Praga: o anti-clichê Europeu

Por: Maria Fernanda Romero

Antes de entrar no trem para a República Tcheca anotei na minha agenda palavras e frases básicas da língua tcheca e também os endereços dos lugares em que ia ficar. Acho que foi a melhor coisa que eu fiz e o único conselho que eu dou àqueles que vão para países em que não entendem absolutamente nada da língua. Anote! Porque, na pior situação, sempre tem a mímica e isso não tem erro.

Além disso, uma coisa que aconteceu muito comigo foi a pessoa estar na maior boa vontade, lascando as informações em tcheco e eu sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo. “Nerozumím”: Eu não tô entendendo. Pelo menos foi isso que eu anotei… nem sempre eles paravam de falar ou trocavam o idioma, mas muitas vezes se esforçaram mais e é aí que entra a mímica. “Ahoj” é a saudação e também a despedida. “Prosím”, por favor, “Děkuji”, obrigado. Com essas palavras sobrevivi bem na República Tcheca.

O QUE FAZER EM PRAGA

Praga é um clichê europeu. Um rio que cruza a cidade (o Vltava), a ponte medieval, a parte velha, a parte “nova”, a arquitetura, o castelo – ou o conjunto de castelos, no caso de Praga. A cidade é linda e colorida. Tem um ar meio rebelde e leis mais brandas, porém ao mesmo tempo contraditórias. Por exemplo, não se pode comprar cigarros depois das 22h, mas é possível comprar tabaco. E também souvenirs de maconha com até 0,2% de THC.** (A maconha é descriminalizada no país, mas a venda de qualquer quantia de maconha ainda é um ato criminal e pode render até um ano na cadeia. O porte da droga não é considerado crime e o seu cultivo também é liberado, desde que não ultrapasse o valor máximo de posse, que é de 5 plantas. O uso médico de maconha com receita é permitìdo e também a venda de souvenirs com até 2% de THC).

Rio que divide a cidade de Praga, um barco passando por debaixo da ponte,  e o Castelo de fundo

Em Praga é possível ir para praticamente qualquer lugar a pé. Em Staré Město (Cidade Velha em português), fica – ou ficava -, desde 1410, um dos relógios mais importantes do mundo. O Relógio Astronômico Orloj. Tive sorte, porque alguns dias depois da minha visita, ele foi recolhido para manutenção. Espero que volte logo. Ele é tão especial, que, segundo a lenda, os vereadores de Praga cegaram o relojoeiro que o fabricou para que ele não pudesse fabricar outro igual. Lendas à parte, o relógio simboliza muitas coisas: As estátuas simbolizam a morte, o medo das invasões na cidade, o medo da fome e da pobreza e a vaidade. A bola de ouro representa o sol e a sua posição diz em qual parte do dia estamos. Ela indica também em que signo o sol está, já o ponteiro da lua indica em que signo e em que fase ela está.

A Praça Old Town também é onde está localizada a igreja gótica de Nossa Senhora de Týn, com torres desiguais que a fazem parecer um castelo. No centro da cidade velha, entretanto, tudo é muito caro. Os preços dos restaurantes, dos bares e das casas de câmbio (lá a moeda é a coroa tcheca) não são muito bons.

Por outro lado, tem outras igrejas belíssimas, tanto católicas, como protestantes e a fundação do Clementinum, um conjunto arquitetônico que abriga a Biblioteca Nacional. Outras construções que se encontram no centro são a Universidade Charles, diversos museus como o Mucha e o Rudolfinum, que abriga uma sala de concertos, uma pinacoteca e um museu e que também já foi sede da Assembléia Nacional.

telhados vermelhos e verdes e montanhas no horizonte de Praga

Praga fica bem no meio da região da Boêmia, no centro da Europa e não é coincidência que o nome dessa região tenha dado origem à palavra “boêmio”. Os tchecos criaram as melhores cervejas do mundo, como a Pilsner Urquell, e são até hoje os maiores consumidores de cerveja do mundo. Mel e leite também são produtos locais muito importantes para o país.

cervejas de Praga

Assim como em muitas outras cidades da Europa, muitas empresas oferecem um Free Walking Tour em Praga. Eu fiz com a empresa Sandermans e gostei muito. Aprendi muitas curiosidades sobre a região, além de ir conhecendo os principais pontos turísticos da cidade. Uma das histórias que o guia nos contou foi que o atual presidente do país, Milos Zeman, odeia vegetarianos e jornalistas. Não sei se é verdade, mas espero que não.

Atravessando o rio Vltava pela ponte Charles chega-se ao Malá Strana, onde fica o castelo. Há outras pontes que ligam a parte velha de Praga à parte mais nova, porém a ponte Charles é a mais especial. Ela foi construída por ordem do rei Charles e sua sua construção durou 45 anos, até 1402. No solstício de verão, quem está abaixo da Torre da ponte vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito, a catedral do castelo, mas não há registros de que isso seja proposital.

castelo de Praga
Castelo de Praga

O conjunto de castelos de Praga é o maior do mundo. Lá ficam o Antigo Palácio Real, a Galeria Nacional de Praga, algumas prisões medievais e a Catedral de São Vito, que demorou 600 para ser construída e que é um dos símbolos da cidade.

O nosso guia do Free Walking Tour nos contou que Mick Jagger e os Rolling Stones colaboraram com a manutenção do conjunto: Após a queda do comunismo, a banda foi convidada para tocar em Praga e teria patrocinado uma reforma para melhorar a iluminação do castelo. O cantor, que gostava muito da cidade, teria ficado comovido com as dificuldades do país pós-comunismo e esse foi o modo que ele encontrou de ajudar. Provavelmente é uma lenda, mas poderia ser verdade.

