Lake Nakuru: Desbravando um safári no Quênia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Guimarães

OS SAFÁRIS MAIS FAMOSOS DO MUNDO

No Quênia fica um dos safáris mais conhecidos do mundo: O Masai Mara Safari. Os pacotes para visita são caros: custam a partir de $300. Por isso, quando me decidi por fazer um safári, acabei escolhendo outro, que também não deixou nem um pouco a desejar.

Nakuru fica na região do Rift Valley, uma fenda causada pelo movimento de placas tectônicas e que vai desde o mar morto, na Líbia, até Moçambique. São mais de 6 mil quilômetros de fenda. Por ali, encontram-se vulcões inativos como o Mount Kenya, o Mount Longonot e o Mount Kulal, e diversos lagos, dentre os quais o Lake Nakuru, onde fiz o meu safári.

céu azul e nuvens no rift valley no Kenya. Montanhas verdes no horizonte, e natureza  em destaque, na fenda africana.
Rift Valley

O SAFÁRIA NO LAGO NAKURU

O Parque Nacional Lake Nakuru abriga centenas de espécies animais, como zebras, girafas, gazelas, javalis, rinocerontes, búfalos e inúmeras espécies de aves, inclusive os flamingos rosas, que colorem o lago de forma espetacular. A entrada do parque custa 80 dólares, mas como é preciso entrar com carro e guia, o preço acaba aumentando. No total, paguei $180.

Para ir ao safári, me levantei antes do sol nascer. Saí de Nairóbi, capital do Quênia, um pouco antes das 6h da manhã e às 10h já estava na entrada do Parque Nacional Lake Nakuru. Os primeiros animais que eu vi foram as zebras. Que vontade de fazer carinho! Elas pareciam tão alegres e tranquilas. Um pouco mais a frente estavam os búfalos. Eles já tem uma expressão mais séria. São grandes e robustos. O que me surpreendeu muito foi que, junto a eles estavam as garças, estas tão frágeis! Eles conviviam em plena harmonia. Na verdade, mais que harmonia, a relação ecológica desses animais é o mutualismo: uma relação da qual duas espécies se beneficiam sem serem necessariamente dependentes uma da outra.


bufáfos, flamicos, garças e outras aves no Lake Nakuru, Kenya
Lake Nakuru

As girafas também estavam lá. Comiam tranquilas, sem se preocupar com mais nada. Descobri que, pela sua cor, é possível saber seu sexo: os tons de laranja mais escuro são os machos, enquanto as mais claras são fêmeas. Outra curiosidade interessante sobre essas simpáticas pescoçudas é que elas quase não dormem e o cochilo é de pé. O nosso guia também reforçou o quanto a memória delas é boa.

No reino dos impalas não existe monogamia. Um macho pode ter até 40 fêmeas e elas o seguem por toda parte. Quando um macho quer o rebanho de outro, eles se enfrentam e o que matar o concorrente fica com todas as fêmeas.


girafa no lake nakuru, safãri do Kenya
Girafa
Búfalo e garças em Safari no lago Nakuru no Kenya
Búfalo

Na beira do lago, os flamingos fazem o maior espetáculo. O seu rosa se destaca no azul do lago, formando um cenário de filme da disney. Ali também há pelicanos, mas são as aves coloridas e elegantes e delicadas que roubam a cena. Outra “estrela” de Nakuru é o rinoceronte, um dos “big-five” (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte.) Atualmente ameaçados de extinção, eles ficam protegidos dentro do parque.

ALIMENTAÇÃO DURANTE O SAFÁRIA


As refeições estão inclusas nos pacotes de safári. A nossa foi excelente: uma salada e uma sopa de verduras de entrada, uma massa como prato principal e uma sobremesa maravilhosa – uma espécie de bolo mousse de chocolate com laranja. Não passei a noite no parque, mas diferentes tipos de hospedagem são oferecidas e, mesmos as mais simples, chamadas de “tendas”, são bem equipadas e completas.


zebra no lake nakuru, safãria no Kenya
Zebra
tres flamicos rosas no lago Nakuru, no Kenya
Lago Nakuru

A experiência de fazer um safári, só me fez ainda mais amante da natureza. Observar os animais em total harmonia e equilíbrio me trouxe uma paz inexplicável. Realmente, a natureza é perfeita.

