Uma experiência Maasai

Por Maria Fernanda Romero

Viagem pelo leste africano

Estive viajando pelo leste africano durante 6 meses e muitas experiências me marcaram ao longo desse percuso: Um trabalho no Quênia, nadar no mar azul de Zanzibar, conhecer o Malawi, experimentar vinhos da África do Sul… mas conhecer um povo de étnia Maasai na Tanzânia com certeza foi uma das melhores experiências da viagem.

homem maasai com roupas tipicas da etnica e menina ao lado sorrindo
Encontro Maasai

O povo Maasai

Os masais, com seus trajes coloridos, seus cinturões com dois paus e um facão, guardam muita tradição e história. A sociedade tribal acredita no poder das plantas, na natureza e vivem o momento. Não tem ansiedades, futuro. ou cobranças. Tudo é só aquilo que podemos ver. 

A etnia tem uma cultura poligâmica. Um homem pode ter quantas mulheres ele puder comprar. Cada mulher custa 15 vacas. Ou seja, um homem com mil vacas pode ter centenas de mulheres.Um pouco estranho para a mulher de etnia não-maasai, ocidental e defensora da liberdade das mulheres. Como uma mulher pode ser comprada com uma vaca? Como um homem pode ter infinitas mulheres… e a mulher só um homem?

animais pastando no gramado na frente de casas típicas maasai
Casas típicas Maasai

“Mas na verdade, na sua sociedade, vocês também dividem o marido. Mas em segredo.” Comentou o maasai, caindo na gargalhada. Ele tinha razão, né!? Nossa sociedade é um tanto quanto hipócrita. Mas eu acredito em relacionamentos baseados na confiança. E pelo menos as mulheres têm direito de escolher uma relação. Ir ou ficar nela. Quer dizer, algumas… 

Ritos de passagem

Faz parte da cultura Maasai alguns rituais de passagem para a vida adulta. O mais importante é aos 18 anos, eles ficam alguns meses na floresta sobrevivendo apenas com uma lança, dois paus e uma faca/espada. Há outros rituais de dança e fogo, mas não tive a oportunidade de presenciar nenhum.

Outro rito de passagem, que me chamou atenção, foi que todos os jovens passam por uma circuncisão. Mas para as mulheres é algo que deve ser bem doloroso. E perigoso. O ato, também conhecido como mutilação genital, também tira delas a possibilidade de sentir prazer sexual. Afinal, o clitóris serve exclusivamente para o prazer. 

menina com trajes típicos maasai
Menina Maasai

Religião

Na tribo também tinha uma igreja. O pastor, apesar de também ser maasai, só tinha uma esposa e dois filhos. A maioria dos maasai são monoteísta. Alguns não acreditam em Deus, e sim na força da natureza. Uma pequena minoria é islâmica. O catolicismo predomina entre eles.

A esposa do pastor é professora na escolinha da vila. Apenas 100 crianças frequentam a escola. “ e as outras?” Indaguei. Oras, se todas as crianças estudarem, quem vai cuidar das vacas e das cabras? É responsabilidade dos pequenos ordenhar as vacas e cabras e cuidar delas. Garantindo que não fujam.

Estrutura na tribo

As casas são feitas de árvore, folhas, palha e também fezes de vacas. Não existe banheiro, esgoto … essas coisas. O banheiro é a natureza! Fiquei chocada com essa informação. E eu que achava que demoraria muito pra me acostumar com os banheiros do oriente. Um buraco e um balde de água. Ali não tinha nem buraco e nem água.

Anoiteceu e o céu ficou todo cinza. Uma tempestade chegou sem dar sinais. Eu tinha a impressão que as casas iam cair, mas nem uma gota de chuva entrou. Me abriguei com a minha família por um dia. Eu não entendi nada que eles diziam e eles também não me entendiam. A gente sorria e era o bastante. 

O bom da chuva é que refrescou o clima quente. Então me deitei pra dormir na cama feita de couro de vaca, com mais 10 crianças. No começo, me senti desconfortável, depois me imaginei como parte da família e dormi até o sol nascer, quando os galos começarem a cantar.

menino com trajes tipicos massai em contraste de cores verdes
Menino Maasai

Lembrei que há alguns meses me questiono sobre como seria uma sociedade que vive sem a necessidade do capital. Imaginei alguns moldes dela. Jamais imaginei que pouco tempo depois passaria por uma experiência em uma tribo totalmente alheia a forma de vida com qual estou acostumada. E consequentemente, distante da minha lógica do capital também.

Admiro essa sociedade e essa forma simples de viver. O contato com a natureza. A forma que eles dividem e compartem tudo. As relações humanas. Mas sinceramente , não sei se poderia viver assim. Talvez eu já esteja corrompida pelo capital. Talvez eu queira exercer minha liberdade de uma outra forma. Eu não sei. Continuarei buscando a minha tribo. Quem sabe ela seja matriarcal, quem sabe ela ainda não exista.