Outra estrela que deixou marcas na cidade foi John Lennon. Ainda no bairro de Malá Strana fica um muro em homenagem ao artista. Hoje em dia é mais uma parede com grafite como tantas outras, porém, na década de 80, ele representava a indignação política da população e foi usada como protesto a favor da liberdade de expressão.

horizonte de Praga com telhados vermelhos e azúis

O bairro judeu também é um símbolo de resistência da cidade. Os judeus começaram a ocupar as áreas do subúrbio de Praga ainda na Idade Média. Eles sempre sofreram muita opressão e nem podiam frequentar o centro da cidade. Na Segunda Guerra Mundial, infelizmente, muitos judeus dessa região foram mortos, mas o bairro ainda está preservado para contar essa história.

A sinagoga Pinkas, construída em 1535, é um dos lugares onde mais se pode aprender sobre a cultura judaica na cidade, assim como a sinagoga Staranová, que é a Sinagoga mais antiga da Europa, sobrevivente de vários ataques, incêndios e guerras. No bairro, muitas pessoas também visitam o cemitério antigo, que foi, por mais de 300 anos, o único lugar onde os judeus podiam enterrar seus mortos.

COMER EM PRAGA

Como já disse, a cerveja em todo o país é muito boa, então o que não falta na cidade são bares e pubs com  bons preços e boas bebidas. Além disso, a comida é muito boa. Depois do Trdelnik, um doce que é uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberto com açúcar, canela, chocolate, doce de leite ou geléias, meu prato preferido foi o Smažený sýr: um queijo empanado frito maravilhoso.

Apesar de ter saído de lá um pouco confusa com tantas ironias e coincidências, enxerguei Praga como uma cidade charmosa, receptiva e bastante intensa.

Cesky Krumlov: Vilarejo medieval no sul da Bohemia

Por Maria Fernanda Romero

Cesky Krumlov é uma pequena cidade medieval no sul da República Tcheca, hoje patrimônio da UNESCO. Cesky era o prefixo para todas as cidades tchecas na época e significa “bohemia” em Português. Krumlov significa “contornada pelo rio”, fazendo referência à sua posição geográfica que é, de fato, no meio do rio Vltava (Moldava em português).

O QUE FAZER EM CESKY KRUMLOV

O principal ponto turístico da cidade é o seu Castelo, o segundo maior do país. Construído pela família Rosenberg, além de imenso, ele tem charmosos jardins divididos em duas partes, uma inglesa e uma francesa. Há também um urso vivendo lá. De verdade. E eu não consegui descobrir o motivo.

ceu cinza e casas coloridas com telhados cheio de neveNão há carros no centro da cidade e há muitas construções conservadas que datam do século XVI, apesar das mudanças significativas que aconteceram por lá nos últimos trinta anos, desde que a República Tcheca deixou de ser comunista.

Um dos motivos de estar tão bem conservada é que, apesar das guerras que ocorreram no país, Cesky Krumlov nunca foi atingida por bombas, nem foi palco de um conflito direto. É uma pequena e tranquila cidade medieval, que conserva muito bem os estilos góticos e renascentistas.

Cesky Krumlov é encantadora, guarda muita história, cultura tcheca e cerveja boa. O que mais me impressionou foi como a maioria dos lugares, mesmo os restaurantes e o hostel, têm um porão, o vão entre o chão e o teto enorme, e o formato de um pequeno castelo. A sensação é de estar em uma outra época. Gostei muito do Free Walking Tour que fiz lá. O guia era divertido e contou muitas curiosidades e lendas sobre a cidade.

ceu cinza, montanha, a torre do castelo de Cesky Krumlov e telhados com neve

COMIDA EM CESKY KRUMLOV

A culinária tcheca é marcada principalmente pelas carnes, mas o que eu mais gostei foi a sobremesa. O Trdelnik ganhou meu coração e me acompanhou todos os dias na República Tcheca. É uma massa assada em uma espécie de churrasqueira, coberta com açúcar, canela. Tem também outras opções de cobertura, como chocolate, doce de leite e geléias.

Jardins do castelo de cesky krumlov cheio de neve

Chegar em Cesky Krumlov não é tão fácil, mas isso a torna mais especial. Tem alguns trens que saem de lá para Ceske Budejovice, há 27km de distância, e ônibus para Praga, a capital tcheca e Salzburg e Linz, na Áustria.

Muitas vezes compartilhei momentos com pessoas na República Tcheca, no qual eu não entendia uma palavra. Fui em alguns jantares, assisti um jogo de hóquei e também compartilhei algumas mesas no bar. Eu não entendia uma palavram mas percebi que não era necessário para entender as boas intenções, compartilhar os bons momentos e também pedir ajuda e ser ajudada. A boa vontade e o que vem de dentro é o que importa.

rodoviária de cesky krumlov com vários homens e todo coberto de neve

Outros destinos na República Tcheca você pode encontrar no fórum dos mochileiros.

cartaz escrito que a violencia jamais será justificativa
Greve Geral, 3 de outubro de 2017

Munique: A cinza e viva capital da Baviera

Por Maria Fernanda Romero

ALEMANHA: PRIMEIROS CONTATOS

Estudei a vida toda em um colégio alemão e no colegial fiz um intercâmbio para Alemanha. As lembranças que vêm à minha cabeça quando penso no país são muitas primeiras vezes. Primeira vez na Europa, primeiro intercâmbio, primeira tatuagem, primeira cerveja (Schöfferhofer de laranja) e também o primeiro e o único país em que fui furtada na Europa. Tudo foi incrível. Mas, ao mesmo tempo, eu tinha um receio de voltar. Não é o país que mais me emociona e faz meu coração vibrar quando me lembro. Mas é o país estrangeiro onde mais aprendi coisas. Bati muito a cabeça para entender que os alemães eram diferentes e eu que tinha que me adaptar às regras deles.

