Como se livrar dos bed bugs, a praga dos viajeiros?

Por Maria Fernanda Romero

Os Bed Bugs ou percevejos, são insetos visitéis a olho nu que vivem principalmente embaixo do colchão e a noite se alimentam do sangue humano. Esse bichinho não causa doenças graves, mas pode causar muita dor de cabeça. Isso porque eles viajam de um lugar para o outro com muita facilidade e pode ser bem difícil se livrar deles.

O percevejo pode estar em todos os tipos de hospedagens, afinal, os bed bugs viajam na sua mala, na sua roupa ou até mesmo em livros, por isso eles chegam nos hotéis cinco estrelas, mas é mais comum em hostel ou albergues com grande rotatividade.

A picada coça bastante e demora até duas semanas para todo o processo alérgico ser finalizado. Isso pode dar uma sensação estranha que o bichinho ainda tá lá. Bem desagradável, né?

O ciclo de vida dos bed bugs por bestwaytogetridofbedbugs.org

Depois de uma semana bem chatinha resolvi escrever esse texto e compartilhar o que aprendi sobre os percevejos. Nesse post eu quero dividir a minha história com os Bed Bugs, dar todas as dicas para que nunca pegar um bichinho desses e, caso o pior tenha acontecido, não se desespere! Também vou ensinar como se livrar dos bed bugs.

Como os Bed Bugs se tornaram o meu pior pesadelo

A primeira vez que encontrei com os Bed Bugs foi em Fez, Marrocos. Parece que o percevejo é muito comum no país, mas por sorte, ele não gosta muito de calor, por isso foi relativamente fácil me livrar dele nessa primeira vez.

O segundo encontro foi em Podgorica, capital do Montenegro. Não é tão comum ter bed bugs na região, mas não tive sorte e acabei os encontrando. Os malditos bichos viajaram comigo e mesmo lavando e secando minha roupa há temperaturas de quase cem graus, eles não morreram.

Foi desesperador. Perdi meu sono e os bed bugs se tornaram, literalmente, o meu pior pesadelo. Algumas roupas minhas não resistiram ao calor da lavagem e perdaram a cor ou encolheram bastante. Sem contar todo tempo que levou para conseguir lavar e secar tudo!

Foi mesmo uma experiência muito desagradável, tudo bem que os perrengues fazem parte da vida de todo viajante, mas eu garanto que você não vai querer passar por essa, então vamos as dicas para evitar pegar bed bugs.

Como evitar os bed bugs?

Se você for um viajante organizado e tiver escolhendo a sua acomodação com calma, leia todos os comentários! É muito difícil se livrar dessa praga, então se o hotel ou hostel já teve percevejo uma vez, provavelmente ainda terá.

Chegando na acomodação nunca coloque sua mala na cama. O ideal é deixar em uma superfice dura. Os bed bugs odeiam cerâmica. Eles preferem ficar em tecidos, carpetes, móveis e principalmente nas camas!

ilha ligada com a terra pela maré baixa e oceano azul
Vista do hostel que voluntariei em Taormina

Cheque tudo! Não importa a hora, antes de dormir olhe o colchão, incluíndo a parte de baixo dele, as costuras do lençol também merecem um olhar cuidadoso. Caso ache algum bicho ou suas fezes, umas casquinhas castanhas , troque de acomodação imediatamente.

Para evitar bed bugs no seu hostel invista na limpeza. A melhor forma que já vi de limpar camas foi em um hostel que voluntariei pela worldpackes na Itália. Eles usavam uma mini máquina aspiradora, também chamada de vaccum. Funciona super bem e acho a forma mais higiênica de limpar lugares como muita ciruclação de pessoas, essa maquinha também limpa muito bem pêlos e cabelos!

Uma boa é colocar capa ou um plástico no colchão, protegendo e facilitando a limpeza. Outra dica é usar lençol branco para que qualquer sinal seja do insento ser mais visível. Essas medidas de higiene são importantes.

Como matar os percevejos?

