Lake Nakuru: Desbravando um safári no Quênia

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Guimarães

OS SAFÁRIS MAIS FAMOSOS DO MUNDO

No Quênia fica um dos safáris mais conhecidos do mundo: O Masai Mara Safari. Os pacotes para visita são caros: custam a partir de $300. Por isso, quando me decidi por fazer um safári, acabei escolhendo outro, que também não deixou nem um pouco a desejar.

Nakuru fica na região do Rift Valley, uma fenda causada pelo movimento de placas tectônicas e que vai desde o mar morto, na Líbia, até Moçambique. São mais de 6 mil quilômetros de fenda. Por ali, encontram-se vulcões inativos como o Mount Kenya, o Mount Longonot e o Mount Kulal, e diversos lagos, dentre os quais o Lake Nakuru, onde fiz o meu safári.

céu azul e nuvens no rift valley no Kenya. Montanhas verdes no horizonte, e natureza  em destaque, na fenda africana.
Rift Valley

O SAFÁRIA NO LAGO NAKURU

O Parque Nacional Lake Nakuru abriga centenas de espécies animais, como zebras, girafas, gazelas, javalis, rinocerontes, búfalos e inúmeras espécies de aves, inclusive os flamingos rosas, que colorem o lago de forma espetacular. A entrada do parque custa 80 dólares, mas como é preciso entrar com carro e guia, o preço acaba aumentando. No total, paguei $180.

Para ir ao safári, me levantei antes do sol nascer. Saí de Nairóbi, capital do Quênia, um pouco antes das 6h da manhã e às 10h já estava na entrada do Parque Nacional Lake Nakuru. Os primeiros animais que eu vi foram as zebras. Que vontade de fazer carinho! Elas pareciam tão alegres e tranquilas. Um pouco mais a frente estavam os búfalos. Eles já tem uma expressão mais séria. São grandes e robustos. O que me surpreendeu muito foi que, junto a eles estavam as garças, estas tão frágeis! Eles conviviam em plena harmonia. Na verdade, mais que harmonia, a relação ecológica desses animais é o mutualismo: uma relação da qual duas espécies se beneficiam sem serem necessariamente dependentes uma da outra.


bufáfos, flamicos, garças e outras aves no Lake Nakuru, Kenya
Lake Nakuru

As girafas também estavam lá. Comiam tranquilas, sem se preocupar com mais nada. Descobri que, pela sua cor, é possível saber seu sexo: os tons de laranja mais escuro são os machos, enquanto as mais claras são fêmeas. Outra curiosidade interessante sobre essas simpáticas pescoçudas é que elas quase não dormem e o cochilo é de pé. O nosso guia também reforçou o quanto a memória delas é boa.

No reino dos impalas não existe monogamia. Um macho pode ter até 40 fêmeas e elas o seguem por toda parte. Quando um macho quer o rebanho de outro, eles se enfrentam e o que matar o concorrente fica com todas as fêmeas.


girafa no lake nakuru, safãri do Kenya
Girafa
Búfalo e garças em Safari no lago Nakuru no Kenya
Búfalo

Na beira do lago, os flamingos fazem o maior espetáculo. O seu rosa se destaca no azul do lago, formando um cenário de filme da disney. Ali também há pelicanos, mas são as aves coloridas e elegantes e delicadas que roubam a cena. Outra “estrela” de Nakuru é o rinoceronte, um dos “big-five” (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte.) Atualmente ameaçados de extinção, eles ficam protegidos dentro do parque.

ALIMENTAÇÃO DURANTE O SAFÁRIA


As refeições estão inclusas nos pacotes de safári. A nossa foi excelente: uma salada e uma sopa de verduras de entrada, uma massa como prato principal e uma sobremesa maravilhosa – uma espécie de bolo mousse de chocolate com laranja. Não passei a noite no parque, mas diferentes tipos de hospedagem são oferecidas e, mesmos as mais simples, chamadas de “tendas”, são bem equipadas e completas.


zebra no lake nakuru, safãria no Kenya
Zebra
tres flamicos rosas no lago Nakuru, no Kenya
Lago Nakuru

A experiência de fazer um safári, só me fez ainda mais amante da natureza. Observar os animais em total harmonia e equilíbrio me trouxe uma paz inexplicável. Realmente, a natureza é perfeita.