Aberta a reconhecer a Alemanha, chego em Munique (também conhecida como Munich pelos falantes do inglês ou como München pelos alemães) encantada com a vista dos alpes cobertos de neve que tenho do avião. O piloto diz que faz 1º C e neva. Eu estava muito ansiosa para ver a neve, mas assim que o S-Bahn saiu da estação do aeroporto ela já tinha sumido. O frio não.

“S-Bahn” porque os alemães são high-techs e têm vários tipos de transporte público. O S-Bahn seria um trem de menor circulação, mas é diferente do “Zug”, que é o trem de fato. O “U-Bahn” é o metrô e o “Tram” é um trenzinho ao ar livre, que poderia corresponder ao bonde. Claro que também tem o busão! Esse é fácil: “Bus”.

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Vista panorâmica de Munique

A Munique que morava na minha memória era um pouco assustadora. Muitos punks, bêbados, pessoas estranhas que te abordam na rua com um alemão, que nem  na época que eu estudava alemão, muito menos agora (e acho que nem se eu tivesse estudado por 30 anos) eu entenderia. Ela também era cinza, nebulosa e um pouco triste. Com certeza essa lembrança dela ser triste tem a ver com o fato de que, na época em que eu fui para lá pela primeira vez, eu conheci o Campo de Concentração de Dachau, que fica lá perto, e não tem como ver beleza e alegria depois de pensar em tantas mortes.

O QUE FAZER EM MUNIQUE

O passeio em Munique começa pelo centro histórico. Lá tem duas praças importantes. A Karlsplatz, onde podemos entrar pela Karlstor, uma das entradas da cidade quando ela era cercada por uma muralha medieval, e a Marienplatz, onde fica Igreja de St. Peter e as Altes Rathaus e Neues Rathaus, velha e nova prefeitura em português. O relógio da nova prefeitura possui um carrilhão de bonecos e todos os dias, em alguns horários, eles saem para uma apresentação animada.

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Entre as duas praças fica a rua mais comercial da cidade que chama Kaufingerstrasse. Ainda no centro histórico fica a Frauenkirche, a maior Igreja da Baviera. Assim como a Igreja de St. Peter, merece ser conhecidas. As torres verdes da Frauenkirche podem ser vistas de toda a cidade, nenhuma construção atrapalha a sua vista. Ainda no centro, está localizado o Viktualienmarkt, um antigo mercado público da cidade,  onde podemos encontrar pães, queijos, frutas típicas alemãs e todo tipo de alimento de qualidade.

Do centro é possível caminhar até a Hofbräuhaus, uma das mais antigas cervejarias alemãs, fundada em 1589. Na época, fabricava a cerveja do Duque da Bavária, somente 300 anos depois foi aberta ao público. Além da cerveja e dos pratos mais típicos e deliciosos da Alemanha, também há um show com as tradicionais bandinhas históricas.

uma das mais antigas cervejarias alemãs, fundada em 1589. No início ela fabricava a cerveja do Duque da Baviera e somente 300 anos depois foi aberta ao público. Além da cerveja e dos pratos mais típicos e deliciosos da Alemanha, lá também há um show com as tradicionais bandinhas tipícas.

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Hofgarten

Se for verão e o dia for longo é possível fazer muito mais coisas em Munique, mas no inverno os dias acabam cedo na Europa, então talvez a continuação do passeio deva ser feita no dia seguinte.

Partindo da cervejaria dá para ir até a Odeonsplatz, o lugar onde Hitler discursava e também onde foi preso. Lá também fica o Residenz, o palácio que foi residência oficial dos duques e reis da Baviera e a Ópera de Munique. Seguindo em frente, pela Leopoldstrasse, uma avenida com muitos bares e restaurantes você encontra o Siegestor, grande arco que separa as avenidas Leopoldstrasse e Ludwigstrasse. Ele também é comparado ao Arco do Triunfo, de Paris.

Virando à direita na Odeonsplatz, encontra-se o lindo jardim Hofgarten. Atravessando esse jardim, chega-se no Englischer Garten, um dos maiores parques urbanos do mundo. Ele também pode ser considerado a praia de Munique e, no verão, é muito comum encontrar gente tomando sol pelada por lá. Além disso, durante o ano todo, há surfistas no parque, já que é possível surfar nas ondas formadas pelo rio Eisbach.

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Englischer Garten

O parque tem 6 biergartens, que são como jardins para tomar cerveja, comer e conversar. O maior do parque, e também de toda cidade é a Chinesischer Turm, ou Torre Chinesa. O biergarten tem capacidade para 7 mil pessoas sentadas. Além de cerveja, é possível encontrar o glühwein por toda a cidade, um vinho quente com especiarias, que pode ser comparado ao nosso quentão.

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Chinesischer Turm

Para outro dia em Munique, O Nymphenburg Schloss, ou Palácio de Nymphenburg, é um bom plano. Ele foi construído como residência de verão para os duques da Baviera e é uma importante construção nos estilos barroco e rococó. Os jardins do palácio são enormes e tem até um jardim botânico.

