Mar, meu lar

Por Maria Fernanda Romero

O mar sempre foi a minha fonte de energia,
Nos dias de paz observo as ondas e permaneço tranquila,
Nos dias difíceis olho a imensidão do horizonte e me lembro que o mundo é bem maior,
Nos dias felizes entro correndo e pulando as ondas,
Nos dias tristes misturo minhas lágrimas com água salgada,

Outros dias eu só quero sentar sozinha na beira do mar.
Uns dias eu o olho e grito: um brinde a vida!
Em outros eu quero que ele me leve à outra vida,
Respiro fundo e continuo a navegar

Ainda bem que achei no mar, um lar.

barco no meio do oceano indico, representa o lar e o conforto do mar
Zanzibar, Tanzania

Um brinde ao infinito

“Segura minha mão”, pediu a garota enquanto se apoiava na calota do trailer.

O vento forte bagunçava seus longos cabelos negros. Apesar do vento, o fim de tarde estava quente. O sol já havia se posto mas, a escuridão não estava completa. Era aquela hora do dia que o céu fica laranja-rosa-azul-escuro, tudo ao mesmo tempo…

E o mar reflete todas as cores.

“Pronto. foi difícil chegar aqui, hein?” Reclamou o menino quando ambos já estavam acomodados em cima do trailer. A ideia maluca foi dela, lógico.

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Era um trailer velho, daqueles que vende pastel na praia e, estava lá, justamente naquele momento mágico do dia. Os jovens enamorados, se é que assim podemos denominá-los, procuravam um lugar para ficarem juntos em paz.

“Mas tá valendo a pena, não está?” Ela respondeu enquanto admirava o mar. As ondas iam e vinham no balanço característico. As espumas borbulhavam, as cores se misturavam, em instantes o céu ficaria escuro e, a cada onda que se quebrava era como se ela tirasse uma foto com os olhos, queria eternizar aquele momento. Se não fosse em fotos que fosse na memória.

“Em que você tá pensando?” Ele perguntou percebendo a distração da garota

“No infinito….”

Ela via a linha do horizonte que dividia o céu e a terra e queria se teletransportar para lá, para tudo, para tudo que não tivesse fim, para o infinito. Ela não queria apenas estar no infinito, ela almejava o infinito. O infinito do espaço, o infinito do tempo, o infinito do amor. Ela era o infinito com toda sua intensidade.

Ela ainda não sabia, mas aquele momento realmente seria infinito para ela, nas suas lembranças e no seu coração. Olhando para o mesmo ponto, eles sorriam e juntos desejavam. E talvez essa não seja uma história de amor, mas sim de uma energia, uma energia que ainda dura e vai durar toda eternidade, até o infinito.

Traços do ser

Por Maria Fernanda Romero

A vida são lapsos de amor intercalados com fagulhas de dor,
as tristezas e os espaços da vida tem a sua beleza,
é a vida: difícil e bela.

O mundo, tão inóspito e vazio,
também abriga uma imensidão de flores,
a tristeza tem sua beleza,
e faz te lembrar que está vivo.
E viver doí,
mas também, se não houvessem fagulhas de dor, como reconheceríamos os lapsos de amor?

nascer do sol no Saara e menina entre as dunas
Deserto do Saara- Marrocos

Caminho para casa

Por Maria Fernanda Romero

Os sentimentos,
tão profundo,
turbinados,
pelo calor do seu abraço,
ofegante,
caminho de volta para casa,

navego nesses sentimentos,
escorrego nas dunas,
que não são como no deserto,
mas a areia arranha,
as estranhas,
entranhas,
do meu coração,

porque essas almas vazias,
não saciam a minha fome,
de viver

folhas secas em primeiro plano, lago em segundo e montanha desértica no fundo
Poesia em Portugal

Ser Mulher

Por Maria Fernanda Romero

Sou mulher.

Meu espaço frequentemente é invadido

meus desejos frequentemente são hostilizados

sou objetificada.

Sou mulher,

Às vezes, menina,

sou sensível

não sou fraca

nem sou louca

não sou histérica.

Sou mulher

sangro por uma semana

mesmo quando não estou machucada 

as feridas que mais doem são outras 

o coração, às vezes, aperta.

Sou mulher

tenho a possibilidade de ter filhos

deveria ter a possibilidade de não querê-los.

Sou mulher

sou guerreira

sou bruxa

sou flores

sou cores,

 sou amores.

menina com vestido estampado sentada na trilha e uma flor laranja no cabelo
Trilha na Guarda do Embaú

Astro rei

Por Maria Fernanda Romero

As nuvens deixaram de cobrir as estrelas.

A lua se escondeu atrás das colinas

junto com ela foram todos meus devaneios.

Todos os sonhos não-realizados

todas as promessas em vão 

e também a solidão.

Fácil seria se pudéssemos apagar e voltar a brilhar todos os dias. 

Bem que eu também poderia ser mais forte do que todas as nuvens 

do que a escuridão.

Assim, como o maior astro de todos.

Se eu fosse como o maior astro de todos 

nada iria me abalar.

Acima do abismo iria poder voar, enxergar a imensidão

esquecer da multidão.

Mas o frio ainda me corrói.

É como um tapa que me traz de volta à realidade. 

Ah, se eu fosse como o maior astro de todos…

surfista solitário descendo onda durante um pôr-do-sol bem amarelo e poético
surf e pôr-do-sol

Como o outono cheira?

Por Maria Fernanda Romero
O perfume exalando no ar,
Ou é a cândida que limpa o chão?
Talvez aquele shampoo, ou uma colônia pós-banho….
Pode ser uma rosa no jardim,
Mas as rosas estão caindo….
Pode ser a chuva, ou meu cachorro molhado
Não quero fechar a porta,
Deixarei lágrimas,
Meu consolo é saber que o cheiro familiar estará sempre lá….
Sempre lá me esperando,
Para me reconfortar,
E mesmo que eu demore para voltar,
O cheiro do outono lembra meu verdadeiro lar

sufocada

Por Maria Fernanda Romero

Estou sufocada.
Meu oxigênio contaminado,
minhas células morrem lenta(mente),

Neste quadrado cercado,
muitas caras, cheias de cores e pudores,

choro… choro e, tento recuperar o fôlego,

No meio do cinza,
concreto,
carros e caminhões,

Posso morrer asfixiada,
E eles não vão entender nada

Hoje me despeço

Por Maria Fernanda Romero

Naqueles olhos que eu enxerguei a paz,
hoje refletem o buraco dolorido e sangrento que se abriu em meu peito,
enquanto dormia no aconchego do seu abraço sonhei com nosso paraíso,
ele só existe no meu sonho.
acordei destruída.

olhei o nosso velho quarto pela última vez,
ainda sinto o gosto amargo do último gole de café,
perdida numa noite fria de verão,
só quero mais um trago.

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Foto: Alice Reis

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Sobre a autora

Jornalista de formação, escritora de alma, viajante entre mundo, poeta por sentimentos. Maria Fernanda é uma mulher plural que dá vida aos seus sentimentos por forma das palavras.

A poesia é uma outra forma, além das crônicas e reportagens, de contar as histórias que a viajante viveu mundo afora.

Entre sentimentos e metáforas nasceu o “Navegando em Poesia” um livro que traz reflexões sobre o mundo e sobre a própria autora. Às vezes de forma leve, sonhadora, outras vezes provocadora.

Navegando em Poesia
Navegando Poesia por Thais Castilho

O ebook está disponível na amazon em formato kindle. Para ter acesso ao formato em PDF envie um e-mail para culturanavegavel@gmail.com