Afrika Burn: Desafiando o deserto

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

AFRIKA BURN

O AfrikaBurn não é um festival.  É um evento colaborativo, um experimento social, uma expressão da contracultura. No evento não existe dinheiro. Os participantes constroem toda uma metrópole: campings, bares, cozinhas, veículos mutantes, pistas de dança e até a decoração e as esculturas de arte que são queimadas durante a semana.

BURNING MAN

O AfrikaBurn é inspirado no Burning Man, realizado anualmente em Nevada, Estados Unidos, desde 1986. O Burning Man dura uma semana e tem um público bem mais vasto que o AfrikaBurn, chegando a atrair até 50 mil pessoas todo ano. O evento chama “homem em chamas” porque no último dia uma escultura em formato de homem é queimada.

O deserto de Tankwa, África do Sul

No AfrikaBurn acontecem queimas de todas as esculturas e até dos palcos. As queimas sempre têm um propósito, seja ele uma reflexão ou uma comemoração. Algumas são em homenagem aos criadores do Burning Man.

OS PRINCÍPIOS 

Os burnings pelo mundo são baseados em 10 princípios. O principal é não existir dinheiro. Tudo é troca ou presente. Apesar disso há uma incoerência, pois para participar de campings temáticos as pessoas devem fazer uma alta colaboração financeira. Ao mesmo tempo, é verdade que os camping temáticos proporcionam uma festa à parte: decorações impecáveis, vivências, jantares e alguns deles até oferecem palestras e aulas de yoga. Então, para quem busca uma estrutura maior dentro do festival, os valores cobrados são justificáveis. 

Outro princípio importante do evento é não deixar nada para trás. Você deve levar absolutamente TUDO que for consumir (a não ser que fique em um camping temático), desde água, fogo, até as refeições e bebidas alcoólicas. No festival a única coisa que se vende é gelo por duas horas ao dia. Além disso, no fim do festival, você deve levar TUDO de volta com você. Nem um plástico pode ser deixado para trás. Os outros princípios giram em torno da liberdade, da auto expressão, de fazer valer o “aqui e agora” e de participação.

Todos podem ser voluntários e trabalhar em alguma área do festival. O instinto de comunidade também é reforçado, além de se presentear sem esperar algo em troca. E o presente dado nem sempre é algo material. Nos Burnings todos oferecem alguma coisa. Eu ofereci fotografia e algumas garrafas de gin e ganhei um corte de cabelo ali no deserto.

O AfrikaBurn tem ainda um décimo primeiro princípio adicional: ensinar o outro. Um princípio que também reforça o instinto de comunidade.

Meus dias no AfrikaBurn

Teimosa, achei que não precisava de ninguém para ir ao deserto. Consegui uma carona de Cape Town e achei que chegaria no festival com 60 litros de água, sem camping, sem sombra, sem uma proteção do vento (e tem cada tempestade de areia nesse deserto…) e tudo ficaria bem. 

Dois dias antes do Burn, uma amiga que conheci cinco meses antes me ligou e disse que alugaria um carro para ir e que compraria materiais para construir uma espécie de vila. Eu fiquei animada para vê-la, mas estava sem dinheiro e achava que não precisaria de nada. Falei para ela me encontrar no hostel que eu estaria em Cape Town para a gente sair mais ou menos juntas e acampar perto.

E foi essa a minha sorte! Logo no primeiro dia, uma tempestade de vento quase destruiu minha barraca, se não fosse o carro da minha amiga, a barraca teria virado pó. Me rendi. Não dava para ficar sozinha no deserto. E o evento é exatamente sobre isso! 

Lá fiz meu eneagrama, desenhei e pintei, escrevi cartas e cartões-postais (tinha um correio na festa e eu sou louca por cartões-postais!), tirei muitas fotos, aprendi sobre ritmos africanos, dancei, me surpreendi a todo momento com a beleza da natureza e com as alegorias do evento.

O deserto é desafiador – até fisicamente. Não é uma experiência das mais confortáveis, mas é isso que a torna uma vivência enriquecedora e especial do começo ao fim.