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Nairóbi, uma capital de contrastes

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nairóbi não era nada mais do que um grande pântano até o fim do século XIX. Antes, a capital do Quênia era Mombasa. Isso até os ingleses construírem a linha de trem que liga Mombasa à Uganda, que é, até hoje, um dos trechos mais importantes para o comércio na região. Como Nairobi está localizada entre Mombasa e Kampala, a capital da Uganda, acabou sendo o local que os trabalhadores escolheram para se instalar.  A partir de então, foi crescendo até se tornar a metrópole que é hoje. A atual capital do Quênia é a sexta cidade mais rica da África e a maior entre Cairo e Johannesburgo.

Por causa das chuvas constantes e da temperatura que varia de muito calor de dia a um frio quase agradável de noite, Nairóbi é muito rica em natureza e em vegetação: uma capital muito verde ao redor dos carros e prédios.


menina alimentando Girafa em Nairóbi, capital do Quênia
Giraffe Centes

É também uma cidade de contrastes: um lado da cidade é muito rico, com hotéis, escritórios, prédios gigantes, cinemas, shoppings e muitas lojas de marca. Já no outro lado a miséria é escancarada. Kibera, a maior favela da África, está localizada ali.

O centro da cidade chega a me lembrar São Paulo. A River Road, avenida principal e também terminal dos matatus (o transporte local), pode ser comparada à 25 de Março. Lá é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, e principalmente “barraquinhas” e comércios de rua. Tudo por um preço bem acessível. É confuso e bagunçado, mas é onde tudo acontece.


silhueta de homem, fumaça, restos de lixo e arvores
Queimando o lixo em Nairóbi

O que fazer em Nairóbi

Museu Nacional

O Museu Nacional de Nairóbi merece uma tarde inteira reservada só para ele. Ali é possível conhecer a história das mais de 40 tribos que formam a identidade queniana, assim como a história do Quênia desde sua colonização até a recente independência, em 1963.

O museu também conta com exposições de arte rupestre, fósseis de origem humana, exposições sobre mamíferos, vida aquática e também sobre a vida das aves. Além de tudo isso, há um parque de cobras na frente do museu. A entrada para o museu custa KES 1.800 incluindo o parque das cobras. A visita ao museu sem passar pelo parque custa KES 1.200.

KES é o código para a moeda do Quênia, o shilling queniano. Cem shillings quenianos valem um dólar, ou 27 shillings valem um real

foto em preto em branco, fotos antigas no contorno de uma escada no Museu Nacional de Nairóbi
Museu Nacional

Giraffe Center e Giraffe Manor

O Centro de Girafas de Nairóbi é um santuário de girafas. Quatro das nove espécies de girafas que existem no mundo estão no Quênia, dentre as quais a Rothschild, que está ameaçada de extinção. É por esse motivo que o santuário existe. Lá as girafas são cuidadas enquanto bebês e aos 3 anos de idade, já adultas, são reinseridas em parques nacionais da região oeste do país e da Uganda.

No centro é possível observar as girafas Rothschild, alimentá-las e também aprender muito sobre a vida delas. Ali há também um centro de educação ambiental que tem como principal objetivo conscientizar os visitantes sobre a importância da preservação ambiental.

Ao lado do centro de girafas está o Giraffe Manor, um hotel cinco estrelas, onde é possível se hospedar e interagir com as Rothschild. A entrada para centro custa KES 1.000,00.

