógeno, pois é feito com o caule da planta. Além de rico em proteínas o shake tem Vitamina B e ferro em sua composição.

Stands de feira cannabica em Barcelona

Os fertilizantes, reguladores de solo e sistemas de iluminação à base de cannabis estão cada vez mais potentes. Mas as “parafernálias”, que são os novos utensílios relacionados à erva também estão se diversificando. A Rosin Tech, por exemplo é uma empresa que vende máquinas que extraem o rosin da flor de marijuana. As máquinas são conhecidas e custam em torno de €3000, porém a empresa teve a sacada de vender uma mini-máquina para os consumidores comuns poderem fazer a própria extração em casa. A mini-máquina custa em torno de 250 euros.

máquina de prensar rosin em feira cannábica de Barcelona

A Trimpro foi uma das empresas que estava vendendo máquinas que fazem o “trim” automaticamente, isto é, que tiram o excesso de plantas da flor de marijuana. Entretanto, essas máquinas diminuem a qualidade do processo e tiram os empregos das pessoas que o fazem manualmente.

máquina de trimmar (cortar excesso de folhas) em Barcelona

Muitos frequentadores da feira estão muito felizes com o crescimento da Indústria da maconha, mas isso também traz sentimentos pessimistas. “Hoje em dia quem trabalha na indústria cannábica são os apaixonados. Essas pessoas trabalham de forma underground, improvisando e muitas grandes empresas podem ocupar esses espaços.”, conta Jean, francês, 34. “A legalidade da maconha ainda é incerta, ela é cinza. Muitas empresas estão esperando uma regulamentação mais clara, mas tenho medo que a grande indústria monopolize o mercado da maconha e tudo fique nas mãos do grande Lobby”, completa.

MERCADO INTERNACIONAL

Nos Estados Unidos é possível observar que o mercado da maconha já está completamente mercantilizado e que, por consequência do modelo capitalista, os preços subiram muito. O modelo sulamericano de legalização é bem diferente, no entanto, Jean não acredita que a Europa deva seguir por esse caminho, uma vez que desde já os europeus enxergam a maconha como mercadoria.

Alice Reis, que também já esteve na maior feira cannábica do mundo, a Emerald Cup nos Estados Unidos e na Cannabis Cup de Montevideo destaca as diferenças: “Nos Estados Unidos é permitido inclusive a venda da maconha com concentrações variadas de THC, enquanto a feira do Uruguai é muito voltada para o cultivo e, principalmente, para o pequeno cultivador”.

trofeu high times da seed company em feira cannábica

Explorando as montanhas da Eslováquia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

MONTANHAS MÁGICAS

Sonhava em conhecer montanhas inteiras brancas que alcançam o céu e são rodeadas por lagos, cavernas e mistérios. Duvidava que elas existissem e que um dia eu pudesse encontrá-las. Até que eu tive o imenso prazer de conhecer a Eslováquia. O Parque Nacional do Alto Tatras fica ao norte do país, na cadeia de montanhas Tatras – ou Tatry em eslovaco – que divide Eslováquia e Polônia. O  parque ocupa as cidades de Poprad, Vysoké Tatry e Tatranska Javorina.

Montanhas brancas, cobertas de neve, águas congeladas, e arvorés caindo na Eslováquia
montanhas brancas cobertas de neve no high tatras

Da janela da última classe de um trem antigo do leste europeu, eu enxergava a neve caindo e as montanhas que alcançam o céu se aproximando. Atravessei o país e, enquanto não estava dormindo, olhava a paisagem e acompanhava o trajeto do trem no mapa do meu celular. Parecia um sonho! Eu nunca tinha estado tão longe de casa nesse mapa. Um friozinho na barriga… É realidade. A porta do trem se abriu e eu senti meu corpo inteiro estremecer. Preciso do dobro de casacos, mas eu vou desbravar essas montanhas.

COMO CHEGAR NO HIGH TATRAS

A cidade principal, Poprad, fica embaixo da montanha e é lá que fica a estação de trem que faz a ligação entre as principais cidades do leste europeu e o Parque Nacional. É possível se hospedar em Starý Smokovec, Štrbské Pleso ou Tatranská Lomnica. As três regiões são incríveis. Eu me hospedei em Starý Smokovec na Pensão Partizan.  Há três estações de esqui, opções para hiking e outros passeios nas montanhas. Em Štrbské Pleso há também um lago que fica totalmente congelado no inverno, mas onde, nas outras épocas do ano, é possível passear de barco.

