sufocada

Por Maria Fernanda Romero

Estou sufocada.
Meu oxigênio contaminado,
minhas células morrem lenta(mente),

Neste quadrado cercado,
muitas caras, cheias de cores e pudores,

choro… choro e, tento recuperar o fôlego,

No meio do cinza,
concreto,
carros e caminhões,

Posso morrer asfixiada,
E eles não vão entender nada

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hoje me despeço

Por Maria Fernanda Romero

Naqueles olhos que eu enxerguei a paz,
hoje refletem o buraco dolorido e sangrento que se abriu em meu peito,
enquanto dormia no aconchego do seu abraço sonhei com nosso paraíso,
ele só existe no meu sonho.
acordei destruída.

olhei o nosso velho quarto pela última vez,
ainda sinto o gosto amargo do último gole de café,
perdida numa noite fria de verão,
só quero mais um trago

alice 4
Foto: Alice Reis

A Fer(ida)

Por Maria Fernanda Romero
Vejo meu sangue escorrendo,
o sangue da ferida,
da ferida que você me causou,
como cicatriza a ferida?
a ferida era de amor.
mas amor não machuca…
o sangue escorre,
o sangue sufoca,
vou beber o sangue da ferida,
da ferida que você me causou,
doutor, ajuda, por favor,
quero um remédio para a grande ferida que é o amor