Kenyatta International Conference Center

O Kenyatta International Conference Center é maior prédio público da cidade e o terceiro maior do Quênia. Tem 28 andares e uma vista panorâmica para toda a cidade. Um moderno centro comercial, com bancos, escritórios e também conferências. O rooftop é aberto ao público e custa KES 500.

Parque Nacional de Nairóbi

O único parque nacional dentro de um perímetro urbano do mundo, o Parque Nacional de Nairóbi oferece aos visitantes a possibilidade de vivenciar a natureza plena e harmônica. Algumas das espécies que podem ser vistas ali são: hipopótamos, gazelas, leões, zebras, girafas, búfalos, guepardos e leopardos, além de centenas de espécies de aves.

A entrada do parque para turistas é de 60 dólares e é necessário ter um carro para visitar. Pacotes a partir de 100 dólares ao dia são oferecidos por diferentes agências de turismo.


Zebra comendo no Kenya
Zebra comendo

O que comer em Nairóbi

A comida tradicional do Quênia lembra um pouco a comida brasileira. Ugali é uma massa de milho que lembra o arroz, mas com uma consistência diferente. O feijão também é muito comum, principalmente acompanhado de couve. Ghiteri é outro prato típico com feijão, batata e milho. O Chapati, um tipo de pão, também é muito comum por aqui.

Como toda grande metrópole, Nairóbi oferece comida de todos os tipos. De comida japonesa a culinária etíope. A área de Westlands oferece muitas opções de bares e restaurantes. Os mais famosos da cidades são: o Mediterraneo, que serve comida italiana; o Hashmi, uma churrascaria indiana; o Sarabi, que é um bar e restaurante dentro de um hotel; e o Talisman, que é um restaurante de comida variada, mas principalmente do Oriente Médio.

Para a vida noturna, Nairóbi também tem opções de bares e baladas. Conheci algumas como a Black Diamond, Alchemist, Brew Bistro, K1 Klub House e o Kengeles Bar.


pulseiras, missangas e outros artesanatos no tradicional Masai Market em Nairóbi, capital do Kenya
Masai Market

Em Nairóbi vale a pena também checar o Masai Market.Como já citado anteriormente, o Quênia é formado por mais de 40 tribos. A mais populosa delas é a Kikuyo, mas a mais famosa é a Maasai. Uma das características da cultura Masai é a cor vermelha, mas as vestimentas vão muito além disso. O mercado acontece todos os dias em um ponto diferente da cidade. Lá é possível encontrar diferentes tipos de artesanato, roupas e peças da cultura masai e aprender um pouco sobre ela.

Nairóbi é uma metrópole multicultural com muitos contrastes e opções de entretenimento e história. Muito indicado pra quem quer conhecer mais sobre o Quênia e entender um pouco sobre a África.



Aportando no Quênia pelo paraíso em Mombasa

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

A cidade litorânea mais importante do Quênia pode servir de ponto de partida para quem quer viajar pela costa do país africano. O porto de Mombasa é o mais importante da África Oriental. O centro histórico da cidade pode ser um pouco confuso, mas é uma aventura desbravar suas ruas e mercados. É um passeio muito válido para quem tem disposição e vontade de conhecer algo diferente.

O QUE FAZER EM MOMBASA

A visita ao centro histórico pode começar pela escultura Mombasa Tuks. Passando por ela, há diversos mercados de artesanato, frutas, especiarias e o tradicional Fish Market. O mercado mais famoso da cidade é o Marikiti.


tuk tuk amarelo em Mombasa
Tuk tuk em Mombasa

No século XI, Mombasa foi descrita pelas Crônicas Árabes como a residência do rei dos africanos negros. Posteriormente se converteu em um importante assentamento de árabes. Pela posição privilegiada, era um ponto crucial na rota do comércio entre a África e a Índia.