Trilho de trem no high tatras

Em Tatranská Lomnica fica a principal estação de esqui do parque. Lá  também é possível encontrar restaurantes e pequenos supermercados. Nessa parte do parque fica  a caverna Belianska Jaskyňa. Ela tem 3829 metros de profundidade e a visita é permitida desde que seja acompanhada por um guia. O valor da visita era de 8 euros quando eu fui. Na caverna tem cachoeiras e pequenos lagos. Dentro dela também se formam estalactites e estalagmites, que são formações minerais em forma de cones pontiagudos. As estalactites são as que saem do teto da caverna em direção ao chão e as estalagmites saem do chão em direção ao teto. Às vezes elas se encontram. A visita à caverna é muito interessante, o  único problema é que os guias só falam eslovaco e russo, ou seja, eu não pude entender as explicações mais detalhadas.

Há opções de hiking nas três regiões também. As trilhas que eu fiz foram as indicadas como fáceis pelo folheto com informações do parque. Elas eram longas, porém nenhuma ultrapassa 5 km de distância. Não deveriam ser difíceis, porém são muito escorregadias. É preciso ter os equipamentos corretos e tomar muito cuidado.

placa dizendo que a area é de protecao sem intervencao, que tem risco de queda de arvores é que a entrada é pelo proprio risco

Em Starý Smokovec fica a montanha Hrebienok. Além de outra estação de esqui, lá tem algumas opções de programas para crianças ou para se fazer em família, como por exemplo o sledging (esquibunda) e também tem uma versão da Sagrada Família em gelo. A trilha de Hrebienok até Vodopády Studeného potoka começa perto da Igreja de gelo, tem 1 km e termina em uma cachoeira exuberante.

arvore com neve

Em Štrbské Pleso você encontra  um lago gigante e mais outras opções de trilhas em meio a natureza selvagem. Fazer um seguro saúde para a montanha também é indicado e é possível fazer um nos pontos de informações turísticas dentro do parque.  O que me chamou atenção foi que em várias partes do parque tem placas dizendo que aquela é uma região com risco de queda de árvores e que você está sobre o seu próprio risco. Isso foi muito forte para mim. Realmente é um lugar paradisíaco e selvagem que tem que ser adentrado com muita cautela e respeito. Reforço sempre a importância de um turismo consciente e responsável e isso incluí ter responsabilidade com o próprio corpo e limites. Cada segundo nessa montanha maravilhosa vale a pena.

por do sol das montanhas

Praga: o anti-clichê Europeu

Por: Maria Fernanda Romero

Antes de entrar no trem para a República Tcheca anotei na minha agenda palavras e frases básicas da língua tcheca e também os endereços dos lugares em que ia ficar. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz e o único conselho que eu dou àqueles que vão para países em que não entendem absolutamente nada da língua. Anote! Porque, na pior situação, sempre tem a mímica e isso não tem erro.

Além disso, uma coisa que aconteceu muito comigo foi a pessoa estar na maior boa vontade, lascando as informações em tcheco e eu sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. “Nerozumím”: Eu não tô entendendo. Pelo menos foi isso que eu anotei… nem sempre eles paravam de falar ou trocavam o idioma, mas muitas vezes se esforçaram mais e é aí que entra a mímica. “Ahoj” é a saudação e também a despedida. “Prosím”, por favor, “Děkuji”, obrigado. Com essas palavras sobrevivi bem na República Tcheca.

O QUE FAZER EM PRAGA

Praga é um clichê europeu. Um rio que cruza a cidade (o Vltava), a ponte medieval, a parte velha, a parte “nova”, a arquitetura, o castelo – ou o conjunto de castelos, no caso de Praga. A cidade é linda e colorida. Tem um ar meio rebelde e leis mais brandas, porém ao mesmo tempo contraditórias. Por exemplo, não se pode comprar cigarros depois das 22h, mas é possível comprar tabaco. E também souvenirs de maconha com até 0,2% de THC.** (A maconha é descriminalizada no país, mas a venda de qualquer quantia de maconha ainda é um ato criminal e pode render até um ano na cadeia. O porte da droga não é considerado crime e o seu cultivo também é liberado, desde que não ultrapasse o valor máximo de posse, que é de 5 plantas. O uso médico de maconha com receita é permitìdo e também a venda de souvenirs com até 2% de THC).

Rio que divide a cidade de Praga, um barco passando por debaixo da ponte,  e o Castelo de fundo

Em Praga é possível ir para praticamente qualquer lugar a pé. Em Staré Město (Cidade Velha em português), fica – ou ficava -, desde 1410, um dos relógios mais importantes do mundo. O Relógio Astronômico Orloj. Tive sorte, porque alguns dias depois da minha visita, ele foi recolhido para manutenção. Espero que volte logo. Ele é tão especial, que, segundo a lenda, os vereadores de Praga cegaram o relojoeiro que o fabricou para que ele não pudesse fabricar outro igual. Lendas à parte, o relógio simboliza muitas coisas: As estátuas simbolizam a morte, o medo das invasões na cidade, o medo da fome e da pobreza e a vaidade. A bola de ouro representa o sol e a sua posição diz em qual parte do dia estamos. Ela indica também em que signo o sol está, já o ponteiro da lua indica em que signo e em que fase ela está.