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Nairóbi, uma capital de contrastes

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nairóbi não era nada mais do que um grande pântano até o fim do século XIX. Antes, a capital do Quênia era Mombasa. Isso até os ingleses construírem a linha de trem que liga Mombasa à Uganda, que é, até hoje, um dos trechos mais importantes para o comércio na região. Como Nairobi está localizada entre Mombasa e Kampala, a capital da Uganda, acabou sendo o local que os trabalhadores escolheram para se instalar.  A partir de então, foi crescendo até se tornar a metrópole que é hoje. A atual capital do Quênia é a sexta cidade mais rica da África e a maior entre Cairo e Johannesburgo.

Por causa das chuvas constantes e da temperatura que varia de muito calor de dia a um frio quase agradável de noite, Nairóbi é muito rica em natureza e em vegetação: uma capital muito verde ao redor dos carros e prédios.


menina alimentando Girafa em Nairóbi, capital do Quênia
Giraffe Centes

É também uma cidade de contrastes: um lado da cidade é muito rico, com hotéis, escritórios, prédios gigantes, cinemas, shoppings e muitas lojas de marca. Já no outro lado a miséria é escancarada. Kibera, a maior favela da África, está localizada ali.

O centro da cidade chega a me lembrar São Paulo. A River Road, avenida principal e também terminal dos matatus (o transporte local), pode ser comparada à 25 de Março. Lá é possível encontrar todos os tipos de estabelecimentos, e principalmente “barraquinhas” e comércios de rua. Tudo por um preço bem acessível. É confuso e bagunçado, mas é onde tudo acontece.


silhueta de homem, fumaça, restos de lixo e arvores
Queimando o lixo em Nairóbi

O que fazer em Nairóbi

Museu Nacional

O Museu Nacional de Nairóbi merece uma tarde inteira reservada só para ele. Ali é possível conhecer a história das mais de 40 tribos que formam a identidade queniana, assim como a história do Quênia desde sua colonização até a recente independência, em 1963.

O museu também conta com exposições de arte rupestre, fósseis de origem humana, exposições sobre mamíferos, vida aquática e também sobre a vida das aves. Além de tudo isso, há um parque de cobras na frente do museu. A entrada para o museu custa KES 1.800 incluindo o parque das cobras. A visita ao museu sem passar pelo parque custa KES 1.200.

KES é o código para a moeda do Quênia, o shilling queniano. Cem shillings quenianos valem um dólar, ou 27 shillings valem um real

foto em preto em branco, fotos antigas no contorno de uma escada no Museu Nacional de Nairóbi
Museu Nacional

Giraffe Center e Giraffe Manor

O Centro de Girafas de Nairóbi é um santuário de girafas. Quatro das nove espécies de girafas que existem no mundo estão no Quênia, dentre as quais a Rothschild, que está ameaçada de extinção. É por esse motivo que o santuário existe. Lá as girafas são cuidadas enquanto bebês e aos 3 anos de idade, já adultas, são reinseridas em parques nacionais da região oeste do país e da Uganda.

No centro é possível observar as girafas Rothschild, alimentá-las e também aprender muito sobre a vida delas. Ali há também um centro de educação ambiental que tem como principal objetivo conscientizar os visitantes sobre a importância da preservação ambiental.

Ao lado do centro de girafas está o Giraffe Manor, um hotel cinco estrelas, onde é possível se hospedar e interagir com as Rothschild. A entrada para centro custa KES 1.000,00.

Kenyatta International Conference Center

O Kenyatta International Conference Center é maior prédio público da cidade e o terceiro maior do Quênia. Tem 28 andares e uma vista panorâmica para toda a cidade. Um moderno centro comercial, com bancos, escritórios e também conferências. O rooftop é aberto ao público e custa KES 500.

Parque Nacional de Nairóbi

O único parque nacional dentro de um perímetro urbano do mundo, o Parque Nacional de Nairóbi oferece aos visitantes a possibilidade de vivenciar a natureza plena e harmônica. Algumas das espécies que podem ser vistas ali são: hipopótamos, gazelas, leões, zebras, girafas, búfalos, guepardos e leopardos, além de centenas de espécies de aves.

A entrada do parque para turistas é de 60 dólares e é necessário ter um carro para visitar. Pacotes a partir de 100 dólares ao dia são oferecidos por diferentes agências de turismo.