Se você acordou com mordinhas achatadas vermelhas que formam uma espécie de caminho no seu braços, pernas ou costas, respire fundo! É muito provável que sejam picadas de bed bugs.

pele machucada com picadas de bed bugs. Picadas achatadas e vermelhas
Picadas de bed bugs depois de três dias

Fale imediatamente com os responsáveis e peça rembolso. O ideia é sair do lugar para evitar contaminar as suas coisas. Chegando na nova hospedagem ou em casa, fale com o responsável do local e lave e seque sua roupa na maior temperatura possível antes de entrar no quarto. Isso é muito importante, porque você não quer infestar o alojamento. Depois de seca passe cuidadosamente as roupas. Deixar tudo no sol também pode ajudar bastante.

A mochila também merece uma atenção especial. Colocar em um saco preto e deixar ele amarrado no sol por uns dias é uma forma de limpar a sua mochila de bed bugs. Para reforçar, antes de colocar mala dentro de casa aspire com cuidado as bordas.

Outra forma de matar os percevejos da suas roupas e mochilas e deixando de molho em um balde com água e sal por uns dias.

roupas boiando no mar
No desespero eu joguei minhas roupas no mar

Não é exagero, olhe todas as suas coisas muito bem, os bed bugs podem viajar inclusive dentro dos livros e conseguem ficam até nove meses sem se alimentar e dentro de casa é muito mais difícil de se livrar dos bed bugs já que eles são resistentes aos insecticidas convencionais.

Se você está viajando e já fez todo o procedimento com os seus pertences, fique calmo! A experiência e a alergia que persiste por algumas semanas, podem trazer ansiedade e uma paranoia. Cuide das picadas com as pomadas adequadas e se tranquilize até a alergia passar.

Uma experiência Maasai

Por Maria Fernanda Romero

Viagem pelo leste africano

Estive viajando pelo leste africano durante 6 meses e muitas experiências me marcaram ao longo desse percuso: Um trabalho no Quênia, nadar no mar azul de Zanzibar, conhecer o Malawi, experimentar vinhos da África do Sul… mas conhecer um povo de étnia Maasai na Tanzânia com certeza foi uma das melhores experiências da viagem.

homem maasai com roupas tipicas da etnica e menina ao lado sorrindo
Encontro Maasai

O povo Maasai

Os masais, com seus trajes coloridos, seus cinturões com dois paus e um facão, guardam muita tradição e história. A sociedade tribal acredita no poder das plantas, na natureza e vivem o momento. Não tem ansiedades, futuro. ou cobranças. Tudo é só aquilo que podemos ver. 

A etnia tem uma cultura poligâmica. Um homem pode ter quantas mulheres ele puder comprar. Cada mulher custa 15 vacas. Ou seja, um homem com mil vacas pode ter centenas de mulheres.Um pouco estranho para a mulher de etnia não-maasai, ocidental e defensora da liberdade das mulheres. Como uma mulher pode ser comprada com uma vaca? Como um homem pode ter infinitas mulheres… e a mulher só um homem?

animais pastando no gramado na frente de casas típicas maasai
Casas típicas Maasai

“Mas na verdade, na sua sociedade, vocês também dividem o marido. Mas em segredo.” Comentou o maasai, caindo na gargalhada. Ele tinha razão, né!? Nossa sociedade é um tanto quanto hipócrita. Mas eu acredito em relacionamentos baseados na confiança. E pelo menos as mulheres têm direito de escolher uma relação. Ir ou ficar nela. Quer dizer, algumas… 

Ritos de passagem

Faz parte da cultura Maasai alguns rituais de passagem para a vida adulta. O mais importante é aos 18 anos, eles ficam alguns meses na floresta sobrevivendo apenas com uma lança, dois paus e uma faca/espada. Há outros rituais de dança e fogo, mas não tive a oportunidade de presenciar nenhum.

Outro rito de passagem, que me chamou atenção, foi que todos os jovens passam por uma circuncisão. Mas para as mulheres é algo que deve ser bem doloroso. E perigoso. O ato, também conhecido como mutilação genital, também tira delas a possibilidade de sentir prazer sexual. Afinal, o clitóris serve exclusivamente para o prazer. 

menina com trajes típicos maasai
Menina Maasai

Religião

Na tribo também tinha uma igreja. O pastor, apesar de também ser maasai, só tinha uma esposa e dois filhos. A maioria dos maasai são monoteísta. Alguns não acreditam em Deus, e sim na força da natureza. Uma pequena minoria é islâmica. O catolicismo predomina entre eles.