DICAS PARA O AFRIKABURN

  • Vá em grupo
  • Leve muita água, inclusive para o banho
  • Leve alguma proteção para o vento, por exemplo uma lona
  •  A noite faz muito frio! Leve roupa de frio!
  • Prepara seu presente com carinho!
  • APROVEITE O MOMENTO PRESENTE!



Zanzibar: Ilha paradisíaca no leste africano

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Imagine uma ilha paradisíaca na costa da Tanzânia, na África Oriental. O que vem à sua cabeça? Pense em um mar claro, vegetação verde viva, frutas doces, especiarias várias… cúrcuma, cravo, canela… e o cheiro delas mesclado com a maresia.

Pense em uma população bem humorada, em canções em swahili, em flores cor-de-rosa. Tudo isso poderia definir Zanzibar, mas ainda seria muito pouco considerando tudo que essa ilha pode oferecer.

coqueiro em praia paradisiaca na ilha de Zanzibar na tanzania
Kizimkazi


Como chegar em Zanzibar?


O aeroporto da ilha é super pequeno. Mesmo assim, lá chegam vôos de diversos lugares do mundo. Outra opção para acessar a ilha, é pegar a balsa em Dar Es Salaam, a ex-capital da Tanzânia. A travessia custa 35 usd.

Para entrar na Tanzânia é necessário um visto no valor de 50 usd e um comprovante de vacina de febre amarela. O visto é obtido na entrada do país, tanto no aeroporto de Zanzibar, quanto no aeroporto de Dar Es Salaam, e também nas fronteiras terrestres.

O que fazer em Zanzibar?


Todas as praias da ilha são excelentes e todas têm sua particularidade. No sul, a tábua da maré varia tanto que às vezes parece uma praia deserta, sem mar, e, horas depois, o mar sobe até as casas construídas na frente da praia.

Kizimkazi é o extremo sul da ilha e é muito tranquilo. Não há muito turismo, como em outras partes de Zanzibar e a vila local é habitada por pescadores. Ali se observa uma forma de viver bem simples e tranquila. Vale muito a pena.

mar azul, areia e conchas em praia da ilha paradisiaca de Zanzibar
Jambiani


De Kizimkazi saem passeios para ver e até nadar com golfinhos:

MAS ATENÇÃO

descobri um pouco tarde demais que o barulho dos barcos (e saem muitos barcos) atrapalha a ecolocalização dos golfinhos, isto é, a capacidade deles de se localizar através do som. Isso é extremamente estressante e prejudicial para eles, por isso, recomendo buscar um barco a vela para ir visitá-los. Além disso, o melhor é fazer esse passeio o mais cedo possível, porque barcos e turistas saem de todas as partes da ilha em busca dos golfinhos.

Em Kizimkazi também fica a Promised Land, um lodge e restaurante super aconchegante, com uma vibe de paz de espírito e um reggae tocando ao fundo. Um ótimo lugar para descansar, tomar uma cerveja e ver o maravilhoso pôr-do-sol.



Também vale a pena subir a ilha e visitar as praias de Jambiani e Paje. Lá o mar tem o mesmo tom azul-esverdeado das praias ao sul, porém há muito mais vento, o que torna Paje um dos principais points de Kitesurf de toda ilha. Jambiani também é especial pela presença dos “red monkeys”, uma espécie de macacos ameaçada de extinção. Um dos únicos lugares em que eles ainda podem ser vistos, é Zanzibar. Outro lugar da ilha em que os red monkeys, assim com outras espécies de macacos estão presentes é o parque nacional Jozani Chwaka Bay. A entrada custa 8 usd.

A Chwaka Bay, ao norte de Paje e ao centro da ilha, é onde fica o famoso restaurante The Rock. Sinceramente, foi a minha única decepção em Zanzibar. O restaurante fica no meio do mar e para acessá-lo é necessário pegar um barco ou esperar a maré baixar. Além disso o restaurante é absurdamente caro e as porções são minúsculas. Um passeio extremamente caro, turístico e pouco relevante para a experiência como um todo.

