Um brinde ao infinito

“Segura minha mão”, pediu a garota enquanto se apoiava na calota do trailer.

O vento forte bagunçava seus longos cabelos negros. Apesar do vento, o fim de tarde estava quente. O sol já havia se posto mas, a escuridão não estava completa. Era aquela hora do dia que o céu fica laranja-rosa-azul-escuro, tudo ao mesmo tempo…

E o mar reflete todas as cores.

“Pronto. foi difícil chegar aqui, hein?” Reclamou o menino quando ambos já estavam acomodados em cima do trailer. A ideia maluca foi dela, lógico.

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Era um trailer velho, daqueles que vende pastel na praia e, estava lá, justamente naquele momento mágico do dia. Os jovens enamorados, se é que assim podemos denominá-los, procuravam um lugar para ficarem juntos em paz.

“Mas tá valendo a pena, não está?” Ela respondeu enquanto admirava o mar. As ondas iam e vinham no balanço característico. As espumas borbulhavam, as cores se misturavam, em instantes o céu ficaria escuro e, a cada onda que se quebrava era como se ela tirasse uma foto com os olhos, queria eternizar aquele momento. Se não fosse em fotos que fosse na memória.

“Em que você tá pensando?” Ele perguntou percebendo a distração da garota

“No infinito….”

Ela via a linha do horizonte que dividia o céu e a terra e queria se teletransportar para lá, para tudo, para tudo que não tivesse fim, para o infinito. Ela não queria apenas estar no infinito, ela almejava o infinito. O infinito do espaço, o infinito do tempo, o infinito do amor. Ela era o infinito com toda sua intensidade.

Ela ainda não sabia, mas aquele momento realmente seria infinito para ela, nas suas lembranças e no seu coração. Olhando para o mesmo ponto, eles sorriam e juntos desejavam. E talvez essa não seja uma história de amor, mas sim de uma energia, uma energia que ainda dura e vai durar toda eternidade, até o infinito.

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Traços do ser

Por Maria Fernanda Romero

A vida são lapsos de amor intercalados com fagulhas de dor,
as tristezas e os espaços da vida tem a sua beleza,
é a vida: difícil e bela.

O mundo, tão inóspito e vazio,
também abriga uma imensidão de flores,
a tristeza tem sua beleza,
e faz te lembrar que está vivo.
E viver doí,
mas também, se não houvessem fagulhas de dor, como reconheceríamos os lapsos de amor?

Ser Mulher

sou mulher;

meu espaço frequentemente é invadido,

meus desejos frequentemente são hostilizados,

sou objetificada;

sou mulher,

sou sensível,

não sou fraca,

não sou louca,

não sou histerica,

sou mulher,
sangro por uma semana,

mesmo quando não estou machucada,

as feridas que mais doem são outras,

o coração as vezes aperta;

sou mulher,

tenho a possibilidade de ter filhos,

deveria ter a possibilidade de não quere-los.

sou mulher,

sou guerreira,

sou bruxa,

sou flores,

sou cores,sou amores;

Astro rei

As nuvens deixaram de cobrir estrelas,

A lua se escondeu  atrás das colinas,

junto com ela foram todos meus devaneios,

Todos os sonhos não realizados,

Todas as promessas em vão,

e também a solidão,

Fácil seria se pudêssemos apagar e voltar a brilhar todos os dias,

Bem que eu também poderia ser mais forte que todas as nuvens,

que a escuridão,

Assim como o maior astro de todos,

Se eu fosse como o maior astro de todos…

Nada iria me abalar,

Acima do abismo iria poder voar,

enxergar a imensidão,

esquecer da multidão,

Mas o frio ainda me corroí,

É como um tapa que me trás de volta á realidade,

Ah se eu fosse como o maior astro de todos….

Como o outono cheira?

Por Maria Fernanda Romero
O perfume exalando no ar,
Ou é a cândida que limpa o chão?
Talvez aquele shampoo, ou uma colônia pós-banho….
Pode ser uma rosa no jardim,
Mas as rosas estão caindo….
Pode ser a chuva, ou meu cachorro molhado
Não quero fechar a porta,
Deixarei lágrimas,
Meu consolo é saber que o cheiro familiar estará sempre lá….
Sempre lá me esperando,
Para me reconfortar,
E mesmo que eu demore para voltar,
O cheiro do outono lembra meu verdadeiro lar