A esposa do pastor é professora na escolinha da vila. Apenas 100 crianças frequentam a escola. “ e as outras?” Indaguei. Oras, se todas as crianças estudarem, quem vai cuidar das vacas e das cabras? É responsabilidade dos pequenos ordenhar as vacas e cabras e cuidar delas. Garantindo que não fujam.

Estrutura na tribo

As casas são feitas de árvore, folhas, palha e também fezes de vacas. Não existe banheiro, esgoto … essas coisas. O banheiro é a natureza! Fiquei chocada com essa informação. E eu que achava que demoraria muito pra me acostumar com os banheiros do oriente. Um buraco e um balde de água. Ali não tinha nem buraco e nem água.

Anoiteceu e o céu ficou todo cinza. Uma tempestade chegou sem dar sinais. Eu tinha a impressão que as casas iam cair, mas nem uma gota de chuva entrou. Me abriguei com a minha família por um dia. Eu não entendi nada que eles diziam e eles também não me entendiam. A gente sorria e era o bastante. 

O bom da chuva é que refrescou o clima quente. Então me deitei pra dormir na cama feita de couro de vaca, com mais 10 crianças. No começo, me senti desconfortável, depois me imaginei como parte da família e dormi até o sol nascer, quando os galos começarem a cantar.

menino com trajes tipicos massai em contraste de cores verdes
Menino Maasai

Lembrei que há alguns meses me questiono sobre como seria uma sociedade que vive sem a necessidade do capital. Imaginei alguns moldes dela. Jamais imaginei que pouco tempo depois passaria por uma experiência em uma tribo totalmente alheia a forma de vida com qual estou acostumada. E consequentemente, distante da minha lógica do capital também.

Admiro essa sociedade e essa forma simples de viver. O contato com a natureza. A forma que eles dividem e compartem tudo. As relações humanas. Mas sinceramente , não sei se poderia viver assim. Talvez eu já esteja corrompida pelo capital. Talvez eu queira exercer minha liberdade de uma outra forma. Eu não sei. Continuarei buscando a minha tribo. Quem sabe ela seja matriarcal, quem sabe ela ainda não exista.

Eu perdi tanto viajando

Por Maria Fernanda Romero

Viajar foi me perder de tudo que eu conhecia

Eu perdi alguns amigos. Mas também descobri que o amor é mais forte que qualquer distância, e não precisa estar perto para amar. As demonstrações mais sinceras, nem sempre compartilham comitantemente o mesmo espaço.

Eu perdi tantas roupas! Algumas eu deixei por aí, tem aquelas que alguém gentilmente guardou para mim, outras encontraram novos lares. Mas descobri que elas nunca definiram minha aparência.

perdida em uma praia deserta nas Canárias
Ilhas Canárias

Nessa viagem eu também perdi apego.

Tudo que é “meu” pode não vir-a-ser mais. De uma hora para outra. Talvez nada nunca tenha sido meu. Então, também perdi tudo que me pertencia.

E se nada mais me pertencia, não pude levar mais nada de onde passei. Escrevo as lembranças para eternizar memórias. Pois, depois de lotar a parede de alguma sala com cartões postais, perdi todas as coleções, que carregava no intuito de ter cada lugar comigo para sempre.

Foi aí que perdi a vaidade. Mas também encontrei meu brilho, e ele nada tinha a ver com quartzos pendurados no pescoço, ou com qualquer pintura na cara. E minhas manias? Eram vários tipos de rituais. Para acordar. Antes de comer e de dormir. O jeitinho de falar, a hora de escrever. A luz certa. A posição de sentar. E também de dormir. Deixei elas espalhadas em alguns encontros.

Perdi o medo de ver o tempo passar. De observar, mediocremente, a vida. De deixar de existir ou permanecer inerente.

Perdi o medo de não realizar os sonhos. Perdi o medo de não conseguir criar. Ou de não aguentar o peso. Da vida. Da mochila. Foi então que eu perdi o medo de lidar comigo. De me ouvir e me conhecer. Percebo que perdi tanta coisa, que continuar deve significar que também perdi a razão.