Um destaque da costa leste são as praias Kiwengwa e Matemwe. Já o norte da ilha é muito mais famoso e turístico que o sul e existe uma razão para isso: a água do mar ao norte, tem um tom de azul turquesa que eu nunca tinha visto antes na vida.

pôr-do-sol maravilhoso na praia de Kizimkazi, ilha paradisiaca de Zanzibar
Kizimkazi

Areia fina, água turquesa, uma maré que não varia tanto… Não é surpresa que a praia de Nungwi, no extremo norte da ilha, se tornou a mais famosa! E por isso, o que não falta por lá são restaurantes, hotéis e festas. Gostei muito dos restaurantes Coco Cabana, Mama Mia e Coccobello. Também gostei da festa da lua cheia em Kendwa Rocks.

No norte da ilha também tem muitas opções de mergulho e snorkeling. A ilha de Tumbatu é deslumbrante, com uma vida marinha exuberante, muitos corais coloridos, peixes e estrelas do mar.

Na costa oeste, tem as “Spices Farms”, as fazendas com plantações dos temperos mágicos da ilha. Um tour por ali vale muito a pena, principalmente para quem gosta de cozinhar. Os valores dos passeios variam muito, porque encontrar quem te leve nessas fazendas é algo que se faz através do boca a boca e de contatos. Meu tour custou 5 usd.

Lua cheia no ceu azul no norte da ilha de Zanzibar
Lua cheia



O centro antigo da ilha, conhecido como Stone Town, é uma atração além das praias. Foi ali que Freddie Mercury, astro principal da banda Queen morou com sua família. Hoje a casa dele é um hotel e só pode ser visitada por fora.

Zanzibar teve muita influência árabe. E isso se manifesta na cultura, língua e arquitetura da ilha. As vielas e arcos de Stone Town são um retrato disso. Considerado patrimônio da Unesco, o centro de Zanzibar tem muitas construções e prédios importantes e cheios de história. Alguns deles são o museu “Beit el-Ajaib”, o antigo forte e a catedral anglicana, construída no local do maior mercado de escravos, fazendo-nos lembrar e refletir sobre a tristeza e as injustiças da escravatura.


De Stone Town também saem barcos para Prison Island, onde tem tartarugas gigantes de até 100 anos de idade. Também é possível ir para Nakupenda beach. Essas viagens custam cerca de 15usd

Para se locomover de norte a sul na ilha é um pouco complicado, pois as estradas são péssimas e o táxi é caríssimo. O transporte local é o dala dala, e andar nele é uma aventura à parte, mas que faz parte da experiência, além de ajudar muito na economia da ilha. De qualquer forma, recomendo organizar muito bem os passeios, e até dividir as hospedagens para não perder tempo e energia com os deslocamentos.

transporte local da Tanzânia, o dala dala
Dala dala


O que comer em Zanzibar?

Frutas. Muitas frutas. A ilha tropical é rica em todas as frutas imagináveis, como o nosso país, Brasil. Só que lá eles as usam muito na preparação das refeições todas. Há muitos pratos com banana e muitos com coco, que é utilizado até no feijão. Água de coco também é abundante, além, claro, de pratos com as especiarias da ilha, que são muitas.

Em Zanzibar ficam algumas das praias mais incríveis que eu já vi na vida. Lá tem muita dança, alegria, cultura, diversidade e tantas outras coisas que não são possíveis descrever. Isso é Zanzibar.

Lake Nakuru: Desbravando um safári no Quênia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Guimarães

OS SAFÁRIS MAIS FAMOSOS DO MUNDO

No Quênia fica um dos safáris mais conhecidos do mundo: O Masai Mara Safari. Os pacotes para visita são caros: custam a partir de $300. Por isso, quando me decidi por fazer um safári, acabei escolhendo outro, que também não deixou nem um pouco a desejar.

Nakuru fica na região do Rift Valley, uma fenda causada pelo movimento de placas tectônicas e que vai desde o mar morto, na Líbia, até Moçambique. São mais de 6 mil quilômetros de fenda. Por ali, encontram-se vulcões inativos como o Mount Kenya, o Mount Longonot e o Mount Kulal, e diversos lagos, dentre os quais o Lake Nakuru, onde fiz o meu safári.

céu azul e nuvens no rift valley no Kenya. Montanhas verdes no horizonte, e natureza  em destaque, na fenda africana.
Rift Valley

O SAFÁRIA NO LAGO NAKURU

O Parque Nacional Lake Nakuru abriga centenas de espécies animais, como zebras, girafas, gazelas, javalis, rinocerontes, búfalos e inúmeras espécies de aves, inclusive os flamingos rosas, que colorem o lago de forma espetacular. A entrada do parque custa 80 dólares, mas como é preciso entrar com carro e guia, o preço acaba aumentando. No total, paguei $180.