Zebra comendo no Kenya
Zebra comendo

O que comer em Nairóbi

A comida tradicional do Quênia lembra um pouco a comida brasileira. Ugali é uma massa de milho que lembra o arroz, mas com uma consistência diferente. O feijão também é muito comum, principalmente acompanhado de couve. Ghiteri é outro prato típico com feijão, batata e milho. O Chapati, um tipo de pão, também é muito comum por aqui.

Como toda grande metrópole, Nairóbi oferece comida de todos os tipos. De comida japonesa a culinária etíope. A área de Westlands oferece muitas opções de bares e restaurantes. Os mais famosos da cidades são: o Mediterraneo, que serve comida italiana; o Hashmi, uma churrascaria indiana; o Sarabi, que é um bar e restaurante dentro de um hotel; e o Talisman, que é um restaurante de comida variada, mas principalmente do Oriente Médio.

Para a vida noturna, Nairóbi também tem opções de bares e baladas. Conheci algumas como a Black Diamond, Alchemist, Brew Bistro, K1 Klub House e o Kengeles Bar.


pulseiras, missangas e outros artesanatos no tradicional Masai Market em Nairóbi, capital do Kenya
Masai Market

Em Nairóbi vale a pena também checar o Masai Market.Como já citado anteriormente, o Quênia é formado por mais de 40 tribos. A mais populosa delas é a Kikuyo, mas a mais famosa é a Maasai. Uma das características da cultura Masai é a cor vermelha, mas as vestimentas vão muito além disso. O mercado acontece todos os dias em um ponto diferente da cidade. Lá é possível encontrar diferentes tipos de artesanato, roupas e peças da cultura masai e aprender um pouco sobre ela.

Nairóbi é uma metrópole multicultural com muitos contrastes e opções de entretenimento e história. Muito indicado pra quem quer conhecer mais sobre o Quênia e entender um pouco sobre a África.



Aportando no Quênia pelo paraíso em Mombasa

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

A cidade litorânea mais importante do Quênia pode servir de ponto de partida para quem quer viajar pela costa do país africano. O porto de Mombasa é o mais importante da África Oriental. O centro histórico da cidade pode ser um pouco confuso, mas é uma aventura desbravar suas ruas e mercados. É um passeio muito válido para quem tem disposição e vontade de conhecer algo diferente.

O QUE FAZER EM MOMBASA

A visita ao centro histórico pode começar pela escultura Mombasa Tuks. Passando por ela, há diversos mercados de artesanato, frutas, especiarias e o tradicional Fish Market. O mercado mais famoso da cidade é o Marikiti.


tuk tuk amarelo em Mombasa
Tuk tuk em Mombasa

No século XI, Mombasa foi descrita pelas Crônicas Árabes como a residência do rei dos africanos negros. Posteriormente se converteu em um importante assentamento de árabes. Pela posição privilegiada, era um ponto crucial na rota do comércio entre a África e a Índia.

Os portugueses foram os primeiro europeus que chegaram em Mombasa, no século XVI. Numa tentativa de acabar com o monopólio árabe, atacaram a cidade e a deixaram destruída. Houve diversos conflitos na região e, em 1593, os portugueses construíram o Forte Jesus, que hoje está aberto para visitas e é um dos destaques da cidade. Ainda assim, os portugueses nunca conseguiram de fato consolidar a sua hegemonia. Primeiro, porque os habitantes de Mombasa sempre foram resistentes, mas também, porque, anos depois, holandeses, franceses e ingleses entraram na disputa pela influência no Oceano Índico.


homem com camisa do Brasil e aborbora cortada na mao. Atras cestas de limao.
Mercado Marikiti

Forte Jesus

O forte Jesus é agora um museu considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Lá é contada a história da influência portuguesa em Mombasa e das batalhas que ocorreram na região. O museu fica aberto todo dia das 8h às 18h. O valor para não-residentes é de 1200 shillings quenianos.

Praias

O melhor da cidade são as praias. Tanto a costa norte como a costa sul são deslumbrantes. A praia de Diani, na costa sul, é considerada uma das mais bonitas do país. As águas claras e a areia branca e seu contraste com as cabanas de palha, contribuem para a impressão de se estar num cenário de filme. Para chegar até a praia de Diani é preciso pegar a balsa em Mombasa. A praia têm acessos públicos e privados por resorts ou por “beaches clubs”. Alguns pedem uma taxa para entrar, outros você só paga se consumir. Eu entrei pelo Bidi Badu Beach Resort e lá só se pagava o que se consumia. Achei os preços justos em relação à média do país. Na praia de Diani também é possível mergulhar: o mergulho é uma das principais atrações turísticas do lugar, assim como o kitesurf.