Os portugueses foram os primeiro europeus que chegaram em Mombasa, no século XVI. Numa tentativa de acabar com o monopólio árabe, atacaram a cidade e a deixaram destruída. Houve diversos conflitos na região e, em 1593, os portugueses construíram o Forte Jesus, que hoje está aberto para visitas e é um dos destaques da cidade. Ainda assim, os portugueses nunca conseguiram de fato consolidar a sua hegemonia. Primeiro, porque os habitantes de Mombasa sempre foram resistentes, mas também, porque, anos depois, holandeses, franceses e ingleses entraram na disputa pela influência no Oceano Índico.


homem com camisa do Brasil e aborbora cortada na mao. Atras cestas de limao.
Mercado Marikiti

Forte Jesus

O forte Jesus é agora um museu considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Lá é contada a história da influência portuguesa em Mombasa e das batalhas que ocorreram na região. O museu fica aberto todo dia das 8h às 18h. O valor para não-residentes é de 1200 shillings quenianos.

Praias

O melhor da cidade são as praias. Tanto a costa norte como a costa sul são deslumbrantes. A praia de Diani, na costa sul, é considerada uma das mais bonitas do país. As águas claras e a areia branca e seu contraste com as cabanas de palha, contribuem para a impressão de se estar num cenário de filme. Para chegar até a praia de Diani é preciso pegar a balsa em Mombasa. A praia têm acessos públicos e privados por resorts ou por “beaches clubs”. Alguns pedem uma taxa para entrar, outros você só paga se consumir. Eu entrei pelo Bidi Badu Beach Resort e lá só se pagava o que se consumia. Achei os preços justos em relação à média do país. Na praia de Diani também é possível mergulhar: o mergulho é uma das principais atrações turísticas do lugar, assim como o kitesurf.


Praia. 3 menino em primeiro plano  em segundo plano barco. muito azul
Nyali Beach

A praia de Nyali também não ficou muito para trás no quesito “deslumbre”. É mais acessível do que a praia de Diani e também tem um mar de cor exuberante. Ali é preciso ter atenção com a tábua da maré. O mar vai chegando aos poucos na praia e, mais ou menos às 17h fica perfeito para entrar na água e mergulhar. No mesmo esquema de acesso que a praia de Diani, entrei pelo Reef Hotel, que compreende, no seu conjunto, o Moonshine: um bar restaurante muito agradável com vista para o mar.

Do lado norte, os destaques ficam com Kilifi. É uma praia mais tranquila e menos conhecida que as anteriores, onde a natureza predomina. Outra praia de mergulho muito famosa é Watamu, que fica a 150km de Mombasa. Há também Malindi frequentada principalmente por italianos e Lamu, uma praia em que predomina a população árabe. Em Lamu tem os famosos Dhow – uma espécie de barquinhos a vela. Os passeios valem muito a pena.


camelo na praia
Nyali Beach

Lugares  para comer

A comida típica da região é principalmente Ugali, um tipo de pasta de arroz, feijão, chapati e carne. A comida é simples, e confesso que nem sempre me agrada. Mas achei alguns restaurantes que incrementam a comida local com a culinária extrangeira. Gostei muito do restaurante Blue Room, no centro da cidade, mas, principalmente, do Punta Cana na praia de Nyali. Em Mombasa também existe o famoso Hard Rock Café.

Nos países do oriente que já visitei, percebi um costume de barganhar por preços, ou seja, sempre que te falam o preço de um produto ou serviço, é preciso negociar e renegociar até chegar ao seu valor real. No Quênia isso me incomoda um pouco, pois é necessário barganhar até o preço do Uber. Então a dica é: tenha paciência.


casas de palha e mar em praia no litoral do Kenya
Dinai Beach

Outra recomendação é sempre pesquisar sobre a situação atual do país antes de agendar uma viagem para lá, pois existe a possibilidade de conflitos na região.