Malawi: O coração da África

Por Maria Fernanda Romero
Revisado Clara Porta Guimarães

Malawi, um pequeno e simpático país no sudoeste, ou melhor, bem no coração da África.O país é um destino ainda menos explorado pelo turismo que os seus vizinhos e por isso carrega muito da raiz e da simplicidade africana.

O Malawi foi um dos meus países preferidos do mundo

Assim como eu, outros viajantes compartilham dessa opinião. Kevin Dematteï, 26, viajante que atravessou a África do Egito até a África do Sul gostou muito da sua experiência no Malawi .“ É um mix perfeito de paisagens maravilhosas e pessoas incríveis”. Ele conta que conheceu pessoas muito hospitaleiras, que o receberam muito bem e que eram abertas aos estrangeiros.

“É um país muito harmônico, as pessoas sempre falavam comigo, no ônibus e na rua. O que eu mais gostava era da rotina de acordar, ir até a cidade falar com as pessoas e criar vínculos sem aquela mentalidade de dinheiro”. Kevin não sentiu que os locais tinham aquela intenção, que os habitantes de outros países mais populares têm, de sempre explorar o turista.

visão panoramica do Lago Malawi. Um dos maiores lagos do mundo localizado no sudoeste africano. Pedra em primeiro plano, à direita o verde e a esquerda o imenso lago
Lake Malawi

Lake Malawi

Um dos traços mais marcantes do país é o lago Malawi, em Kiswahili Niassa, que está entre os dez maiores lagos do mundo, sendo o terceiro maior da África. O lago se estende praticamente pelo país inteiro e também por uma parte dos territórios de Moçambique e da Tanzânia.

O mergulho no lago é uma das atrações principais do país. O lago possui uma imensa diversidade de espécies de ciclídeos, porém atenção: Para prevenir a contração vermes que vivem em água doce é recomendado tomar um remédio 6 semanas após o mergulho no lago. O viajante pode ir a qualquer farmácia do país e perguntar sobre o assunto.

Como cruzei a fronteira por terra pela Tanzânia, minha viagem começou ao norte do Malawi. Em Chitimba peguei o transporte para subir a montanha até a cidade Livingstonia, onde pude visitar a Mushroom Farm que, mais que uma fazenda, é um projeto de permacultura, eco educação e socialização com a comunidade.

Na fazenda tudo está em harmonia com a terra: o banheiro é de compostagem, os quartos são todos feito respeitando a bioconstrução e quase todos os ingredientes usados na cozinha são colhidos ali. Eles oferecem hospedagem em quartos e campings e o lucro é revertido para os projetos sociais, culturais e ecológicos da fazenda que englobam, entre outros, uma escola de enfermagem, capacitação para fazer artesanato e até uma hidrelétrica.

cachoeira em Livingstonia, Malawi. Foto com a vista de cima, na perspectiva da queda sob o verde
Livingstonia, Malawi

Durante a estadia em Livingstonia é possível conhecer todos esses projetos. A pequena vila, que tem uma linda universidade, museus e igrejas, também possui cachoeiras e trilhas incríveis com vista panorâmica para o Lago Malawi.

De Mushroom Farm fui para Nkhata Bay. Lá fica o porto onde é possível pegar o Ilala Ferry, um barco que atravessa o Lago Malawi de norte a sul uma vez por semana. É o meio de transporte principal dos locais e alguns viajantes escolhem se aventurar nessa jornada. Para saber mais informações sobre horários e duração da viagem, sugiro se informar diretamente no porto, pois é algo que muda muito.

Nkhata bay

Em Nkhata me hospedei na Mayoka Village. A estrutura do lugar é bem bacana, os os banheiros também são de compostagem, há caiaques à disposição e um restaurante que cada dia da semana oferece um jantar “temático” diferente . Rebeca Pessoa, 25, viajante, fez um voluntariado no Mayoka: “Eles me convidaram para fazer parte da família deles e foi exatamente como me senti lá: em família.”

Lago Malawi. Primeiro plano pedras com a sombra de uma escultura de uma mulher, lago cristalino no fundo
Nkhata Bay, Malawi

Nkhata Bay é uma comunidade de Malawianos e estrangeiros e, segundo Rebeca, tem o lago mais lindo que ela já viu. “Meu trabalho literalmente era conversar com os hóspedes, criar um ambiente confortável, e fazer eventos. Eu também fiz uns projetos de pintar placas para o menu e dei direções na rua. Todo dia eu comi comida deliciosa da cozinha de graça e muitas noites nós, voluntários, repartimos um brownie gigante com sorvete caseiro..”