Para ir ao safári, me levantei antes do sol nascer. Saí de Nairóbi, capital do Quênia, um pouco antes das 6h da manhã e às 10h já estava na entrada do Parque Nacional Lake Nakuru. Os primeiros animais que eu vi foram as zebras. Que vontade de fazer carinho! Elas pareciam tão alegres e tranquilas. Um pouco mais a frente estavam os búfalos. Eles já tem uma expressão mais séria. São grandes e robustos. O que me surpreendeu muito foi que, junto a eles estavam as garças, estas tão frágeis! Eles conviviam em plena harmonia. Na verdade, mais que harmonia, a relação ecológica desses animais é o mutualismo: uma relação da qual duas espécies se beneficiam sem serem necessariamente dependentes uma da outra.


bufáfos, flamicos, garças e outras aves no Lake Nakuru, Kenya
Lake Nakuru

As girafas também estavam lá. Comiam tranquilas, sem se preocupar com mais nada. Descobri que, pela sua cor, é possível saber seu sexo: os tons de laranja mais escuro são os machos, enquanto as mais claras são fêmeas. Outra curiosidade interessante sobre essas simpáticas pescoçudas é que elas quase não dormem e o cochilo é de pé. O nosso guia também reforçou o quanto a memória delas é boa.

No reino dos impalas não existe monogamia. Um macho pode ter até 40 fêmeas e elas o seguem por toda parte. Quando um macho quer o rebanho de outro, eles se enfrentam e o que matar o concorrente fica com todas as fêmeas.


girafa no lake nakuru, safãri do Kenya
Girafa
Búfalo e garças em Safari no lago Nakuru no Kenya
Búfalo

Na beira do lago, os flamingos fazem o maior espetáculo. O seu rosa se destaca no azul do lago, formando um cenário de filme da disney. Ali também há pelicanos, mas são as aves coloridas e elegantes e delicadas que roubam a cena. Outra “estrela” de Nakuru é o rinoceronte, um dos “big-five” (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte.) Atualmente ameaçados de extinção, eles ficam protegidos dentro do parque.

ALIMENTAÇÃO DURANTE O SAFÁRIA


As refeições estão inclusas nos pacotes de safári. A nossa foi excelente: uma salada e uma sopa de verduras de entrada, uma massa como prato principal e uma sobremesa maravilhosa – uma espécie de bolo mousse de chocolate com laranja. Não passei a noite no parque, mas diferentes tipos de hospedagem são oferecidas e, mesmos as mais simples, chamadas de “tendas”, são bem equipadas e completas.


zebra no lake nakuru, safãria no Kenya
Zebra
tres flamicos rosas no lago Nakuru, no Kenya
Lago Nakuru

A experiência de fazer um safári, só me fez ainda mais amante da natureza. Observar os animais em total harmonia e equilíbrio me trouxe uma paz inexplicável. Realmente, a natureza é perfeita.

Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

 

Bordei Marrakech no meu coração

Por Maria Fernanda Romero 

Revisão Clara Porta Guimarães

O coração já estava acelerado antes de entrar no avião. Era um misto de ansiedade com receio. Não queria criar expectativas, mas já tinha um monte delas. Me avisaram que os marroquinos eram super comerciantes, que eu teria que negociar todos os preços. Estava preparada para brincar de leilão, cobrir os ombros e conhecer um mundo totalmente novo.

Meu vôo pousava 22h30 e a primeira dificuldade seria chegar sozinha em um país muçulmano pela noite. Tinha pedido um transfer para o hotel, mas a fila da imigração estava enorme. Demorei duas horas para passar pelo controle de passaporte e o transfer não esperou.

casas em marrakech, mesquita de fundo e tapetes coloridos em vários prédios

No Aeroporto de Marrakech-Menara é proibido ficar dentro do saguão. Tanto para embarcar, como para desembarcar. Só é possível passar direto para área de embarque e é uma segurança super pesada: tem raio-x na porta para sair à rua e também para voltar. Quando percebi que estava sozinha e não havia ninguém do meu hotel, quis voltar para o aeroporto, mas já não era possível. Tinha que pegar um táxi. E eu estava com medo.