O Olympiapark também é uma ótima opção. Construído para os Jogos Olímpicos de 1972, é uma área verde com um lago e uma vegetação muito bem cuidada. Os Jogos Olímpicos de 1972, infelizmente , são lembrados pelo atentado no qual oito terroristas palestinos invadiram o alojamento de Israel e mataram dois atletas. Por esse motivo, há uma homenagem às vítimas no Parque, que também serve de convite à reflexão, em um país que foi palco de tantas guerras e mortes.

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Nymphenburg Schloss

Entretanto, o espaço público também é usado para prática de esportes e diversos eventos culturais. No Olympiapark também é possível subir na Fernsehturm, a maior torre de televisão da cidade com 291 metros. Perto do parque fica o museu da BMW e um pouco afastado da cidade fica o estádio do grande Bayern München, o Allianz Arena. Para quem gosta de futebol, vale muito a pena visitar.

Para engenheiros, amantes de pesquisas sobre energia, curiosos sobre o futuro e até para crianças, recomendo o Deutsches Museum, um museu de ciência e tecnologia, com itens históricos sobre navegação, aviação e outras formas de transporte e, ao mesmo tempo, um incrível acervo sobre a questão do uso de energia consciente e impactos ambientais. O museu abre todos os dias das 9h às 17h e em 2017 a entrada custava 11€.

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Olympiapark

BATE-VOLTA DE MUNIQUE

Há 3h de Munique, na cidade de Füssen, divisa com a Áustria, fica o Schloss Neuschwanstein (em português Castelo Novo Cisne de Pedra). O castelo do século XIX é a inspiração para o Castelo da Cinderela, símbolo da Disney. A natureza de Füssen também me encantou muito. Lagos lindos cobertos de neve. O melhor jeito de chegar na cidade é com Bayern ticket. Ele custa 20 euros para uma pessoa, porém até 5 pessoas podem usar por mais 5 euros cada uma. Ele tem algumas restrições de horário, mas pode ser usado por 1 dia em todo estado da Baviera até Salzburg, na Áustria.

A Munique de hoje não correspondia com a das minhas lembranças. Apesar de continuar cinza, fria e chuvosa, quando o sol aparecia ele era incrível. A natureza da cidade é única e rara. Muita cerveja boa, festas e comida típica alemã. Recomendo comer as batatas de qualquer tipo e para quem come carne, os pratos com Schnitzel.

Munique tem bastante idosos nas ruas,entretanto tem também muitas festas. Além da famosa Oktoberfest, a festa da cerveja em outubro, há várias festas em locais fechados, principalmente na rua Friedenstrasse, em uma praça atrás do número 10. Lá há vários clubes e festas com todos os estilos de música e que vão até o dia seguinte.

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Füssen

Apesar de não ver mais loucos nas madrugadas alemãs, ainda vi muitas pessoas gritando palavras aleatórias, que já nem me esforço para entender. Eles são sempre sérios e corretos. Isso me incomodava. Agora não mais. O trânsito é ótimo e tudo funciona. As pessoas realmente esperam, em todos os horários, o farol fechar para atravessar. As ciclovias me confundem. Elas são cinzas, da mesma cor da calçada e do asfalto e até do céu… Às vezes andava na ciclovia e me assustava com alguma buzina de bicicleta furiosa.

Os prédios também seguem um padrão de cor-de-burro-quando-foge e de arquitetura em geral. Até as construções modernas e de grandes empresas, como MC Donald´s e Starbucks precisam imitar um estilo barroco alemão.

Apesar de curtir a minha experiência em Munique e principalmente as paisagens exóticas, fui novamente furtada na Alemanha. Na primeira vez tinha sido em Berlim, dessa vez foi em Munique. Mas diferente da outra vez, a polícia alemã rígida e competente, até me deu uma passagem de trem.

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Schloss Neuschwanstein

Saí da Alemanha e concluí que visitar um lugar novamente é como reler um livro. Você nota mudanças no lugar e no contexto, mas principalmente nota mudanças em si mesmo. Munique talvez não tenha mudado tanto, mas todas as experiências que temos tem um pouco a ver com o que somos e o que estamos sentindo naquele momento. Aquela Alemanha brava e assustadora, cinza e triste da qual me lembrava agora é uma Alemanha correta e organizada, no limite, beira ao caos. Cinza, mas também viva.

Qual é o impacto do nosso turismo?

Por Maria Fernanda Romero

O jogo da especulação imobiliária, todos conhecemos. Desapropriação de espaços para construção de prédios, empresas ou outros comércios mais lucrativos é comum em todas as grandes cidades. E cada vez mais o turismo está envolvido com este tipo de negócio.

Observo muito, em Barcelona, faixas que dizem “Barcelona não está à venda” e “Salve Barcelona” (ou Drassanes, ou Para-lel, ou Sants), mas, no início, não entendia o que isso tinha a ver com o turismo ou com a especulação imobiliária.