Rebeca aproveitou muito seu período como voluntária. Todo dia nadou no lago e também fez alguns passeios de barco e aulas de yoga com os hóspedes. “Brinquei com as crianças, conversei com viajantes do mundo inteiro, bebemos, fumamos, dançamos debaixo da lua e do sol. Eu amei todo o staff de lá, os donos são pessoas muito generosas e simpáticas. Eu sinceramente saí de lá com uma nova família.”

Malawi Wawi

Kenda Beach, no litoral do lago, é outra praia famosa entre os viajantes. Porém o lugar que mais gostei da região foi Kapeska, onde conheci um projeto incrível de educação primária para as crianças da região, o Malawi Wawi. Tiwanee, a idealizadora e responsável pelo projeto, construiu a escola e também criou uma marca de roupas viabilizando uma forma de gerar renda para o projeto e empregar mulheres da região, que são as costureiras da marca. As peças de roupas são lindas, sustentáveis, únicas e trazem muito amor consigo.

Lilongwe é a capital do Malawi, mas não dei muitas chances para a cidade. Passei lá apenas para pegar ônibus para outros destinos, dentre os quais Monkey Bay, no sul do lago, a poucos quilômetros de Cape Maclear. Ambas são cidades do Parque Nacional do Lago Malawi, patrimônio da Unesco. Me hospedei no Musafa Ecolodge, mas nessa região o que não faltam são lugares para se hospedar.

praia formada pelo lago Malawi, barco em primeiro plano na areia com pedras e o lago ao fundo
Lake Malawi

Vale ressaltar que na África hostels não são muito comuns como na Europa e em outros lugares onde existem mochileiros. Lá existem quartos e albergues simples, ou lodges com opções de quartos individuais, compartilhados e camping. A opção mais barata é sempre camping, mas os quartos costumam equivaler aos preços dos hostels europeus.

No sul do Malawi está localizada a cidade mais industrializada do país: Blantyre. Lá se encontram grandes lojas, mercados, cinemas e restaurantes diversos. Da cidade também há transporte para cruzar a fronteira em direção a Moçambique e para ir ao Monte Mulanje.

Monte Mulanje

Vários mitos giram em torno do Monte Mulanje. Com 3.000 m de altitude, o Monte é o pico mais alto do Malawi. Segundo as lendas locais a montanha é habitada pelos espíritos dos antepassados dos habitantes da região, que decidem quem sobe e quem desce a montanha e que podem fazer uma pessoa desaparecer. Por esse motivo os locais fazem oferendas aos espíritos pela trilha.

Apesar dos contos assombrados, muitos montanhistas passam pelo Malawi e se aventuram pelo Mulanje, onde encontram vistas e cachoeiras deslumbrantes. Entretanto, o clima na região é muito instável, com muita neblina e essa seria uma explicação científica para o desaparecimento das pessoas na região.

Um economista e mochileiro brasileiro, Gabriel Buchmann, desapareceu e morreu na trilha do Monte Mulanje em 2009. Sua história inspirou o sensível filme Gabriel e a Montanha, premiado no Festival de Cannes em 2017.

menina entre as montanhas do Malawi em um dos picos mais alto da Africa
Rebeca durante subida ao Monte Mulanje

Gabriel subiu o Monte sem guia. Já Rebeca Pessoa passou o ano novo de 2019 subindo a montanha Mulanje com um guia e um carregador. “Eu levei uma mochila mais leve e o carregador levou a mais pesada com comida e materiais”. A caminhada durou 3 dias e no final Beca não achou tão difícil e acredita que poderia ter ido sem o carregador, mas não sem Harry, o guia. “Harry Naminga foi muito solícito e simpático comigo, sempre me deixando cômoda. Foi muito divertido passar os dias na natureza com eles, conhecendo uma parte de Malawi.”

acampamento raiz na montanha mulanje. mochilas ao lado dos viajantes e comida sendo cozinhada
Rebeca e amigos durante acampamento no Monte Mulanje

“No final nós não conseguimos subir até o pico por causa da chuva do dia anterior. O caminho é completamente feito de pedras, muito perigoso. Nós chegamos até onde foi possível e vimos uma vista até melhor do que no pico, porque de lá só dava para ver nuvens!”. Apesar de não chegar ao pico, a viajante amou o trekking e reforça que o mais bonito foi o caminho.

“Nós cruzamos rios e bebemos água deles, vimos vistas maravilhosas, deitamos embaixo de árvores diversas, conversamos, cozinhamos juntos na fogueira as comidas típicas do Malawi, como Nsima e folhas verdes. Cada noite ficamos em uma cabana diferente na rotina. As cabanas eram simples, mas que luxo dormir ao lado de uma fogueira em uma noite fria!”.

O clima na montanha muda muito. De noite faz muito calor e a noite faz bastante frio. Vale lembrar que o Malawi tem uma temporada de chuvas intensas e outra de seca. Outro filme muito bom, que retrata a realidade da população e as dificuldades de produzir alimento por causa desse clima é “O menino que descobriu o vento”.