Quando cheguei no ponto de táxi, a única semelhança que vi com os pontos de táxis que eu estava acostumada é que havia carros. Os marroquinos têm muita facilidade com as línguas e é super comum vê-los falando inglês, espanhol e até português. Eles querem te vender a qualquer custo e por isso tentam descobrir da onde você é e que língua fala para serem mais enfáticos nas abordagens. Entre eles a língua é o árabe.

O QUE FAZER EM MARRAKECH

Tudo no Marrocos deve ser negociado antes: A a arte da pechincha é muito usada, inclusive obrigatória. Mas às vezes me sentia insegura de oferecer um preço e eles não gostarem. Para negociar o táxi aconteceu exatamente isso. Tinham me dito que o aeroporto era perto e o táxi custaria cerca de 100Dh (mais ou menos 10€) mas na hora que eu dei minha oferta eles desataram a resmungar em árabe um com o outro. Me ofereceram 250Dh e acabamos fechando por 220Dh.

homens encatadores de cobras em praca em Marrakech
Praça Jemaa el-Fnaa

Marrakech é uma das cidades imperiais do Marrocos. As cidades imperiais foram as capitais das antigas dinastias do país ao Norte da África. Todas elas têm a mesma disposição espacial: Uma Medina, um núcleo religioso principal, que é a Mesquita, uma muralha protegendo e bem em frente à entrada, um cemitério.

A Medina é sempre bem protegida e forma labirintos. Em Marrakech a Medina é um mundo à parte, onde os acessórios, tapetes, portas, artesanatos e objetos religiosos ou não colorem as ruas. O muro que protege a Medina de Marrakech tem 19km e é todo furado para evitar rachaduras do sol.

Dentro da Medina de Marrakech fica uma das praças mais famosas do país: A praça Jemaa el-Fna que é um patrimônio oral e cultura da UNESCO. É uma das primeiras vezes que uma atração não palpável é considerada patrimônio da organização.

mesquita em Marrakech
Mesquita Koutoubia

Antigamente a Praça era o lugar onde cortavam as cabeças dos sentenciados à morte. Depois Jemaa el-Fna foi convertida em uma praça de animação.  Lá tem macacos, encantadores de cobras, mulheres que fazem tatuagem de renas e principalmente venda de especiarias. Acho que todo nosso imaginário ocidental sobre o que é o Marrocos pode ser representado na Jemaa el-Fna. Mas é importante lembrar: tudo é pago! Até fotos!  E se não pagar irá arrumar um problema com os locais.

Na Medina também tem os Souks. São como lojas especializadas. Existem Souks de couro, porcelana, roupas. Tudo muito bem trabalhado e encantador. Fazer compras no Souks é uma atividade a ser considerada.

A maioria das hospedagens em Marrakech chamam Riad. Antigamente Riad era a casa de uma família rica. Por fora parece mal cuidada, mas por dentro é muito bonita. Todas têm alguns quartos, uma fonte no meio e jardins laterais. Hoje em dia essas casas são hostels, onde é possível se hospedar por um preço justo dentro da Medina.

A Medina é muito viva. Não é permitida a entrada de carros, mas tem várias motos que cortam as ruelas do centrinho e é melhor tomar cuidado com elas.  Me incomodou um pouco o fato de não ter muitas mulheres na rua, mas consegui me virar bem e com cautela.

A comida marroquina é maravilhosa. O tradicional Homus e Tahine serve de acompanhamento para tudo. Também há uma variedade de geleias impressionante. Nas refeições grandes, a carne de cordeiro é um ingrediente comum. Muitos pratos são feitos com ela. O cuscuz também é muito tradicional, tanto com peixe como com vegetais. Sobre os temperos, nem preciso me alongar: A variedade de especiarias marroquinas não tem fim.

plantas verdes em contraste com a decoracao azul em Marrakech
Jardim Majorelle

Há também restaurantes franceses e estrangeiros em Marrakech, como o Nomad e o Le Jardin. Esses restaurantes mesclam a cozinha mediterrânea com a cozinha marroquina e estão muito bem localizados.