Praia. 3 menino em primeiro plano  em segundo plano barco. muito azul
Nyali Beach

A praia de Nyali também não ficou muito para trás no quesito “deslumbre”. É mais acessível do que a praia de Diani e também tem um mar de cor exuberante. Ali é preciso ter atenção com a tábua da maré. O mar vai chegando aos poucos na praia e, mais ou menos às 17h fica perfeito para entrar na água e mergulhar. No mesmo esquema de acesso que a praia de Diani, entrei pelo Reef Hotel, que compreende, no seu conjunto, o Moonshine: um bar restaurante muito agradável com vista para o mar.

Do lado norte, os destaques ficam com Kilifi. É uma praia mais tranquila e menos conhecida que as anteriores, onde a natureza predomina. Outra praia de mergulho muito famosa é Watamu, que fica a 150km de Mombasa. Há também Malindi frequentada principalmente por italianos e Lamu, uma praia em que predomina a população árabe. Em Lamu tem os famosos Dhow – uma espécie de barquinhos a vela. Os passeios valem muito a pena.


camelo na praia
Nyali Beach

Lugares  para comer

A comida típica da região é principalmente Ugali, um tipo de pasta de arroz, feijão, chapati e carne. A comida é simples, e confesso que nem sempre me agrada. Mas achei alguns restaurantes que incrementam a comida local com a culinária extrangeira. Gostei muito do restaurante Blue Room, no centro da cidade, mas, principalmente, do Punta Cana na praia de Nyali. Em Mombasa também existe o famoso Hard Rock Café.

Nos países do oriente que já visitei, percebi um costume de barganhar por preços, ou seja, sempre que te falam o preço de um produto ou serviço, é preciso negociar e renegociar até chegar ao seu valor real. No Quênia isso me incomoda um pouco, pois é necessário barganhar até o preço do Uber. Então a dica é: tenha paciência.


casas de palha e mar em praia no litoral do Kenya
Dinai Beach

Outra recomendação é sempre pesquisar sobre a situação atual do país antes de agendar uma viagem para lá, pois existe a possibilidade de conflitos na região.

Uma mistura bem napolitana: lendas, histórias e comidas

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Nápoles é mais uma cidade do sul da Itália que bem que poderia estar na América do Sul. Desorganizada, caótica e com trânsito, a cidade da pizza também é conhecida pela suas belezas naturais. Às margens do mediterrâneo e perto de um dos maiores vulcões ativos da Europa, Nápoles também tem muitos mistérios.

prédios coloridos, mar azul, pedras e ondas batendo
Nápoles

O QUE FAZER EM NÁPOLES

A Piazza Dante é uma das praças centrais da cidade. Ali é um bom ponto de partida para começar explorar a região: além de estar bem perto do emblemático Museu Arqueológico Nacional, um dos museus mais importantes da Europa, a piazza também fica perto do centro histórico da cidade.

A rua principal do centro histórico é apelidada de “Spaccanapoli”, em italiano “Divisor de Nápoles”, pois olhando de cima, parece que a rua literalmente divide a cidade. Ela vai da Piazza del Gesù Nuovo até a Piazza San Domenico Maggiore.

No centro histórico de Nápoles é possível encontrar tudo aquilo que temos no nosso imaginário sobre os italianos: os varais que cruzam as ruas, as pessoas gritando e gesticulando, bagunça, igrejas maravilhosas e muita pizza e massa.

IGREJA E MURAL NO TETO



Comi as melhores pizzas da minha vida na cidade. A pizzeria mais famosa é a  L’Antica Pizzeria Da Michele, que, inclusive, está no filme Comer, Rezar e Amar. Mas todos as pizzerias da região são maravilhosas.

A viagem valeria a pena só pela pizza. Entretanto, fui me envolvendo pela cidade a cada segundo. As igrejas são maravilhosas. O Duomo di San Gennaro é a principal Catedral da cidade. Lá está o sangue do santo padroeiro da cidade e duas vezes por ano acontece a sua “liquefação”. De denso, o sangue do Bispo se torna fluido e traz toda uma comoção na cidade.