Bordei Marrakech no meu coração

Por Maria Fernanda Romero 

Revisão Clara Porta Guimarães

O coração já estava acelerado antes de entrar no avião. Era um misto de ansiedade com receio. Não queria criar expectativas, mas já tinha um monte delas. Me avisaram que os marroquinos eram super comerciantes, que eu teria que negociar todos os preços. Estava preparada para brincar de leilão, cobrir os ombros e conhecer um mundo totalmente novo.

Meu vôo pousava 22h30 e a primeira dificuldade seria chegar sozinha em um país muçulmano pela noite. Tinha pedido um transfer para o hotel, mas a fila da imigração estava enorme. Demorei duas horas para passar pelo controle de passaporte e o transfer não esperou.

casas em marrakech, mesquita de fundo e tapetes coloridos em vários prédios

No Aeroporto de Marrakech-Menara é proibido ficar dentro do saguão. Tanto para embarcar, como para desembarcar. Só é possível passar direto para área de embarque e é uma segurança super pesada: tem raio-x na porta para sair à rua e também para voltar. Quando percebi que estava sozinha e não havia ninguém do meu hotel, quis voltar para o aeroporto, mas já não era possível. Tinha que pegar um táxi. E eu estava com medo.

Quando cheguei no ponto de táxi, a única semelhança que vi com os pontos de táxis que eu estava acostumada é que havia carros. Os marroquinos têm muita facilidade com as línguas e é super comum vê-los falando inglês, espanhol e até português. Eles querem te vender a qualquer custo e por isso tentam descobrir da onde você é e que língua fala para serem mais enfáticos nas abordagens. Entre eles a língua é o árabe.

O QUE FAZER EM MARRAKECH

Tudo no Marrocos deve ser negociado antes: A a arte da pechincha é muito usada, inclusive obrigatória. Mas às vezes me sentia insegura de oferecer um preço e eles não gostarem. Para negociar o táxi aconteceu exatamente isso. Tinham me dito que o aeroporto era perto e o táxi custaria cerca de 100Dh (mais ou menos 10€) mas na hora que eu dei minha oferta eles desataram a resmungar em árabe um com o outro. Me ofereceram 250Dh e acabamos fechando por 220Dh.

homens encatadores de cobras em praca em Marrakech
Praça Jemaa el-Fnaa

Marrakech é uma das cidades imperiais do Marrocos. As cidades imperiais foram as capitais das antigas dinastias do país ao Norte da África. Todas elas têm a mesma disposição espacial: Uma Medina, um núcleo religioso principal, que é a Mesquita, uma muralha protegendo e bem em frente à entrada, um cemitério.

A Medina é sempre bem protegida e forma labirintos. Em Marrakech a Medina é um mundo à parte, onde os acessórios, tapetes, portas, artesanatos e objetos religiosos ou não colorem as ruas. O muro que protege a Medina de Marrakech tem 19km e é todo furado para evitar rachaduras do sol.

Dentro da Medina de Marrakech fica uma das praças mais famosas do país: A praça Jemaa el-Fna que é um patrimônio oral e cultura da UNESCO. É uma das primeiras vezes que uma atração não palpável é considerada patrimônio da organização.

mesquita em Marrakech
Mesquita Koutoubia

Antigamente a Praça era o lugar onde cortavam as cabeças dos sentenciados à morte. Depois Jemaa el-Fna foi convertida em uma praça de animação.  Lá tem macacos, encantadores de cobras, mulheres que fazem tatuagem de renas e principalmente venda de especiarias. Acho que todo nosso imaginário ocidental sobre o que é o Marrocos pode ser representado na Jemaa el-Fna. Mas é importante lembrar: tudo é pago! Até fotos!  E se não pagar irá arrumar um problema com os locais.

Na Medina também tem os Souks. São como lojas especializadas. Existem Souks de couro, porcelana, roupas. Tudo muito bem trabalhado e encantador. Fazer compras no Souks é uma atividade a ser considerada.

