Ser Mulher

Por Maria Fernanda Romero

Sou mulher.

Meu espaço frequentemente é invadido

meus desejos frequentemente são hostilizados

sou objetificada.

Sou mulher,

Às vezes, menina,

sou sensível

não sou fraca

nem sou louca

não sou histérica.

Sou mulher

sangro por uma semana

mesmo quando não estou machucada 

as feridas que mais doem são outras 

o coração, às vezes, aperta.

Sou mulher

tenho a possibilidade de ter filhos

deveria ter a possibilidade de não querê-los.

Sou mulher

sou guerreira

sou bruxa

sou flores

sou cores,

 sou amores.

menina com vestido estampado sentada na trilha e uma flor laranja no cabelo
Trilha na Guarda do Embaú

Astro rei

Por Maria Fernanda Romero

As nuvens deixaram de cobrir as estrelas.

A lua se escondeu atrás das colinas

junto com ela foram todos meus devaneios.

Todos os sonhos não-realizados

todas as promessas em vão 

e também a solidão.

Fácil seria se pudéssemos apagar e voltar a brilhar todos os dias. 

Bem que eu também poderia ser mais forte do que todas as nuvens 

do que a escuridão.

Assim, como o maior astro de todos.

Se eu fosse como o maior astro de todos 

nada iria me abalar.

Acima do abismo iria poder voar, enxergar a imensidão

esquecer da multidão.

Mas o frio ainda me corrói.

É como um tapa que me traz de volta à realidade. 

Ah, se eu fosse como o maior astro de todos…

surfista solitário descendo onda durante um pôr-do-sol bem amarelo e poético
surf e pôr-do-sol

Como o outono cheira?

Por Maria Fernanda Romero
O perfume exalando no ar,
Ou é a cândida que limpa o chão?
Talvez aquele shampoo, ou uma colônia pós-banho….
Pode ser uma rosa no jardim,
Mas as rosas estão caindo….
Pode ser a chuva, ou meu cachorro molhado
Não quero fechar a porta,
Deixarei lágrimas,
Meu consolo é saber que o cheiro familiar estará sempre lá….
Sempre lá me esperando,
Para me reconfortar,
E mesmo que eu demore para voltar,
O cheiro do outono lembra meu verdadeiro lar

Mundo de OZ

FESTIVAL DE ARTE E CULTURA

FESTIVAL DE CULTURA ALTERNATIVA

festival de cultura alternativa que aconteceu em São Paulo entre 20 e 24 de abril de 2016

fotos Maria Fernanda Romero

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O festival contava com a presença de uma cachoeira maravilhosa, a decoração deixou ela ainda mais exuberante.

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O palco, a noite estrelada, a decoração, as intervenções artísticas e o som tornaram as noites do Oz inesquecíveis.

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Consciência ecológica também é uma das missões do festival.

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sufocada

Por Maria Fernanda Romero

Estou sufocada.
Meu oxigênio contaminado,
minhas células morrem lenta(mente),

Neste quadrado cercado,
muitas caras, cheias de cores e pudores,

choro… choro e, tento recuperar o fôlego,

No meio do cinza,
concreto,
carros e caminhões,

Posso morrer asfixiada,
E eles não vão entender nada

Hoje me despeço

Por Maria Fernanda Romero

Naqueles olhos que eu enxerguei a paz,
hoje refletem o buraco dolorido e sangrento que se abriu em meu peito,
enquanto dormia no aconchego do seu abraço sonhei com nosso paraíso,
ele só existe no meu sonho.
acordei destruída.

olhei o nosso velho quarto pela última vez,
ainda sinto o gosto amargo do último gole de café,
perdida numa noite fria de verão,
só quero mais um trago.

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Foto: Alice Reis

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Ser Mulher

Traços do Ser

Sobre a autora

Jornalista de formação, escritora de alma, viajante entre mundo, poeta por sentimentos. Maria Fernanda é uma mulher plural que dá vida aos seus sentimentos por forma das palavras.

A poesia é uma outra forma, além das crônicas e reportagens, de contar as histórias que a viajante viveu mundo afora.

Entre sentimentos e metáforas nasceu o “Navegando em Poesia” um livro que traz reflexões sobre o mundo e sobre a própria autora. Às vezes de forma leve, sonhadora, outras vezes provocadora.

Navegando em Poesia
Navegando Poesia por Thais Castilho

O ebook está disponível na amazon em formato kindle. Para ter acesso ao formato em PDF envie um e-mail para culturanavegavel@gmail.com