O Palácio da Bahia também é lindíssimo. Uma arquitetura que mistura a simetria dos árabes, os mosaicos dos andaluzes e os arcos dos berberes, os marroquinos da montanha. Ninguém sabe se os árabes incorporaram a arquitetura andaluza em suas construções, ou se os andaluzes incorporaram a arquitetura árabe depois das invasões. A questão é que a combinação da arquitetura árabe-andaluza é incrível.

Todas as construções do palácio são feitas de gesso, pó de mármore e clara de ovo.Ele tem 160 quartos e vários pátios e salões. A entrada custa 10Dh.

Na Mesquita Koutoubia, a principal de Marrakech, não é permitida a entrada de estrangeiros, mas um passeio pelos seus jardins vale a pena.Fora da Medina também há muita coisa linda.

O Jardim Majorelle é um jardim botânico extremamente colorido, principalmente em tons de azul e amarelo. Ele pertencia ao pintor francês Jacques Majorelle, mas depois de sua morte ficou abandonado então o estilista Yves Saint Laurent o comprou, restaurou e o doou à Marrakech. O jardim é muito rico, tem plantas do mundo todo, principalmente da América Latina.

Montanhas atlas marrocos com neve
Montanhas Atlas

Montanhas Atlas

Também fiz um bate-volta nas montanhas do Atlas. É o povo berbere que ocupa as montanhas, ao norte do Marrocos. Até 2004, a língua local era apenas oral. Eles vivem principalmente da agricultura. O trigo é o grão mais cultivado. Os berberes vivem da terra e respeitam a natureza. As casas nas montanhas são todas feitas de barro.

A primeira cidade que parei foi Tahennaout. Lá há uma cooperativa de mulheres que faz extrações do argan, uma erva muito boa para o cabelo e para a pele e que tem propriedades terapêuticas. Elas vendem os óleos, dentre outros produtos artesanais.

Seguimos para Tamazirt. Lá é possível fazer uma trilha pelas montanhas do Atlas de 1900m de altitude. O Atlas é uma das cordilheiras responsáveis pela existência do deserto do Saara. As massas de umidade ficam presas na montanha (onde até neva!) e não passam para a área do Saara, que fica desértica.

mulheres produzem oleo de Arghan no marrocos

Há também muitos rios na região. Os rios são permanentes, mas seu nível depende da chuva e do degelo na região. Os rios continuam para a área desértica, mas secam ao longo do percurso.O povo Berbere é muito receptivo e muitas casas oferecem um almoço típico marroquino com chá de ervas da montanha.

Shokran, Marrocos, por me mostrar um tanto mais do mundo e quebrar tantos conceitos já formados em mim.

Catalunya é muito mais que Barcelona

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Barcelona é a maior cidade da comunidade autônoma da Catalunya. É famosa por sua arquitetura exuberante e intrigante, e pelos seus museus, parques, praias e festas. É uma cidade que nunca para e que, às vezes, até satura um pouco por estar sempre cheia.

A cidade é tão rica em cultura e opções de entretenimento, que muitos turistas passam uma semana ou mais na cidade sem se cansar. Entretanto, para quem tem tempo e quer conhecer mais a fundo a região, tem muitas outras coisas incríveis pela Catalunya.

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Sagrada Família

Saindo de Barcelona, sentido norte, ou no sentido da França, há um leque de possibilidades turísticas: De cidades interioranas, medievais e praias incríveis até montanhas onde, dependendo da época do ano, é possível esquiar. O único defeito é o preço do pedágio. Uma viagem de carro pela Costa Brava pode custar até 50 euros em pedágio, mas explorar cada cantinho dessa região compensa muito pela sua beleza natural e arquitetônica.

GIRONA

A 100 km de Barcelona, Girona é a segunda província mais visitada da Catalunya. A cidade medieval conserva construções do período e também trechos da muralha que envolvia a cidade durante a Idade Média.