A maioria das hospedagens em Marrakech chamam Riad. Antigamente Riad era a casa de uma família rica. Por fora parece mal cuidada, mas por dentro é muito bonita. Todas têm alguns quartos, uma fonte no meio e jardins laterais. Hoje em dia essas casas são hostels, onde é possível se hospedar por um preço justo dentro da Medina.

A Medina é muito viva. Não é permitida a entrada de carros, mas tem várias motos que cortam as ruelas do centrinho e é melhor tomar cuidado com elas.  Me incomodou um pouco o fato de não ter muitas mulheres na rua, mas consegui me virar bem e com cautela.

A comida marroquina é maravilhosa. O tradicional Homus e Tahine serve de acompanhamento para tudo. Também há uma variedade de geleias impressionante. Nas refeições grandes, a carne de cordeiro é um ingrediente comum. Muitos pratos são feitos com ela. O cuscuz também é muito tradicional, tanto com peixe como com vegetais. Sobre os temperos, nem preciso me alongar: A variedade de especiarias marroquinas não tem fim.

plantas verdes em contraste com a decoracao azul em Marrakech
Jardim Majorelle

Há também restaurantes franceses e estrangeiros em Marrakech, como o Nomad e o Le Jardin. Esses restaurantes mesclam a cozinha mediterrânea com a cozinha marroquina e estão muito bem localizados.

O Palácio da Bahia também é lindíssimo. Uma arquitetura que mistura a simetria dos árabes, os mosaicos dos andaluzes e os arcos dos berberes, os marroquinos da montanha. Ninguém sabe se os árabes incorporaram a arquitetura andaluza em suas construções, ou se os andaluzes incorporaram a arquitetura árabe depois das invasões. A questão é que a combinação da arquitetura árabe-andaluza é incrível.

Todas as construções do palácio são feitas de gesso, pó de mármore e clara de ovo.Ele tem 160 quartos e vários pátios e salões. A entrada custa 10Dh.

Na Mesquita Koutoubia, a principal de Marrakech, não é permitida a entrada de estrangeiros, mas um passeio pelos seus jardins vale a pena.Fora da Medina também há muita coisa linda.

O Jardim Majorelle é um jardim botânico extremamente colorido, principalmente em tons de azul e amarelo. Ele pertencia ao pintor francês Jacques Majorelle, mas depois de sua morte ficou abandonado então o estilista Yves Saint Laurent o comprou, restaurou e o doou à Marrakech. O jardim é muito rico, tem plantas do mundo todo, principalmente da América Latina.

Montanhas atlas marrocos com neve
Montanhas Atlas

Montanhas Atlas

Também fiz um bate-volta nas montanhas do Atlas. É o povo berbere que ocupa as montanhas, ao norte do Marrocos. Até 2004, a língua local era apenas oral. Eles vivem principalmente da agricultura. O trigo é o grão mais cultivado. Os berberes vivem da terra e respeitam a natureza. As casas nas montanhas são todas feitas de barro.

A primeira cidade que parei foi Tahennaout. Lá há uma cooperativa de mulheres que faz extrações do argan, uma erva muito boa para o cabelo e para a pele e que tem propriedades terapêuticas. Elas vendem os óleos, dentre outros produtos artesanais.

Seguimos para Tamazirt. Lá é possível fazer uma trilha pelas montanhas do Atlas de 1900m de altitude. O Atlas é uma das cordilheiras responsáveis pela existência do deserto do Saara. As massas de umidade ficam presas na montanha (onde até neva!) e não passam para a área do Saara, que fica desértica.

mulheres produzem oleo de Arghan no marrocos

Há também muitos rios na região. Os rios são permanentes, mas seu nível depende da chuva e do degelo na região. Os rios continuam para a área desértica, mas secam ao longo do percurso.O povo Berbere é muito receptivo e muitas casas oferecem um almoço típico marroquino com chá de ervas da montanha.

Shokran, Marrocos, por me mostrar um tanto mais do mundo e quebrar tantos conceitos já formados em mim.