A Praça Old Town também é onde está localizada a igreja gótica de Nossa Senhora de Týn, com torres desiguais que a fazem parecer um castelo. No centro da cidade velha, entretanto, tudo é muito caro. Os preços dos restaurantes, dos bares e das casas de câmbio (lá a moeda é a coroa tcheca) não são muito bons.

Por outro lado, tem outras igrejas belíssimas, tanto católicas, como protestantes e a fundação do Clementinum, um conjunto arquitetônico que abriga a Biblioteca Nacional. Outras construções que se encontram no centro são a Universidade Charles, diversos museus como o Mucha e o Rudolfinum, que abriga uma sala de concertos, uma pinacoteca e um museu e que também já foi sede da Assembléia Nacional.

telhados vermelhos e verdes e montanhas no horizonte de Praga

Praga fica bem no meio da região da Boêmia, no centro da Europa e não é coincidência que o nome dessa região tenha dado origem à palavra “boêmio”. Os tchecos criaram as melhores cervejas do mundo, como a Pilsner Urquell, e são até hoje os maiores consumidores de cerveja do mundo. Mel e leite também são produtos locais muito importantes para o país.

cervejas de Praga

Assim como em muitas outras cidades da Europa, muitas empresas oferecem um Free Walking Tour em Praga. Eu fiz com a empresa Sandermans e gostei muito. Aprendi muitas curiosidades sobre a região, além de ir conhecendo os principais pontos turísticos da cidade. Uma das histórias que o guia nos contou foi que o atual presidente do país, Milos Zeman, odeia vegetarianos e jornalistas. Não sei se é verdade, mas espero que não.

Atravessando o rio Vltava pela ponte Charles chega-se ao Malá Strana, onde fica o castelo. Há outras pontes que ligam a parte velha de Praga à parte mais nova, porém a ponte Charles é a mais especial. Ela foi construída por ordem do rei Charles e sua sua construção durou 45 anos, até 1402. No solstício de verão, quem está abaixo da Torre da ponte vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito, a catedral do castelo, mas não há registros de que isso seja proposital.

castelo de Praga
Castelo de Praga

O conjunto de castelos de Praga é o maior do mundo. Lá ficam o Antigo Palácio Real, a Galeria Nacional de Praga, algumas prisões medievais e a Catedral de São Vito, que demorou 600 para ser construída e que é um dos símbolos da cidade.

O nosso guia do Free Walking Tour nos contou que Mick Jagger e os Rolling Stones colaboraram com a manutenção do conjunto: Após a queda do comunismo, a banda foi convidada para tocar em Praga e teria patrocinado uma reforma para melhorar a iluminação do castelo. O cantor, que gostava muito da cidade, teria ficado comovido com as dificuldades do país pós-comunismo e esse foi o modo que ele encontrou de ajudar. Provavelmente é uma lenda, mas poderia ser verdade.

Outra estrela que deixou marcas na cidade foi John Lennon. Ainda no bairro de Malá Strana fica um muro em homenagem ao artista. Hoje em dia é mais uma parede com grafite como tantas outras, porém, na década de 80, ele representava a indignação política da população e foi usada como protesto a favor da liberdade de expressão.

horizonte de Praga com telhados vermelhos e azúis

O bairro judeu também é um símbolo de resistência da cidade. Os judeus começaram a ocupar as áreas do subúrbio de Praga ainda na Idade Média. Eles sempre sofreram muita opressão e nem podiam frequentar o centro da cidade. Na Segunda Guerra Mundial, infelizmente, muitos judeus dessa região foram mortos, mas o bairro ainda está preservado para contar essa história.

A sinagoga Pinkas, construída em 1535, é um dos lugares onde mais se pode aprender sobre a cultura judaica na cidade, assim como a sinagoga Staranová, que é a Sinagoga mais antiga da Europa, sobrevivente de vários ataques, incêndios e guerras. No bairro, muitas pessoas também visitam o cemitério antigo, que foi, por mais de 300 anos, o único lugar onde os judeus podiam enterrar seus mortos.

COMER EM PRAGA

Como já disse, a cerveja em todo o país é muito boa, então o que não falta na cidade são bares e pubs com  bons preços e boas bebidas. Além disso, a comida é muito boa. Depois do Trdelnik, um doce que é uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberto com açúcar, canela, chocolate, doce de leite ou geléias, meu prato preferido foi o Smažený sýr: um queijo empanado frito maravilhoso.

Apesar de ter saído de lá um pouco confusa com tantas ironias e coincidências, enxerguei Praga como uma cidade charmosa, receptiva e bastante intensa.