Esses dias, fui a um bate-papo com o fotógrafo Rafa Badia e uma editora de um site de reflexão sobre imagem e fotografia. O tema era fotografia de viagens, porém a conversa foi muito além. Rafa contou de suas viagens à Paris nos dias atuais e nos anos anteriores: “Antigamente você ia à Paris para comer o queijo, hoje em dia lá tem pizza, pasta e kebab no mesmo restaurante, ao lado Mc Donald’s.”. Ele mostrou fotos de viagens em diferentes datas e as diferenças são gigantes – quer dizer, são cada vez menores. “A fotografia é o símbolo do tempo. Cada vez as cidades parecem ser mais iguais e as pessoas se vestem mais iguais”, observou o fotógrafo.

homem turista, vendo sua camera, enquanto outra turista atrás também tira fotos
Turista em Cesky Krumlov

Nas cidades pelas quais passei sempre busquei me aproximar o máximo possível dos moradores para entender o cotidiano do lugar e ter uma vivência mais verdadeira da cidade. Em Lisboa eu tinha a vantagem de falar e entender perfeitamente o idioma.

Em uma dessas tardes em Lisboa estava com a minha amiga na Igreja da Sé e não paravam de nos oferecer passeios no bairro de Alfama por preços absurdos. Ignoramos todos e fomos a pé. Paramos para pedir informação nas Portas do Sol para uma portuguesa de aproximadamente 35 anos. Conversamos muito com ela e ela nos disse que Alfama não era Portugal de verdade e perguntou se a gente não aceitava um passeio típico no bairro Mouradia. Óbvio que aceitamos!

homem turista tira foto de lagos com Cisneis
Turista na Alemanha

Conhecemos as tabernas, me lembrei dos livros, que havia lido na época da escola, bebemos a Ginjinha, típica cachaça portuguesa feita de uma espécie de cereja. Ela nos contou histórias e lendas do bairro, inclusive a de Maria Severa, a primeira mulher a cantar o Fado em Lisboa. Também conhecemos uma amiga dela, que é fadista. Tivemos o melhor dia possível em Lisboa. Eu me apaixonei pela cidade de uma maneira inexplicável.

Fomos com ela até o Rossio, porque ela também queria nos levar na Casa do Alentejo. Na transição de bairros é impossível não notar a diferença: Muitas construções, inúmeros restaurantes na calçada… Foi então que ela se emocionou ao dizer: “Aqui também era como a Mouradia. Agora as tabernas e os lugares em que os portugueses se reúnem para conversar e tomar a ginja estão sendo trocados por Hostels e Subways.”

turistas observam um mapa em Portugal

De volta a Barcelona encontrei uma amiga daqui e ela perguntou sobre a viagem. Eu disse que foi boa, mas que estava feliz de estar de volta, porque não há um lugar que se compare a Barcelona para se morar. Ela torceu a cara. “É, todos acham isso. Nada contra… mas parece que a cidade está sendo moldada para o turista e não para quem é daqui”. Ela tem razão. Mas não é só Barcelona. A minha estadia em Barcelona, uma cidade mega turística, me fez perceber o turismo, até o que eu mesma fazia, de uma forma mais crítica.

O turismo está crescendo e ele tem um impacto grande. Viajar é bom e temos que viajar cada vez mais, mas com responsabilidade. Hoje sabemos mais da importância da sustentabilidade e que ela é um pilar entre o econômico, o social e o ambiental. Muitas coisas são responsabilidade das grandes corporações, hotéis e agências de turismo, porém muita coisa é responsabilidade do viajante: É super importante se hospedar em estabelecimentos regulamentados e que não foram construídos em Áreas de Preservação, valorizar a gastronomia e os produtos locais e artesanais, preferir o transporte público, respeitar sempre o meio ambiente, reciclando e não jogando lixo no chão e na natureza (até uma bituca de cigarro pode fazer muito mal para o meio ambiente)… Temos que lembrar que nós somos parte do mundo, que queremos construir.

Lisboa: a certeza, que Portugal tem muito do Brasil e vice-versa

Por Maria Fernanda Romero

O QUE FAZER EM LISBOA

Lisboa, desorganizada e perfeitinha. Bairros estreitos, beira-mar e beira-rio, má sinalização, transporte público confuso e funcionários públicos que não estão dispostos a ajudar. Já estive algumas vezes em Lisboa e quanto mais a amo, mais a comparo com o Brasil, principalmente com o Rio de Janeiro. E não é que ela tem até uma versão do Cristo?

Lisboa precisa de uns 3 dias para ser conhecida e seus arredores, Sintra e Cascais, também merecem alguns dias para uma visita. O primeiro dia em Lisboa pode ser dedicado ao centro histórico, começando na Praça do Comércio que fica na beira do Rio Tejo e tem uma vista linda para a ponte 25 de Abril.

Barco em primeiro plano no rio tejo e ponte 25 de abril no fundo, na capital portuguesa, Lisboa
Lisboa

Depois do arco da Rua Augusta fica a Baixa Lisboa com lojas e restaurantes bem turísticos. Ali perto também fica o Elevador de Santa Justa, que é bonito, mas, apesar de ser um dos símbolos da cidade, não tem nada demais. Vale a pena passar por ele, porém não é imperdível. Continuando a caminhada pela a Baixa Augusta chegamos ao Rossio.

O lugar, que mais gostei do Rossio foi a Casa do Alentejo. Antigamente cada região de Portugal tinha uma casa que funcionava como uma espécie de embaixada dessa região. Atualmente, as atividades na Casa do Alentejo incluem apresentações de livros, filmes, fotografias, saraus, expressões de arte em geral que representam e preservam a cultura alentejana, além da sua gastronomia, já que dentro da Casa tem um restaurante.

O bairro Mouraria é um bairro típico português. Lá é possível assistir o fado, ver e beber em tabernas a ginjinha, típica cachaça portuguesa feita com uma variação da nossa cereja. É possível também comer comida típica e barata. Fui ao restaurante “O Triguerinho” e achei o custo benefício excelente, além da porção ser bem servida.