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Girona

A Catedral de Girona, construída no século XI, é uma construção gótica maravilhosa. Segundo uma lenda da cidade, as moscas de Girona protegeram toda a riqueza da cidade que estava guardada na Catedral durante a invasão das tropas francesas. A verdade é que quando a cidade foi invadida, a peste estava começando, por isso tantas moscas. Todos os soldados franceses morreram em Girona, não conseguindo roubar nada e deixando a Catedral intacta. Também foi em Girona que a 6ª temporada da série Game Of Thrones foi gravada.

A cidade é pequena e é possível ir a todos os pontos turísticos a pé. Em Girona, assim como em outras províncias catalãs que não Barcelona, se nota muito mais a cultura e a língua local.

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Girona

FIGUERES

Figueres é a cidade onde Salvador Dalí nasceu. Fica no noroeste da Catalunya, quase na fronteira com a França. Além de ser a cidade natal de Dalí, é uma cidade muito charmosa que fica quase nas montanhas.

Em Figueres é possível visitar o Museu e Teatro do Salvador Dalí e a casa do artista.

BESALÚ

O pequeno vilarejo medieval fica a 40 km de Girona. Por ser muito bem preservado, visitá-lo é, de fato, como voltar no tempo. Em Besalú é possível observar a muralha que envolvia a cidade na Idade Média que está intacta, assim como o castelo da cidade.

Outros pontos turísticos de Besalú que encantam são a sua ponte medieval e ruínas de uma antiga sinagoga. Assim como Girona e Figueres, Besalú pode ser conhecida em um dia e o passeio vale muito a pena.

OLOT

Olot é um destino ótimo para quem gosta de natureza: Cachoeira, fontes termais e até crateras de vulcões extintos. As crateras de Montsacopa, Santa Margarita e Croscat são as mais famosos.

Na cidade tem alguns museus e construções importantes, mas o Parque Natural de la Garrotxa, que é formado por onze municípios, foi o que mais me impressionou.

Em Olot e em Vic, o povoado vizinho, também é possível fazer passeios de balão em algumas datas.

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Figueres

COSTA BRAVA

A Costa Brava cobre todo o litoral do mediterrâneo do norte de Barcelona até a França. Há muitas praias lindas e o que eles chamam de ‘Calas’, que são pequenas entradas para o mar com uma pequena faixa de areia e pedras na costa.

Toda Costa Brava é muito linda. Eu destaco Lloret del Mar, Tossa del Mar e o Parque natural de Caps de Creu.

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Cap de Creus

LLORET DEL MAR

Uma das praias mais famosas da Costa Brava, Lloret del Mar, é repleta de Calas paradisíacas onde é possível fazer mergulho. Também tem ruínas medievais, além de outros pontos turísticos interessantes como a Capilla del Santisimo e os Jardines de Santa Clotilde.

TOSSA DEL MAR

É um povoado medieval à beira mar. Tem um castelo incrível conservado, casas medievais e uma vista para o mar mediterrâneo de tirar o fôlego.

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Paisagens pela estrada

CAPS DE CREU

O Parque Natural de Caps de Creu é uma península quase na França. Dentro dele há muitos povoados. Os mais famosos são os Roses e os Cadaqués. Por ser uma península, permite uma visão panorâmica do mar de qualquer lugar.

O artista Salvador Dalí também tinha uma casa ali e algumas de suas obras foram inspiradas no local.

Eu, que sou apaixonada por natureza, fiquei arrepiada de ver a lua cheia aparecer em uma noite estrelada no lugar.

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Cadaqués- Cap de Creus

De praias a montanhas, a Catalunya compõe-se por todos os tipos de paisagem. As montanhas Vall del Núria, La Molina e La Masella são algumas estações de esqui do estado, que se localizam a apenas 3 horas de Andorra. E o melhor: Dá para chegar de transporte público em todas elas!

A Catalunya é conhecida por Barcelona, mas na verdade é muito mais do que a capital. Realmente é uma região que deve ser explorada.  E pra quem busca mais opções e roteiros do que fazer na Espanha recomendo o dar uma olha no mochileiros.