VARAL ENTRE PRÉDIOS EM NAPOLES
Centro Storico

Descobri que o napolitano acredita muito em lendas. Eles também têm uma outra relação com a morte: uma fé um pouco mística. Além das lendas relacionadas a San Gennaro e a “liquefação” do sangue, há também uma lenda sobre cuidar dos restos mortais de desconhecidos, para que virem protetores dos seus cuidadores quando saírem do purgatório. Na Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco é possível aprender um pouco sobre essas lendas e também ver alguns esqueletos. A entrada é gratuita, mas é necessário pagar 6€ para ver os esqueletos.
Outra igreja que vale uma visita é o Pio Monte Della Misericordia, onde fica um vitral pintado por Caravaggio. Para entrar na igreja, é necessário pagar 7€.

Na frente da Igreja di Santa Maria delle Anime del Purgatorio ad Arco fica outro museu importante para a cidade: o Napoli Sotterranea.  Lá é possível visitar escavações, passagens secretas, catacumbas, aquedutos e todas as ruínas dos templos greco-romanos que existiam ali. O ingresso custa 10€.

A via San Gregorio Armeno é outro ícone do centro histórico. O ano inteiro há uma exposição de presépios em tamanho real. É muito bonito e colorido.

CASTELO DELL OVO E MAR EM BAIRRO TRADICIONAL NAPOLITANO
Castell dell´Ovo

Saindo do Centro histórico em direção ao mar,  passando pelo Quartieri Spagnoli, chega-se ao Castel Nuovo, uma fortaleza medieval e museu de arte. A entrada custa 6€. Ao lado do museu fica a Piazza del Plebiscito, onde está o Palácio Real e, há alguns metros de distância, a Galleria Umberto I, um centro comercial com uma arquitetura chamativa e imponente.

Continuando até o mar, encontramos também o Castel dell’Ovo, guardião de outra lenda da cidade. O poeta Virgílio teria escondido ali um ovo mágico que manteria em pé toda a fortaleza. Se um dia o ovo quebrar, não só o castelo cairá como uma série de catástrofes acontecerão à cidade.

Vulcão Vésuvio
Vulcão Vésuvio

 

Música, luz e cores de Palermo

Por: Maria Fernanda Romero
Revisão: Clara Porta Guimarães

Palermo, a capital da Sicília, é uma cidade bem intensa e cheia de contrastes. Me senti fora da Europa, na capital da Argentina ou em uma grande metrópole do Brasil.

As cidades da Sicília são conhecidas pela desorganização e pelo caos, mas Palermo tem uma desordem ainda mais evidente nas ruas de Kalsa, o bairro árabe, ou nas vielas do Quattro Canti, que começa no cruzamento entre a Via Maqueda e a Corso Vittorio Emanuele.

FESTIVAL DE ARTE DE RUA

Foi lá que aconteceu o festival de arte de rua “Ballarò Buskers” nos dias 19, 20 e 21 de outubro.  A região também é conhecida pelos mercados, que lembram as feiras brasileiras. O Mercato Ballarò é o mais conhecido. Frutas frescas, peixes e artesanatos se misturam e colorem Palermo.

praca com muito verde na capital da sicilia
Palermo

Durante o Buskers Festival tudo isso se misturou com circo, teatro, dança e música. A abertura do Festival foi na Piazza Mediterraneo com Marco Masetti e Alessia Spatoliatore: uma combinação de circo de rua com teatro. Leve e divertido, agradou público de todas as idades.

mulher danca na rua em festival de arte em palermo

Sábado e domingo, durante a tarde, as crianças tomaram conta das ruas. As praças Mediterraneo, Brunaccini e Casa Professa, foram palco de laboratórios de circo e artesanato. Os pequenos se divertiram e coloriram o bairro ainda mais.

Durante a noite muita música acompanhou as apresentações de teatro e circo. A praça Ballaró e a Santa Chiara foram as mais animadas, com shows que se estenderam até o início da madrugada.

pessoas caminham na rua  e saxofonista e seu filho se apresentam em Palermo

MAIS EM PALERMO

Motoqueiros sem capacetes, carroças, gritaria e arte estão por toda a parte na capital cultural da ilha. Os contrastes de Palermo são notados principalmente pelas ruas velhas e muitas vezes sujas, nas casas mal-cuidadas contra a arquitetura deslumbrante. O renascimento italiano impera nas construções, principalmente nas Igrejas indescritivelmente bonitas, imponentes e com muito mármore. As mais conhecidas do Centro Histórico, além da Catedral de Palermo são a Chiesa di San Giovanni degli Eremiti e a Chiesa di Santa Maria dell’Ammiraglio ou Chiesa della Martorana.