Hoje o Mulanje é oficialmente uma reserva florestal, nomeada Patrimônio Mundial e está sob a proteção do Mountain Conservation Trust (MMCT).

Para quem quiser escalar o Mulanje com Harry Naminga o contato é +265 882857268

Afrika Burn: Desafiando o deserto

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

AFRIKA BURN

O AfrikaBurn não é um festival.  É um evento colaborativo, um experimento social, uma expressão da contracultura. No evento não existe dinheiro. Os participantes constroem toda uma metrópole: campings, bares, cozinhas, veículos mutantes, pistas de dança e até a decoração e as esculturas de arte que são queimadas durante a semana.

BURNING MAN

O AfrikaBurn é inspirado no Burning Man, realizado anualmente em Nevada, Estados Unidos, desde 1986. O Burning Man dura uma semana e tem um público bem mais vasto que o AfrikaBurn, chegando a atrair até 50 mil pessoas todo ano. O evento chama “homem em chamas” porque no último dia uma escultura em formato de homem é queimada.

O deserto de Tankwa, África do Sul

No AfrikaBurn acontecem queimas de todas as esculturas e até dos palcos. As queimas sempre têm um propósito, seja ele uma reflexão ou uma comemoração. Algumas são em homenagem aos criadores do Burning Man.

OS PRINCÍPIOS 

Os burnings pelo mundo são baseados em 10 princípios. O principal é não existir dinheiro. Tudo é troca ou presente. Apesar disso há uma incoerência, pois para participar de campings temáticos as pessoas devem fazer uma alta colaboração financeira. Ao mesmo tempo, é verdade que os camping temáticos proporcionam uma festa à parte: decorações impecáveis, vivências, jantares e alguns deles até oferecem palestras e aulas de yoga. Então, para quem busca uma estrutura maior dentro do festival, os valores cobrados são justificáveis. 

Outro princípio importante do evento é não deixar nada para trás. Você deve levar absolutamente TUDO que for consumir (a não ser que fique em um camping temático), desde água, fogo, até as refeições e bebidas alcoólicas. No festival a única coisa que se vende é gelo por duas horas ao dia. Além disso, no fim do festival, você deve levar TUDO de volta com você. Nem um plástico pode ser deixado para trás. Os outros princípios giram em torno da liberdade, da auto expressão, de fazer valer o “aqui e agora” e de participação.

Todos podem ser voluntários e trabalhar em alguma área do festival. O instinto de comunidade também é reforçado, além de se presentear sem esperar algo em troca. E o presente dado nem sempre é algo material. Nos Burnings todos oferecem alguma coisa. Eu ofereci fotografia e algumas garrafas de gin e ganhei um corte de cabelo ali no deserto.

O AfrikaBurn tem ainda um décimo primeiro princípio adicional: ensinar o outro. Um princípio que também reforça o instinto de comunidade.

Meus dias no AfrikaBurn

Teimosa, achei que não precisava de ninguém para ir ao deserto. Consegui uma carona de Cape Town e achei que chegaria no festival com 60 litros de água, sem camping, sem sombra, sem uma proteção do vento (e tem cada tempestade de areia nesse deserto…) e tudo ficaria bem. 

Dois dias antes do Burn, uma amiga que conheci cinco meses antes me ligou e disse que alugaria um carro para ir e que compraria materiais para construir uma espécie de vila. Eu fiquei animada para vê-la, mas estava sem dinheiro e achava que não precisaria de nada. Falei para ela me encontrar no hostel que eu estaria em Cape Town para a gente sair mais ou menos juntas e acampar perto.

E foi essa a minha sorte! Logo no primeiro dia, uma tempestade de vento quase destruiu minha barraca, se não fosse o carro da minha amiga, a barraca teria virado pó. Me rendi. Não dava para ficar sozinha no deserto. E o evento é exatamente sobre isso! 

Lá fiz meu eneagrama, desenhei e pintei, escrevi cartas e cartões-postais (tinha um correio na festa e eu sou louca por cartões-postais!), tirei muitas fotos, aprendi sobre ritmos africanos, dancei, me surpreendi a todo momento com a beleza da natureza e com as alegorias do evento.

O deserto é desafiador – até fisicamente. Não é uma experiência das mais confortáveis, mas é isso que a torna uma vivência enriquecedora e especial do começo ao fim.

DICAS PARA O AFRIKABURN

  • Vá em grupo
  • Leve muita água, inclusive para o banho
  • Leve alguma proteção para o vento, por exemplo uma lona
  •  A noite faz muito frio! Leve roupa de frio!
  • Prepara seu presente com carinho!
  • APROVEITE O MOMENTO PRESENTE!