Ao lado da Mouraria fica um dos bairros mais antigos de Lisboa, o Alfama. Ruas estreitas, portas pequenas, bonde e a Catedral da Sé caracterizam esse bairro. Assim como grande parte de Lisboa, colorida. As casas e os bondes amarelos em contraste com o azul do mar e do rio.

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A Catedral da Sé de Lisboa é a igreja mais antiga e importante da cidade. Sua construção data do século XII e seu estilo predominante é o românico. Seu nome completo é Santa Maria Maior. É possível visitar o claustro e tesouro da catedral, ambos por 2,50 euros. A catedral fecha às 17h no inverno e às 18h no verão.

Catedral da Sé, Augusta, cachaça. As semelhanças com o Brasil estão por toda parte, mas isso não é nem o começo! A cidade tem mais de 20 miradouros com vistas incríveis. Um deles fica no bairro de Alfama, o Miradouro das Portas do Sol e é o lugar ideal para ver o pôr do sol, apreciar a vista e curtir um pouco a cidade.

Subindo ainda mais por Alfama fica o Castelo de São Jorge que foi restaurado após o terremoto que destruiu praticamente toda a cidade em 1755. O castelo fica aberto das 9h às 18h, no inverno e até às 21h no verão. A entrada custa 8,50 euros.  Estudantes, crianças e idosos têm desconto.

casas coloridas e o oceano de Lisboa ao fundo

No segundo dia eu recomendo começar o passeio no Cais do Sodré, outro lugar ótimo para curtir a cidade, descansar da caminhada e apreciar a vista. Ao lado do cais fica o Mercado da Ribeira, ou Time Out Market. Lá tem comidas maravilhosas e, como todo mercadão, frutas típicas da região. Entretanto, o preço não é tão baixo, o mercado está bastante gourmetizado.

Subindo as vielas em direção aos bairros Chiado e Alto fica outro miradouro famoso, o miradouro de Santa Catarina. O Chiado é um bairro com cafés e comércios, principalmente na Rua Garrett. É um bairro muito presente na literatura e assim como seu vizinho, o bairro Alto, é boêmio e tem uma vida noturna ativa e cerveja barata.

Um pouco afastado do centro e de todos os outros pontos turísticos fica o bairro de Belém. As caravelas do descobrimento conduzidas Pedro Álvares Cabral, assim como as de Vasco da Gama saíram de Belém. Por isso, lá fica o Padrão dos Descobrimentos, um monumento em forma de caravela. No chão tem um mapa-múndi destacando todos os lugares que foram colônias portuguesas. Lá está destacada, por exemplo, a cidade Cananeia como primeira cidade do Brasil.

bonde subindo a ladeira em Lisboa

Ao lado, a Torre de Belém, que na verdade era um forte.  Ela é hoje um patrimônio Cultural da Unesco. A torre também serviu para coroa portuguesa guardar suas riquezas. A visita custa 10 euros, mas é possível comprar um ingresso que dá direito a uma visita a ela ao Mosteiro do Jerônimos e ao Museu de Arqueologia por 21 euros.

Dentro do Mosteiro dos Jerônimos, uma construção que demorou quase um século para ficar pronta, fica a Igreja de Santa Maria de Belém, uma das mais bonitas que eu já vi na Europa. Ela é muito ampla e seus vitrais coloridos iluminam a Igreja deixando-a mais clara que o tradicional.

torre de belem no oceano em Lisboa  e o sol se pondo no fundo
Torre de Belém

Lá dentro do mosteiro estão também os túmulos de Vasco da Gama e de Fernando Pessoa, um dos maiores, quiçá o maior poeta português. Ler sua poesia é uma forma de entender e sentir o que foi Lisboa no passado.

No bairro de Belém também estão os museus dos Coches, de Arqueologia e de Marinha, entre outros. Mas vale a pena ressaltar que praticamente nenhum museu da cidade abre às segundas. Tem mais essa semelhança com o Brasil: segunda-feira é um dia morto em todo Portugal.

arco mostrando o mosteiro dos jerônimos
Mosteiro dos Jerônimos

É de Belém também que vêm os famosos pastéis de Belém. Precisamente, foi na Antiga Confeitaria de Belém que foi inventada a receita secreta das freiras, mas as outras confeitarias de Belém também oferecem o pastel por um preço mais em conta. Em Belém também é possível comer um arroz com bacalhau bem gostoso. O segredo é pedir dicas de restaurantes para os moradores e para os donos de comércio, por exemplo.

A locomoção em Lisboa é um pouco complicada. Lá tem os trens (comboio), metrô, ônibus e bonde. Para entender melhor os horários sugiro consultar o aplicativo da Via Verde ou o site da CP (Comboios de Portugal).

Se esse post sobre Lisboa não te fez lembrar do Brasil, você precisa arrumar as malas agora mesmo e ir visitar a capital de Portugal.

O universo imenso que é Roma

Sempre escutei, até dos próprios italianos, que a Itália era uma zona de Roma para o sul. Bom, eu sou brasileira e não tenho medo de bagunça. Mas, de fato a percebi, quando desci no Aeroporto Fiumicino em Roma, fui comprar o bilhete do trem e a máquina não estava funcionando. Primeiro achei que o problema era eu. Perdida e sem saber o que perguntar, nem para quem, resolvi observar as pessoas.