ESCOLA DE SAMBA EM PALERMO

Outros pontos turísticos da região são o Palazzo dei Normanni e a Piazza Bellini, onde está a Fontana Pretoria. Alguns edifícios da Piazza Bellini estão conservados desde 1400. É impressionante e maravilhoso. Além disso, no Borgo Vecchio fica o Teatro Massimo, uma das casas de ópera mais famosas do mundo e a maior da Itália. É uma das locações de “O Poderoso Chefão”.

CATEDRAL DE PALERMO
Catedral de Palermo

Quem desembarcar em Palermo viverá uma experiência intensa e encontrará muita história, cultura e diversão.

Boom Festival: Geometría Sagrada

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

UM DOS MAIORES FESTIVAIS DE CULTURAS ALTERNATIVAS DO MUNDO

O Boom é um Festival de Culturas Alternativas que acontece uma vez a cada dois anos em Idanha-a-Nova, Portugal. Neste ano aconteceu entre 22 e 29 de julho.

O tema do Boom Festival de 2018 foi Geometria Sagrada: a ciência que estuda os padrões, os códigos, as proporções e os sistemas de todas as coisas. As nossas células, as folhas, a natureza, tudo segue o mesmo padrão geométrico. Tais figuras, formas e proporções são consideradas sagradas por serem encontradas em toda a Criação.

LAGO DO FESTIVAL DE CULTURAS ALTERNATIVAS BOOM COM MUITAS PESSOAS NADANDO

O Boom Festival é diferente de outros festivais de música e cultura, pois ele se aprofunda no tema escolhido de forma que não é apenas a decoração que é voltada a ele: ele é também abordado em debates e palestras durante o festival, ao lado de outros assuntos alinhados à Espiritualidade, à Redução de Danos, à consciência ecológica, a novos sistemas econômicos e, pela primeira vez este ano, à igualdade de gêneros.

mulheres discutindo sobre igualdade de generos em festa
Discussão sobre igualdade de gêneros em festas

A Boomland, espaço onde ocorre o festival, é totalmente sustentável. Há um lago que rodeia grande parte da festa e deixa o calor mais suportável. As estruturas e os espaços são construídos pensando na bioconstrução. Até os talheres distribuídos na praça de alimentação são biodegradáveis. Eles são feitos de amido de batata. Os banheiros são de compostagem, ou seja, são banheiros secos e por isso não desperdiçam água. Não é permitido o uso de nenhum produto químico, o que gera um bom adubo para o solo do espaço.

filtro de sonho de bamboo no boom festival

MÚSICA

Ao todo são 7 palcos no Festival. Os principais são o Dance Temple e o Alchemy Circle. No Dance Temple os principais nomes do trance se apresentam. De Ace Ventura e Astrix a Confo e Farebi Jalebi. Na noite do eclipse lunar (27.07), o grupo de trance orgânico Highlight Tribe fez uma apresentação emocionante.

O Alchemy Circle é mais alternativo. O line-up conta com grandes nomes da gravadora Zenon Records. O som nem sempre tem altos bpm, mas é sempre muito psicodélico.

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Dance Temple

A arte está presente em todos os cantos do festival. Cada jardim e cada esquina tem alguma coisa especial, seja uma decoração mágica ou uma reflexão. A arte é tão presente no Boom que tem até um Museu no Festival: o Museu de Arte Visionária que nesta edição incluía obras das artistas Amanda Sage e Martina Hoffmann.

O Being Fields é o espaço de cura, onde acontecem as práticas de yoga, meditação, terapias aquáticas, rituais xamânicos e qualquer outra reconexão do homem com a natureza. Hoje o espaço é uma das áreas mais importantes da festa e abre alternativas para quem busca algo além da música.

ESCULTURA DE MADEIRA EM BOOM FESTIVAL

No palo Sacred Fire também acontecem rituais xamânicos, e, como o nome indica, fogueiras. É no Sacred Fire, que acontecem os workshops. Um espaço inspirador de troca de conhecimento e experiências.

A Redução de Danos no Boom Festival também é uma das melhores do mundo. A Lei de Drogas de Portugal é pautada dentro das políticas de Redução de Danos e descriminaliza o porte de todas as substâncias. O país também reconhece a importância do trabalho informativo, inclusive a respeito do conteúdo das substâncias, como ferramenta preventiva para diminuir os riscos e o uso abusivo.