Mistérios e montanhas na Eslováquia

Por Maria Fernanda Romero

MONTANHAS MÁGICAS

Sonhava em conhecer montanhas inteiras brancas que alcançam o céu e são rodeadas por lagos, cavernas e mistérios. Duvidava que elas existissem e que um dia eu pudesse encontrá-las. Até que eu tive o imenso prazer de conhecer a Eslováquia. O Parque Nacional do Alto Tatras fica ao norte do país, na cadeia de montanhas Tatras – ou Tatry em eslovaco – que divide Eslováquia e Polônia. O  parque ocupa as cidades de Poprad, Vysoké Tatry e Tatranska Javorina.

Montanhas brancas, cobertas de neve, águas congeladas, e arvorés caindo na Eslováquia
montanhas brancas cobertas de neve no high tatras

Da janela da última classe de um trem antigo do leste europeu, eu enxergava a neve caindo e as montanhas que alcançam o céu se aproximando. Atravessei o país e, enquanto não estava dormindo, olhava a paisagem e acompanhava o trajeto do trem no mapa do meu celular. Parecia um sonho! Eu nunca tinha estado tão longe de casa nesse mapa. Um friozinho na barriga… É realidade. A porta do trem se abriu e eu senti meu corpo inteiro estremecer. Preciso do dobro de casacos, mas eu vou desbravar essas montanhas.

COMO CHEGAR NO HIGH TATRAS

A cidade principal, Poprad, fica embaixo da montanha e é lá que fica a estação de trem que faz a ligação entre as principais cidades do leste europeu e o Parque Nacional. É possível se hospedar em Starý Smokovec, Štrbské Pleso ou Tatranská Lomnica. As três regiões são incríveis. Eu me hospedei em Starý Smokovec na Pensão Partizan.  Há três estações de esqui, opções para hiking e outros passeios nas montanhas. Em Štrbské Pleso há também um lago que fica totalmente congelado no inverno, mas onde, nas outras épocas do ano, é possível passear de barco.

Trilho de trem no high tatras

Em Tatranská Lomnica fica a principal estação de esqui do parque. Lá  também é possível encontrar restaurantes e pequenos supermercados. Nessa parte do parque fica  a caverna Belianska Jaskyňa. Ela tem 3829 metros de profundidade e a visita é permitida desde que seja acompanhada por um guia. O valor da visita era de 8 euros quando eu fui. Na caverna tem cachoeiras e pequenos lagos. Dentro dela também se formam estalactites e estalagmites, que são formações minerais em forma de cones pontiagudos. As estalactites são as que saem do teto da caverna em direção ao chão e as estalagmites saem do chão em direção ao teto. Às vezes elas se encontram. A visita à caverna é muito interessante, o  único problema é que os guias só falam eslovaco e russo, ou seja, eu não pude entender as explicações mais detalhadas.

Há opções de hiking nas três regiões também. As trilhas que eu fiz foram as indicadas como fáceis pelo folheto com informações do parque. Elas eram longas, porém nenhuma ultrapassa 5 km de distância. Não deveriam ser difíceis, porém são muito escorregadias. É preciso ter os equipamentos corretos e tomar muito cuidado.

placa dizendo que a area é de protecao sem intervencao, que tem risco de queda de arvores é que a entrada é pelo proprio risco

Em Starý Smokovec fica a montanha Hrebienok. Além de outra estação de esqui, lá tem algumas opções de programas para crianças ou para se fazer em família, como por exemplo o sledging (esquibunda) e também tem uma versão da Sagrada Família em gelo. A trilha de Hrebienok até Vodopády Studeného potoka começa perto da Igreja de gelo, tem 1 km e termina em uma cachoeira exuberante.

arvore com neve

Em Štrbské Pleso você encontra  um lago gigante e mais outras opções de trilhas em meio a natureza selvagem. Fazer um seguro saúde para a montanha também é indicado e é possível fazer um nos pontos de informações turísticas dentro do parque.  O que me chamou atenção foi que em várias partes do parque tem placas dizendo que aquela é uma região com risco de queda de árvores e que você está sobre o seu próprio risco. Isso foi muito forte para mim. Realmente é um lugar paradisíaco e selvagem que tem que ser adentrado com muita cautela e respeito. Reforço sempre a importância de um turismo consciente e responsável e isso incluí ter responsabilidade com o próprio corpo e limites. Cada segundo nessa montanha maravilhosa vale a pena.

por do sol das montanhas