Um italiano, do jeito que eu imaginava que eles eram, chegou para comprar o bilhete. Se revoltou com a máquina. Bateu nela e começou a falar muitos palavrões. Eu não consegui segurar o riso, era isso mesmo: Eu estava na Itália. Segui o italiano irritado e perguntei o que tinha acontecido. Ele respondeu: “Nada em Roma funciona!!!!”. Então indaguei como eu podia chegar ao centro. Ele respondeu que tinha um ônibus. Parece então, que ainda tem coisa que funciona.

praça venezza em Roma. Monumento de fundo e pessoas passando.
Piazza Venezia

O QUE FAZER EM ROMA

Peguei o ônibus até a estação central Termini. De lá é possível pegar trem, metrô e ônibus para qualquer lugar da cidade e também para outras cidades da Itália. Roma me encantou e me envolveu de uma forma diferente. Tudo o que dizem é verdade: A cidade é um museu a céu aberto. Construções clássicas, renascentistas e modernas. Muito mármore e janelas simétricas por todos os lados.

COLISEU

Uma das sete maravilhas do mundo, o Coliseu, é um bom ponto de partida para começar a conhecer a cidade. Símbolo do Império romano, é o maior anfiteatro do mundo. Um modelo absoluto de arquitetura, construído por ordem do imperador Flávio Vespasiano e concluído durante o governo de seu filho Tito.

coliseu, monumento romano, com a lua cheia no ceu
Coliseu

O anfiteatro demorou 8 anos para ser concluído. O material usado na obra foi: tijolos, blocos de tufa (uma espécie de pedra vulcânica), concreto e principalmente mármore travertino. Com capacidade para 50 mil pessoas, os assentos eram distribuídos conforme as classes sociais. O pódio, a parte mais perto da arena, para as classes mais altas, a maeniana era destinada para classe média e o portici para a plebe e para as mulheres.

A função do anfiteatro era entreter o povo, que ia à loucura com sangrentas mortes de animais, prisioneiros de guerra e combates entre gladiadores. Mais de 10 mil gladiadores morreram lá em três séculos de combates, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes.

coliseu por dentro em um por do sol que deixou o ceu rosa
Coliseu

Hoje, o Coliseu nos mostra toda grandiosidade do que foi o Império Romano, mas também traz à tona a reflexão: por que a morte era um espetáculo? Será que ela deixou de ser? Como o ser humano pode ainda ser tão sádico e ver entretenimento no sofrimento do outro?

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano
Fóruns Palatino e Romano

O mesmo ingresso do Coliseu, dá direito à visita ao Fórum Romano e ao Palatino. Roma é formada por sete colinas e foi no Monte Palatino, que a cidade começou. Ali /imperadores construíram suas casas e formaram os fóruns. Durante séculos, foi nos fóruns de Roma que toda a vida pública do Império aconteceu: eleições, julgamentos e outros assuntos comerciais eram discutidos ali. Hoje, as ruínas de construções importantes como o Arco de Tito, Basílica Giulia e Templo de Saturno contam um pouco dessa história. Há poucos metros do Fórum fica a Piazza Venezia. Uma das praças mais famosas da cidade, onde está o Vittoriano, um monumento dedicado ao rei Vittorio Emanuele II.

Foruns paltinos e romano em Roma com as ruínas do império romano e a vista da cidade em segundo plano
Fórum Palatino e Romano

Roma tem muitas outras praças incríveis. A Piazza Navona é uma delas e fica na mesma região de outro monumento imperdível, o Pantheon. Construído durante o reinado do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C) e dedicado a todos os deuses romanos, é, ainda hoje, a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo.

A Piazza di Spagna é onde fica a Fontana della Barcaccia, escultura barroca de Pietro Bernini e seu filho, Gian Lorenzo Bernini. Ao lado direito, uma escadaria que leva à antiga casa do poeta inglês John Keats. Subindo a escadaria temos uma vista linda da cidade. Próxima a Piazza di Spagna fica a Fontana di Trevi. Uma outra praça mais vazia e com uma incrível vista e pôr-do-sol é a Piazza del Popolo, ao lado da Galleria Borghese, onde há obras de Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Raffaello, Caravaggio, entre outros.

pantheon de roma
Pantheon

Para conhecer a cidade do Vaticano, é necessário um dia inteiro. As filas para visitas são enormes, o melhor é se organizar e já reservar ingressos pela internet. A Basílica de São Pedro, na Praça São Pedro, tem entrada gratuita, mas são vendidas entradas sem filas e também visitas guiadas. É lá que fica a Pietà, de Michelangelo. Também é possível subir na cúpula da Basílica por 6 euros de escada ou por 8 euros de elevador.

por do sol laranja da praça do povo em roma
Piazza del Popolo

A visita aos Museus do Vaticano e Capela Sistina custa 16 euros, mas são vendidos pacotes de até 50 euros com guia e sem fila. É tudo muito lotado e grande, então a visita requer tempo, mas vale muito a pena, uma vez que importantes coleções para história da humanidade estão ali. Raffaello Sanzio pintou algumas salas internas do Vaticano, enquanto Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina.

Basilica São Pedro em Roma
Basílica de São Pedro

Experiência gastronômica: Além de todos os passeios incríveis, da paisagem linda e de toda história aprendida e vivenciada, Roma me proporcionou as melhores refeições da minha vida.