POR DO SOL NO BOOM

Por isso, o Coletivo Kosmicare organiza um stand informativo e também de teste de drogas, utilizando uma técnica chamada TLC. Além disso há um espaço de Psycare, onde pessoas que estejam tendo uma experiência difícil com o uso de substâncias psicoativas ou, pessoas que apenas queiram conversar,  podem falar abertamente com os redutores de danos.

O Boom prega a liberdade e o amor. Busca ensinar às pessoas um pouco mais sobre consciência ecológica, redução de lixo, do consumo e principalmente respeito às diferenças.  É um espaço mágico e acolhedor. Uma experiência inesquecível e imprescindível à todos que acreditam em uma forma mais leve de viver.

Valência, Horchata e Paella

Por Maria Fernanda Romero
Revisão Clara Porta Guimarães

Valência não é a cidade mais visitada da Espanha, porém é o berço de alguns aspectos da cultura espanhola. Para começar, a paella, que é um dos pratos espanhóis mais conhecidos no mundo, teve sua origem na cidade. Ela surgiu entre os séculos XV e XVI na Albufeira Valenciana, fruto da necessidade dos camponeses de preparar uma comida fácil e nutritiva com os ingredientes que havia no campo.

A paella tradicional é feita com frango e coelho, mas, depois, outros sabores foram criados e hoje é possível encontrar diversas variações do prato: com mariscos, verduras e outros tipos de carnes. Além da Paella, em Valência é possível encontrar a Horchata, uma bebida típica espanhola feita de chufas e pão doce. Há várias Horchaterías pelo centro da cidade.

VISTA PANORAMICA DE VALÊNCIA
Centro de Valência

O QUE FAZER EM VALÊNCIA

Não é só a gastronomia Valenciana que ainda carrega traços do passado. A cidade preserva um pedaço do muro que a envolvia durante a Idade Média. A Torre de Serranos, construída entre 1392 e 1398, também já funcionou como uma prisão. Hoje em dia, além de um marco histórico, funciona como museu. Ela é a porta para o centro histórico da cidade, que também é conhecido como Barrio Del Carmen. Lá também estão a Catedral de Valência, o centro arqueológico La Almoina, o mercado Lonja de La Seda e a Torre Miguelete.

Júlia Reis, 21, paulista e estudante de Arquitetura, nota que o centro é movimentado e também muito seguro. “A praça central tem muita vida, muita criança brincando até tarde. É tranquilo e movimentado. Também é bem iluminado, tanto de dia, quanto de noite.”

VISTA PANORAMICA DE VALENCIA
Vista Mirador Ataneo Mercantil

O centro de Valência mistura muitas influências arquitetônicas: gótico, o barroco francês, o barroco italiano e o neoclássico. “Todas as cidades da Europa têm uma arquitetura mais antiga. Eu vim para a Europa estudar a arquitetura, mas aqui percebi que não posso usar o que eu vejo como referência para o Brasil. É uma arquitetura muito antiga, totalmente fora da realidade brasileira, principalmente por causa do clima do nosso país. Aqui as cidades se encaixam, têm uma composição e um ritmo”, completa Júlia.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E DAS CIÊNCIAS EM VALÊNCIA
Cidade das Artes e das Ciências

Ao mesmo tempo que a cidade preserva muita história, também é conhecida pela Cidade das Artes e das Ciências, onde ficam as obras futuristas de Santiago Calatrava. O arquiteto se inspira em formas orgânicas e também abusa de formas assimétricas e surrealistas.

ESCULTURA MODERNA NA CIDADE DAS ARTES E CIENCIAS
Cidade das Artes e das Ciências

Dentro da Cidade das Artes e das Ciências é possível visitar o Hemisfèric e o Museu de les Ciències, com entradas no valor de 8 euros, e o Oceanogràfic, com entrada no valor de 29 euros. Também é possível comprar um combo para visitar todos os museus em mais de um dia, por 32 euros.

FALLAS

Visitar Valência e vivenciar a cultura espanhola é um bom programa em qualquer época do ano, porém uma dica é visitá-la entre 15 e 19 de março, quando acontecem as Fallas. As fallas são as festas típicas da cidade, onde ocorrem demonstrações culturais como a Cavalgada de fogo. Também há shows de música para todos os gostos. Vale muito a pena estar presente em Valência durante as fallas.

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Outras opções do que fazer em Valência, você pode encontrar no nosso parceiro mochileiros.