O QUE COMER EM ROMA

As pizzas e a massa fazem jus à fama que têm. Os italianos costumam comer uma entrada, a massa como primeiro prato, depois um segundo prato de carne ou peixe e por último, claro, a sobremesa. Eu ficava satisfeita só com a massa. Tanto faz o molho – pesto, carbonara ou quatro queijos -, tudo é muito grande e saboroso. Outro prato que me conquistou foi a berinjela a parmegiana. As sobremesas que mais gostei foram Panna cotta, um tipo de pudim, Amarene, uma fruta cítrica e o Tiramisù, doce com o amargo do café. Para quem quer experimentar a tal culinária italiana, recomendo os restaurantes Giglio, Matriciana e Trattoria.

Roma supera toda e qualquer expectativa. Um lugar para quem ama arte, história, comida e aprecia o jeito enérgico dos italianos.

La Mercè: vivendo Barcelona

Por Maria Fernanda Romero

A FESTA DA PADROEIRA DE BARCELONA

A festa da padroeira de Barcelona, La Mercè, é o maior festival gratuito da cidade. Ocorre no fim de setembro, promovendo uma imersão na cultura popular da Catalunya, integração entre a população e ocupação dos espaços públicos. Todo ano uma cidade é homenageada, esse ano foi a capital islandesa Reykjavik.

“Ocupar o espaço público da cidade cria a identidade de cidadão nos moradores”, explica Gabriela Chiaramelli, 25, arquiteta e mestre em sustentabilidade pela Universidade Politécnica da Catalunya, “isso reflete na forma como o indivíduo cuida da cidade,  pois, uma vez que a população se sente parte dela, um sentimento de dever civil é alimentado em cada um”.

Projeção audiovisual de uma capsula dentro de um parque de Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella

A extensa programação de La Mercè conta com uma maratona de shows divida entre artistas locais de diferentes estilos e o BAM (Barcelona Acció Musical), que foca na música internacional, e, principalmente, da cidade convidada. Projeções audiovisuais, circos e outras demonstrações típicas acontecem em diversos pontos turísticos da cidade, como no Castelo de Montjuic, no Arc del Triomf  e no Parc da Ciutadella.

“Descentralizar as atrações e promover a festa aberta para o público é mais uma vantagem para Barcelona, cidade cujo maior atrativo turístico é a própria cidade”, analisa Denis Santaella , 25, arquiteto e mestre em paisagismo pela Universidade Politécnica da Catalunya. “A prefeitura promove um evento dessa magnitude e tem capacidade de equipar temporariamente todos os espaços, para suprir as necessidades da festa. Além disso tem um sistema de limpeza de rua, que, em uma hora, já está tudo limpo”.

projecao de um antifiatro em fomato de queijo em um parque em Barcelona
Projeção audiovisual no Parc de la Ciutadella

bonecos de luz dancando no escuro em Barcelona
Arc del Triomf

Momento histórico

As representações típicas desse ano tiveram uma conotação especial, uma vez que a Catalunya está vivendo um momento histórico de sugestão de um referendum unilateral de separação da Espanha. Dentre essas representações as que mais se destacam são:

Trupe dos Gigantes: Os gigantes festivos apareciam em contextos religiosos durante o século XV, mas no decorrer dos séculos ganharam um caráter totalmente lúdico e festivo. São símbolos da identidade local e desde 1902 a prefeitura organiza concursos de gigantes. Também foram usados como forma de protestos durante a guerra civil. Seus desfiles seguem uma linha carnavalesca, lembrando os bonecos de Olinda no Brasil.

Correfoc: o Correfoc é um desfile inspirado no “Baile dos Diabos”, uma apresentação feita durante o casamento do Conde de Barcelona com a princesa de Aragão no século XII. O “Baile dos Diabos”, assim como alguns teatros de rua medieval, tinha como temática a alegoria da luta do Bem contra o Mal em que, nem sempre, o diabo representa o mal. Atualmente o Correfoc é uma apresentação em que grupos fantasiados de diabos e dragões saem à noite no meio da multidão com fogos de artifício.

apresentacao de falcons na praca jaume em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I

apresentacao em praca em Barcelona
Falcons de Barcelona na Praça Jaume I

Castells, falcons e mojiganga:  São construções humanas cada vez maiores e mais complicadas. A prática é uma evolução dos bailes valencianos. Em Barcelona é muito comum e tem até competição entre os grupos. Os casteleiros foram considerados Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO em 2010.

Manoel,39, faz parte dos falcons de Barcelona que se apresentaram na Praça Jaume I durante a La Mercè. Há 8 anos ele treina 5 horas por semana e não consegue disfarçar a emoção de estar se apresentando na maior festa de Barcelona. “Estou muito contente de estar aqui, La Mercè é a nossa oportunidade de mostrar nosso trabalho do ano todo”.

Projeções, apresentações impecáveis, músicas e um entorno que te transportam para Idade Medieval.  Aline Pinheiro, 25, designer, brasileira de passagem por Barcelona acha que o único defeito da festa é a área gastronômica. “Tem food trucks em todos os pontos, mas a comida não é tão boa e é mais cara que o normal”.

casal em apresentação de circo em castelo de Montjuic
Circo no Castelo de Montjuic

vista da roda gigante em barceloneta, com barcos, montanhas e mar
Roda Gigante em Barceloneta

Catedral de Barcelona durante a festa da padroeira La Merce
Catedral de Barcelona

Um dos momentos mais lindos do festival foi o encerramento. Um minuto de silêncio em respeito ao atentado terrorista em Barcelona. E então começou o emocionante espetáculo: um show pirotécnico na frente da mágica fonte de Montjuic, praça Espanha, em que água, música, luz e sombra, dançaram na mesma sintonia.

fogos na praça Espanha em Barcelona durante encerramento
Encerramento na Praça Espanha